O que tem no copo vermelho?

Há algumas semanas essa pergunta começou a aparecer em sites, blogs e listas de discussão. Três esculturas de um grande copo vermelho tinham aparecido nas cidades de São Paulo, Salvador e Recife. Logo de início, várias pessoas desconfiaram se tratar de uma ação de marketing, especialmente depois de uma pesquisa no órgão que cuida dos registros de nomes de domínio brasileiro, quando constatou-se que o endereço do site do mencionado copo pertence à uma empresa de divulgação que usa as chamadas estratégias de marketing de guerrilha.
Marketing de guerrilha é uma técnica de marketing normalmente utilizada por pessoas ou grupos que não possuem poder econômico para fazer campanhas publicitárias de largo alcance e se utilizam de grafitis de rua, flyers feitos com xerox e outros métodos baratos para divulgarem suas idéias. Uma especialista das mais bem sucedidas em marketing de guerrilha é a artista plástica Adriana Xiclet com sua galeria de arte underground, que já foi citada nessa coluna.
A discussão sobre o marketing do copo pegou fogo no Radinho, uma lista de discussão que possui entre seus membros vários profissionais de mídia interativa que trabalham com internet desde a criação da internet comercial no Brasil, em 1995: René de Paula Jr, Gisela Rao, Charles Pilger, Michel Lent Schwartzman, Jean Boechat, André Franco, Edney Souza, só para citar alguns nomes. Quem acabou matando a charada foi Charles Pilger: era mesmo uma ação de marketing de uma famosa marca internacional de bebidas alcóolicas.
Uma semana depois, no site do mencionado copo, apareceu o anúncio de uma festa fechada com uma lista de convidados. Curiosamente, os nomes listados não eram os nomes das pessoas e sim, os endereços dos sites e dos blogs com os devidos links. Novamente, uma ação de marketing de guerrilha. Nenhum dos donos dos sites tinha sido avisado (ainda) sobre a festa. Alguns deles tomaram conhecimento de que seus nomes estavam postados no site do copo através das mensagens do Radinho. O debate esquentou novamente e vários se consideraram usados – com toda razão, uma vez que seus endereços de internet estavam sendo listados num site destinado a fazer propaganda de um produto, sem remunerar os donos dos sites, sem pedir a permissão de uso dos nomes deles, sem sequer avisarem.
O questionamento feito no Radinho sobre a ética de uma empresa de bebidas alcóolicas que utiliza marketing de guerrilha é válido e necessário: bebidas alcóolicas pertencem geralmente à grandes corporações e são de venda proibida para menores de 18 anos. Bebidas alcóolicas não são inofensivas, o abuso do álcool é responsável por violência familiar, acidentes de trânsito com mortes e doenças degenerativas sérias. É ético o controle publicitário de um produto como esse. Numa ação de marketing como a utilizada na campanha do copo vermelho não há como selecionar o público alvo, todas as pessoas são atingidas pela campanha, indiscriminadamente.
Formadores de opinião não são ingênuos
No sábado passado, finalmente, aconteceu a festa vip do copo. Estive na festa, onde também estavam presentes diversos outros blogueiros, alguns deles de grande audiência, como Alê Félix, Inagaki, Biajoni, Marmota, Bibi e vários outros. Fomos todos considerados “formadores de opinião”, convidados a beber e comer de graça na festa. Acredito que o idealizador da campanha do copo vermelho esperava que em todos os blogs surgissem comentários sobre a festa – assim como, há uma semana atrás, em diversos blogs apareceram posts comentando sobre o mistério do copo.
Desde o domingo pós-festa eu tenho acompanhado os blogs de pessoas que estavam na lista dos convidados vips. Vários blogueiros comentaram que estiveram na festa, falaram dos amigos, da problemática de participar de uma festa que tem uma escada íngreme separando o local do som e das bebidas do local onde eram servidos os canapés, mas nenhum deles falou o nome da marca patrocinadora.
Não sei se a empresa que criou a campanha ou os donos da marca esperavam algo diferente disso. Ir a uma festa boca-livre é uma coisa. Fazer propaganda gratuita para uma marca milionária é algo muito diferente.
A comida da festa estava legal, serviram alguns sucos de frutas deliciosos (abacaxi com hortelã, framboesa) e a bebida patrocinadora pura ou misturada com água de coco e outras misturas bizarras - desce melhor pura, as misturas eu dispensei. Não é uma bebida que aceite impunemente misturas, a mistura estraga tudo.
A festa não estava tão cheia quanto os organizadores gostariam que estivesse: devia ter no máximo umas cem pessoas. Ouvi dizer que alguns blogueiros muito famosos estavam por lá. Alguns nomes foram mencionados, mas eu não os vi.
O som era ruim, uma mistura descombinada de axé com rock anos 80 e brega. Ao menos combinava com as misturas descombinadas da bebida patrocinadora com limão, gelo e água de coco. Eu não tive coragem de provar. Meu irmão, que me acompanhou na festa, experimentou a versão com água de coco e disse que não era ruim, não. Eu preferi os sucos de frutas, estavam deliciosos.
No final da festa serviram café e chá com pão-de-mel e petit-fours. Muito bom, mas melhor ainda, entretanto, foi ver todos os meus amigos, companheiros de internet de longa data. Não foi uma festa, entretanto, memorável o suficiente para entrar para a história da blogsfera. As festas de aniversário do Jesus Me Chicoteia, sempre divulgadas em dúzias de blogs, numa ação típica de marketing de guerrilha (e que esse ano ainda não aconteceu), ainda são as melhores.

Na foto acima temos: Marcos Donizette, Inagaki, Alê Felix, Tuca Hernandes, Patrícia Köhler, Sandra Pontes, Biajoni e Gabi Franco (que está momentaneamente sem blog)
Na foto lateral temos:
1. Bibi
2. Maria Carolina e Marmota
3. O falado copo vermelho
4. Gabi, Sandra e Donizetti
5. Bernard Castilho e Sandra
6. Festa com bebida alcóolica e escada não dá certo.
7. Gabi
8. As coisas com as quais a bebida foi misturada, entre elas limão e gelo
9. Biajoni
10. Donizette e Helder
11. Inagaki
12. Eu e a Sandra

May 23rd, 2006 em 4:17 pm
Pois é… como ninguém comentou sobre a marca da bebida eu até pensei que havia um compromisso para não se falar o nome da mesma
May 23rd, 2006 em 7:23 pm
Oi Dani querida… Realmente, o melhor da festa sem dúvida foi rever gente querida e ainda conhecer pessoas novas e fazer ainda mais amigos! Enfim, não precisamos de copos coloridos para tal… beijos e apertos Gabi
May 23rd, 2006 em 7:52 pm
A Gabs falou tudo!!! Foi ótimo conhecer você, o Bernard, Marmota. Beijos. San
May 23rd, 2006 em 8:40 pm
Ainda bem que eu não fui, hohoho.