Saturday, May 17, 2008

Obsessão

A mim incomoda observar como algumas coisas que deveriam ser apenas temperos divertidos para continuar vivendo a vida se tornam facilmente obsessões. Por que o ser humano se torna obcecado? Por que o ser humano possui essa necessidade de pensar até a exaustão sobre um mesmo assunto? Ou ainda, por que o ser humano escolhe alguma coisa que parece uma fórmula simples e fácil para nortear sua vida e perde a capacidade crítica? A acomodação acontece com extrema rapidez. Precisamos ser instigados o tempo todo ou nos tornamos rapidamente criaturas inertes. O ser humano parece se deleitar em viver mergulhado em ilusões.

É intrigante.

Passei hoje no Post Secret. A mim parece que a percepção de que o ser humano é tragicamente igual em suas misérias e infelicidades é de uma certa maneira reconfortante para outros seres humanos tragicamente iguais em suas misérias e infelicidades. A mim espanta que tantas pessoas possam ao mesmo tempo ser tão miseravelmente infelizes e partilhar isso, em público, ainda que anônimo.

A igualdade praticada eficientemente através do compartilhar do pior do ser humano. O melhor do ser humano, ainda reservado para desfrute de apenas alguns.

2 Chás servidos em “Obsessão”

  1. Erwin Maack bebe chá e diz:

    De certa forma somos todos obsessivos. Os homens são mestres no gênero. Tenho a impressão que é uma condição habitual.
    Queremos dar respostas imediatas para tudo. Parece haver uma necessidade premente de voltarmos ao repouso após pensarmos numa resposta rápida para uma pergunta inquietante.
    Importante é responder. Não pensar.
    Ou pensar o mínimo possível, como se o cérebro fosse uma tela plana e tem uma vida útil máxima de cinco mil horas, após esse tempo ele fenece.
    Mesmo não sendo assim, assim agimos. Assim ajo, quando estou com a guarda baixa.
    Vivemos num regime de ansiedade absoluta. Não temos tempo, aparentemente, para nada. Se tivéssemos MÉTODO tudo iria melhor. Pensar é bom, é enlouquecedor; mas o resultado é ótimo, dá um barato enorme quando conseguimos resolver um problema. Apesar do fato da resposta ter uma vida útil pequena, por esse tempo viveremos felizes.
    Porém a anarquia do método impera, mostra que somos apenas obsessivos e não conseguimos classificar as coisas por uma ordem de prioridades. Desejamos demais. Podemos de menos.
    Quanto às misérias humanas. Misérias anônimas.
    Temos um componente mórbido terrível dentro de nós. Um bom alemão me aconselhou outro dia que, se não tivermos o cuidado de educar nossos sentimentos sempre seremos atraídos pelo esdrúxulo.
    Correndo o risco de sermos taxados de elitista devemos cultivar nossos sentidos para que se vire o rosto cada vez que algo infeliz e soturno nos atrair. Mas se atrair inexoravelmente, quem sabe conseguiremos ser mais tolerante com o diferente, menos crítico com o oposto e sensível com aquele que não tem ?
    E se não formos elitistas e apenas românticos incorrigíveis ?
    Melhor assim que sermos “Românticos de Cuba”.

  2. harryletterx bebe chá e diz:

    We’re just… Incomplete. E procuramos completude. De repente a gente pensa que ela está em algum lugar, mas algumas lacunas vão sempre existir.

Beba o chá e fale alguma coisa: