Tuesday, January 6, 2009

Quando mudamos nós mesmos, mudamos tudo

Certas coisas não se aprendem na teoria. Só a prática ensina.

Eu posso me considerar privilegiada pela educação que pude ter. Foi em outros tempos, quando a escola não estava ainda tão sucateada como está hoje, com professores que recebem salário de fome com classes atulhadas de alunos, com falta de material didático, com curriculuns escolares cujo objetivo é ensinar a passar no vestibular. Eu fui educada durante a ditadura mas de forma surpreendente, ainda assim recebi uma educação política que hoje quase não vejo entre os jovens.

Não estão mais ensinando as pessoas a pensar.

Durante a escola recebíamos formação, não apenas informação. Frequentei uma parte da vida a escola pública, alguns anos escola particular. O perfil da escola particular que afoga o aluno de conteúdo sem ensiná-lo a usar esse conteúdo em proveito próprio já existia mas ainda não era tão generalizado; a escola pública funcionava muito melhor do que hoje. Aprendíamos a pensar, aprendíamos a formar opinião própria e não a apenas consumir mídia de forma acéfala.

É uma pena, mas os governos sabem que se mantiverem a população miserável e sem educação, sempre conseguirão eleger quem eles quiserem.

“The only thing that interferes with my learning is my education.”
- Albert Einstein

A recente polêmica sobre um email meu publicado sem me pedir autorização em um blog de uma pessoa que eu chamava de amigo e cujo caráter revelou-se duvidoso, ocasionou outros emails interessantes.

Algumas pessoas “não viram nada de mal” em alguém publicar um email com o nome e link da pessoa sem pedir autorização. Algumas pessoas “não viram nada de mal” em criticar abertamente uma pessoa a que se chama de amigo em um local público e expor essa pessoa ao apedrejamento.

É isso que os políticos fazem o tempo todo uns aos outros. Apedrejam os adversários em público sem provar nada, como se o simples fato deles dizerem que aquilo aconteceu fosse prova suficiente. E as pessoas acreditam. Ao mesmo tempo, as pessoas acreditam nas desculpas esfarrapadas dadas por políticos que estão em CPI, contra quem existem centenas de evidências e provas reais.

Eu sei o por quê: porque é difícil abandonar uma ilusão, porque é difícil abandonar a fé, a esperança e porque não se ensina mais ética a ninguém. Se as pessoas aprenderem o que é ética, as pessoas começarão a perceber o mal que é feito atualmente na política, a manobra, a maneira como as pessoas são usadas. Se as pessoas abandonarem ilusões e começarem a encarar a realidade, poderão mudar o mundo.

A manutenção da ignorância é a manutenção do poder. Os políticos sabem disso. Só que se mudamos cada um de nós, abrindo-nos para ver a realidade como ela realmente é, e procurando nos educar melhor, podemos mudar o mundo. Educação é um processo que jamais termina. É a tarefa de uma vida inteira.

Aproveitem que vieram até aqui e vejam algumas pérolas especiais:

Leiam o conto The Lottery, de Shirley Jackson - sinto muito, não encontrei em português. Leiam também essa análise de Alcebíades Diniz, publicada na Revista Carcasse.

The Lottery é um brilhante exemplo de como alguns líderes manipulam as pessoas, fazendo-as acreditar que estão vivendo no melhor dos mundos, enquanto na verdade eles estão promovendo um governo ditatorial de terror e de como quando as pessoas se tornam uma “massa” param de pensar como indivíduos e passam a agir como um rebanho acéfalo.

Vou finalizar esse post aqui hoje, dia de eleição, com uma pergunta:

Já passou pela sua cabeça que você esteja sendo usado? Que seus sonhos e ideais estão sendo covardemente usados por pessoas cujo único objetivo é se elegerem para enriquecer às suas custas? Que discursos “populares” são na verdade discursos vazios? Que você está votando, credulmente, no cara errado, porque acredita nas desculpas esfarrapadas dele?

Pensem nisso.

“A man who does not think for himself does not think at all.”
- Oscar Wilde

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Pegando carona na análise de Alcebíade Diniz, coloco também o trailer de Metropolis, de Fritz Lang. O filme foi feito em 1927, mas permanece mais atual que nunca, especialmente para o que estamos vivendo aqui no país, hoje.

Beba o chá e fale alguma coisa: