Thursday, January 8, 2009

Generosidade e Simulação

Eu sou uma pessoa paciente. Aprendi paciência com meu gato Ju, ele fazia o que eu chamo de exercício de “paciência chinesa” (embora o Ju fosse siamês e não chinês). Quando o Ju queria alguma coisa (comida, na maioria das vezes, não era à toa que ele era enorme) ele se sentava como um Buda felino em cima do mouse e não saía de lá de jeito nenhum. Não fazia absolutamente nada, só ficava ali sentado, encarando. Ele sempre vencia, porque ele não tinha problema nenhum em esperar. Ele podia esperar durante HORAS, sentado no mesmo lugar, e considerando-se que ele pesava quase OITO quilos, movê-lo dali não era exatamente uma tarefa fácil.

O Ju, então, me ensinou o valor da paciência.

Eu sou muito paciente. Também sou muito generosa. Prefiro oferecer bons negócios aos meus parceiros de negócios do que oferecer-lhes maus negócios. Prefiro ser generosa do que oferecer negócios que, na saída, coloquem a outra pessoa em desvantagem.

Só que o que acaba acontecendo é que, várias vezes, as pessoas não interagem comigo à mesma altura. Tive dois exemplos recentes, mas apenas para ilustrar essa historinha que estou contando, darei um exemplo hipotético.

Imaginem que eu tenha comigo uma mina de ouro. Eu carrego comigo uma amostra do ouro dessa mina. Eu quero parceiros para explorar essa mina, porque minar sozinha é impossível. Estou disposta a dividir os lucros. Ofereço condições justas de trabalho conjunto, afinal, eu quero bons parceiros. Só que infelizmente, as pessoas parecem ter um problema crônico de ganância, ego ou sei lá o quê. Não quero julgar. Eu ofereço parceria para minar a mina, mas a pessoa quer que eu mine sozinha e dê no mínimo metade do ouro para ela. Ou, não quer nem ouvir nada sobre toda a pesquisa que eu realizei sobre “como minar ouro com nanoteconolgia”, por exemplo. Ou não lê meu curriculum e vem me dizer que o curriculum dela é “igual ao meu” em valor. Ou desvaloriza a minha mina, dizendo que “é muito pequena para ser minada, nem vai dar tanto ouro assim” e pede pra eu entregar a chave da mina para ela “avaliar o negócio melhor”.

Acho que deu para vocês entenderem o que é que as pessoas me falam.

Não consigo compreender, terei mil anos de idade e não conseguirei compreender. Eu faço ofertas sinceras e generosas e escuto contra-propostas egoístas e injustas, cheias de intenções duvidosas.

Para completar, a minha inteligência é ofendida no processo - não que eu realmente me ofenda, veja bem, eu nem me ofendo, porque quando trato de trabalho e negócios nunca comprometo meu ego e nunca levo nada para o lado pessoal - mas eu fico com a impressão de que as pessoas acham que eu não vou perceber que elas estão tentando me enrolar.

O Grito do Gato

Só uma nota de rodapé:

As pessoas me subestimam, mas não deveriam.

Eu enxergo mal, mas presto muita atenção. Eu sei fazer contas. Eu sei quando alguém mente pra mim, eu sou ótima lendo o subtexto das pessoas, acho que, justamente, porque eu não enxergo.

Darei um exemplo. Uma pessoa me pediu para eu mandar um email para ela com as informações X, Y e Z. Eu mandei. A pessoa disse que não recebeu o email. Eu passei a mandar email da minha conta do hotmail ao invés de usar o gmail, porque poderia ser um problema técnico no gmail. Ok. Só que eu passei a infortmação X e Y novamente via hotmail e esqueci a informação Z. Foi puro esquecimento. Ao invés da pessoa me cobrar a informação Z, ela citou uma passagem do email que ela não recebeu, em outro email. Aham.

Beba o chá e fale alguma coisa: