Saturday, May 17, 2008

Entusiasmo

Postei um comentário no Overmundo, fui reler e gostei. Achei que ficou um bom chá, resolvi postar por aqui pra vocês, meus fiéis bebedores de chá. Até porque ando tão enrolada (é essa a palavra, não é ocupada, é enrolada mesmo) que o chá está aqui um pouco abandonado, pegando pó virtual. Desculpem-me a minha ausência.

A minha cabeça anda cheia de pensamentos e agora, pra completar, eu tenho uma geladeira. Só quem nunca ficou pelo menos um ano sem geladeira (foi esse o tempo que eu fiquei sem uma) pode achar que é um acontecimento banal a adoção de uma. Ganhei de presente de uma prima, que ganhou uma geladeira usada de sua tia e me mandou a dela. Estou perfeitamente feliz com minha geladeira nova, me sinto totalmente realizada no ciclo de vida das geladeiras.

A geladeira que eu tinha, que comprei em 1996 quando me casei, tive que doar ao me divorciar em meados de 2003/2004, porque fui morar com minha mãe (espero que nunca mais precise fazer isso, eu sou uma solitária, adoro morar eu e a Mia) e não havia espaço no apartamento que ela mora para guardar a maioria das minhas coisas. Doei minha linda geladeira, ainda funcional e bem cuidada, para uma creche que precisava. Minha geladeira foi ser útil em outro lugar. Agora herdei uma outra, que está aqui ronronando quietinha, gelando a minha comida.

Mas voltando ao comentário no Overmundo, que era o assunto antes dessa digressão. O artigo que comentei chama-se Estresse do excesso ou a volta dos mortos-vivos e recomendo a leitura (e o voto, caso você tenha conta no Overmundo).

Eis meu comentário, com erros de digitação e tudo, porque foi muito espontâneo, e recentemente, parei de me policiar em excesso com o exercício da língua. Ainda mais porque ando escrevendo muito em inglês também e começo a confundir a gramática (que jamais foi meu forte):

“Sensacional, Andrea. Eu tenho sentido isso lecionando. Cadê a fome por informação, a sede de conhecimento dos alunos? Inexiste. Eu tenho platéias de alunos apáticos que não vêem graça em aprender nada, que cumprem a grade horária de estudo como se fosse um time de futebol num campeonato já perdido cumprindo tabela. Jovens! Jovens! O que está errado com esse panorama? Será que a vida como um todo se transformou em alguma coisa tão sem graça, tão sem tempero que nada faça com que as pessoas saiam da apatia? Viver ficou chato?
Tem alguma coisa errada mesmo e eu confesso que não sei de onde vem isso. Não sei se é porque a economia vai mal, se foi o Onze de Setembro ou se as novelas da TV estão uma chatisse. Dá pra tentar achar um culpado durante horas e desconfio que não acharemos nenhum, a não ser talvez o fato de que nada mais tem valor. O que é que tem valor hoje?
Valioso pra mim é a minha gatinha me dando bom dia de manhã e ronronando pra mim. É a minha sobrinha de 3 anos que num rompante de entusiasmo virou e falou pro pai dela, como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo: “pai, você sabia que a tia Dani tem uma cozinha dentro de um armário?”
É isso, a experança do fim da apatia é a minha sobrinha de 3 anos, que enxerga na situação econômica da tia professora falida que mora numa kitchinete com um armário-pia-cozinha um motivo pra assombro e admiração, achando que eu sou um ser especial, mágico e misterioso, porque ao invés de ter uma cozinha que é um ambiente completo, de capa de revista, com todas as utilidades de consumo, tenho um armário mágico, que você abre e tem uma cozinha dentro.
Está certa a minha sobrinha, que vê assim a kitchinete onde eu moro. Devíamos todos ver o mundo com esse olhar de 3 anos de idade. Viveríamos melhor.”

“Cacilda, o que tem de erro de português no meu comentário não é bolinho. Desculpa aí o assassinato da flor do lácio, foi acidente.”

Beba o chá e fale alguma coisa: