Saturday, May 17, 2008

House of Sand and Fog

Ontem, enquanto as pessoas torciam pelo jogo da copa, eu assistia por duas vezes seguidas “House of Sand and Fog“.
É o primeiro filme dirigido pelo ucraniano Vadim Perelman, com a bela e magnífica atriz Jennifer Connelly e o veterano Ben Kingsley. Baseado em um livro de mesmo nome, é a história de uma moça que, em meio a uma profunda depressão pelo final de seu casamento, fechada há oito meses na casa que herdou do pai, perde a casa por um erro do município, que a considera devedora de impostos. A casa vai a leilão e é arrematada pelo iraniano Behrani (Ben Kingsley) que pretende reformá-la e vendê-la pelo quádruplo do que pagou e assim, recuperar sua situação financeira para dar melhores condições à sua família.

As virtudes: bela cinematografia, bela direção de atores, pausas contemplativas mostrando a névoa do título e a costa oceânica, um pouco de poesia. O livro deve ser muito bom, com a crítica ao sistema capitalista e à prepotência do sistema governamental americano, que causa a tragédia dos personagens por um erro administrativo e depois não consegue mais consertar, com o conflito cultural entre os americanos e os iranianos, um tema especialmente atual, a indiferença da família da protagonista, que não se dispõe a correr em seu auxílio, a forma como o vício por bebida e cigarro é colocado na história, o modo como Kathy vai sendo paulatinamente derrotada.

Os problemas: os iranianos não foram construídos com precisão, durante a primeira parte do filme eu confundi o perfil desenhado para os personagens com paquistanses, porque vários detalhes me pareceram fora de lugar. Uma das críticas do filme que eu li diz que eles são persas e falam persa. Não sou especialista em cultura árabe nem em muçulmanos, mas me pareceu que vários detalhes visuais estavam destoando, mesmo para persas. A senhora Behrani parecia muito mais uma esposa hindu do que uma muçulmana persa.
A profundidade dos personagens “não chega lá”, com exceção da personagem de Jennifer Connelly. Isso me deixou preocupada. Filmes focados em pessoas são raros, eu vou rodar um filme focado em pessoas, eu me preocupo com a “dose certa” na direção e no texto, que deixa ou não claro para o espectador o que é que os personagens estão pensando e por que eles agem como agem.
Elementos importantes no filme não estão claros ou são contraditórios, como o policial Lester, que se apaixona por Kathy e larga a família por ela e depois vai preso pela confusão causada com Behrani; algumas de suas escolhas são claras, mas não todas. Não dá pra entender a motivação dele, o personagem é confuso e isso é ruim para o filme.

Escolhas estéticas: o poster mostra um vidro quebrado. É um elemento solto, não está relacionado a nada do filme. A areia do título é focada apenas como um dos elementos do oceano. Se a areia está no título, deve existir uma razão, mas isso não foi aproveitado estéticamente. A névoa aparece belíssima, mostrada flutuando e correndo acima do litoral. A casa deixou a desejar - e isso me deu arrepios, porque temos uma casa no Syndrome também, que é importante para a trama.
Gostei de alguns usos de cores, mas não de todos. Gostei muito da maneira que a protagonista é mostrada. Jennifer Connelly, além de grande atriz, é linda, os cineastas geralmente tiram partido disso.
Não entendi a escolha das fotos da divulgação do filme. É o segundo filme que assisto nos últimos meses no qual percebo que as fotos escolhidas não mostram a beleza e a intensidade do filme.

Saldo final: Gostei do filme mas fiquei preocupada.

House of Sand and Fog

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