Thursday, November 20, 2008

Chá da madrugada

Fui assitir ao espetáculo do Pedro Vieira, que eu tinha citado mais cedo aqui no chá. Foi a beleza da foto que me levou ao teatro. O espetáculo dele é belíssimo, realmente, daquelas belezas que fazem a gente ficar sem ar. Ele é um ator magnífico. Conversamos depois do espetáculo, ele foi extremamente gentil. Hoje foi o dia de conhecer atores e atrizes, conheci vários. Foi bom. Todos foram gentis comigo - estou numa fase cansada, todas as gentilezas me fazem bem e qualquer mínima irritação do outro me atinge mais do que deveria, então, que venha a gentileza, por favor.

Eu preciso terminar todos os curtas que estou produzindo. Eu tenho tantas coisas pra fazer. Tive hoje uma notícia ruim de trabalho por email, mas não vou falar sobre isso. Conquistar coisas é tão complicado.

Eu voltei a escutar Massive Attack e Portishead. A crise pessoal que me fez parar de escutá-los - há quase três anos - tinha sido tão séria que eu não tinha mais nenhuma música deles em lugar nenhum. Tive que resgatar Massive Attack.

Também voltei a falar com pessoas com quem eu não falava há anos. Alguns resgates são necessários, eu não suportava mais não-resgatar essas pessoas. Agora estou perdida na dicotomia de estar feliz por tê-las resgatado e o fato de que com algumas dessas pessoas eu não aguento falar, é demais pra mim. Estou feliz de falar com elas, eu sentia falta - mas eu sofro tanto, vocês não tem idéia.

Passado demais, memórias demais, sonhos perdidos demais.
Eu estou o tempo todo perdida entre dicotomias.

Um amigo meu parou de falar comigo. Eu sei a razão. Eu devia ter dito uma coisa que eu não disse e não deveria ter dito uma coisa que eu disse - mas o fato é que eu sou ruim nesse tipo de “jogo”. Eu sei que eu deveria falar para as pessoas que elas me magoam - mas nem sempre eu consigo, porque quem não quer magoar sou eu.

Não vou falar nada para ele. Eu nunca falo nada, eu nunca forço nada. Eu fico quieta ouvindo música e cuidando das minhas coisas-que-precisam-ser-cuidadas. Eu fico aqui sozinha, quieta, pensando.

Eu sei, eu sei, eu preciso aprender a deixar as pessoas partirem. Não que eu as impeça, eu nunca impedi ninguém nem de entrar nem de sair da minha vida. A minha porta está sempre aberta. Eu sei que cada vez que alguém vai embora, uma pessoa nova aparece, eu sei que todas as pessoas são interessantes, cada pessoa é um pequeno universo lindo de se conhecer. Eu sei, eu sei. Mas é tão difícil se despedir de alguém. Eu gosto tanto das pessoas, eu crio um amor especial por elas. Daí elas vão embora e eu sinto tanta falta.

Mas é como eu disse para outro amigo meu, eu sou tão desastrada. Eu espatifo pessoas sem querer, como jarras de água caindo no chão ou… ou. É.

Um outro amigo meu falou essa semana sobre velar-revelar. O meu amigo-que-não-quer-falar-mais-comigo eu preciso velar. Preciso ficar quieta e nada falar. As pessoas-com-quem-voltei-a-falar eu preciso revelar.

É muito, muito complicado, é demais pra mim.

E como disse o Pequeno Príncipe, de madrugada, o Homem-que-é-o-mais-sábio-do-mundo, apesar de ter tão pouca idade:

“é meio triste isso (mas não quero pensar), em como o ser humano é sozinho até morrer”.

É. É. Eu também não quero pensar.

Beba o chá e fale alguma coisa: