Thursday, November 20, 2008

Abuso

Algumas pessoas se decepcionam comigo, mas essas pessoas têm um perfil muito particular: são abusivas.

Vivemos em uma cultura onde o abuso é praticado sem que a maioria das pessoas sequer tenha consciência de que estão sendo abusadas. Existe todo um discurso cordial de tentativa de “sedução” e convencimento para abusarem de você. E aí, quando você insiste no “NÃO”, essa cordialidade vai desaparecendo e dando lugar à agressão verbal e até mesmo física.

Hoje duas pessoas tentaram abusar de mim. Só tentaram, porque eu não permiti.

Uma delas é uma pessoa com quem me relaciono há muitos anos. Eu sei por que essa pessoa até hoje tenta abusar de mim: porque foi inserida na minha companhia em um contexto e através de uma pessoa do meu relacionamento que estava completamente convencida de que eu sou uma não-pessoa, de que poderia abusar de mim o quanto quisesse.

Ambas essas pessoas estavam muito enganadas. A primeira teve larga demonstração de minha parte sobre isso há muitos anos. A segunda pessoa teve uma larga demonstração disso hoje.

Uma única vez eu permiti que abusassem de mim, porque eu não tinha consciência de que aquele comportamento era abusivo. Isso nunca mais vai acontecer. Eu não permitirei.

A segunda pessoa agiu de forma muito pior, se aproximou de mim com falso pretexto, mandou email pedindo informações sobre o curso de direção de arte que eu ministro, telefonou no meu celular, ficou me enrolando ao telefone por quase duas horas - sim, eu sei ser paciente e já explicarei a razão - e terminou ficando decepcionada e zangada porque eu não permiti ser abusada.

Não. Eu não permito que abusem de mim. Não permito que tentem me usar para obter vantagens e informações que eu levei anos para conquistar, assim, de graça. Eu não permito, ponto final.

Quer trabalhar comigo? Ótimo, eu adoro trabalhar, mas será de forma profissional. E profissionais custam. Quer consultoria? Estabeleceremos um preço. Não vou ficar dando consultoria gratuita por telefone a pretexto de “amizade”.

Eu permiti que a segunda pessoa ficasse comigo duas horas ao telefone porque eu sempre quero ter certezas. Quando desliguei o telefone eu tinha absoluta certeza de que estava conversando com alguém que queria tirar o máximo de mim sem me dar nada em troca - e pior - ainda queria tentar me enganar se fazendo de “amigo”.

Amigo não é isso, definitivamente.

Uma pessoa abusiva é fácil de identificar. Ela não te oferece nada, não te traz nenhum benefício e quer sugar ao máximo o que você tem. Usa argumentos de cunho emocional em momentos em que eles não cabem, como, por exemplo, em uma discussão de trabalho - “mas você só pensa em dinheiro?”, “acho que está acontecendo um engano da sua parte”, “você está me ofendendo, eu me considero seu amigo”, “acho que você não está entendendo o que eu estou dizendo”.

Eu adoro esse último: “acho que você não está entendendo o que eu estou dizendo”.

Ao contrário, eu estou entendendo muito bem o que a pessoa está dizendo e o que NÃO está dizendo: está tentando se aproveitar da minha paciência, do meu bom coração e do meu bom espírito para abusar de mim.

Eu sou PHD em pessoas abusivas. Sei identificá-las de longe. Não, eu não permito que abusem de mim.

E vocês? Já pararam pra pensar nisso?

Beba o chá e fale alguma coisa: