Saturday, May 17, 2008

Contadores de histórias

Qual é o ingrediente mais importante de um bom livro? Um autor que escreve bem e uma boa história. Qual é o ingrediente mais importante de um bom filme? Um roteiro bem escrito com uma boa história.

Confesso que não entendo esses tempos eternamente modernos. As pessoas gostam de boas histórias, ponto.

Então vou contar uma historinha.

Eu falo inglês razoavelmente. Desde 2001 eu participo de foruns em inglês. Foi uma idéia excelente porque desde então, tenho tido a oportunidade de aprimorar o meu inglês coloquial.

Recentemente, devido a alguns compromissos de trabalho, inspirada por colaboradores e com um empurrãozinho do meu irmão Urso, estou jogando The Sims 2.

The Sims é um jogo perfeito para quem gosta de contar histórias. Seus sims vivem essas histórias e você pode narrá-las.

É isso que tenho feito, em inglês, em um fórum americano que discute o jogo e que frequento desde 2001.

Então temos alguns ingredientes curiosos reunidos. Imaginem que meu inglês tem um forte sotaque brasileiro. Eu construo as frases com o pensamento de quem fala e escreve originariamente uma língua latina, não uma língua anglo-saxônica. Quando comecei a frequentar o mencionado forum, eu tinha muito bloqueio em escrever fluentemente. Ficava constrangida de cometer erros diante de uma audiência de mais de 4000 pessoas que falam inglês como língua original. Com o tempo, perdi essa vergonha e passei a escrever.

Eu não ia nesse fórum há uns dois anos.

Então, jogando The Sims 2 e querendo contar como vão as desventuras dos meus sims, comecei a narrar para o pessoal do fórum, em inglês, o que tem acontecido no meu jogo. A recepção foi muito animada, as pessoas estão acompanhando a minha narrativa como se fosse uma novela.

Basta termos a ferramenta da língua, gosto pelo texto e uma história para contar.

Tenho visto as pessoas desejarem inventar livros e roteiros mirabolantes. Tenho visto as pessoas buscarem receitas mágicas para fazer livros e filmes, especialmente os mais jovens.

Os tempos modernos nos fizeram complicar tudo, quando deveríamos, talvez, simplificar.

Podem me chamar de simplista, mas continuo achando que o início da meada é ter um bom uso da linguagem e uma boa história para contar.

4 Chás servidos em “Contadores de histórias”

  1. Tony Lopes bebe chá e diz:

    Estou começando a acreditar nisso também!
    Estou tentando, já comecei a contar algumas histórias. Acho que dessa vez me animo!
    [],s

  2. Erwin Maack bebe chá e diz:

    Somente os gênios como , por exemplo, Guimarães Rosa ou Carlo Emilio Gadda conseguem ao mesmo tempo usar a linguagem como forma de arte em si mesma, além de contar uma história que prenda a atenção. A musicalidade da linguagem , pelo menos na minha experiência de leitor, acaba afastando o interessante da história. Nós ficamos presos na forma da leitura e perdemos o fundo.
    Grande Sertão exige, inicialmente, uma grande atenção até que a música domine nossos ouvidos, depois de algumas páginas (os mais pessimistas estimam em cinquenta, não acredito) a história que é muito inteligente, profunda e complexa acaba por nos puxar para dentro do livro até que não o soltemos mais, a não ser no final.
    Para todos os efeitos a linguagem sendo correta, simples e direta, serve de coadjuvante da história propriamente dita. Uma boa história é o fundamento de um bom livro.

  3. renmero bebe chá e diz:

    Acho que narrar as histórias dos sims é um hábito tão bacana que todo mundo deveria experimentar.
    E pra melhorar, agora temos o The Movies, que vem fazendo a alegria dos nerd cinéfilos.

    O importante é que todas as histórias devem ser contadas. Varia mesmo é como e quem conta.

    Obrigado pelo comentário lá no meu cafofo. :)

  4. renmero bebe chá e diz:

    Ora, ja leio você faz tempo, assinei o feed no começo do ano.

    É que não sou muito de comentar em blogs. Apenas nos que gosto mesmo.

Beba o chá e fale alguma coisa: