Sonho com chocolate
Ainda não estou no escritório - estou indo para lá daqui a alguns minutos. Longa viagem de ônibus até a praça da Sé. É bom estar de volta ao centro da cidade. Há muitos, muitos anos eu não trabalhava em um endereço central, perto da confusão, com seus vendedores de prata e ouro, homens-sanduíche, mendigos, a catedral que bate a ave-maria pontualmente às seis. Não há muitos pombos, imagino onde eles foram parar. Detesto pombos, não estou sentindo falta deles. Todos os dias eu tomo chá mate com menta no Rei do Mate - por sinal há várias lojas dele por ali. E comprei uma coleção de fitas VHS usadas com títulos de filmes que eu queria muito para usar no curso de Direção de Arte para Cinema - baratos todos, comprados no Sebo do Messias.
Eu ainda não tinha contado a vocês, mas agora sou oficialmente a coordenadora dos cursos e seminários do Educine. Temos muitos planos e idéias, estou gostando muito de estar lá. A única coisa que me mata é o longo percurso do ônibus. Essa cidade não foi planejada mesmo para a gente morar em bairro e ter que ir ao centro diariamente. Falta trem e metrô. Ônibus é infernal.
E antes de ontem, à noite, finalmente após muito tempo, reencontrei uma grande amiga minha e fomos jantar juntas. Ontem eu fiquei pensando que eu queria muito contar à vocês sobre isso, porque foi uma noite perfeita, mais que perfeita. Mas tem tantas coisas nas conversas, no reencontro, naquelas horas que passamos juntas que são tão pessoais que eu não estou com vontade de contar detalhes. É uma amizade de muitos anos, que eu não reencontrava pessoalmente há muitos anos também. Estivemos cada uma de nós vivendo em realidades paralelas às nossas realidades habituais e paralelas uma à outra. É, essa é uma daquelas frases de Alice, I know. Mas não vai dar para explicar melhor do que isso.
O que dá para contar é que fomos a um pequeno e lindo restaurante francês próximo à Avenida Paulista, nos sentamos em uma varanda com uma leve atmosfera marroquina, coberta de azulejos pintados e quadros de anúncios e fotos antigos, bebemos vinho, comemos pratos fantásticos - com direito a sobremesa de chocolate - e ficamos até a madrugada conversando. Então, choveu.
E acho que apesar de eu adorar aquela propaganda do Johnnie Walker, somente esses dias eu senti na pele o conteúdo literal da mensagem: Keep Walking.
E de ontem para hoje, sonhei com mousse de chocolate.
Na segunda-feira, dia 15, vou até a Cinemateca assistir Casa de Areia, do Andrucha. É a sessão especial mensal ABCine. Vamos?

August 11th, 2005 em 4:17 pm
A amizade,…, ignora as bancarrotas do sentimento e as falências do prazer. Balzac.