Thursday, December 4, 2008

'MusicalNoise'

Chato. Pena.

Wednesday, February 21st, 2007

Eu acabei de ouvir pela primeira vez um CD badaladíssimo de um cantor/compositor inglês ainda mais badalado que tem uma banda que é mais ou menos uma unanimidade de sucesso e coisa e tal. Achei chatíssimo, nunca mais quero ouvir. Pretensioso e chato. Pena, a banda do cara é boa. A capa do CD é linda. O site, então, é maravilhoso. Pena, mesmo. Para evitar pedradas de alguns amigos, não vou contar quem é o chato.


Em compensação, ouçam essa rádio online. É magnífica. Aviso aos desavisados: rádio em streaming, ou seja, rádio online de verdade, lá do Shoutcast, só funciona no winamp. Gratuita.


String Quartet Tribute

Tuesday, February 20th, 2007

Estou ouvindo esse.

É profundamente lírico. Você percebe como os arranjos são complexos e como existe uma musicalidade riquíssima nas composições. É impressionante.

Quero ouvir esse aqui também. Eu já ouvi uma música desse aqui, parece ser maravilhoso.

String Quartet Tribute to Nine Inch Nails

Nada disso, entretanto, é indicado para quem não aprecie músicos esquisitos como, por exemplo, John Cage, Schoenberg, Michael Nyman, Steve Reich, La Monte Young, Philip Glass e por aí vai. O The String Quartet Tribute é uma invenção magnífica de Todd Mark Rubenstein.

Música e qualquer coisa

Friday, August 25th, 2006

Estou ouvindo uma banda estranhíssima que está tocando uma pseudo-bossa-nova. Apenas uma coisa da bossa-nova o cantor captou com extrema precisão: ele está desafinando horrores.

Mr. C, eu tenho escutado Filter. Você gosta de Filter? Fiquei com a impressão de um Sisters of Mercy mais pesado. É meio weirdo.

A noite passada eu sonhei que morava nesse mesmo prédio onde eu moro, no sonho eu estava promovendo um jantar aqui em casa, numa mesa retangular comprida coberta de velas, com uma série de anões como convidados - não eram anões de histórias de fadas ou de Tolkien, eram pessoas pequenas. Por sinal, simpaticíssimos e falantes, eu me diverti muito.

Tem uma influência mezzo David Lynch mezzo Marilyn Manson nesse sonho.

Estou adorando esse novo tipo de sonho que tenho tido, onde o edifício se tornou uma locação de eventos surreais. Acredito que possa ser culpa do próximo roteiro que estou escrevendo, que se passa em um edifício, e que, para meu próprio assombro, está ficando muito melhor do que eu imaginava inicialmente - e extremamente autobiográfico. Bom, até hoje, tudo que eu escrevi eu fiz autobiográfico, mesmo quando eu disfarcei as coisas com simbolismos.

Estive ouvindo alguns MP3 do “Projeto Tapeworm” de pura curiosidade. Esse é um projeto que foi encabeçado por Trent Reznor durante DEZ anos e que não levou a lugar nenhum. O projeto foi cancelado, Trent deu uma entrevista dizendo que “não estava satisfeito” com a qualidade da música produzida e a única faixa “oficial” que jamais foi lançada é uma performance ao vivo do cantor do Tool/A Perfect Circle da música “Vacant”, que depois foi reformulada e gravada no album do A Perfect Circle com o nome de “Passive” - que é uma música bem legal ao estilo do A Perfect Circle.

Escutando essas faixas do “Tapeworm” dá pra entender perfeitamente o cancelamento do projeto. É muito, muito ruim. Acho que era impossível mesmo fazer um som que misturasse Nine Inch Nails, Pantera, Tool, A Perfect Circle, Danzig (!!), Smashing Pumpkins (!!!), Helmet e Curve.

12 Rounds é interessante. Bizarro, mas interessante.

Depois de escutar todas essas bizarrices, eu queria muito entender como e por quê o Smashing Pumpkins faz covers de Marilyn Manson, Cure, Pink Floyd, Depeche Mode, Joy Division, U2, Prodigy e Nirvana! É o fim do mundo da mistura, e os fãs que me perdoem, os covers são de fazer chorar, de tão ruins.

Tudo isso porque estou pensando e criando os três projetos que preciso entregar esse semestre na Belas Artes.

A professora de fotografia quer um ensaio - e pode ser em polaroid! Acho que finalmente farei o projeto das polaroids transfers que eu andava pensando em fazer.

O professor de animação quer um minuto de animação. Logo pensei em rotoscopia, mas pensei em uma segunda coisa que pode se tornar em uma animação muito divertida, uma Alice em stop-motion com os desenhos do Tenniel. A idéia me veio por causa daquele lindo trabalho fotográfico do Abelardo Morell e das animações da Joanna Woodward.

Já o meu professor de Poética da Imagem declarou essa semana que o trabalho do semestre poderá ser “qualquer coisa” que a gente quiser.

Oh, dear, qualquer coisa!!! QUALQUER COISA!

Que tal um “qualquer coisa” que misture Alice, pequenos animais peludos, Tilda Swanson impersonando o Anjo Gabriel, bules de chá, Mailyn Manson, Magritte e Duane Michals? Esse qualquer coisa foi o que cruzou a minha imaginação. Mágicas palavras poderosas. Qualquer coisa.

Now Listening: Marilyn Manson cover para Tainted Love do Soft Cell e o original Tainted Love do Soft Cell

Rush, café, chuva e sopa

Monday, September 26th, 2005

Tive um dia complexo. Uma noite agradável. Estou ouvindo Presto, do Rush. Fazia tempo que não escutava Rush. Tenho um brinquedo novo instalado no computador, chama-se mercora. Instalei e agora escuto tudo que eu quiser. É ótimo.

Saí à noite para tomar café e sopa (de cogumelos) com um amigo. Chove. Na volta, foi curioso, estar em uma avenida que eu conheço tão bem, com uma pessoa completamente nova sentada ao meu lado em um carro. Eu já desci aquela avenida de carro mais vezes do que posso me lembrar. Eu ainda sou eu. Mas é uma das poucas coisas que ainda são a mesma coisa. O mundo e tudo mais mudou, não sei, estou em uma realidade alternativa? Não sei bem onde andei. Não sei bem onde eu estava. O mundo era outro mundo. Não sei bem onde estou. De repente, estou em um mundo que eu conheço pouco, mas cheio de coisas reconhecíveis. Como o som do Rush na radio online do mercora. Mas ainda assim, muitas coisas são novas. Tudo é muito estranho, embora reconhecível.

Hoje eu não senti medo. Há anos eu vinha sentindo tanto medo. Medo de tudo e do nada. Hoje, não senti. Eu estava confortável. Comecei finalmente a me sentir à vontade comigo mesma e com as outras pessoas. Esse meu amigo faz com que eu me sinta muito bem em ser eu mesma.

E eu não senti frio essa noite.

Sun dogs fire on the horizon Meteor rain stars across the night
This moment may be brief But it can be so bright

O pianista silencioso

Wednesday, August 24th, 2005

Ele foi encontrado em meados de abril, vestido com um terno elegante, camisa branca, gravata, sapatos caros, em uma estrada próxima à praia. Estava totalmente enxarcado, como se tivesse ficado na chuva por horas ou tivesse sobrevivido a um naufrágio - nos dias anteriores, uma grande tempestade tinha desabado na região. Não existiam etiquetas nas roupas para auxiliar a identificar sua origem: estavam cortadas. Ele parece ter entre 20 e 30 anos de idade, é alto e magro, loiro, olhos castanhos. Não falou nada. A expressão do rosto é triste, assustada. O rapaz parece ter sofrido um profundo trauma que causou mutismo e uma aparente amnésia.

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Alguma coisa aconteceu com esse rapaz, mas ninguém sabe o quê.

Estando no hospital, o rapaz continuou silencioso, apesar de aparentemente compreender inglês. Deram-lhe caneta e papel. Ele desenhou uma bandeira com uma cruz e um piano de cauda. Levaram-no até um piano, na capela do hospital. Ele sentou-se e tocou por quatro horas, ininterruptamente, esquecido das pessoas em volta dele. Os funcionários do hospital não sabem dizer o que ele tocou, mas com certeza era uma peça clássica, de forma profissional.

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Alguns dizem que tocou como um virtuoso, outros, que apenas tocou bem. O capelão da igreja disse que ele não toca tão bem assim, a ponto de ser considerado um músico de orquestra, não.

O hospital enviou mensagens às orquestras européias. Colocaram fotos suas em todos os jornais e na internet. Em uma das fotos ele olha desconfiado, vestido com o terno e a camisa branca, o cabelo loiro e arrepiado, a barba por fazer. Na segunda foto está vestido de pijama e abraçado a um travesseiro. O olhar continua assustado, embora olhe diretamente para a câmera. O serviço de pessoas desaparecidas recebeu centenas de telefonemas e e-mails, mas ninguém conseguiu identificá-lo.

Será que ele estava a bordo de um iate e após o concerto, o marido ciumento de alguma admiradora ardorosa o empurrou para o oceano?

Na Itália, um imigrante polonês ilegal abordou um policial na rua, com um jornal na mão onde se via uma reportagem sobre o pianista e disse que conhecia o rapaz. Uma pista veio de Sussex. A polícia continuou a investigar.

Ou talvez, após um concerto em um elegante teatro, o amor de sua vida disse-lhe, entre lágrimas, que iria se casar com um nobre inglês, em um casamento de conveniência. Transtornado, o pianista caminhou a noite toda sob a tempestade, até ser encontrado, na manhã seguinte, amnésico.

O silencioso pianista continuou desenhando pianos. Colocaram um teclado eletrônico em seu quarto. Ele ecreveu diversas partituras, reproduziu parte do “Lago dos Cisnes” e outras músicas não identificadas. Especulou-se que são obras criadas por ele mesmo. Ele caminhava diariamente pelos jardins do hospital com suas partituras na mão. Ele não quis assitir tv nem escutar rádio, parece querer apenas ficar imerso na música, tocando ou escrevendo. Às vezes, ele chorava, sozinho em seu quarto.

O assistente social que estava cuidando do caso disse que iriam verificar as poucas pistas que a polícia tem até o momento, que o rapaz não poderia ser liberado, pois sua condição ainda é muito delicada - “Someone, somewhere must be missing him” - disse o assistente social, muito grave, aos repórteres que freneticamente cobriam a história.

Será que alguma bela enfermeira irá se apaixonar pelo triste rapaz?

Os meses passaram. Ninguém conseguiu descobrir nada. E então, o escândalo.

Cansado de seu próprio mutismo, o homem finalmente falou com uma enfermeira. Disse que é alemão, que o pai tem uma fazenda na Baviera, que trabalhava em Paris com pacientes de um hospital psiquiátrico, que perdeu o emprego, que tinha ido para o Reino Unido de trem e que se dirigira à praia pensando em suicídio.

Fim do mistério. O homem do piano retornou à Baviera.
A polícia salvou-lhe a vida. O hospital cuidou dele. Agora todos querem processá-lo.

Obrigada ao Rafael, que me mandou a história e ao Wagner, que publicou um texto sobre o assunto em seu blog.