Friday, August 8, 2008

alguém que não morreu

Essa é uma das histórias mais surreais que eu já li na internet. Não estou julgando a moça, até porque, como vocês sabem, eu também já estive louca e loucura é uma coisa de se respeitar, de se elogiar e nunca, nunca, tomar-se levianamente ou achar que não existe. A história de Meg faz com que eu considere meu próprio surrealismo (e até mesmo a minha loucura) uma brincadeira de criança, coisa de amador. Caramba. Estou impressionada e olha que bem poucas coisas no mundo me impressionam.

Update:
Falou a voz da sabedoria. E enquanto todo dia Primeiro de Abril a Alê anuncia sua morte, a gente por aqui comemora aniversário.

Update2: Mais vozes da sabedoria

- O Marmota
- Luciana do Cintaliga
- Milton Ribeiro
- Denise
- a Cora e os comentaristas do blog dela, em acalorado debate
- uma excelente análise no Palavras Dispersas de onde vem essa pérola de sabedoria: “deveríamos, sim, passar mais tempo com nossos amigos reais, em ambientes reais, seríamos mais felizes”.
- a impagável e sensata Zel: A Zel é genial, a análise dela é a mais racional de todas. Eu já convivi com stalkers de internet e malucos online, a gente sempre deve mesmo manter distância segura.

E uma curiosidade: a história toda contada em um canal de notícias chamado Global Voices.

Nunca li o blog da Meg, estive por lá uma vez, dei uma lida, mas não voltei. Confesso que achei desinteressante, superficial, açucarado e muito cheio de rosinhas para o meu gosto. Estive lá agora esses dias, quando vi essa polêmica no Ina, mas não dá mais pra ler muita coisa - o que tem por lá continua desinteressante e cheio de rosinhas. Pena. Queria compreender o que é que atraiu tantas pessoas.

O que chamam de “desequilíbrio afetivo-emocional” é complexo. Eu já morri algumas mortes, eu entendo o que é sentir-se morrer - e estou feliz de ainda estar aqui. Mas eu me tratei, quando foi necessário, vejam bem. Maluquice tem tratamento e dá pra melhorar. Eu perdôo gente louca - até porque eu também sou louca, certo? - mas não perdôo quem não tem a menor vontade de se tratar. Querer ser um ser humano melhor, intelectualmente melhor, saudavelmente melhor, é a maior das ambições humanas.

Desejo melhoras à Meg e espero que ela volte com o blog - ou não, faça como se sentir melhor. Nas palavras da própria Meg: “O blog, em sua continuidade, denuncia quem somos.(…) o blog é um ótimo índice de como somos realmente. Livro aberto pra quem souber ler.”

A nossa vida virtual denuncia quem somos.

Espero que as pessoas parem com as pedras. Deixa pra lá, crianças, a moça morreu (mesmo que virtualmente) e morrer é sempre uma coisa muito triste e complicada.

Histórias semelhantes:
- Kaycee Nicole - tinha 19 anos e “estava morrendo de câncer”. Não existia. A história é contada por Mario Persona aqui.
- Plain Layne - era uma jovem gay com picantes aventuras sexuais. Acabou que o blog era de um homem.
- Belle de Jour - falso “diário de uma prostituta”
- Flashman - supostamente, morreu no dia do ataque ao World Trade Center. Era tudo falso.
- LonelyGirl15 - a primeira “personagem” criada no Youtube. Era um golpe de marketing.
- O caso Rute Monteiro, que ainda não está desvendado. As opiniões se dividem, entre quem acredita que a história é real e quem duvida.

Tem uma pessoa tomando chá sozinha... em “alguém que não morreu”

  1. MadTeaParty by DaniCast » Blog Archive » A volta dos que não foram. bebe chá e diz:

    [...] Meg voltou e está melhor do que quando era viva. O pós-morte faz bem, eu sempre [...]

Beba o chá e fale alguma coisa: