'CinemaBrasilis'
Poema documental
Wednesday, May 9th, 2007Mais da metade dos brasileiros nunca foi ao cinema
Friday, May 4th, 2007Agência Brasil - CCSP - 02/05/07
“Estudo do MinC (Ministério da Cultura) revela que mais da metade (60%) da população brasileira nunca foi ao cinema. Apenas 14% dos brasileiros costumam assistir a filmes pela telona e 70% da população nunca visitou um museu. Os números mostram também que o livro não chega à casa de muitas famílias. Em média, as despesas anuais com audiovisual somam 41,2% dos gastos culturais das famílias e apenas 1,65% é investido na compra de livros.
Apesar da dificuldade ao acesso, de acordo com o estudo, a importância da cultura é igual em todos os níveis sociais. As famílias brasileiras gastam, em média, 4% da renda com cultura.”
(enviado para mim por email pelo meu amigo Humberto)
Famoso, polêmico e proibido
Friday, March 23rd, 2007Em 2005 tive o prazer de assistir a uma palestra de Mario Carneiro na ABCine. Entre as várias coisas que o cinematógrafo contou, a história de como Glauber Rocha documentou o funeral de Di Cavalcanti. Mario Carneiro contou que Glauber, ao saber da morte do amigo Di, foi correndo para o funeral, com o Mario e com a mulata que era amante de Di, Marina Montini, para fazer um documentário-homenagem. A família, obviamente, detestou tudo, especialmente a presença de Marina.
“Di”, nome do documentário, estava proibido em território nacional por processo aberto pela filha do falecido pintor. O processo, devido a tecnicalidades, era nulo e agora, o Brasil pode finalmente assistir o famoso documentário, do famoso pintor Di, pelo olhar do não menos famoso cineasta Glauber.
Leiam a história completa do documentário:
A polêmica saudação de Glauber a Di, por Maria Eugênia de Menezes.
Pro Dia Nascer Feliz
Thursday, January 4th, 2007Documentário de João Jardim, diretor de Janela da Alma.
Site oficial: Pro Dia Nascer Feliz
PósNeoPseudoFagia
Thursday, December 21st, 2006“É com prazer que comunicamos que o filme _PósNeoPseudoFagia_ foi selecionado para a 10ª Mostra de Cinema de Tiradentes que será realizada de 19 a 27 de janeiro de 2007.”
Parabéns!
O Guilherme é de Belo Horizonte e foi meu aluno de direção de arte.
Esses meus alunos me enchem de orgulho.
Canal Brasil: curtas!
Sunday, November 12th, 2006Matéria no Canal Brasil sobre a coletânea de curtas da ABD-SP.
Os sete pecados do capital
Thursday, October 5th, 2006Um filme de Ricardo Nauenberg.
Maravilhoso.
Assista online, gratuitamente.
Indicação de Romeu di Sessa, cineasta e documentarista.
Missão: impossível de assistir
Wednesday, May 10th, 2006Assistir um filme brasileiro continua sendo uma missão impossível
Ir ao cinema ainda é um programa gostoso para o final de semana, certo? Errado. Já faz alguns anos que ir ao cinema se transformou em uma maratona de dificuldades, um programa cultural caro e de logística complicada.
A maioria das salas de cinema se localizam atualmente em shoppings, onde você tem que ir de carro, estacionar, subir andares em meio à multidão, enfrentar filas para pagar salgados 18 reais o ingresso. Bons tempos das salas de cinema na rua, a maioria delas transformou-se em igrejas ou supermercados.
A segunda dificuldade é conseguir encontrar o filme que você quer assistir. Aqui em São Paulo, setenta salas estão exibindo Missão Impossível que está em cartaz em cento e vinte de um total de 1500 salas de cinema em todo o país.
A A Era do Gelo está em sessenta e nove salas, Selvagem (Disney) está em vinte e sete salas, Terapia do Amor, com Meryl Streep, está em vinte e cinco salas, 16 Quadras, com Bruce Willis, está em vinte e duas salas, o tailandês Espíritos, a Morte está ao seu lado está em dezessete salas, o filme de Al Pacino, Tudo por Dinheiro está em dezessete salas, Ultravioleta, filme de ação com Milla Jovovich, está em quinze salas, Resgate Abaixo de Zero (Disney também) está em quatorze salas, V de Vingança, que já estreou há umas duas semanas, em doze salas, o sanguinolento Albergue está em onze salas, O Plano Perfeito, de Spike Lee também em onze salas, Institnto Selvagem, com Sharon Stone, está em nove salas, a comédia romântica de Sarah Jessica Parker, Armações do Amor, está em sete salas, O Corte de Costa-Gravas está em quatro salas.
Se eu não quiser assistir filme infantil, comédia romântica, filme de ação ou filme de horror, estou sem muitas opções e todas as minhas opções estão em cinemas de arte e salas especiais de museus, em poucas sessões.
Eu quero muito ir assistir Árido Movie, filme brasileiro que tem conquistado crítica e prêmios. Só achei em duas salas. Achados e Perdidos, com Antonio Fagundes, está em quatro salas. Se Eu Fosse Você, está atualmente em uma sala, mas não vou contabilizá-lo aqui nessa conta porque esteve em cartaz em várias salas de cinema de shoppings, faturando a maior bilheteria do verão brasileiro, ganhando das Crônicas de Nárnia, exibido no mesmo período. Quem está atualmente nos shoppings é Irma Vap, O Retorno, em onze salas.
Boleiros 2, de Ugo Girgetti está em apenas uma sala, mesma situação dos também brasileiros Cinema, Aspirina e Urubus, Dia de Festa, Tapete Vermelho e Vinho de Rosas, todos em apenas uma única sala em um dos cinemas de arte de São Paulo.
Apenas as chamadas grandes produções do cinema brasileiro conseguem acesso à exibição em salas de cinema de Multiplex. O cinema independente brasileiro ainda fica restrito ao circuito das salas especiais de arte, cinematecas e museus.
Para que o cinema brasileiro realmente consiga se transformar em uma indústria sólida, é preciso que os filmes brasileiros sejam exibidos em mais salas. Se aqui em São Paulo os filmes ficam pouco tempo em cartaz em poucas salas, imagino que na maioria dos outros locais do Brasil as pessoas nem fiquem sabendo da existência desses filmes.
Eu quero assistir filmes no cinema, não quero ficar esperando serem lançados em DVD ou esperar alguma mostra especial. Eu quero ter mais opções de gêneros do que blockbusters. Eu quero ver mais filmes brasileiros. Eu quero poder escolher com calma o filme e o local, sem sobressalto, sem ter que ir ao cinema correndo porque o filme fica apenas uma semana em cartaz, em uma ou duas salas.
Eu quero mais salas de cinema.


Conversando com Nelson Pereira dos Santos
Wednesday, April 19th, 2006
A história de hoje começa com um email recebido notificando uma “Cabine”, ou seja, uma sessão fechada para a imprensa, do filme “Brasília 18%” acompanhada uma nota que chamou minha atenção: “estamos agendando entrevistas com o elenco e com o diretor do filme, Nelson Pereira dos Santos”.
Nelson Pereira dos Santos é um dos diretores mais importantes do cinema brasileiro com uma longa filmografia. Seu primeiro filme foi Rio 40 Graus (1955), que ele escreveu, produziu e dirigiu de forma independente, através de um sistema de cotas divididas entre os interessados na produção, numa era que as grandes produções cinematográficas brasileiras se limitavam às chanchadas da Atlântida e outros filmes de estúdio. Influenciado pelo neo-realismo italiando fez um filme quase documentário, focando um dia na vida de vendedores de amendoim tendo como cenário as praias do Rio de Janeiro. A polêmica com o tema foi grande, o filme foi censurado mas conquistou diversos prêmios e a simpatia do público.
Nelson sempre demonstrou paixão pela literatura: filmou Guimarães Rosa (A Terceira Margem do Rio/1994), Machado de Assis (O Alienista/1970 e A Missa do Galo/1982), Graciliano Ramos (Vidas Secas/1963 e Memórias do Cárcere/1984), Jorge Amado (Tenda dos Milagres/1977) e até Gilberto Freyre (Casa-Grande e Senzala/2000). Seus filmes foram premiados em Cannes, em Gramado e vários outros festivais. É o diretor que criou o cinema autoral no Brasil e foi considerado por Glauber um dos fundadores do Cinema Novo - o que ele já negou várias vezes, atribuindo essa fama a uma das várias provocações que Glauber Rocha fazia com a mídia. Brincadeira ou não, há um reconhecimento da importância de Nelson e desde o ano passado ele é imortal: é o primeiro cineasta a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.
Eu queria muito entrevistar Nelson. É o que se chama de “oportunidade de uma vida”. Então começamos o processo de solicitação e agendamento da entrevista, com o Mark, editor da Paradoxo, trocando emails com a assessoria de imprensa do filme. Enquanto os emails fluiam, fui assistir “Brasília 18%” na cabine.
Na segunda-feira dia 10 de abril veio finalmente o email de confirmação: minha entrevista com Nelson estava marcada para o dia 11 às 17 horas em um hotel na Avenida Paulista.
Pela manhã fui assistir o novo filme de Win Wender. Eu adoro Win Wenders, o novo filme dele fala de cowboys e de cinema - o que me pareceu apropriado, já que à tarde eu entrevistaria o responsável por um dos melhores bangue-bangue sertanejos, Mandacaru Vermelho (1960) mas falarei sobre isso em outra oportunidade.
Enquanto eu aguardava o Nelson, tomava café e comia uns sanduíches cor-de-rosa que serviram, conversei Mônica Keiko, atriz estreante que faz o papel de uma prostituta adolescente na trama política de “Brasília 18%”. Mônica, conversando comigo, não teve medo de responder à minha pergunta provocativa: “você já tinha ouvido falar do Nelson antes de ser chamada para fazer um filme dele?” A linda menina sorriu e confessou que não, que conhecia de nome mas não sabia bem quem era. Assim que foi escalada, fez uma pesquisa e sentiu um frio no estômago ao descobrir quem era o diretor.

Finalmente meu horário chegou e entrei em uma sala com Nelson, um poster do filme, uma mesa e duas cadeiras. Nelson já tinha atendido mais de uma dúzia de jornalistas. Primeiro, ele se sentou ao meu lado esquerdo, mas trocou de lado:
- Vou sentar desse lado aqui que eu escuto melhor desse ouvido – disse ele, sentando-se na frente do poster. Nada como conhecer bem a rotina para escolher o melhor local para sentar e proporcionar uma boa foto promocional do filme!
Dani - Nelson, como é ser um ícone do cinema e um imortal?
Nelson – (risos) Pois é, agora eu vou tomar chá na Academia.
Dani - Vai discutir poesia com o Sarney? Falar de Guimarães Rosa com ele?
Nelson - Pois é, pois é… eu não tomei posse ainda, ainda vai ter a posse. Só depois disso que eu vou participar dos chazinhos. Sabe que fizeram uma festa pra mim que foi até as quatro da manhã? Até hoje não me recuperei.
Dani - Mas como é o ícone e imortal Nelson Pereira dos Santos? É muito diferente do homem? Do cineasta?
Nelson - Eu não penso nisso, sabia? Para mim não mudou nada. Não me vejo como ícone. Essa história de imortal é engraçada.
Dani - Mas como não? Você é uma referência para o cinema nacional!
Nelson - Referência? Não sei. Não quero saber, deixo isso para os estudiosos. Eu sempre fiz os filmes porque eu queria fazer. Porque eu gostava de fazer. Eu gostei muito de fazer cada um dos meus filmes.
Dani - Você abraçou a aventura do cinema independente, desde o início da sua carreira, Glauber diz que você criou o cinema novo…
Nelson - Ninguém queria produzir os meus filmes, eu tive que montar meu esquema de produção. Mas apesar disso, muitos dos meus filmes foram sucesso de público. E o Glauber… o Glauber provocava muito as pessoas.
Dani - Você passou onze anos fazendo apenas documentários. O que fez você decidir voltar à ficção?
Nelson – Fiquei com vontade. Basicamente eu filmo as coisas que tenho vontade, eu tinha esse roteiro meio escrito desde 1993, resolvi terminar de escrever e filmar.
Dani - Como estão sendo as pré-estréias e a repercussão?
Nelson - Está sendo ótimo.
Dani - Eu estava conversando ali no corredor, me contaram que na estréia em Brasília rolavam uns olhares e umas risadinhas nervosas por causa da trama do filme.
Nelson – Não vi essas coisas, mas deve ter acontecido mesmo. A trama é polêmica. Eu tive a sorte de ter um roteiro muito bom e de repente o tema do filme voltou a ser atual, com as recentes CPIs. O mais importante em um filme é o roteiro. Eu comecei o roteiro em 1993, o filme foi encaminhando, porque demora pra encaminhar, e justamente agora que saiu, estamos nesse momento político.
Dani - A história do filme permaneceu atual, mesmo dez anos depois.
Nelson – A política no Brasil ainda é a mesma, com os mesmos problemas.
Dani - Quais são seus próximos projetos?
Nelson – Um documentário sobre Tom Jobim, que estou devendo faz tempo. Eu adoro música. Eu vou me focar nos três grandes temas de Jobim: a mulher, o amor e a natureza.
Dani - Vai voltar aos documentários.
Nelson - Sempre. Eu adoro fazer. (pausa) Você assistiu o filme?
Dani - Assisti.
Nelson - Gostou?
Dani - Gostei, mas gostei muito mais de conhecer você em pessoa.
Nelson - Eu também gostei, essa entrevista está diferente.
Daí acabou meu tempo, eu me despedi, abracei o sorridente e imortal Nelson e saí ainda encantada com a linda figura dele. Nada como conhecer pessoalmente um imortal.
Brasília 18%
Filmar no Brasil é um problema. Aliás ser brasileiro e viver no Brasil é um problema. As pessoas não tem memória, a burocracia é absurda. Não é a toa que o filme mais surreal de Terri Gilliam, baseado no livro “1984” de George Orwel se chama “Brazil” - assim mesmo, com Z – e toca “Aquarela do Brasil” em vários trechos do filme. Brazil, meu Brazil surreal.
Brasília 18% não tem Aquarela do Brasil, mas tem todo o clima surreal do Brazil. Temos aquele clima estranho semi-árido do planalto central – a referência 18% é em relação à umidade relativa do ar na cidade-capital. Dizem que no inverno desovam-se os cadáveres no planalto, acobertados pelas chuvas. No verão, devido à seca, a polícia começa a encontrar os corpos.
É esse o mote inicial de Brasília 18% - um corpo de uma moça, uma assessora parlamentar encontrada morta. Na mão de outro diretor talvez tivéssemos um daqueles chatíssimos filmes-de-denúncia-brasileiros cheios de miséria para cá e para lá, vejam, esse é um país que não vai pra frente, a corja, a miséria, etc. Herança ainda do próprio Cinema Novo criado por Glauber e que Nelson já afirmou em diversas entrevistas que não assume a paternidade, não, muito obrigado.
A afirmativa faz sentido – Nelson sempre tem um olho mais humano e mais delicado para os problemas humanos dos brasileiros – e escapa da panfletagem que recheia os “filmes-denúncias”. Sem Nelson na direção talvez não tivéssemos a beleza de Bruna, Malu, Karine e Monika para apreciar, com seu olhar generoso com as mulheres, uma de suas paixões. Sem Nelson a paisagem talvez fosse menos árida. Sem Nelson o filme não pareceria filmado o tempo todo às 4 da tarde, aquela luz que deixa qualquer um que já tenha ido a Brasília com a impressão de vertigem que só a cidade-capital transmite. Sem Nelson não teríamos as seqüências de plano-contraplano em espelhos e reflexos de vidro de carros e nem diálogos em avião – que só quem já foi ao menos uma vez para Brasília de avião compreende a importância.
O filme que não é filme-denúncia termina denunciando algumas coisas que talvez não sejam intencionais. Uma delas é a crônica problemática do cinema nacional com seus processos burocráticos de apresentar 54 documentos acompanhados de planilhas para obter aprovação na lei do audiovisual. Como se fosse possivel alguém recusar a Nelson, produzido pela Videofilmes de Waltinho Salles a feitura desse filme. Só no Brazil, mesmo. A outra é que ainda existem algumas pessoas que acreditam que algum dia esse país vai melhorar, mesmo com CPIs, mesmo com o clima semi-árido da cidade-capital e as conversas de avião que decidem o destino de uma moça bonita ou de uma nação.
Links:
- Filmografia completa
- Prêmios conquistados pelos filmes de Nelson
A Máquina
Thursday, March 9th, 2006Fui assistir “A Máquina” na Cabine do Robocop, cortesia do Julio, meu editor no Digestivo Cultural.
Primeiro, umas explicações: “cabine” é uma sessão privé de cinema, num escritório chique de uma distribuidora de cinema igualmente chique, num prédio ainda mais chique - o Robocop é um edifício ultramoderno megalomaníaco todo prateado, aqui perto, na Nações Unidas. Eu me perdi para chegar lá porque eu não sabia que era no Robocop, eu tinha o endereço mas a Nações Unidas, apesar de ser uma avenida quilométrica, não tem numeração sequencial - provavelmente para as pessoas se perderem mais. Bom, cheguei lá depois de me perder, descobri que era mais perto da minha casa do que eu pensei ao olhar no mapa da cidade, atravessei um hall de mármore e granito, peguei um elevador supersônico e fui para o 12º andar.
Há uns tempos atrás “O Auto da Compadecida” (dois milhões de espectadores) e “Lisbela e o Prisioneiro” (três milhões e meio de espectadores), ambos de Guel Arraes, foram um grande sucesso do cinema nacional. O Auto nasceu como minissérie da TV Globo e depois foi transformado em filme pela Globo Filmes justamente devido ao grande sucesso da minissérie. Guel Arraes é um competente diretor e filho do ex-governador cearense de Pernambuco Miguel Arraes. Foi o criador do sucesso de TV “Armação Ilimitada”.
“A Máquina” é de João Falcão com produção de Diler Trindade (com a primorosa fotografia do diretor pernambucano Walter Carvalho). Conta a história de uma mocinha que quer ir embora da cidade de “Nordestina” e ser atriz e um rapaz que, apaixonado por ela, resolve fazer alguma coisa para “trazer o mundo para Nordestina”. O filme é um encanto, tem um texto saboroso - embora ainda seja numa quantidade pra lá de verborrágica - e um audiovisual lindo. Como se trata de uma adaptação de uma peça teatral, optou-se por fazer todos os sets da cidade de Nordestina em estúdio, com uma linguagem visual teatral. Nordestina é teatro, o mundo exterior é mundo real. “A Máquina” é um lindo filme, com um roteiro redondo que entretém e causa sorrisos de satisfação - eu penso que podia ser um pouco menos arrastado e tem um defeito de roteiro, não conta o que aconteceu com a ambição da personagem feminina em se tornar atriz, mas dá para relevar esses dois problemas diante da qualidade do filme.
Vou colocar no mesmo balaio mais dois filmes que eu assisti, que são belíssimos, redondos e que estão fazendo sucesso de público: “Cinema, Aspirina e Urubus” e “Cidade Baixa”, o primeiro, pernambucano, e o segundo, baiano. Novamente, dois lindos filmes, com fotografia primorosa, bom roteiro, interpretações ótimas. Assim como “A Máquina”, os dois têm colecionado prêmios importantes e agradam ao público.
Muito bem, por que estou escrevendo tudo isso? Porque eu li uma crítica massacrante ao filme “A Máquina” em uma revista de cinema online daquelas que ganhariam o selo “somos uma revista cheia de especialistas doutores que sabemos do que estamos falando embora nunca tenhamos pisado em um set de cinema”. O autor da crítica comparou o filme de João Falcão com os filmes de Guel Arraes, dando mais pontos para Guel Arraes. Um dos argumentos do senhor crítico de cinema é de que esse “formato” já “cansou”.
Cansou quem? Só se for o senhor crítico, porque a platéia não me parece nada cansada.
A mim parece, sinceramente, que existe uma inveja horrível de alguns senhores intelectuais da região Sul-Sudeste com filmes de origem Norte-Nordeste. Senti na tal mencionada crítica um ranso danado de mentalidade colonial anti-cultura nordestina. E daí que “A Máquina” traz uma linguagem teatral nordestina? E daí que os filmes de Guel Arraes assim como os de produção da Diler tem apoio da Globo Filmes? E daí que a estética da luz solar e das cores contrastadas do cinema nordestino fazem sucesso? O que é que incomoda esses senhores intelectuais? Que não tenhamos filmes com cara de Woody Allen filmando em Manhatan? Que os outros filmes que fazem sucesso de público sejam, por exemplo, “Se Eu Fosse Você” do Daniel Filho e “Dois Filhos de Francisco” de Breno Silveira, para os quais os intelectuais torcem o nariz porque o primeiro é subproduto da televisão e o segundo da música sertaneja?
É isso mesmo, senhores intelectuais do Sul-Sudeste, os filmes nordestinos continuam dominando a atenção do público brasileiro. Faz todo sentido cultural e é merecido. Infelizmente para os intelectuais “sulistas” o cinema brasileiro autoral nasceu lá na Bahia e não no eixo Rio-São Paulo. Infelizmente para os intelectuais sulistas, a maioria da população brasileira é de alma nordestina, ainda que more no eixo sul-sudeste e gosta dessas coisas populares que irritam os intelectuais sulistas: cordel, maracatu, axé, farinha d’água, tapioca, açaí, música sertaneja, TV Globo, O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro, A Máquina, Cidade Baixa, Cinema, Aspirinas e Urubus, Se Eu Fosse Você e Dois Filhos de Francisco.
Preconceito cultural me irrita. Paternalismo cultural me irrita.
“A Máquina” é um filme delicioso. Tem lá seus defeitos, mas ainda assim, valeu a pena assistir, é lindo, eu me diverti e curti um filme muito bem feito e saboroso. Recomendo.
Mais Jardineiro Fiel
Thursday, January 19th, 2006A notícia vem da lista dos sócios da ABCine:
BAFTA - THE ORANGE BRITISH ACADEMY FILM AWARDS
2005 NOMINATIONS (presented in 2006) - ou seja, indicados ao prêmio:
FILM - THE CONSTANT GARDENER - Simon Channing Williams
THE ALEXANDER KORDA AWARD for the Outstanding British Film of the Year - THE CONSTANT GARDENER - Simon Channing Williams/Fernando Meirelles/Jeffrey Caine
THE DAVID LEAN AWARD for Achievement in Direction - THE CONSTANT GARDENER - Fernando Meirelles
ADAPTED SCREENPLAY - THE CONSTANT GARDENER - Jeffrey Caine
ACTOR IN A LEADING ROLE - RALPH FIENNES - The Constant Gardener
ACTRESS IN A LEADING ROLE - RACHEL WEISZ - The Constant Gardener
THE ANTHONY ASQUITH AWARD for Achievement in Film Music - THE CONSTANT GARDENER - Alberto Iglesias
CINEMATOGRAPHY - THE CONSTANT GARDENER - César Charlone
EDITING - THE CONSTANT GARDENER - Claire Simpson
SOUND - THE CONSTANT GARDENER - Joakim Sundström/Stuart Wilson
O maior orgulho é a indicação de César Charlone. É um grande rconhecimento para um diretor de fotografia que imprimiu em um filme inglês uma estética totalmente brasileira.
Agora, torcer.
