Steinbeck
“Tularecito tinha ainda um dom extraordinário: era capaz de, com a unha do polegar, modelar notavelmente animais em terracota. Franklim Gomez guardava em casa muitas miniaturas de coiotes, leões de montanha, pintos e esquilos. Uma reprodução de um falcão de dois pés de envergadura pendia do tecto da casa de jantar, segura por fios. Pancho, que nunca considerara o rapaz completamente humano, punha a sua habilidade para a escultura na crescente categoria dos seus dons diabólicos, definitivamente provenientes da sua origem sobrenatural.
Se bem que a população de Pastagens do Céu não acreditasse na origem diabólica de Tularecito, ninguém se sentia à vontade quando ele estava perto. Os olhos dele eram secos como os de alguém muito velho e havia algo de troglodita no seu aspecto. A enorme força do seu corpo e os seus dons estranhos e obscuros afastavam-no das outras crianças e faziam os adultos sentir-se mal.”
- As Pastagens do Céu, John Steinbeck
