Saturday, May 17, 2008

Rush, café, chuva e sopa

Tive um dia complexo. Uma noite agradável. Estou ouvindo Presto, do Rush. Fazia tempo que não escutava Rush. Tenho um brinquedo novo instalado no computador, chama-se mercora. Instalei e agora escuto tudo que eu quiser. É ótimo.

Saí à noite para tomar café e sopa (de cogumelos) com um amigo. Chove. Na volta, foi curioso, estar em uma avenida que eu conheço tão bem, com uma pessoa completamente nova sentada ao meu lado em um carro. Eu já desci aquela avenida de carro mais vezes do que posso me lembrar. Eu ainda sou eu. Mas é uma das poucas coisas que ainda são a mesma coisa. O mundo e tudo mais mudou, não sei, estou em uma realidade alternativa? Não sei bem onde andei. Não sei bem onde eu estava. O mundo era outro mundo. Não sei bem onde estou. De repente, estou em um mundo que eu conheço pouco, mas cheio de coisas reconhecíveis. Como o som do Rush na radio online do mercora. Mas ainda assim, muitas coisas são novas. Tudo é muito estranho, embora reconhecível.

Hoje eu não senti medo. Há anos eu vinha sentindo tanto medo. Medo de tudo e do nada. Hoje, não senti. Eu estava confortável. Comecei finalmente a me sentir à vontade comigo mesma e com as outras pessoas. Esse meu amigo faz com que eu me sinta muito bem em ser eu mesma.

E eu não senti frio essa noite.

Sun dogs fire on the horizon Meteor rain stars across the night
This moment may be brief But it can be so bright

5 Chás servidos em “Rush, café, chuva e sopa”

  1. Erwin Maack bebe chá e diz:

    “Sou”… como madeira que queima. A madeira queima, mas não tem consciência de ter sido tronco intacto, não tem como saber o que foi e quando começou a pegar fogo. E assim ela se consome e basta. Vivo em pura perda…
    Eu não sou como homem acabado, mas gostaria de me tornar. Fazer de sua fúria bibliomaníaca a minha possibilidade de fuga não conventual do mundo. Construir-me um mundo todo meu.”
    Umberto Eco.

    Pela segunda vez encontro a sensação de um mundo que é absurdamente estranho. O primeiro contato foi com o Umberto lá de cima, a segunda com você.
    De fato, passei toda a minha vida enredado com as coisas, lousas e mariposas. Tudo era explicável,explicado. Em tudo via sentido. (Certo ou errado, mais errado que certo: só pude aprender depois.) Tinha um excesso de palavras dentro de mim. Queria dizer tudo que sentia, continha todas as explicações. Jamais senti medo. Não poderia imaginar que ele existia.
    O tempo passou e acabei por falar menos, entender menos, conhecer o medo e descobrir que ele se manifesta das mais variadas formas.
    E que todas as explicações que dava, tudo o que observava, era um mecanismo que me afastava de mim próprio. A fuga de si mesmo.
    Hoje falo menos, entendo menos, não me interesso por nada, estou muito ocupado em me entender. Desocupado de saber o porquê das coisas. Despreocupado de entender alguma coisa.
    Entretanto conheço mais sentimentos interiores e consigo ficar feliz e confortável. Sem ser refém de nenhuma correria. Apenas essa dos dedos sobre um teclado (que nem sempre obedece).
    Uma forma de agradecimento:
    “I never felt at Home – Below –
    And in the Handsome Skies
    I shall not fell at Home – I know –
    I don’t like Paradise –
    Emily Dickinson

  2. harryletterx bebe chá e diz:

    Sopa de cogumelos alucinógenos.

    Não quero mais sentir medo. Quero dormir 12 horas.

  3. Roberta Febran bebe chá e diz:

    Que bom saber que você está bem! Acho que esse seu amigo conquistou mesmo um lugar importantíssimo. Beijos.

  4. FH bebe chá e diz:

    Você estando bem eu me sinto bem.

    Belas palavras do Maack, aliás, pelo medo me fortaleço todos os dias.

  5. raffab bebe chá e diz:

    algumas pessoas nos conquistam.
    nos deixam naturais, leves.
    ao ponto de podermos sorrir, cantar, e novamente, sorrir.
    o engraçado é que para alguns é difícil encontrar pessoas assim, quando na verdade, qualquer pessoa pode nos fazer bem.

    me ensinaram algo muito importante um dia.
    transportar os amigos daqui para o “real”.
    e sabe, os meus melhores amigos, são os que estão presente em ambos lados.
    é algo complexo.
    mas existe medo.

Beba o chá e fale alguma coisa: