O pão de queijo
A culpa da história me voltar na memória agora há pouco foi da Marina W. Fico devendo o favor, Marina, porque essas histórias não podem mesmo ser esquecidas e precisam ser contadas.
Eu estava essa semana tomando um café com leite com um pãozinho de queijo na frente da estação de trem Lapa quando um senhor de muita idade parou, começou a perguntar os preços, avaliando o dinheiro que tinha. Ele queria muito tomar um suco, que custava míseros cinquenta centavos mas consultou, consultou a carteira e falou pra moça servir só um pão de queijo ou um enroladinho, nem sei.
Eu falei: eu te empresto - e tirei um real do meu porta-moedas. Ele falou: não tenho como te pagar - e eu juro, juro que respondi: não precisa, Deus me paga. Dois homens parados ao meu lado tomando seus cafés com leite sorriram quando eu disse isso.
Eu dei o real não porque me sobre dinheiro - estou endividada até a tampa da cabeça - mas porque esse tipo de injustiça, de miséria, me revolta o estômago. O pão de queijo que eu comia não ia descer direito, porque um senhor de muita idade não tinha cinquenta centavos para tomar um suco.
Leia aqui a história da Marina que me provocou essa memória e a vontade de escrever esse pequeno relato.
Um dia eu ainda vou me embora pra Bahia ou pra Pernambuco, terra da minha avó paterna, morar num barraco que seja e viver de dar aula de arte para crianças.
Esse mundo aqui, com essa miséria metropolitana eu não aguento.
