Thursday, January 8, 2009

'Bipolar'

Medo

Tuesday, January 6th, 2009

Fazendo pesquisa para o documentário que quero fazer sobre TAB, achei um artigo muito interessante:

As múltiplas, perigosas e desconhecidas faces da doença bipolar
Marcelo Caixeta é médico psiquiatra

“Outra face muito desconhecida da bipolaridade são os transtornos de ansiedade e depressivos. É muito comum o início ou a manifestação da doença apenas como uma fobia social (retraimento, isolamento, medo de multidão, de sair de casa etc.), como um transtorno de ansiedade generalizada (pessoa sempre “tensa”, “estressada”, “agitada”, preocupada em excesso) ou como transtorno de pânico. As depressões ligadas à bipolaridade são as mais perigosas, pois seu índice de impulsividade é muito grande, levando facilmente ao suicídio. O que é grave no depressivo bipolar é que ele tem oscilações muito rápidas de humor e nestas oscilações ele pode, repentina e desavisadamente, cometer um ato de suicídio. São aqueles casos onde todo mundo acha que a pessoa está bem, até alegre, e “ela vai ali para o canto e se mata”. São depressões silenciosas, das quais, ao contrário das “depressões neuróticas”, o paciente se queixa pouco, às vezes nem se diz deprimido. Por vezes, é uma depressão que se manifesta apenas na forma de uma irritabilidade aumentada, uma intolerância, agressividade e tendência à passagens-ao-ato impulsivas.”

Essa sou eu. Parei de querer sair de casa em 1999/2000. Não sabia, mas já eram os sinais de que a disfunção estava piorando.

Quanto mais eu pesquiso mais eu descubro o quando a TAB é complexa. Se a gente não tem crise de euforia fica difícil de obter o diagnóstico correto.

Um email curioso

Monday, January 5th, 2009

Recebi um email de uma pessoa que é idiota. O conteúdo não importa, é uma pessoa que eu descobri há algum tempo atrás que vive dentro de ilusões que ela criou e que fez uma tentativa de me irritar e ofender com seu email, fazendo provocações por eu ser bipolar.

Como existe preconceito no mundo, não?

Ser bipolar não significa que a pessoa automaticamente irá agredir as outras. Eu sou bipolar do tipo 2, eu sofro mais de depressão do que de mania. Só entro em hipomania, que é uma mania leve. Dificilmente eu fico agressiva. Fico de mau-humor e irritada, no máximo, e para fazer um comparativo, num nível muito mais leve que uma mulher com ataque de TPM, por exemplo.

Ser bipolar também não significa necessariamente perder contato com a realidade. A disfunção bipolar afeta o humor, principalmente. Alguns bipolares tem delírios, outros não. Eu tenho um pouco de paranóia e muita ansiedade e pânico, principalmente, mas quase nenhum delírio. Eu não saio da realidade.

Mas essa pessoa sabe muito pouco a meu respeito, como o email dela demonstra. Ela me toma por alguém que eu não sou e acredita que por eu estar medicada eu vou mudar a minha opinião sobre ela. Ela está em busca de atenção, porque até me desafiou a publicar o email dela (!)

Bom, um idiota é um idiota e eu tomar medicamentos para estabilizar o meu humor não muda esse fato.

Vamos então contar um episódio interessante. Há um ano atrás estive em Uberlândia para um festival de cinema, para dar uma oficina e uma palestra. Conheci um jovem rapaz que só conhecia por internet. Um amor de pessoa, um rapaz bonito, inteligente. Tivemos várias conversas agradáveis durante a minha estadia por lá. Esse rapaz queria muito me conhecer e me contou uma coisa interessante, eu pensava que que ele tinha namorado essa mesma moça que me mandou email (era o que ela dizia) mas ele me disse que jamais tinha tido nenhum relacionamento com essa moça. Curioso, ela ficava falando que eles estavam namorando, apaixonados.

Era tudo ilusão dela. Ela inventava todas as histórias. Foi ali que eu descobri que realmente não conhecia essa moça.

Para encerrar, tenho pena de pessoas que mandam email para tentar se sentir superiores à custa das outras, usando as disfunções ou as “doenças” (como essa moça chamou a minha disfunção) das outras pessoas como argumento para fazer pouco do outro, para com isso se sentirem melhores.

Eu tenho o lítio para fazer eu me sentir melhor, calma e zen. Não preciso humilhar ninguém.

Transtorno bipolar NÃO É frescura

Monday, December 22nd, 2008

Uma amiga que também é bipolar me mandou dois links diretos do blog da Suzi. Eu já sabia que a Suzi é bipolar (e ela é um encanto de pessoa, conheci pessoalmente em um encontro de blogueiros há alguns anos) mas nunca tinha lido esses posts. Valem a pena ler.

- Alguns Esclarecimentos
Trecho: “Para quem enxerga “nobreza na embriaguez” e “perda de autonomia” com a medicação, eu continuo minha via crucis, aquela da coragem, para dizer “você não sabe nada, meu caro”. E nem por isso eu sinto rancor de você e de tantas outras pessoas que, ao ouvirem de minha boca “sou bipolar e não vivo sem medicação”, franzem a testa. Escrever bem é uma arte. Controlar o que é aparentemente incontrolável é uma luta constante que, ao final, vale muito a pena. Posso dizer que entre mortos e feridos, cá estou.”

- O post ideal para sair da minha crise de… transtorno bipolar.

- “uma das piores conseqüências do transtorno, se não a pior, é a perda da identidade.”

Eu queria dizer algumas coisas que me incomodam muito:

- Transtorno bipolar NÃO É frescura. Conheço vários bipolares, entre os quais me incluo, que escutaram a frase “você não tem nada”. Isso é falso. O bipolar tem um transtorno MUITO sério. Menosprezar o transtorno é colaborar para a pessoa piorar e piorar. É negar ajuda a quem precisa e muito.

- Tomar remédio para TAB é igual a tomar insulina para diabetes ou remédio para pressão ou, como minha mãe, tomar hormônio porque a tireóide dela não funciona mais. O bipolar tem que tomar remédio a vida inteira para ser normal, como nessas disfunções citadas. Não gosto de chamar TBA de “doença” e sim de disfunção. Não é uma doença, não tem cura, assim como a diabetes. É uma disfunção crônica, sem cura. Isso não é necessariamente ruim. É possível viver com a medicação.

- Quem tem TBA precisa de remédio. Achar que TBA não precisa de remédio, que a crise passa sozinha, que o bipolar tem condição de controlar sozinho o que acontece com ele e que ele não precisa de ajuda é ser cúmplice no suicídio que aquele bipolar ainda vai cometer. Se o bipolar não cometer suicídio diretamente irá se autodestruir devagar. Bipolares não tratados tem 85% de chance de cometer suicídio. Eu quase cometi.

Reflexões sobre o transtorno bipolar - 2

Sunday, December 21st, 2008

Como eu estava dizendo, revi dois filmes ontem, ambos densos e complexos. O primeiro foi Furyo, dew Nagisa Oshima, também conhecido por Merry Christmas Mr. Lawrence e Senjo no Merii Kurimasu (nome original japonês).

O segundo foi Mishima de Paul Schrader.

Os dois filmes me trouxeram variadas reflexões mas, principalmente, de como eu andava mal nos últimos dois anos.

Há muito tempo eu não tinha paciência nem atenção para ler ou assistir a um filme. Acredito que por isso não consegui completar a minha monografia de pós-graduação. O cérebro não se focava em nada, não se concentrava em nada, saltando randomicamente de um pensamento a outro. Ao final de um dia eu estava exausta de tanto tentar controlar minha mente e não tinha produzido nada. Eu tinha a impressão de que as horas do dia voavam numa velocidade impressionante e de que eu não conseguia fazer nada rápido o suficiente para acompanhar a passagem do dia. É impressionante como o tempo rende, agora que estou tomando o estabilizador de humor (no meu caso, como já citei, lítio).

A única situação onde eu conseguia ter concentração era dando aula. Meus alunos me ajudaram muito a manter um resquício de sanidade na turbulência da crise bipolar que eu estava vivendo. Eram os melhores momentos da minha semana. O resto do tempo, eu estava no inferno.

Outro sintoma interessante era o imenso e eterno cansaço. Passar pano de chão no banheiro ou lavar meia dúzia de xícaras me deixava completamente exausta, ao ponto de deitar e dormir algumas horas. Agora, limpo o apartamento inteiro e não me canso, tenho disposição física para realizar todas as atividades que preciso. Cheguei a comentar isso com minha psiquiatra, ela falou que o cansaço mental existe mesmo, causado pela disfunção.

Agora, durmo de sete a oito horas por noite e estou descansada e com a mente alerta e organizada. A diferença é gritante.

Parei de me irritar com as pessoas, de perder a paciência facilmente e de me sentir deprimida. Me dá uma sensação de espanto ao pensar em como eu sentia que nada valia a pena, que a minha vida não tinha esperança nenhuma e que nada ia dar certo. Como “nada ia dar certo mesmo”, eu entrava em pânico cada vez que tinha que fazer alguma coisa de trabalho. Ficava esperando pelo pior, que desse errado da pior maneira possível.

Novamente, não consigo entender como é possível que as pessoas próximas de mim não tenham percebido que eu estava tão mal!

Todos os problemas financeiros que eu ainda tenho (não estão resolvidos) não ajudaram, claro. A cada mês que eu não conseguia cumprir com os pagamentos das coisas eu me sentia pior. Perder a pós-graduação (que eu vou lutar para recuperar, agora) me deixou prostrada. Foi como se eu tivesse perdido a coisa mais importante do mundo.

Foi tudo muito difícil. Passei frio e fome. Não conseguia administrar a falta de dinheiro sozinha, eu tinha ataques de pânico só de pensar em olhar a minha conta corrente. Não conseguia procurar trabalho, ficava chorando na frente do computador porque não teria dinheiro nem para pagar a conta de luz.

O bipolar não consegue sair da depressão sozinho. Não encontra forças suficientes, não encontra lógica suficiente no próprio cérebro. Não consegue enxergar a realidade com cores realistas nem consegue pensar em soluções. A depressão o imobiliza.

Sabem quem foi que me salvou? Minha mãe. No dia do primeiro turno da eleição. Eu fui até lá e conversei com ela e a minha tia, em prantos. Eu literalmente desmoronei, não aguentava mais “viver dentro da minha cabeça”. Era tão insuportável que eu estava planejando me suicidar. Falei com ela e decidi ir me internar na Santa Casa. Só não fui porque um amigo resolveu bancar uma psiquiatra para mim. Mesmo assim, demorou dois longos e agoniantes dias para ele conseguir a médica e mais cinco longos e tortuosos dias para eu me consultar. Vocês não imaginam a agonia de simplesmente viver quando se está em crise de depressão bipolar. É insuportável, é um sofrimento indescritível.

O remédio mudou isso completamente. Nos últimos quinze dias, revivi todos os meus contatos e coloquei todos os projetos para andar. Agora estou correndo contra a falta de prazo, porque não fiquei com muito tempo para realizar as coisas. Estou tendo que fazer tudo que não fiz em dois anos disfuncional em menos de um mês.

Estou voltando agora a ser aquela pessoa sociável e cercada de amigos que eu sempre fui. Fiquei feliz em foi ouvir de várias pessoas nesses quinze dias de dezembro comentários como “por que eu sumi?” e “por que não pedi ajuda?” Eu me senti amada e eu estou precisando me sentir amada, me senti terrivelmente sozinha e abandonada nesses últimos dois anos, foi terrível. Eu acreditava que ninguém se importava comigo, que não faria diferença nenhuma para nenhuma pessoa se eu morresse ou desaparecesse.

Reflexões sobre o transtorno bipolar

Friday, December 19th, 2008

Estamos escrevendo um documentário, Andrea e eu, sobre o transtorno bipolar. A idéia é falar sobre o que o bipolar sente, pensa, como se comporta nas crises.

O que eu mais senti dificuldades nesses últimos anos em que eu estava em crise feia foi em explicar e convencer as outras pessoas de que eu não estava bem. As pessoas em volta de mim simplesmente não acreditavam. Agora que estou medicada (já vou completar o segundo mês de tratamento) não consigo compreender como as pessoas podem não ter percebido o quanto eu estava alterada!

Falei com meu ex-marido por MSN em um sábado desses. Foi uma conversa muito agradável. Entre outras coisas, pedi desculpas a ele pelos últimos três anos do nosso casamento (a minha crise de depressão bipolar começou em 2002) e por não ter tomado alguma providência antes. Ele me falou que eu me recusei a procurar um médico na época. É bem possível, embora eu não me recorde completamente, porque eu estava convencida, na época, de que ele queria que eu fosse ao médico para tentar me manipular. Isso se chama paranóia e é um dos sintomas da disfunção.

Tive três crises feias de depressão bipolar desde 2002, a primeira em 2002 mesmo, a segunda em 2005 e agora no segundo semestre de 2008, a terceira. Em 2005 tomei antidepressivos. Não funcionaram. A fluoxetina, em particular, me causou delírios visuais e auditivos. A maioria dos bipolares não pode tomar antidepressivos por esse motivo. Acho que o psiquiatra que me atendeu na época não tinha experiência com bipolares.

Um bipolar em crise de mania geralmente culpa a tudo e todos em volta de si por seus males. Eu tive minha primeira crise de mania agora, há um mês atrás, tomando antipsicótico (seroquel) para me tirar da profunda depressão em que eu me encontrava. Nunca tinha experimentado mania de verdade, só hipomania. A hipomania é uma crise mais leve, você se sente bem, é uma euforia leve que te deixa bem humorado e piadista. A mania é muito mais forte, causa uma euforia tão grande que você não dorme, você fica com pensamentos em looping, não consegue se concentrar em nada, quer sair na rua e andar para gastar aquela “energia” excessiva que sente. Fica agressivo, tem muita raiva das coisas e das pessoas.

O lítio me estabilizou e me tirou da crise de mania. Se por uma lado o seroquel me deixava dopada (com 50 mg eu estava dormindo 16 horas por dia, com 100 mg, eu estava dormindo 18 horas por dia), o lítio devolveu meu sono ao ritmo normal, sem pesadelos, com sonhos normais. Eu tenho pesadelos apavorantes desde 2004, eles pioraram assim que me divorciei e continuaram até eu iniciar o tratamento.

Outra coisa que identifiquei como parte da manifestação do transtorno em mim foram as crises de pânico. Comecei a ter crises de pânico e a não querer sair de casa para nada em 2002. Em 2005, cheguei a ter crises de pânico de uma tal intensidade que pensava que iria morrer naquele exato segundo. No ano passado eu não conseguia ler email nem escrever o livro de fotografia que eu estava escrevendo a trabalho, levei seis meses para completar o livro porque todas as vezes que começava a escrevê-lo, tinha acessos de pânico. Eu tinha medo de enviar email, falar com as pessoas, atender ao telefone, tudo que envolvesse contato com alguém.

Nesse ano de 2008, só conseguia sair para dar aula se alguém fosse comigo ou se eu fosse de táxi. Não conseguia mais tomar ônibus nem metrô. O metrô eu já consigo pegar normalmente mas ainda tenho problemas com viagens de ônibus, elas me enjoam. Vou ver se pergunto sobre isso para a minha médica porque é um enjôo estranho, visivelmente emocional, ele passa assim que eu saio do ônibus. Talvez seja relacionado à claustrofobia, eu sempre tive muita claustrofobia, desde criança.

Só que o transtorno não tem apenas um lado feio. O lado feio é esse sofrimento insuportável que o bipolar sofre, com alucinações constantes (isso varia de pessoa para pessoa em grau e intensidade), pesadelos, medo, depressão. Mas existe um lado bonito, eu tenho um universo criativo e lindo dentro da minha cabeça.

Ser bipolar é ter dentro de você o sublime e o grotesco, ao mesmo tempo. Curioso como eu tenho, ao mesmo tempo, uma consicência muito aguda da disfunção e uma ignorância muito grande do quanto eu sou disfuncional. Estive revendo vários filmes que eu fiz, e o transtorno está lá, claro e cristalino.

Acho que um dos melhores exemplos é esse aqui, o Sideshow. Ele mostra o grotesco e o sublime, o humano e o inumano misturando-os completamente. Eu devo confessar que tenho um certo amor pelo grotesco e o inumano, eles não me causam horror. Fazem parte da minha natureza bipolar.

Se alguém me perguntasse se eu lamento alguma coisa, sim, tem uma coisa que eu lamento: não estar medicada há mais anos. A minha vida teria sido completamente diferente e com certeza, muito melhor. Eu não teria cometido a grande quantidade de erros que cometi nos últimos cinco anos, eu não teria jogado fora todas as coisas que eu joguei, eu não teria sofrido tanto como sofri.

É por isso que eu quero fazer o documentário. Quero mostrar para as pessoas a importância de fazer tratamento logo, rápido.

Nota: “Sideshow” foi selecionado e exibido no programa Curtas na TV da TV Câmara, no Festival de Cinema do Triângulo Mineiro, na Mostra do Audiovisual Paulista, na Mostra do Filme Livre (Rio), 2007/2008.

Carbolitium

Monday, November 24th, 2008

Viva o Carbolitium! Depois de um mês INFERNAL tomando o anti-psicótico porque a médica achou que eu tinha que tomar - ok, eu entendo a função dele, mas que era um inferno, era, o remédio me dopava e me impedia de pensar, de ser eu mesma, de ter sono normal, de raciocionar, de acordar cedo de manhã e de ter a minha real personalidade - FINALMENTE ela me ouviu!! - bom, eu não deixei muita escolha, eu literalmente dei à luz com ela no telefone na sexta-feira - e me passou que quantidades de lítio eu devo tomar.

Graças a Andrea (que vive salvando a minha vida no último mês), eu comecei a tomar o lítio na sexta-feira mesmo.

Resultado?

Fim dos pesadelos. Estou completamente consciente e raciocinando perfeitamente. A minha personalidade original, da qual eu sentia falta há pelo menos cinco anos, voltou. (sim, sim, quem me conhece a menos tempo que isso agora vai poder descobrir quem sou eu). Fui dar aula no sábado normalmente. Voltei a dormir apenas seis horas por noite e acordar feliz, sorrindo e de bom humor.

Estou funcional. Tranquila. Sem crises de pânico, sem euforia, sem raiva, sem pensamentos confusos, sem nada anormal, nada!!

Tenho que ir lá hoje pegar receitas e uma pilha de atestados médicos. Ah, e quebrei meu óculos, estou sem nenhum agora, usando um que a lente está rachada ao meio.

Carbolitium. PERFEITO.
As pessoas que me cercam deviam aprender a me ouvir mais.

Agora eu preciso me recuperar do prejuízo absurdo de dinheiro que a disfunção, somada com uma bando de pessoas imbecis (e ou mau caráter, afinal, algumas pessoas são estúpidas mas outras, não prestam mesmo) convivendo comigo, me causaram. Preciso recuperar tudo que eu perdi nos últimos três anos. Vai ser uma corrida, porque o ano está acabando.

Preciso ganhar money. Vou atrás de money.

FINALMENTE, DANI IS BACK!!!

Stay tuned…

Não fui votar

Sunday, October 26th, 2008

Não consegui. Muita sonolência, fiquei com receio de andar sozinha na rua. Tenho consulta médica dia 04, vou ver um atestado para justificar a ausência.

(a Mia está toda bonitinha deitada na minha cama, como eu adoro essa gata, ela é a melhor coisa da minha vida)

Minha vida passando com a disfunção bipolar

Sunday, October 26th, 2008

Finalmente estou medicada e as coisas parecem que irão melhorar. Digo que “parecem” porque, para ser bem sincera, eu perdi todas as esperanças que realmente melhorem.

Estou presa num universo onde o telefone não funciona, o computador funciona mal, eu tenho um trabalho que não gera renda suficiente para eu viver e eu passo a semana toda em looping tentando resolver os mesmos problemas - o telefone, o computador e o trabalho que funciona mal.

Já são quase três anos nesse looping. Eu nunca mais vou recuperar esse tempo.

É interessante notar que as pessoas me elogiam pela clareza e consciência que eu tenho de possuir uma disfunção, a disfunção bipolar. Elogiam mas não me ajudam de verdade. Eu preciso de muito mais ajuda do que parece que eu preciso. Claro, existem algumas exceções. A Andrea é uma delas, ela tem cuidado muito de mim nas últimas duas semanas. Apoiamos uma à outra, as duas com disfunção bipolar, mas de tipos diferentes (ela é tipo 01, com crises de euforia, eu sou do tipo 02, com 90% do tempo deprimida num nível insuportável).

Minha mãe me ligou essa semana. Sinto muita mas muita falta dela. O maior erro que eu cometi nesses últimos anos foi ter saído da casa dela, eu já estava seriamente doente com a disfunção e sem tratamento adequado. Ela lamentou muito isso no telefone comigo mas eu tentei dourar um pouco a situação para ela, falando que ainda bem que agora eu estou em tratamento. O tratamento veio em cima da último segundo. Eu já tinha planejado meticulosamente como é que eu ia “cair fora desse mundo de merda”, dessa vida de merda que eu vivo. No outro domingo de eleição, fui falar com minha tia e minha mãe, minha tia tem muita experiência com o assunto e ambas foram unânimes: eu nãoi melhorei nada nos últimos dois anos que moror sozinha, eu piorei a olhos vistos.  Elas salvaram a minha vida, porque eu saí de lá com a firme convicção que eu precisava me internar. Só não fiz isso porque um amigo meu se comprometeu a encontrar um bom psiquiatra para mim e assumiu as despesas.

Ele não sabe o quão perto eu estive de sair fora. Não aguento mais, eu sei que poucos entendem isso. É insuportável.

Quem não é bipolar não tem idéia do pesadelo 24 horas por dia que é. Pensamentos confusos, incapacidade de raciocinar, de constuir frases coerentes, um sentimento de medo e de pesadelo o tempo todo. Você passa o dia todo fingindo ser uma pessoa cordata e racional e o medo uivando lá dentro. Usei uma imagem interessante falando com minha psiquiatra: o meu eu real está preso numa gaiola e tem um louco no controle.

Contagem exata? São CINCO anos disso.

Minha mãe lamentou não ter trocado de médico em 2004, quando ela percebeu que o tratamento com antidepressivos não estava funcionando. Antidepressivos não funcionam com bipolares do tipo 02, causam delírios. Em 2004 eu passei seis meses presa dentro de uma cabeça que tinha pesadelos dormindo e acordada. Ouvia vozes. Mas eu tentei animá-la, eu sei que não é fácil diagnosticar o distúrbio, mesmo quando o perturbado (que no caso sou eu) está afirmando a plenos pulmões o que tem.

Eu sempre falei que era bipolar. Curioso, as pessoas em volta de mim que eu precisava que acreditassem não acreditaram.

Me dá uma certa sensação de impotência. Vocês não tem idéia do quanto a minha vida está destruída. Está muito pior do que na época em que eu me divorciei.

Pelo menos agora eu durmo. OI remédio é maravilhoso. Me dá muita sonolência e confusão mas me deica calma e me faz dormir sem pesadelos. O alívio, desde o primeiro dia de medicação, foi icomensurável.

A médica me pediu para ter paciência. É difícil, meu computador ainda está com um problema e eu não tenho cérebro suficiente pra resolver. Minhas contas estão estouradas e eu não etnho previsão de quando vou ter dinheiro pra resolver isso também. A minha dívida é alta.

Mas pelo menos eu durmo. E gosto da minha gata, a melhor companhia que eu tenho. E eu tennho a Andrea me ajudando e alguns amigos que saem comigo de vez em quando e me fazem companhia. Ontem que msalvou meu dia foi o Rogério (obrigada, eui também amo você).

Ontem aliás eu só fui tomar remédio à noite, uma experiência interessante. Eu não tinha me medicado na sexta poorque eu quis ir numa festa e aproveitar a festa. Faz tanto tempo que eu não saio e não vejo pessoas, eu queria muito ir naquela festa.

Nas ontem à tarde eu estava sentindo o efeito de não estar medicada. Já estava deprimida outra vez. Já queria novamente me esconder em casa e não sair mais.  Tudo bemm, tomeiu o remédio e dormi.

Voiu conseguir ir votar hoje. Voiu deixar meu computador disfuncionalr pra resolver quando eu voltar. Ou não. Estou tendo paciência comigo mesma, são apenas 15 dias de tratamento. A médica pediu um mês.

Eu ainda odeio a minha vida e ainda acho que não deveria mesmo ter saído da casa da minha mãe. Foi um erro que quase me custou a minha vida. Me custou tudo que eu tinha, com certeza. Vamos ver se agora que estou medicada eu vou conseguir escrever a minha monografia. Quero muito terminar a pós graduação. é uima coisa que eu desejo para mim há mais de dez anos. A pós é uma das coisas mais importantes para mim.

E meus amigos mais próximos (que trabalham comigo) têm alguns planos para nos ajudar com o trabalho , vamos ver se eu saio desse buraco.

Por favor, se alguém que vocês conhecem tem sintomas de bipolar, levem a um médico. O seu amigo está morando no inferno e às vezes nem sabe. Eu estou doente a pelo menos cinco anos, senão seis. Você pode ajudar a salvar uma pessoa desse inferno.

“Uma hora estou bem. Faço tudo que tenho que fazer. Estou distraído, trabalhando. De repente, do nada, acho que a vida é chata. Não tem graça nenhuma. Me dá uma preguiça danada. Fico pensando que eu não vou durar muito. Que eu vou morrer logo. Que eu vou morrer moço. Daqui a pouco. Que nada vale a pena. Que tudo é inútil. A sensação que eu vou morrer logo é tão forte que dá vontade de deitar e morrer de uma vez para tudo acabar. Mas eu sei que é a depressão falando. Essa depressão é um saco. Eu sei que é tudo da minha cabeça e é tudo invenção e não é real. Eu sei que já estou tomando meus remédios e eu tenho que esperar ela passar. Mas é um saco mesmo. Eu tenho que fingir que eu não estou pensando que eu estou morrendo.” - depoimento sobre a depressão, postado no site Transtorno Afetivo Bipolar.

Alguns links bons:

Doença Bipolar - como evolui?
CRISE DE IDENTIDADE

Transtorno bipolar do humor - José Alberto Del Porto
As bases neurobiológicas do transtorno bipolar