Tuesday, January 6, 2009

Não parece

O computador soluça, restarta sozinho. Não encontro o problema nem a solução. Hoje, depois que voltar da aula (dou aula à tarde) vou reformatar novamente. Seja o que a entropia quiser, eu tenho que conseguir terminar o trabalho que comecei.

É uma pena, o problema já dura uma semana e está me atrasando horrores. Tenho coisas pra imprimir, pra despachar e não posso trabalhar, de repente, sem aviso, a máquina me dá a tela azul dos infernos. PUF! Foda-se eu.

Não tenho idéia do que possa ser, o técnico me tratou como se meu computador fosse uma peça de museu e orçou um novo para mim. Consertar esse parece ser um desperdício para ele. A minha vida toda é um desperdício. A minha vida inteira está nesse computador. Não que isso faça nenhuma diferença para o técnico.

Mas nem tudo na minha vida é desperdício e amolação. Na quinta-feira, fui assistir a um querido amigo que ia cantar com sua banda. A banda toda é composta por físicos, especialistas em quântica, em buracos negros,  tocando instrumentos musicais.

Divertido e poético, físicos-músicos.

Eu seria totalmente alienígena no lugar se uma querida amiga não tivesse ido comigo. Eu não era uma alien única. Para ser completamente justa, éramos três aliens ali, eu, ela e o amigo que canta tão bem. A voz dele é preciosa, fiquei muito impressionada. Nós destoávamos de todas as formas possíveis das demais pessoas por ali.

Ao final da noite, um matemático já bastante embriagado colou em nós duas. Meu amigo fazia as vezes de anfitrião aos demais convidados. Eu não estava muito a fim de papo com o matemático. Destesto alcoolizados e gente travada e  ele parecia ser ambas as coisas. Fora que eu sou da turma de “pessoas que amam pessoas” e qualquer um que viva de acordo com as restrições de rótulos sociais não vai aguentar andar comigo nem por cinco minutos. Whatever, eu não podia ser grosseira com o sujeito, então polidamente sustentei a conversa. Minha amiga ria.

Dali uns cinco minutos encostou uma linda dollie. Linda. De tirar o fôlego. E aposto que ele nem sabe disso. Ele devia ter seus vinte e seis, vinte e sete anos, um longo cabelo negro sedoso preso em um rabo de cavalo, com um copo de cerveja na mão. Puto. Puto dentro das calças porque o matemático estava embriagadamente me dando atenção. Tivemos um diálogo surreal que incluiu um comentário de que eles já teriam dormido juntos - dormir mesmo, nos braços um do outros, sem maiores conotações sexuais. Argumentamos, minha amiga e eu que isso não tem nada a ver com sexo, veja bem, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

A linda e furiosa dollie ferveu ainda mais depois desse comentário.

O matemático não me interessava nem um pouco. Nada. Definitivamente não era o meu tipo. Apenas não quis ser grosseira com ele, adivinhando que seria o amigo do amigo de alguém por ali. Eu não queria causar mal estar ao amigo que me convidou.

Mas a furiosa dollie sanguinolenta atiçou todos os meus instintos, todos. Que lindo que ele era. Que ciumento. Que ódio que me destilou.  Que desejo de arrancar o meu sangue que ele tinha. Que vontade que me deu de aplacar aquela ira até deixá-lo em lágrimas.

Eu não mudo, homens bonitos, passionais e temperamentais que gostam de outros homens ainda são os meus favoritos. E me inspiram a escrever e a filmar, claro.

Ah, foi uma noite gloriosa. Aquela linda dollie furiosa fez com que a noite se tornasse especial. Aposto que o matemático nem percebe quanta paixão existe naquele amigo dele. Aposto que o amigo dele nem percebe o quanto ele mesmo é glorioso.

E eu, que venho me sentindo uma velha, me senti de repente a mais gloriosa das mulheres, acuada por aquela dollie gloriosamente cheia de ira ciumenta. Eu ainda desperto as mais curiosas paixões nas pessoas. Não esperava por aquilo.

Que noite fenomenal.

Tem uma pessoa tomando chá sozinha... em “Não parece”

  1. Rogério Rocha bebe chá e diz:

    LOL

    ;-)

Beba o chá e fale alguma coisa: