Chá tibetano
Wednesday, November 9th, 2005É comum na cultura oriental beber-se o chá salgado (ao invés de adoçado) e também usá-lo como base para preparar outros alimentos. Na Índia e em toda a região da Mongólia bebe-se chá salgado; na Índia, na China e no Japão é comum utilizar chá misturado ao arroz, sopas ou ainda para cozinhar carnes.
O chá servido no Tibet é preparado de uma forma única: salgado, misturado com leite de iaque e manteiga (também feita de leite de iaque). O chá usado é o chá verde (bancha), que é importado da China compactado em tijolos. Os tijolos de chá transformaram a tarefa de fazer chá em um processo complexo que pode demorar horas.

Tijolo de chá verde, importado da China
Primeiro, o tijolo de chá é macerado para desmanchar. A erva é adicionada a um caldeirão grande cheio com água já fervente e a bebida é fervida durante um longo tempo para produzir um chá muito concentrado. Esse chá forte é chamado “chaku” e usado como base para o preparo do chá tibetano.
Para preparar o chá que será realmente bebido, os tibetanos fervem água limpa em uma chaleira e adicionam um pouco do “chaku” à essa água fervente. Ainda com a água muito quente, adicionam leite de iaque, sal e manteig de leite de iaque. A seguir, colocam a bebida em algum recipiente para que possa ser batida. Em tempos mais modernos é comum usar-se um liquidificador, mas tradicionalmente a bebida é colocada em “batedores manuais de manteiga” ou churn (veja a foto abaixo).

O chá precisa ser muito bem batido, os ingredientes tem se misturar completamente e o chá ficar espumante. O chá é servido muito quente.
Eis o produto final:

O sabor dessa bebida é rústico e estranho ao paladar não-oriental. Muitas vezes adiciona-se especiarias ao chá - gengibre, canela, cravo - e serve-se o chá acompanhado de pão com manteiga. A bebida é muito usada devido às baixas temperaturas no Tibet, o leite e a manteiga auxiliam a manter o corpo aquecido e alimentado.
Os tibetanos não tiveram permissão dos chineses para produzir chá em “tijolos” até 2002, quando finalmente foram autorizados a abrir sua própria fábrica de tijolos de chá para resolver um problema sério de saúde pública. A população do Tibet estava apresentando sinais de fluorite, uma doença causada por acúmulo de flúor nos ossos, que debilita e danifica a ossatura. Pesquisadores e médicos analisaram a água, o solo, o leite do iaque e não encontravam a fonte do excesso de flúor que estava sendo ingerido pelos tibetanos, até que decidiram analisar o chá. O processo de fervura do chá em tijolos para fazer o “chaku” faz com que o flúor contido no chá se precipite e concentre em quantidades acima do que seria saudável consumir. A partir dessa descoberta, a China autorizou o Tibet a fabricar os tijolos de chá para seu próprio consumo, preparados especialmente para serem fervidos longamente, como é a tradição cultural local.












