“Qualquer filme brasileiro é melhor que qualquer filme estrangeiro”
Texto retirado do Reduto do Comodoro, blog do diretor Carlos Reinchebach:
Nós sabemos que as lendas surgem naturalmente da tradição oral; que a história do mundo e os evangelhos sofrem a ação sistemática da interpretação de seus narradores e tradutores.
Atribui-se ao saudoso mestre, intelectual, escritor e crítico Paulo Emílio Salles Gomes, a frase: “Qualquer filme brasileiro é melhor que qualquer filme estrangeiro”. A frase, inclusive, foi estampada numa das belas camisetas do canal Brasil.
Na verdade esta frase nunca foi dita; pelo menos, não desta maneira. Ela foi “esboçada” (ou “traduzida”) indiretamente do fanzine CINEGRAFIA, número um (e único), que era editado por Eder Mazini, Inácio Araújo e Carlos Reichenbach; com as colaborações de Jairo Ferreira, José Mario Ortiz Ramos, Renato Petri, Ivan Maglio e Ozualdo Candeias.
Em Cinegrafia, Paulo Emílio Salles Gomes, numa polêmica entrevista de capa, a respeito de sua notória militância a favor do cinema brasileiro, disse exatamente o seguinte:
“Nós tentamos seguir de perto toda a produção brasileira atual, sem nenhuma exceção. Eu compreendo que isto é uma coisa laboriosa, difícil, frequentemente ingrata mas que em última análise é culturalmente muito mais satisfatória. A gente encontra tanto de nós num mau filme (brasileiro) - que pode ser revelador em tanta coisa da nossa problemática, da nossa cultura, do nosso subdesenvolvimento, da nossa boçalidade - inseparável da nossa humanidade, que em última análise é muito mais estimulante para o espírito e para a cultura cuidar dessas coisas ruins do que ficar consumindo no maior conforto intelectual e e na maior satisfação estática o produto estrangeiro.”

January 19th, 2006 em 4:39 pm
Ufa! Ainda bem que você fez essa citação. A frase atribuída ao Paulo Emílio era de uma imbecilidade atroz. Nunca entendi direito o que me pareceu um arroubo ufanista dos mais simplórios.