Thursday, January 8, 2009

'Cultura de Mídias'

Who are you? - parte III

Thursday, February 15th, 2007
You Are 25 Years Old


You are a twentysomething at heart. You feel excited about what’s to come… love, work, and new experiences.
What Age Do You Act?

You Are a Seeker Soul


You are on a quest for knowledge and life challenges. You love to be curious and ask a ton of questions. Since you know so much, you make for an interesting conversationalist. Mentally alert, you can outwit almost anyone (and have fun doing it!). Very introspective, you can be silently critical of others. And your quiet nature makes it difficult for people to get to know you. You see yourself as a philosopher, and you take everything philosophically. Your main talent is expressing and communicating ideas. Souls you are most compatible with: Hunter Soul and Visionary Soul
What Kind of Soul Are You?

You Are Somewhat Logical


Ok, so didn’t get the majority of questions right but you did answer some pretty tough questions correctly. Logic may not be your strong point, but you hold your own!
How Logical Are You?

Your Personality Is

Rational (NT)

You are both logical and creative. You are full of ideas. You are so rational that you analyze everything. This drives people a little crazy! Intelligence is important to you. You always like to be around smart people. In fact, you’re often a little short with people who don’t impress you mentally. You seem distant to some - but it’s usually because you’re deep in thought.
Those who understand you best are fellow Rationals. In love, you tend to approach things with logic. You seek a compatible mate - who is also very intelligent. At work, you tend to gravitate toward idea building careers - like programming, medicine, or academia. With others, you are very honest and direct. People often can’t take your criticism well. As far as your looks go, you’re coasting on what you were born with. You think fashion is silly. On weekends, you spend most of your time thinking, experimenting with new ideas, or learning new things.

The Three Question Personality Test

You Are 25% Left Brained, 75% Right Brained

The left side of your brain controls verbal ability, attention to detail, and reasoning. Left brained people are good at communication and persuading others. If you’re left brained, you are likely good at math and logic. Your left brain prefers dogs, reading, and quiet.
The right side of your brain is all about creativity and flexibility. Daring and intuitive, right brained people see the world in their unique way. If you’re right brained, you likely have a talent for creative writing and art. Your right brain prefers day dreaming, philosophy, and sports.
Are You Right or Left Brained?

Ah, adorável, adorável…

there is a game I play
try to make myself okay
try so hard to make the pieces all fit..
.

Sobre Paulo Francis e sobre 40 anos

Tuesday, February 6th, 2007

Eu ia apenas postar um comentário no blog do Edward, mas o pensamento começou a ficar muito comprido. Os agentes de provocação da reflexão são um comentário que o Edward deixou por aqui e uma frase do Paulo Francis:

“Não existe nada que eu queira da vida. Atingi um nível de entendimento das coisas que considero satisfatório. Quer dizer, sei que sou ignorante, mas que tenho a base para deixar de ser naquilo que me interessar. O problema é que menos e menos me interesso por tudo. Considero programa ficar num sofá, sem fazer nada, nem lendo. A cabeça corre sozinha, forma conceitos, imagens, contradições, impressões, etc. Nada fica ou me estimula ao esforço de completar o sugerido ou iniciado. Será a menopausa intelectual dos 40 anos, ou uma forma (ainda) branda de esquizofrenia?”
- Paulo Francis

Aos 40 anos a gente passa por uma transformação. Você finalmente se ilumina. Acho que Buda tinha 40 anos. Descobrimos que a única coisa que vale a pena querer é viver, e isso atinge a gente de uma forma que todas as coisas que pareciam importantes anteriormente simplesmente desaparecem no ar. Só queremos ler os livros que ainda não lemos, escutar as músicas que mais gostamos, comer boas comidas enquanto ainda temos dentes e ficar olhando o amanhecer ouvindo maritacas ou o entardecer ouvindo buzinas de trânsito - aliviados porque estamos de banho recém tomado em uma varanda com flores brincando com uma gata preta e escutando NIN, e não presos no trânsito buzinando. Ah, sim, e o sexo é melhor que nunca, mas eu não falo sobre sexo, assim como não discuto política, porque geralmente quem fala de sexo é porque nunca faz e quem discute política ainda não entendeu que fé demais faz mal.

Eu sempre me admiro como existem pessoas capazes de se enfurecer com comentários inteligentes e sarcásticos - não é o caso do Edward, vejam bem, que me pareceu apenas puzzled - mas vejo muita gente suando e bufando no blog do ASS ou com as colunas do Mainardi. Mainardi é mediano - não faço parte da turma de macacas de auditório dele, acho apenas que o Mainardi fala o óbvio, algo como uma versão pós-moderna do “Rei está Nu”, enquanto que a maioria das pessoas ainda prefere elogiar as roupas do Rei ou brincar de avestruz. Eu me impressiono de como o fato do mundo ser uma meleca choca as pessoas. É isso aí, crianças, o mundo É uma meleca e muitas das coisas que vocês acreditam que estão fazendo para melhorar o mundo não vai dar em nada. Não se choquem com isso. Observem que todos os males do mundo existem desde que o ser humano pisou no planeta e se ainda não mudou nada é porque a melhor coisa que poderia acontecer ao planeta é a extinção da raça humana. Aí sim, o mundo vai deixar de ser uma meleca.

Mas me desculpem, eu me afastei do assunto.

Existe também a sabedoria de morrer na hora certa - isso é importantíssimo, embora seja subestimado pelos seres humanos, que passam uma parte da vida achando que são imortais, uma outra parte tentando se tornar imortais e uma outra parte tentando não morrer, a todo custo. Perda de tempo. Devíamos desfrutar mais a época em que somos imortais - eu tenho sorte, fui imortal até os 35 anos de idade e então, como eu já expliquei anteriormente, eu morri e essa morte foi libertadora - e então nos despreocupar e só fazer o que queremos fazer.

E se o Paulo Francis não queria fazer nada, então tá ótimo, porque pra quem não queria fazer nada, ele fazia até demais. E vai ver é isso mesmo, pra fazer muito a gente precisa primeiro não querer fazer nada. Paulo Francis soube até mesmo morrer na hora certa, morreu no auge da performance e deixou todos os inimigos embasbacados, “como é que você se atreve a morrer no melhor da festa, quando ainda tinha tanta coisa que podia falar e fazer? Em quem é que nós vamos bater agora, no Mainardi?”

Até nesse momento crucial da vida, quando saímos pela saída lateral da cena, ele soube fazer uma piada irônica, abandonando o palco com a casa lotada e deixando todo mundo pensando a respeito.

Pra completar o post, vou colocar uns comentários legais que achei em links alheios (com os respectivos links para vocês lerem tudo que os moços escreveram) e que considero extremamente apropriados:

“Notar também que, mesmo no ano mítico de 1968, ‘moças de família’ ainda não saíam normalmente em capas de revistas, muito menos sobraçando garrafas de uísque.”
- Na redação da lendária Diners, por Ruy Castro

“Realmente, não detesto a “bicha amarga”, como Caetano Veloso o chamou. Sinto sua falta. Comparados com ele, os Mainardi da vida são um saco, pois nunca arriscam-se de verdade. Ator medíocre transformado em temido crítico teatral, malsucedido romancista transfigurado em leonino crítico literário, Francis era notável provocador e hábil parodista.”
- A Ignorância de Paulo Francis, por Milton Ribeiro

“Compare Francis com Mencken, por exemplo: considerando tudo, Mencken era bem melhor do que Francis, e por um motivo ou outro escreveu vários textos sem aquelas referências datadas todas que aparecem aos pares e aos trios em cada linha de Francis. Mas hoje em dia ninguém, nem um pastor batista que seja, escreve um texto pra falar mal de Mencken. Já de Paulo Francis falam mal todos os dias. Todos os dias: consulte o technorati. Dez anos depois de morto e ele ainda irrita as bestas.”
- Paulo Francis, tirai-nos da jequice, por Alexandre Soares Silva

“Lendo as citações sobre ele na internet percebe-se que o jornalista e escritor dá lugar à caricatura, a um personagem histriônico sem alma. Desumanizaram Francis para atender a análises de seu caráter que, para tantos, define sua obra. A redução é uma forma tosca de má leitura ou desonestidade. O trabalho de Francis na TV Globo, como comentarista de assuntos internacionais, ajudou a formar essa imagem. Mas, sabemos, um barril de carvalho armazena, dá gosto e aroma ao melhor single malt. Cavalheiros não consideram, nunca, beber o barril.”
- Bruno Garschagen

“Francis tinha opinião sobre tudo. Sempre radical. E nunca tão cimentada que não merecesse ser revista.Improvisar? Para ele era tão natural quanto piscar.”
- Edney Silvestre

Update:

Rafael Galvão escreve um texto interessante sobre Paulo Francis:
“É curioso que Francis, que se antecipou aos blogs em 20 anos, pelo menos, tenha sido vítima de um fenômeno tipicamente blogueiro: o stalker, o desocupado que se dedica a um parasitismo deletério e obcecado, que alguns consideram uma espécie de homenagem e que outros, como eu, acham apenas um retrato pé-no-saco de uma mediocridade profunda. O stalker é um fã no espelho, aqueles espelhos de parques de diversões onde tudo é invertido e distorcido.”

E confira, no Youtube, um especial do Manhattan Connection na ocasião da morte de Paulo Francis.

Technology is the future

Tuesday, February 6th, 2007

5ecret

Tuesday, January 30th, 2007

“Every single person has at least one secret that would break your heart. If we could just remember this, I think there would be a lot more compassion and tolerance in the world”

“Cada pessoa possui ao menos um secredo que partiria seu coração. Se nós apenas pudéssemos nos lembrar disso, eu acredito que existiria muito mais compaixão e tolerância no mundo”

secret

PostSecret está concorrendo a QUATRO Bloggy Awards. Vamos lá votar e mostrar o quanto nós nos importamos.

Now Im not looking for absolution
Forgiveness for the things I do
But before you come to any conclusions
Try walking in my shoes
Try walking in my shoes

NaDa™

Friday, January 26th, 2007

NaDa™ is a new concept. A thought, really. It is very light : 1 byte. It doesn’t take long to fetch. It doesn’t take long to understand. It doesn’t disturb your habits nor does it makes you feel insecure. It is a reassuring piece of software that does nothing, and does it very well. That’s a lot !

Most products we see on the market want to increase our productivity, organize our screen joyfully or make wonders with our sound card, but NaDa™ does nothing. This is a revolutionary whole new approach, a concept far beyond what you usually expect from the software industry. Download it and forget it.

Youtube: a coisa é séria

Wednesday, January 24th, 2007

Nos últimos meses tenho visto várias pessoas menosprezarem o Youtube, achando que é só mais uma febre de internet ou uma coleção de vídeos amadores, ou sei lá. Alguma coisinha temporária. Tem muita gente que ainda não entendeu que o Youtube é um canal de distribuição capaz de alavancar audiência, vender produtos e até mesmo, substituir com sucesso alguns canais de TV ou veículos de divulgação de cinema.

Os canais de TV e as grandes majors não estão subestimando o Youtube. Vamos ver o que alguns deles oferecem em termos de “programação de Youtube”:

The Official Warner Bros. Records YouTube Channel - 64 vídeos

CBS - com direito a concurso para vídeos no Youtube e David Letterman - 834 vídeos

NBC - incluindo Saturday Night Live e Scrubs - 196 vídeos

Sony Pictures Classics - 12 vídeos

Sundance Channel - Sundance Film Festival, 68 videos

DimensionFilms Channel - 9 vídeos

Capitol Records - 46 vídeos

Tem muito mais.
Alguém aí ainda acha que o Youtube é uma bobagem?

A cultura da vitimização da mulher

Saturday, January 20th, 2007

O Brasil é um país ex-escravocrata e paternalista. Há algum tempo, eu escrevi um longo artigo sobre a cultura paternalista no Brasil e fiquei devendo retornar ao assunto. Vamos a ele, já que o texto do Carpinejar me remeteu a reabrir o debate sobre a questão da vitimização da mulher, especificamente.

O paternalismo subsiste na nossa cultura. É o exercício de considerar determinados grupos “incapazes de cuidar de si mesmos”. Nesses grupos, desde os tempos do descobrimento do Brasil, já foram incluídos os negros, os índios, os loucos, as mulheres e as crianças.

Até hoje os “menores de idade” ainda são chamados de “incapazes” e vou mostrar do que falo, citando o código civil brasileiro, atualizado em 2002:

Código Civil - Brasil
LEI N O 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002.
LIVRO I
DAS PESSOAS

TÍTULO I - DAS PESSOAS NATURAIS
CAPÍTULO I - DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE

Art. 1º Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.

Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.

Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:

I - os menores de dezesseis anos;

II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos;

III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:

I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido;

III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;

IV - os pródigos.

Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.

Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.

Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:

I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;

II - pelo casamento;

III - pelo exercício de emprego público efetivo;

IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;

V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.

Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva.

Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:

I - se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;

II - se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra.

Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.

Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.

Art. 9º Serão registrados em registro público:

I - os nascimentos, casamentos e óbitos;

II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz;

III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa;

IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida.

Art. 10. Far-se-á averbação em registro público:

I - das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal;

II - dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação;

III - dos atos judiciais ou extrajudiciais de adoção.

***

As mulheres já foram consideradas parcialmente capazes, quando casadas. O marido assumia a responsabilidade sobre a mulher através do casamento. Essa situação legal perdurou até pouco tempo, quando finalmente se começou a reformular essa situação através de decretos-lei e da reformulação do código civil.

Vamos rememorar, porque a memória é importante. Os trechos abaixo são do texto de Claudete Carvalho Canezin, A MULHER E O CASAMENTO: DA SUBMISSÃO À EMANCIPAÇÃO

- a mulher brasileira só adquiriu sua cidadania em 1932

- em 1.962, grande conquista obteve a mulher com a Lei 4.121/62, o Estatuto da Mulher Casada, que representou um marco histórico na luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, no Brasil, cujo maior mérito foi abolir da legislação brasileira a incapacidade feminina, igualando-a aos silvícolas. Por essa Lei, também foram revogadas diversas normas discriminadoras.

- Continuaram, porém, as desigualdades como a permanência do homem como chefe da família, com o pátrio poder, que o homem continuou a exercer “com a colaboração da mulher”, o direito de fixar o domicílio da família (embora agora fosse permitido à mulher recorrer ao judiciário caso a mudança de domicílio lhe fosse prejudicial), ainda era obrigatório o uso do patronímico do marido, e, por fim, a existência de direitos diferenciados, sempre em desfavor da mulher. Com a introdução, em 1.977, da Lei 6.515, a Lei do Divórcio, dando aos cônjuges a oportunidade de pôr fim ao casamento, privilegiou a mulher com a faculdade de usar ou não o patronímico do marido, retirando a antiga imposição.

- A Constituição de 1967 deu ênfase à afirmação de igualdade entre homens e mulheres, e, por fim, a Constituição de 1.988 igualou, definitivamente, homens e mulheres em direitos e obrigações, dispondo tal princípio em diversos dispositivos, como a seguir se confirma:
Art. 183- Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-se para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
§ 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.
Art. 189- Os beneficiários da distribuição de imóveis rurais pela reforma agrária receberão ‘títulos de domínio ou de concessão de uso, negociáveis pelo prazo de dez anos.
§ único O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil, nos termos e condições previstos em lei.;
Art. 201, V pensão por morte de segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, obedecido disposto no § 5º e no art. 202.
Art. 226, V 0s direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.
Art. 7º, XVIII -licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias.

- Ainda assim, a legislação civil manteve, através do revogado código de 1916, até 2002, a discriminação da mulher perante a família e a sociedade, onde comparecia apenas como mãe cumpridora de deveres e obrigações que a lei lhe impunha, com a doce submissão que dela se esperava.

- Essa situação de desigualdade entre homem e mulher imperou até a entrada em vigor do novo Código Civil, embora já a Constituição Federal de 1988 tivesse banido essa situação de desigualdade, estabelecendo que os direitos e deveres inerentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher, e o STF tenha, nesse interregno, se posicionado frente às desigualdades promulgadas pelo Código Civil editado antes da atual Constituição de 1.988. Destarte, pronunciou-se quanto à revogação de toda e qualquer norma infraconstitucional diferenciadora, anterior à Constituição, quando incompatíveis com a Carta Política vigente, declarando que os preceitos constitucionais que impõem a igualdade entre os cônjuges e homens e mulheres em geral, são auto-aplicáveis. Deve-se entender, pois, que mesmo antes da vigência do Código Civil de 2002, os artigos 233 a 254, que tratavam dos direitos e deveres do marido e da mulher, foram revogados pela Constituição Federal de 1.988.

Fonte:
- A MULHER E O CASAMENTO: DA SUBMISSÃO À EMANCIPAÇÃO

***

Foram muitas as vitórias legais para que a mulher seja considerada legalmente um ser independente e pleno. Entretanto, com mudanças tão recentes, é complicado exigir-se ainda que todas as mulheres exercitem suas capacidades plenas e seu direito à independência, sem se submeter a um homem, sem achar que precisa dele para sobreviver no mundo e mais, sendo respeitada como ser autônomo pela sociedade em geral. Hábitos culturais precisam ser combatidos diariamente, para mudar. Essa mudança precisa vir, mas é preciso paciência, carinho e educação para mudar centenas de anos de cultura da submissão. As mulheres precisam aprender que não precisam mais ser submissas nem vítimas.

A conquista legal finalmente veio, plena, em 2002.

Agora precisamos de mudanças culturais, para que finalmente homens e mulheres parem de se desentender, de ter conceitos arcaicos e prejudiciais um em relação ao outro e para que, finalmente, todos, sejamos realmente iguais.

Leia mais sobre o assunto:
- IGUALDADE PARENTAL - DIREITOS E DEVERES

***

Como combater a cultura da vitimização:

- exigindo salários indênticos em funções idênticas desempenhadas por homens e mulheres
- exigindo mais empregos para ambos
- combatendo a discriminação, seja ela qual for, raça, credo, regionalismo, idade
- exigindo cumprimento de todas as leis e da constituição, que garante os direitos dos cidadãos
- exigindo mais salários e não “benefícios”; o “benefício” é um ato paternalista disfarçado de bondade, o “patrão” decide pelo “empregado” o que é bom pra ele
- exigindo que o estatuto da criança e adolescente seja cumprido, que terminem os abusos sociais e econômicos contra crianças e adolescentes
- exigindo-se que as soluções sociais de emergência sejam temporárias e não se tornem permanentes: que seja permanente o desenvolvimento econômico

Eis aqui um exemplo de entidade social que recupera cidadãos em situação de rua: Ocas.

***

E aqui, uma entidade que combate a violência contra a mulher, uma realidade trágica que ainda existe no Brasil: Instituto Patrícia Galvão.

Entre seus principais objetivos, o Patrícia Galvão visa colaborar para a construção de uma imagem de mulher na mídia que seja mais adequada à realidade das brasileiras e que reflita o crescente reconhecimento dos direitos humanos das mulheres.

São objetivos gerais do Instituto Patrícia Galvão contribuir para:
* a democratização dos meios de comunicação, pautada pelo pluralismo e pela ética;
* a promoção da cidadania plena das mulheres, visando relações de gênero e raciais/étnicas eqüitativas e pela inclusão social, política, econômica e cultural das mulheres;
* o aprimoramento da legislação brasileira e a implementação de um código de ética com regras objetivas para coibir e punir os excessos nos meios de comunicação que contenham manifestações contrárias aos direitos humanos;
* a promoção de ações em defesa de um equilíbrio ético nos meios de comunicação em relação à imagem da mulher;
* a construção de uma imagem equilibrada e não-estereotipada de homens e mulheres na mídia, em todas as faixas etárias;
* a promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais.

Tem mas acabou

Wednesday, January 10th, 2007

Não durou nada a pretensiosa proibição ao Youtube que a Cica moveu em ação judicial acompanhada pelo namorado, com direito a parecer de juiz, empresa de provedor web bloqueando o acesso ao Youtube, gente me telefonando desesperada - “a Cica conseguiu!” - protestos aos baldes no site da MTV, no Orkut, com petição online e até um blog de boicote, já! Os protestos foram tantos e aconteceram tão rápido que o juiz voltou atrás na decisão, meio que dizendo que foi tudo um mal entendido na forma como o tal parecer deveria ter sido executado e desculpe qualquer coisa.

A Cica chegou a dar entrevista choramingando que dessa vez a carreira dela vai pro vinagre - cadê o produtor da moça que não explicou pra ela que fazer sexo em local público pode acabar na internet e que se isso acontecer, o melhor é ficar quietinho fingindo de morto?

O carnaval aconteceu e desaconteceu tão rápido que quando eu li a respeito, a festa tinha acabado e só me sobrou ler um texto do Ina, onde está tudo bem explicadinho e de onde eu emprestei os links.

O episódio, ao contrário do que algumas pessoas insistem em dizer, com um jeitão de papo de jogador de futebol que perdeu campeonato, não fortalece a justiça coisa nenhuma, foi uma vã tentativa de censura e controle do incontrolável e causou uma reação tão rápida e avassaladora da população online que eu preciso tirar meu chapéu para a capacidade de organização e mobilização do brasileiro quando alguém tenta restringir o direito de uso e livre acesso da internet.

Ganhamos nós, que podemos continuar navegando em nosso oceano virtual caótico livres. Ainda de quebra, peguei um link engraçadinho no site do Ina e fiz um selinho:

Não é bonitinho? Adoro esses bichinhos.

Viva a internet, viva a liberdade de expressão.

Nota nada a ver: a música abaixo chama-se “The Becoming” e é daquele moço bonito que eu amo.

Os vídeos mais assistidos do Youtube

Thursday, December 28th, 2006

Eu queria achar o #1 de todos. Achei.
É também o mais visto da categoria “Comédia” e o mais visto em língua inglesa.
Evolution of Dance

Esse é o número 3 e é o mais visto na categoria “Entretenimento” e o terceiro mais visto em língua inglesa.
Quick Change Artists on America’s Got Talent

Número 4, mais visto na categoria “Música”, o quarto mais visto em língua inglesa - e meu favorito.

Pancakes - GiR2007 tem um dos canais mais assistidos do Youtube.

Um que eu adoro e já postei por aqui, do Ok Go, é o número 8:
OK Go - Here It Goes Again

A animação mais vista, terrivelmente poético:
Kiwi

Para ver os outros “Mais Mais” sigam o link.

“o jardineiro é jesus e as árveres somos nozes”

Tuesday, December 19th, 2006

Ruído na linha digital

Wednesday, October 4th, 2006

Os sites de pesquisa e de universidades são os mais lerdos e difíceis de carregar.
Ninguém me manda SMS - só a operadora, me incentivando a gastar mais.
Eu recebo mais emails tentando me dar o golpe da loteria ou tentando me vender todos os tipos de prótese de silicone do que emails de trabalho e amigos.
No Orkut, diariamente eu deleto spams sobre emagrecimentos milagrosos, são cinco spams para cada recado de amigo meu - depois de dois anos de Orkut, não entendo como ainda não criaram um mecanismo para evitar spam no scrapbook.
Ainda no Orkut, diariamente eu recuso duas ou três criaturas com perfis sem informação nenhuma que tentam me adicionar. Tais criaturas nem se dão ao trabalho de deixar algum recado se identificando.
Tentei obter um serviço de driver remoto gratuito; a maioria nem carrega. O único que carregou e aceitou minha conta, deletou todos os meus arquivos alguns dias depois. Não há modo de entrar em contato nem de descobrir por que deletaram tudo.

Para celebrar o caos digital, o blog ‘n roll do JODI.

Me: vídeos “resposta”

Monday, August 21st, 2006

Uma obra de arte não está obrigada a ser entendida e aprovada em princípio - particularmente - por qualquer que seja. A função da arte não é a de passar por portas abertas; mas a de abrir portas fechadas. Quando o artista descobre novas realidades, porém, ele não consegue apenas para si mesmo; ele realiza um trabalho que interessa a todos os que querem conhecer o mundo em que vivem, que desejam saber de onde vem e para onde vão. O artista produz para uma comunidade.
- Cristiane Campestrini, em seu artigo “Função da Arte“, que cita como bibliografia o livro de Ernest Fisher, “A Necessidade da Arte”, cuja leitura eu recomendo.

O interessante e poético vídeo “Me” feito pela artista e designer Ahree Lee, sobre o qual eu comentei aqui no chá há uns dias atrás está produzindo repercussões pelo Youtube. É interessante perceber que uma parte das pessoas que sente necessidade de “postar uma resposta” não parece ter compreendido (ou sentido) a beleza e a poesia do vídeo mas mesmo assim sentiu-se compelida a produzir um video-resposta. O simples fato do vídeo de Ahree Lee já ter gerado mais de 30 vídeos em resposta demonstra o quanto a verdadeira arte provoca as pessoas. Arte é, no meu entender, algo simples, bem executado e estremamente poderoso.

Vejam alguns dos “vídeos-resposta” postados no Youtube. Eu selecionei aqueles que considerei mais interessantes.

Edbanker criou um vídeo chamado “It growns on you“. O vídeo mostra senso de humor e revela uma preocupação que pode ser facilmente observada nos diversos comentários postados na página de Ahree Lee no Youtube: no video, apesar de um espaço de tempo de três anos, as marcas do tempo no rosto de Ahree Lee são praticamente imperceptíveis. Não vou entrar por considerações filosóficas ou científicas sobre o processo de envelhecimento, basta constatar que a própria idéia de “envelhecer” é um conceito complexo na civilização ocidental: as pessoas têm medo de envelhecer, existe uma cultura do “eternamente jovem” amplamente massificada pela mídia. O fato de Ahree Lee não “envelhecer” aparentemente no vídeo “Me” provocou questionamentos sobre a veracidade da afirmação dela de que tirou fotos diárias durante três anos. Edbanker produz um vídeo onde ele mostra como ele mesmo “comprovaria” a passagem do tempo. Não vou questionar se o vídeo dele é real ou usa efeitos de maquiagem: o questionamento e a solução visual é que são interessantes.

BraveDave criou um video chamado “Guy takes pic of himself every 12 years for 24 years“. A reação das pessoas ao vídeo de BraveDave variou entre comentários bem humorados, comentários indiferentes, reclamações e agressões. BraveDave fez um vídeo bem humorado, onde percebe-se que a compreensão dele do video de Ahree Lee limitou-se à superfície visual e ele expressou isso em seu “vídeo-resposta”: a quantidade de fotos versus a passagem do tempo e o envelhecimento da pessoa.

Pallagi fez um video chamado “Me: Guy takes 30 pics of himself every second for 60 seconds” que também demostra uma percepção superficial do video de Ahree Lee. No caso do video de Pallagi, a questão que parece ter sido mais visível para ele foi o movimento “truncado” das imagens do video “Me”. Pallagi usa a trilha sonora original do vídeo de Ahree Lee em seu vídeo:

Na mesma linha de compreensão e com um resultado visual e sonoro muito semelhante, existe o vídeo de JibberRicheMyself:Guy takes pic of himself every minute for three hours

RobertMcCrazy fez um video onde ele mesmo afirma “We do appreciate how good the original was. Imitation is the sincerest form of flattery.” uma citação que foi originariamente cunhada pelo escritor Charles Caleb Colton. Seu video tem simplesmente o título “Re: Girl takes pic of herself every day for three years“. Robert coloca um componente emocional em seu video que o video de Ahree Lee não possui: necessidade de amor. A comparação com o urso de pelúcia e a música dizendo “quero ser seu urso” são mais que óbvias. Com isso, entretanto, ele demonstra, a seu modo, que o vídeo de Ahree Lee tocou-o emocionalmente:

Phimon23 faz um video curto, onde ele “imita” a música instrumental do video de Ahree Lee e a “seqüência de imagens com ruídos” que ele identificou no video “Me”. Eis o resultado:

O mais importante em todos esses videos é a percepção de que o trabalho de Ahree Lee possui aquela qualidade indizível e indefinível de provocar as pessoas - atinge os sentimentos e provoca reações variadas. Isso só pode ser arte.

Para finalizar, eu devo confessar - e mostrar! - que também fiz um video resposta, movida principalmente pela curiosidade de verificar se a passagem do tempo é visível em mim mesma. Tenho uma razoável coleção de fotos batidas com webcam, de 2002 a 2006. Fiz minha pequena homenagem ao video de Ahree Lee - e minha pequena “egotrip” pessoal. Mandei o link para ela, espero que ela compreenda e aprecie a homenagem.

O vídeo é esse e se chama “Me… and my self”.