Thursday, December 4, 2008

'Cinema'

Ghost in the Shell 2

Monday, December 25th, 2006

Porque meus presentes para vocês são sempre audiovisuais.

Esse usuário postou o anime inteiro - em pedaços, devido às limitações do youtube - e falado em inglês.
Vale a pena assistir, é belíssimo.

This is Bollywood

Monday, December 25th, 2006

Um presente de Natal pra vocês, direto do Youtube.
Videoclipes de filmes bollywoodianos.

Lagaan - Ghanan Ghanan

Lagaan - Mitwa

Devdas - Trailer

Devdas - Silsila Yeh Chahat Ka

Os indianos adoram musicais.
Mario, você precisa mostrar os musicais indianos pra sua mãe. Eu acho que ela vai adorar.

Little Miss Sunshine

Monday, December 11th, 2006

A platéia ri muito e realmente tem algumas tiradas que só rindo - pra não chorar. Os personagens inspiram um misto de simpatia e piedade - são todos disfuncionais mas são todos “gente boa”.

E talvez essa seja a razão pela qual “Little Miss Sunshine” seja apenas uma comédia divertida para uma sessão de cinema com amigos - e não uma obra prima.

O filme vale pela sequência de abertura, cinema de alta qualidade. Os personagens são apresentados em poucos minutos, cada um em suas atividades, com pequenas narrativas que definem quem é quem e qual a situação, com a música minimalista em crescendo. Infelizmente, esse tom não se mantém pelo restante do filme.

A família é completamente disfuncional, com personagens que já conhecemos de outros filmes sobre “famílias americanas disfuncionais”: o pai fracassado, o avô drogado, o irmão suicida, o filho que está fazendo voto de silêncio (de longe o melhor personagem do filme) e a menina, que ainda não tem idade suficiente para ter se tornado uma pessoa frustrada e infeliz. Todos os atores são de primeira qualidade e a atriz infantil Abigail Breslin surpreende pela incrível interpretação, o filme é bonito, bem feito e diverte - mas sinceramente, não passa disso.

Na linha “o sonho americano acabou” ainda prefiro o belíssimo e impecável Beleza Americana (1999), mais consistente, mais contundente e com um final impiedoso - o que, por si só, sempre merece de mim a mais alta honraria, porque são poucos os cineastas que tem coragem de deixar a audiência pensativa e transmutada.

A “Pequena Senhorita Raio-de-Sol” critica o modelo do sonho americano e da família tradicional, mas de forma piedosa, de forma paternal. A “Beleza Americana” ainda é mais selvagem, mais cru e por isso mesmo, inesquecível.

Nota posterior: entre camarões e vinho, um amigo me lembra uma frase que eu mesma quotei aqui no chá:
“I didn’t want help… I wanted hope.”
- Ian Banks, “The Player of Games”

Sim, eu quotei.
Mas eu sou a mesma pessoa que quotou isso aqui:

“Hope is a waking dream.”
- Aristóteles

Certo. Certo.

The Pillow Book & Ederlezi

Friday, November 24th, 2006

The Pillow Book
Peter Greenaway
Goran Bregovic

“The keeping of pillow books to record poems, secrets, and encounters with lovers was a common practice of noble women in Heian Japan. Although its content is unrelated to the film, a famous example was written by Sei Shonagon at about the same time as Lady Murasaki’s The Tale of Genji which has the honor of being the world’s first novel. In fact, it has been said that Sei Shonogon and Lady Murasaki were rivals in the court of Heian.”

“O cinema não é o melhor veículo para contar histórias. É específico demais, deixa muito pouco espaço para a imaginação levantar vôo fora das indicações estritas do diretor. Leia “ele entrou na sala” e imagine mil encenações. Veja “ele entrou na sala” no cinema-como-o-conhecemos e você ficará limitado a uma única encenação. O cinema tem a ver com outras coisas que não a narração. O que você lembra de um bom filme - e vamos falar apenas de bons filmes - não é a história, mas uma experiência especial e quem sabe única que tem a ver com atmosfera, ambiência, performance, estilo, uma atitude emocional, gestos, fatos isolados, uma experiência audiovisual específica que não depende da história.”
- Peter Greenaway

“The film has written and spoken dialogue in twenty-five languages-English, French, Japanese, Mandarin, Cantonese, Vietnamese, Latin, Hebrew, necrotic Egyptian … and it has written calligraphic text on paper, wood, and flesh, on flat and curved surfaces, vertically and horizontally, on both living and dead flesh, in neon, on screens, in projection, as sub-title, inter-title, and sur-title, as High Art and low art, as advertisement and banker’s check and registration plate, on photograph, on blackboard, as letter correspondence, as photocopy facsimile, and spoken, chanted, and sung, with and without music … a mocking challenge. You want text? Cinema wants text? Cinema pretends to eschew text? Then we can give you text to mock that smug suggestion that cinema thinks it is pictures.”
- Peter Greenaway

God is a DJ

Thursday, November 23rd, 2006

Dica do Tim. Poético.

300 Movie Trailer

Thursday, November 23rd, 2006

Full version do trailer. Arrepiante. Eu quero assistir isso.

Vejam também o making of.

Ah, não!

Saturday, November 18th, 2006

Destruíram um dos meus filmes favoritos.

Fiquem com o original, please:

Terry Gilliam & David Lynch

Tuesday, November 14th, 2006

Vocês acham que é só o cinema brasileiro que passa dificuldades? Veja só o que esses dois diretores magníficos andam fazendo.

- Dude, check it out, it´s David Lynch!
- He is just sit´n in the f*** corner with a f*** cow!

Rolei de rir, lembrei TANTO de Beavis & Butthead!

Inland Empire: veja novas fotos e assista a David Lynch promovendo o filme no meio da rua

Terry Gilliam
Terry Gilliam aparece nas ruas de Nova York para divulgar Tideland

Nota posterior:
“Tideland” é uma Alice revisitada. O site é uma graça. A música é maravilhosa.

Dogville

Monday, October 16th, 2006

“All I see is a beautiful little town in the midst of magnificent mountains. A place where people have hopes and dreams even under the hardest conditions.”

Várias vezes já me pediram para escrever uma análise sobre Dogville. Eu sempre soube que para fazer uma análise bem-feita eu precisaria realizar uma pesquisa detalhada sobre Lars Von Trier, suas idéias e cinematografia, Dogville não é fácil de analisar, porque possui múltiplas camadas.
Aqui vai uma versão “curta” da análise, para internet.

Dogma 95

Em 1995, Lars Von Trier, juntamente com o cineasta Thomas Vinterberg, criaram um movimento-manifesto cinematográfico que chamaram de “Dogma 95″.

O Manifesto trazia uma nova proposta de resgate do “cinema autoral” pois, de acordo com o texto redigido pelos dois cineastas, a Nouvelle Vague, cujo objetivo também tinha sido esse resgate, havia falhado em sua tentativa, conseguindo apenas repetir o mesmo cinema elitista, “burguês” e não-democrático já produzido pelos grandes estúdios até então.

O ponto central do Manifesto é a utilização tecnológica e o orçamento de produção: a proposta é a libertação da técnica tradicional do cinema para redução de custo. Essa libertação tecnológica produziria um cinema verdadeiramente democrático.

As regras do Manifesto Dogma 95, chamadas de “Voto de Castidade”, são:

1. As filmagens devem ser feitas em locais externos. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).
2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).
3. A câmera deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmera está colocada; são as tomadas que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).
4. O filme deve ser em cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmera).
5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.
6. O filme não deve conter nenhuma ação “superficial”. (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).
7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (Isto significa que o filme se desenvolve em tempo real).
8. São inaceitáveis os filmes de gênero.
9. O filme deve ser em 35 mm, padrão.
10. O nome do diretor não deve figurar nos créditos.

(fonte: Wikipedia)

Em 2005, Lars Von Trier lançou um adendo ao Manifesto original para uma segunda série de filmes produzidos de acordo com as regras do Dogma, onde o formato digital se tornou obrigatório.

Dogville

Em Dogville, vemos alguns dos elementos do movimento Dogma 95: o uso de câmera na mão em algumas seqüências, a ausência de trilha musical, o filme colorido, a ausência de armas e efeitos especiais. Lars Von Trier utilizou recursos adicionais que não estavam previstos no manifesto Dogma, como grua, iluminação artificial e cenário construído em local fechado.

O cenário

Entretanto, o “cenário” está longe de ser o cenário usados pelos grandes estúdios ou a locação “cinematográfica” natural do cinema realista; o cenário de Dogville possui uma composição visual que se aproxima muito mais da linguagem teatral do que do cinema; simples, enxuto, com poucos acessórios, como se fosse um grande palco retangular onde os atores e a interpretação são mais importantes que o que o ambiente que os cerca. Se um objeto é dispensável à narrativa, ele não existe, ele é sugerido com um desenho no chão, ou apenas manipulado pelos atores como se fosse invisível.

Esse tipo de “não existência de um objeto” remete ao próprio formato e estrutura dos roteiros técnicos para cinema: tudo que for desnecessário na construção da cena não consta do roteiro; apenas o essencial à narrativa está lá. Assim, em Dogville, os personagens abrem portas invisíveis para passar de um ambiente a outro, o personagem do cão não existe, é apenas o som de um latido ou um desenho no chão. Já os carros, que servem como elemento central de momentos da narrativa e como cenário, entram e saem desse “palco teatral”.

Dogville é um filme monocromático, praticamente todo o cenário e o figurino é marrom. Uma das primeiras conexões simbólicas que é feita imediatamente é com fotos antigas; a cor sépia, em nosso imaginário simbólico remete ao antigo, ao velho, ao passado. Temos a impressão de assistir a uma história que aconteceu em tempos antigos muito mais por causa da escolha da coloração do que pelo design e modelo das roupas ou o porque o cenário possua elementos nos remetem à indentificar alguma época.

Somos informados logo no começo do filme de que a cidade se localiza perto de uma montanha e que a paisagem é “bela” e bucólica mas a montanha não existe visualmente, é apenas sugerida a um canto do cenário por um amontoado de pedras. O espectador precisa completar a “beleza” da paisagem com a imaginação. A “não existência” visual aumenta a força da narrativa, já que a paisagem não é apresentada visualmente, precisamos “imaginá-la” ou “acreditar” no testemunho dos personagens. A “não-existência” do cenário cria uma dualidade de compreensões: vemos um cenário árido, vazio, que faz contraponto à fala dos personagens e do narrador, que nos garantem que o lugar é belo.

Essa mesma contradição aparente entre o visual apresentado e o texto dos personagens serve como sustentáculo principal da narrativa: a história de Dogville é uma alegoria sobre as pessoas, suas ações, seus pensamentos e a contradição constante entre o que dizem com suas reais intenções e ações.

Luz

A luz é usada como personagem da narrativa: o texto do narrador anuncia uma “mudança de luz” na cidade, com sentido metafórico e a iluminação da cena se modifica. A luz é usada no filme como apoio narrativo visual, dando ênfase a elementos e momentos importantes.

Figurino

A personagem de Grace é facilmente indentificável como uma “estrangeira” por suas roupas, cores e penteado. O estilo de sua roupa com plumas no acabamento, a maquiagem, o penteado, remetem a uma pessoa que não pertence à cidade, onde os moradores vestem apenas roupas velhas. A roupa de Grace é escura, negra, para aumentar ainda mais o contraste com “a cor local”.

Grace, entretanto, quer se mesclar à paisagem e aos habitantes e logo adota o “figurino local” de roupas velhas e remendadas. Essa indentificação visual com os moradores da cidade é fundamental para sua auto-preservação, uma vez que Grace está fugindo que gângsteres que aparentemente querem lhe fazer mal. O jogo da aparência versus realidade é, entretanto, a grande tônica da trama, assim como o narrador nos informa que a “Rua do Olmo” não tem nenhum “Olmo” - “Elm Street”, Olmo é uma árvore imensa muito comum nos Estados Unidos, simboliza a grandeza, a permanência, por seu tamanho e longevidade -, logo vamos “aprendendo” juntamente com Grace, que nada na pequena cidade é o que parece ser.

Novamente, a não-existência da cenografia e dos objetos reforça a composição da narrativa. As casas são meramente marcações em branco no chão, não possuem paredes ou portas e isso é especialmente importante nos momentos mais dramáticos da história - os personagens agem todo o tempo ignorando fatos importantes que acontecem em sua cidade, mas o espectador pode ver todos esses acontecimentos, pois não há paredes, não há intimidade e não há segredos. Tudo é público.

Essa filosofia visual é uma clara herança do teatro de Bertold Brecht, onde a proposta principal era manter o distanciamento da platéia, na tentativa de não criar relacionamento empático do espectador com os personagens. Essa filosofia, entretanto, “falha” propositadamente, porque a crueza visual reforça a empatia entre a platéia e a personagem de Grace.

A história

Dogville causou imensa polêmica quando foi lançado. O fato do filme se encerrar com a canção “Young Americans” de David Bowie, única música do filme, acompanhado de fotos do período de recessão dos Estados Unidos e de famílias contemporâneas extremamente pobres causou uma reação contra o filme nos Estados Unidos. Von Trier foi acusado de ter realizado um filme anti-americano e até hoje não conseguiu se livrar desse estigma.

Apesar dessa referência clara, a história de Dogville é uma história universal, que poderia acontecer em qualquer cultura porque trata principalmente das contradições humanas e do pior que existe no ser humano - a inveja, a avareza, a mesquinhez, o ciúmes, o desejo destrutivo.

Alguns autores, em suas interpretações do filme, compararam o comportamento dos personagens com os “Sete Pecados Capitais” e a atitude de Grace, dos gangsters e das autoridades policiais presentes na trama como uma espécie de “presenças divinas”, realizando julgamento moral dos personagens e punindo-os por seus “pecados”.

Independentemente da religião ou da filosofia pessoal de cada um, Dogville apresenta a dualidade do ser humano, num eterno conflito entre seu lado “bom” e seu lado “mau” sem oferecer final feliz ou redenção para nenhum personagem mas oferecendo sim, um final catártico - a platéia é conduzida a empatizar e se identificar com Grace “aplaudindo” o final do filme devido a essa indentificação.

A grande afirmativa que permeia o filme todo é “você é tão humano quanto qualquer um, você faria as mesmas coisas naquela situação”. Talvez por isso tantas pessoas tenham sentido repulsa pelo filme e sejam tão enfáticos em declarar que não gostaram do filme - afinal, ninguém deseja assumir publicamente que é tão humano quanto qualquer outra pessoa e tão capaz quanto qualquer outra pessoa de atos “moralmente condenáveis” ainda que em situações extremas.

Filme

Saturday, October 7th, 2006

Filme” - de Lilian Ross

“Uma descrição terrível de como um grande filme pode ser reduzido à incoerência pelo acanhamento e analfabetismo dos chefes de estúdio”.
- Graham Greene

Lilian Ross acompanhou, durante quase dois anos, o processo de filmagem de “A Glória de um Covarde“, de John Huston.

Huston é um grande cineasta. Se eu fosse indicar apenas um filme dele para ser assistido, indicaria The Misfits (1961) e se fosse indicar dois, indicaria também seu Moby Dick (1956) com Gregory Peck como o enlouquecido Capitão Ahab.

No livro, Lilian descreve, como uma observadora imparcial, como o estúdio gradativamente vai destruindo a produção e depois o filme já montado, em sua preocupação em “produzir um filme comercialmente viável” - sem se preocupar com a visão de Huston do filme.

“Tudo que me interessa é que o filme faça dez milhões de dólares’, disse Reinhardt.”

O diretor é o filme, o filme é o diretor - mesmo em filmes “comerciais” ou filmes “de entretenimento”. O diretor vai imprimindo, ao longo do processo de preparação e filmagem, sua visão, sua personalidade, suas idéias, seus pensamentos. Um diretor autoral como Huston deixa uma marca indelével em seus filmes.

“Meu Deus, Jim’, disse Huston. ‘Diga-me alguma coisa que eu possa entender. Isto não é um romance. É um roteiro. Você precisa demonstrar tudo, Jim. As pessoas na tela são deuses e deusas. Sabemos tudo sobre elas. Seus hábitos. Seus caprichos. Mas não podemos tocá-las. Elas não são reais. Estão no lugar de alguma coisa. São símbolos. Não dá pra ter simbolismo dentro do simbolismo, Jim.”

O estúdio sabia que Huston era extremamente autoral, mas quando começam a trabalhar, os produtores executivos não conseguem ter paciência, não conseguem abandonar sua prepotência, a preocupação única e exclusiva com o faturamento que o filme irá fazer, sua falta de conhecimento da linguagem cinematográfica - e começam um processo lento e inexorável de destruição do filme.

“Reinhardt falou:’John, você tem que dizer às pessoas o que é o filme. Devemos começar a narração no início, antes da cena no rio. Aquela cena é enigmática. Você paga por aberturas mais inteligentes. Devemos dizer a eles:’Eis uma obra-prima.’ É preciso contar isso a eles. As pessoas precisam saber que é um clássico.”

Os produtores executivos não conseguem entender que o que fará a bilheteria não serão os clichés que eles vão adicionando ao filme - como a narrativa em off adicionada depois de alguns pré-testes de audiência - nem os cortes que fazem de cenas importantes na construção do ambiente do filme e sim, a liberdade que deveriam ter dado a Huston de criar o filme como ele pretendia criar. Huston sabia que tipo de filme deveria fazer.

“Façam ‘a irmã’ narrar’, disse Albert Band, e começou a rir. Huston e Reinhardt silenciaram-no com o olhar.
‘Albert, um dia você será chefe do estúdio’, disse Huston. Falou mecanicamente e com voz triste, sem nada da antiga ênfase teatral. Parecia cansado.

O processo de lidar com o estúdio é desgastante o tempo todo. Como não conseguiu filmar como realmente queria, não conseguiu que o filme fosse montado como queria, ao chegar aos pré-testes, o filme já não era o que Huston tinha pensado inicialmente. Os testes fracassam, aos olhos do estúdio - embora eles não saibam se querem que a platéia chore, ria, aplauda. O estúdio inicia um processo de remendar o filme de Huston - e Huston perde o interesse.

“Reinhardt e eu saímos do escritório para almoçar no refeitório. ‘John não se importa mais com o filme’, disse ele enquanto caminhávamos. ‘John não se importa com nada, e eu fico aqui para escutar Louis B.Mayer.”

O livro de Lilian Ross é uma aula de cinema e uma aula de jornalismo; a jornalista consegue escrever um livro onde permanece invisível, sem emitir opiniões, sem fazer julgamentos ou pressuposições, narrando cruamente como Hollywood trabalha.

Vale a pena ler.

George Lucas diz que abandonará cinema

Thursday, October 5th, 2006

George Lucas diz que abandonará cinema: ‘Futuro está na web’
05/10/2006 às 11h03m - O Globo Online

O diretor George Lucas anunciou que abandonará o cinema nos próximos anos e se dedicará à TV, informa o site Variety.com. O criador de “Star Wars”, que criou o padrão de filmes-franquias milionários, disse que o futuro está em filmes curtos e na distribuição pela internet. A declaração de Lucas reforça uma tendência já mostrada por grandes empresas dos ramos de TV e cinematográfico, como Fox ( que levará programas de TV ao MySpace ), a Apple ( que oferecerá filmes no ITunes ) e a Warner ( com vídeos sobre música no YouTube ).

- Nós não queremos mais fazer cinema. Vamos nos dedicar à televisão. Sairemos do negócio de filmes porque ele é muito caro e muito arriscado - afirmou Lucas.

O diretor deu a entrevista após uma cerimônia na School of Cinematic Arts, onde estudou. Ele doou US$ 175 milhões para a instituição, mas disse que essa quantia é muita para investir num filme. Na sua opinião, investir US$ 100 milhões em produção e mais US$ 100 milhões em divulgação não faz sentido.

- Pelos mesmos US$ 200 milhões, posso fazer 50 ou 60 filmes de duas horas. São 120 horas, em vez de apenas duas horas. É onde chegaremos no futuro, quando tudo será disponível no sistema pay-per-view ou por download. Você terá que ter um site que tenha bastante material para atrair as pessoas. O segredo do futuro será a quantidade - acredita Lucas, que já discutiu o assunto com Steve Jobs e John Lasseter, da Pixar.

Lucas crê que os americanos estão abandonando o hábito de ir ao cinema.

- Sairemos do negócio de filmes porque ele é muito caro e muito arriscado.

- Não acho que nada existirá como um hábito simplesmente. Acredito que as pessoas serão atraídas para certas mídias em seus momentos de lazer e farão isso porque haverá um desejo de fazê-lo naquele momento. Tudo será uma questão de escolha. Será uma grande revolução na indústria.

Isso não significa, porém, que a Lucasfilm esteja mergulhando na distribuição online.

- Estamos tentando entender de onde exatamente virá o dinheiro nesse modelo de negócio. Não estamos interessados em dar um salto no escuro até que o negócio esteja claro.

A Lucasfilm não abandona o cinema de pronto. “Indiana Jones 4″ está ainda em desenvolvimento. A empresa também trabalha em “Red tails”. E a Lucas Animation planeja lançar filmes eventualmente.

- Agora estamos fazendo televisão, que é ótimo. Estou muito, muito feliz - disse a respeito de sua divisão de animação. - Provavelmente no próximo ano teremos as pessoas e os sistemas afinados para prepararmos um filme.

Apesar de admitir que a estratégia de lançamentos milionários foi boa para ele no passado, ele não planeja repetir.

- Não faremos investimentos de US$ 200 milhões.

Lucas diz que está “semi-aposentado” mas reiterou seus planos de dirigir “filmes curtos” depois que seus outros projetos forem lançados.

Lumiére reloaded

Monday, September 18th, 2006

40 international directors were asked to make a short film using the original Cinematographe invented by the Lumière Brothers, working under conditions similar to those of 1895.
There were three rules:
1. The film could be no longer than 52 seconds.
2. No synchronized sound was permitted.
3. No more than three takes.

Lumière et compagnie (1995) - David Lynch

Lumière et compagnie (1995) - Peter Greenaway
“I do indeed think that cinema is mortal. There is a lot of evidence already that it is dying on its feet.”

Lumière et compagnie (1995)