Friday, August 8, 2008

Chás de July, 2005

O homem perdido

Sunday, July 31st, 2005

Fui almoçar com alguns amigos na Vila Madalena. Estávamos voltando para o carro quando um homem nos abordou muito educadamente. Esse homem veio de uma cidade pequena na região nordeste, na esperança de ganhar algum dinheiro com seu trabalho, melhorar sua vida, trabalhar de pintor numa obra. Fez seu trabalho direito e na hora de receber, o chefe da obra não pagou ninguém, fugiu com o dinheiro de todos os empregados.

O homem só quer voltar para casa, perguntou se não teríamos algum trabalho para ele, para ele conseguir o dinheiro da passagem (170 reais). Está na rua. Disse que uma pessoa o acolheu, depois de 14 dias sem banho e sem comida, permitiu que tomasse banho no banheiro dos fundos da casa, deu-lhe de comer e guardou as coisas dele. O homem tinha lágrimas nos olhos. Eu acreditei nele, não me pareceu uma história inventada. Se eu tivesse o dinheiro necessário para mandá-lo de volta para casa, daria para ele naquele momento. Um dos meus amigos ofereceu algum dinheiro, ele recusou. Ele não queria dinheiro, queria um trabalho, repetiu isso várias vezes. Já tinha perguntado em todos os lugares ali próximos, mas ninguém tinha nada para ele. Ele mostrou os documentos, para comprovar que é um homem honesto, que apenas quer um trabalho para poder voltar para casa.

Fomos embora, porque não tínhamos mais o que fazer pelo homem. O homem ficou por ali, andando pela rua. E eu, com uma sensação imensa de impotência, com um nó horrível na garganta, imaginando o que vai ser daquele ser humano - poderia ser qualquer um de nós na mesma situação.

Enquanto isso, mais pessoas virão à São Paulo na esperança de conseguir trabalho, porque ainda existe a ilusão de que isso aqui é uma cidade com oportunidades. Enquanto isso, muitas outras pessoas estão desempregadas, sem dinheiro. Enquanto isso, políticos confundem, inventam histórias e se acusam mutuamente, tentando explicar o mensalão.

Que expliquem àquele homem sem dinheiro, sozinho numa cidade estranha, roubado pelo empregador, sem ter o que comer e desejando apenas voltar para casa.

Chá oficialmente pronto e servido

Friday, July 29th, 2005

Damos finalmente o chá por pronto e servido em nova casa, louça nova, vida nova!
Esse novo host é nota dez. Até agora, fomos tratados com mimos e atenção e tem muitos recursos que o ex-host não tinha - além de realmente fazer backup diário dos dados (coisa que o ex-host não fazia, como todos nós pudemos perceber depois de perdermos um mês de chá). O nosso novo host oferece também a opção de você fazer downloads diários, semanais e mensais dos backups! Para completar, o preço está em promoção. Anotem o nome do nosso novo host: WebHost.

E agora que completamos a instalação e o novo layout da casa de chá, passemos ao nosso chá, com biscoitos, pão-de-mel e manteiga!

Esse final de semana vou reorganizar meus horários. Ainda não tenho 100% do cronograma montado, mas pelo que tenho conversado essa semana, se preparem, porque vou ter muitas novidades em arte, cinema, escritos, etc, etc e claro, vou dividir essas novidades com vocês por aqui. Stay tuned.

Por sinal, já viram a nova capa do chá? Também ficou pronto!

Editando: acabei de descobrir que o IE odeia o CSS do chá. No Firefox funciona perfeitamente. Amanhã eu tento consertar.
Bah. Let’s kill Bill.

Chá quase pronto

Wednesday, July 27th, 2005

Dêem uma olhadinha em como está ficando a capa do chá.
E antes que pipoquem reclamações: calma, é uma dureza arrumar a lista de links.

Capa para o Blog de Papel

Wednesday, July 27th, 2005

Não sei se vocês estão sabendo, mas o projeto Blog de Papel vai fazer um salto quântico da virtualidade da internet para o mundo das letras impressas e se tornar um… blog de papel.
A Alê, do Licor de Marula com Flocos de Milho Açucarados está promovendo um concurso para a capa do futuro Blog de Papel impresso e eu enviei a minha contribuição, que é essa aqui:

Capa para o Blog de Papel by Danicast

A contenda está acirrada, as capas são todas excelentes, muitas delas produzidas por amigos da blogsfera - uma vez que, uma das regras do concurso é que o capista precisa ser blogueiro também. Confiram todas as capas no próprio Blog de Papel.

Eu adoro essas pequenas novas tecnologias

Tuesday, July 26th, 2005

Olha só que ferramenta útil e bonitinha:
Technorati. Agora só faltam inventar um target em HTML para abrir uma nova aba automaticamente no Firefox, ao invés de uma nova janela. Então, sim, os links externos ficarão perfeitos.

Passei o dia tentando arrumar o chá. Um horror. Tentei instalar o Mambo-tango, o Limbo e outros pesadelos em PHP. Muito lerdo. Muito burrocrático. Vamos o site inteiro de wordpress. Ponto final. Dêem uma olhadinha na capa provisória do site do chá. Só falta eu deixar o layout mais legal, mais bonito e pronto.
E em breve, vou também ressucitar o blog do meu irmão.

Memento de Cinema

Sunday, July 24th, 2005

Achei esse meme no blog da Sheila:

1) Qual o seu filme favorito?
Pergunta muito complicada. Estou sempre sob a influência do que eu vi mais recentemente. Hoje, por exemplo, eu assisti Cabra Cega do Toni Venturi, no cine Belas Artes/HSBC, naquele workshop de Direção do Educine que estou fazendo, o filme é absolutamente maravilhoso. Por hoje, é o meu filme favorito, porque me causou a experiência de catarse que toda expressão artística sempre deveria ambicionar em criar. Sem mais palavras.

2) Qual o último DVD que você comprou?
Punch Drunk Love (2002), o magnífico filme de Paul Thomas Anderson (também diretor de Magnolia, 1999) com Adam Sandler e Philip Seymour Hoffman. Comprei na locadora Tripé e paguei baratíssimo.

3) Quais os 5 últimos filmes que você viu?
Além do Cabra Cega, assisti essa semana Diário de Motocicleta, outro filme magnífico. Talvez Cidade de Deus esteja entre os mais recentes que assisti - porque passamos lá na Lapa para os alunos da Oficina Digital. Outro que vi recentemente foi o filme do Bianchi, “Quanto Vale ou é por Quilo?”, que fui ver com a minha turma de alunos de Direção de Arte na Cinemateca, na sessão mensal especial da AbCine. Do cinema hollywoodiano os dois mais recentes que eu assisti foram Episódio 3 e Closer, do Mike Nichols, e agora à noite assisti O Sorriso de Mona Lisa, com a Julia Roberts. Não achei que o filme seja aquela cocacola toda que andaram falando. Kirsten Dunst já tinha aparecido anteriormente em um outro filme que fala sobre “escolas para moças”, chamado Strike! (1998).

4) Qual o melhor filme brasileiro de todos os tempos?
Nem imagino. Não sei responder isso. Nem sei se existe isso de “melhor de todos os tempos”. Cada tempo é único e a todo momento muda o nosso ponto de vista e com ele, os critérios do que é melhor do que o quê. Muito difícil responder uma pergunta dessas.

5) Qual o seu diretor/ator/atriz e o seu gênero favoritos?
Diretor: Fellini, Kubrick e Polanski. Mas dou menção honrosa para Bergman porque Bergman é Bergman e para Tim Burton pelo estilo.
Ator: Edward Norton, Kevin Spacey e Sean Penn (ele é maravilhoso)
Atriz: Kathy Bates, Susan Sarandon e Jessica Lange
Gênero: o bom cinema não tem gênero, é bom em qualquer gênero.

E uma correção: A Bibi tinha postado no blog dela que ela ia passar o meme para mim, mas eu só fui ver lá pelas duas da manhã, porque li o blog dela depois do da Sheila.
Saia curta! Desculpe, Bibi.
Eu estou sem ler blogs direito há 15 dias, hoje eu prometo tirar o atraso e ler os que eu ainda não li ontem. Deixa eu avisar antes que eu cometa mais alguma gafe!

O problema dos robots de spam

Thursday, July 21st, 2005

Eu segui os vários links que vocês sugeriram e dei uma olhada neles. Alguns eu preciso ler com mais calma depois, tem muitas informações.
O problema dos robots de spam não se resolve com plugin antispam, infelizmente. O problema é mais sério. O plugin antispam impede o robot de postar comentário, mas não o impede de acessar e carregar a página de comentários. A página de controle antispam tem aquelas imagens de códigos do tipo se você é um ser humano, digite isso. E são justamente essas imagens de códigos exibidas na página antispam que explodem o tráfego do servidor, porque o robot carrega em um dia, 300, 400 vezes aquela página. A única solução contra os robots é bloquear o IP do servidor que os envia para que não consiga acessar o IP do seu site e não use todo seu tráfego nas tentativas de postar spam.
No caso do Chá, a troca de MT para WP, que eliminou o endereço da cgi do MT com a imagem antispam, fez com que eu economize uma quantidade absurda do tráfego que eu contratei, porque os robots vem, tentam acessar a página e não a encontram - estamos falando em economizar mais de 1 giga de tráfego por mês só com essa medida. E no WP, pelo que eu percebi, o método de ter que fazer registro para postar comentário resolveu o problema até o momento. Vamos ver o que acontece durante o próximo mês.

Todos os amores acabam

Wednesday, July 20th, 2005

Acabei de ler dois blogs de dois homens completamente diferentes. Interessante notar que ambos tem mais de 30 anos, ambos são cultos e inteligentes, ambos são divorciados e ambos apresentam a mesma característica: parecem estar padecendo de um grande desencanto com as mulheres.

Curioso.

Eu estou divorciada há um ano e oito meses. Mas no meu coração, já estava divorciada há mais dois anos. No total então são 3 anos e 8 meses. O amor já tinha acabado e a convivência era penosa. Um dia eu criei coragem e falei que queria me divorciar. Mas precisou acontecer uma coisa muito importante primeiro: eu precisei colocar a minha auto-estima e meu ego nos seus devidos lugares e me sentir como me sentia antes do final do relacionamento: linda, interessante e feliz comigo mesma.

Casamento é uma armadilha com a qual é preciso tomar cuidado. A gente se casa porque está apaixonado, porque quer “assentar” na vida, porque quer ter filhos ou por todas essas coisas. Só que conviver 24/7 com uma pessoa é uma tarefa muito complicada, ainda mais quando envolve amor, sexo e divisão de dinheiro (não necessariamente nessa ordem).

Se romance fosse uma coisa realmente boa e bela, os grandes romances da literatura não teriam finais trágicos. Observem como terminam mal os “grandes romances”: Romeu & Julieta, Tristão & Isolda, Lancelote & Guinevere, etc. Só em contos de fadas os romances acabam bem, porque terminam logo depois da cerimônia de casamento com um “e eles viveram felizes para sempre…”, sem explicar o que aconteceu quando o príncipe pediu pra Cinderela fazer feijão do jeito que sua mãe fazia ou como é que Branca de Neve agiu depois de ter filhos.

Não existe amor para sempre. Muitos casamentos que duram a vida toda também terminaram depois de uns cinco ou seis anos, só que os compromissos financeiros (ou a religião ou ainda a moral) obrigaram aquele casal a continuar casado.

Então eu reavalio a minha própria vida. Eu tenho muita, mas muita sorte.

Na fase da adolescência, quando temos a menor auto-estima do mundo eu usava óculos, aparelho nos dentes e era gorda. Sorte a minha, muita sorte. Como era considerada “feia” pelos garotos, escapei de engravidar prematuramente (como muitas das minhas amigas), escapei de namorar um cara só até me casar depois da faculdade (como muitas outras amigas minhas) e pude ir construindo minha própria carreira profissional e curtir a minha família (sou muito amiga da minha mãe e dos meus irmãos).

Sorte, muita sorte.

Claro, ser gorda-de-óculos-e-aparelhos foi um estado temporário (apesar de eu usar óculos até hoje) e aos dezenove anos eu namorei sério pela primeira vez. Já tinha tido experiências sexuais (afinal, quem disse que não existem garotos que gostem de gordinhas-de-óculos?) e namorei por seis anos um rapaz que eu adorava. Ele era três anos mais velho que eu.

Venceu minha auto-estima, que fazia eu me sentir bonita, independente dos modelos que as pessoas acreditam ser “beleza”. Eu nunca fui um modelo, mas nunca me senti miserável por causa disso.

Depois desse primeiro namorado (o relacionamento acabou porque ele ainda ia demorar muito para se formar, estava indeciso com o que fazer com sua vida, eu já trabalhava, tinha novas oportunidades de flertar e sair com outros caras – fora que enjoamos totalmente um da cara do outro. Uns dois anos depois, ele casou com outra moça e, até onde soube, era muito feliz). Considero meu segundo grande amor um outro namorado meu, com quem morei junto por seis meses. Esse grande amor durou pouco mais de um ano, deixou lembranças incríveis de viagens e foi, também, a primeira época que morei fora da casa da minha mãe, em repúblicas de estudantes e em outras cidades.

Quando acabou esse amor, achei na época que ia me desmanchar de tanto chorar. Mas tudo passa, essa é que é a verdade. E, just for the record, esse meu segundo grande amor foi o primeiro namorado mais novo que eu tive, era cinco anos mais novo que eu. Tive que vencer preconceitos pessoais meus com relação a namorar alguém mais jovem, mas valeu muito a pena.

Depois continuei saindo e namorando, até conhecer meu ex-marido – que tem 8 anos a menos que eu. Casei com ele aos 30 anos, quando muita gente diz que a mulher já “encalhou”. Meninos e meninas, se tem uma coisa que eu nunca fui e acho que nunca serei é “encalhada”. Ser “encalhada” é um estado mental, não uma realidade, ainda mais hoje em dia, com todos os avanços científicos que permitem uma mulher ser mãe pela primeira vez aos 40 anos e que prolongam a juventude física das pessoas por muitos anos.

Depois do meu divórcio, eu já namorei novamente. Ele tem 12 anos a menos que eu, é considerado por muitos um nerd e não um “modelo de beleza”, mas para mim é um dos homens mais bonitos com quem já me relacionei. Nosso namoro durou cinco meses e foi magnífico em todos os sentidos. Ele me achava a mulher mais linda do mundo. Eu o achava o homem mais lindo e mais maravilhoso do mundo. Fomos muito felizes juntos.

Ego e auto-estima nos lugares corretos. Então você fica feliz em ser você. E amando a si mesmo, pode amar o outro com facilidade e ser feliz em estar com o outro.

Lendo esses dois blogs desses dois homens, dois blogs que me pareceram muito amargos, fiquei pensando nisso tudo. As pessoas se deixam escravizar por sentimentos e conceitos tão idiotas, impostos pela sociedade de consumo, pelos parâmetros da mídia. Fiquei com pena tanto do cara que diz que acha que não vai mais amar e que ficou cético depois do divórcio como do outro, que falou sobre a miséria do gênero feminino em relação à idade. E tive muita pena não apenas deles, mas de todo mundo, homens e mulheres que acreditam nas mesmas coisas.

Eu me olho no espelho e ainda não vejo grandes rugas. Eu sei que não aparento a minha idade. Eu tenho alguns cabelos brancos, a linha do meu queixo denuncia que não tenho mais 20 anos de idade, sei que estou envelhecendo, mas não me sinto “velha”.

E quando me olho no espelho penso que sorte eu tive quando eu era adolescente e de como continuo a ter sorte. Quase aos 40 anos, eu não ligo a mínima – como não ligava aos 16, aos 18, aos 25, aos 30 – para os conceitos pré-estabelecidos e para os chavões sobre idade ou sobre o que é que homens e mulheres devem pensar sobre beleza física.

Eu pretendo amar muitas vezes ainda. E ter sexo da melhor qualidade, como sempre procurei ter. E talvez casar de novo. Como nunca me relacionei com um homem acima de 35 anos, estou querendo agora experimentar um namorado que tenha mais de 35. Talvez uns 40? Ou mesmo 50. Vai ser uma experiência nova. E tenho certeza de que se o amor for intenso e gostoso, pode acontecer de eu ser pedida em casamento novamente – já fui pedida seis vezes e aceitei uma! – e talvez eu aceite.

A idade não tem nada com isso. É um estado de espírito.

E ao mesmo tempo em que eu digo tudo isso, sei que meus velhos bons critérios vão continuar os mesmos: assim como eu nunca me importei se o cara era pobre ou rico, mais novo ou mais velho, magro ou gordo, com ou sem óculos, vou continuar não me importando. Eu quero que o homem que me acompanhe (por pouco ou muito tempo) seja um homem interessante, com idéias que me atraiam, que goste de cinema, literatura, que goste de trabalhar, de estudar, de crescer como pessoa, que goste de seu trabalho, seja uma pessoa independente e que, como eu, não se importe tanto com a passagem do tempo e ainda acredite em amor.

Mesmo sabendo que todos os amores acabam.

Leituras

Wednesday, July 20th, 2005

Minhas leituras através do Bloglines estavam muito atrasadas devido à quantidade de aulas que eu estava ministrando em julho. O curso de fotografia digital terminou na terça-feira; o de direção de arte em cinema termina na próxima segunda feira. Vou poder colocar as leituras em dia - e já comecei. Eis aqui algumas leituras recomendadas:

“Esse é um filme que incomoda. Assassinatos violentos, corrupção, torturas e estupro. Espelha os monstros que nos habitam. É um filme sobre o que há de pior na sociedade. O submundo do submundo. O fim do mundo. Mas, Sin City é, também, um filme de humor. É muito cínico. De uma sutileza canibal. Miller, Rodriguez e Tarantino tratam o mal de forma tão normal que as cenas mórbidas são absorvidos pelos nossos sentidos como parte do cotidiano deste ‘coletivo biológico’ que chamamos de civilização.”
- A Multiplicidade dos Pecados - Hernani Dimantas para a Revista Novaes, falando sobre o filme Sin City.

“O que são os blogs? Blog não são, blogs estão. Blog está na cultura de rede. Imprensa é cultura de massa. É necessario engajamento para entender o que é um blog. É mais uma conversação do que um jornal.”
- Blog e Imprensa - Hernani Dimantas em Marketing Hacker

“Resolvi tomar a iniciativa de fazer um post sobre Jabber, que para os desavisados é tão bom e tão seguro quanto qualquer outro protocolo IM, com a vantagem de se tratar de tecnologia genuinamente OpenSource.”
- Jabber :: A solução para a hipocrisia - Celso Goya em Blog.Moinho.net

Decisões, decisões…

Tuesday, July 19th, 2005

Olá, bebedores de chá!

Primeiro quero agradecer as idéias e sugestões, vou conferir uma por uma. A questão por aqui não é o Chá em si - eu estou apaixonada pelo Wordpress, vou continuar com ele - e sim o resto do site. Sim, porque existe um resto do site, só que não está no ar. Uma vez que mudamos de casa, resolvi suspender o resto do site e refazê-lo, deixando-o mais decente. Por isso essa sessão paranóia de sistemas em PHP, para produzir o resto do site.

Meu amigo Agail, que leciona web pelo Educine na mesma Oficina Digital onde eu leciono fotografia digital me indicou um sistema baseado em PHP chamado Limbo CMS. Visitei o site desse portal em PHP e aparentemente é o que eu preciso para o resto do site. Vamos ver.

Quanto ao sistema de registro de comentaristas, eu suponho que uma vez que o usuário se registrou e eu aprovei o comentário, automaticamente eu não preciso aprovar novamente - ao menos foi assim que eu configurei para isso aqui funcionar. Depois de registrados vocês ficam livres para comentar sem que o Grande Irmão Wordpress tome conta do que é que vocês estão escrevendo e postando. Eu preciso manter assim burocrático e neurótico por duas razões:

1 - spam! spam! spam!
Vocês não têm idéia da quantidade de sites que envia robots aqui no chá diariamente e de como isso estava engolindo completamente o tráfego do chá. Só para terem uma idéia, no dia que o chá passou a funcionar nesse novo servidor, tivemos 263 visitas de um robot de um site pornô de Taiwan tentando postar comentário acessando o antigo endereço da CGI do Movable Type. Era isso que consumia o tráfego todo e não a quantidade de bebedores de chá. Com essas medidas de registro e moderação, o problema acaba - até porque o antigo endereço do programa de comentários do Chá está agora com uma página de 404 not found que não consome quase nenhum tráfego.

2 - idiotas de plantão
Criaturas que dão busca no Google por “Orkut” e depois deixam recados como “me convida para o Orkut”? ou ainda gente que eu nem imagino quem seja comentando assim “legal seu blog, visita o meu?” ou pior ainda, babacas que postam coisas estúpicas como um que andou passeando aqui e dizendo que pelo conteúdo aqui do chá e pelo meu gosto por cinema, com certeza eu sou uma baranga encalhada (Geez, de que recanto misterioso de seu cérebro de ervilha esse quadrúpede tirou essa?!!!) Como eu não faço terapias para complexados e perturbados, não tolero propaganda gratuita de blogs de estranhos e nem distribuo convites para o Orkut, nada como um sistema com registro e aprovação de comentários: espanta os que tem preguiça de se registrar e eu deleto e bloqueio os idiotas sem que suas chateações sejam publicadas.

No fundo é meio como fazer um “Chá para Convidados Apenas”. Assim ficamos todos mais sossegados por aqui, num chazinho entre malucos bem particular.

Muitas decisões confusas

Monday, July 18th, 2005

Rapaz, estou testando e instalando vários sistemas de publicação e as coisas são complexas. Até agora, de todos que instalei, testei, odiei e desinstalei, esse Wordpress é o mais “à prova de idiotas” ou seja, perfeito para mim. É incrível como eu não sei mexer em coisas que envolvem programação, dá vontade de chutar o computador de tanta raiva.

Alguém sabe mexer no Nucleus? Alguém em sã consciência recomendaria o uso do Nucleus?
Eu já testei e odiei o Drupal, Xoop, phpNuke, fora que alguns deles simplesmente me deram inacreditáveis listas de erros na instalação, que me fizeram desistir. Além do Chá, eu preciso de um website onde eu possa colocar os textos que considero mais importantes, calendário dos cursos que eu leciono, galeria de trabalhos e portfolio. Queria fazer isso usando uma engine que me permitisse aplicar o layout em CSS e usar o MySql, gerenciando o site através dessa engine. Por isso comecei a testar essas engines todas que vem junto com esse novo host onde eu coloquei o chá.

Sugestões? Help?

O que você vai ser quando crescer?

Sunday, July 17th, 2005

Estou pensando nesse texto há algumas semanas. A idéia começou quando li, novamente, que estavam prestes a soltar uma legislação para regulamentar a profissão de designer e que a faculdade escolhida para ser a “faculdade padrão” que “oficializa” a profissão de design seria Desenho Industrial.

Não sei quem definiu que “design” no Brasil é “desenho” e muito menos “industrial” mas é uma definição inadequada. Traduzir “design” como “desenho” ainda dá para aceitar - usando-se uma certa boa vontade, claro - mas por que “industrial”? Todos os designers que consideram que design é uma forma artística ficarão obrigados a ficar quietos, acabará a discussão tão frutífera sobre arte versus design: se design é industrial, então não é artístico por definição, ponto final. As pessoas que fazem faculdade de Artes Plásticas e depois vão trabalhar com design gráfico ficarão em uma situação complicada, afinal, design não é arte, é indústria. O pior nem é isso - porque, novamente, o problema não é quem tem o diploma A ou B, aposto que com “oficialização” e tudo muitas pessoas de diferentes diplomas, como os arquitetos, por exemplo, continuarão a trabalhar como designers gráficos, webdesigners, decoradores e paisagistas mesmo com as profissão de designer “oficialmente” definida como sendo pertencente à quem é formado no curso de “desenho industrial”. O pior é que novamente irá se definir alguma coisa que vem sido discutida há mais de 30 anos a canetadas, como tudo no Brasil. Essas canetadas geralmente são “proclamadas” por pessoas que não parecem saber muito sobre o que estão “proclamando”. Historicamente é assim, quando as “autoridades” percebem que não vai mais ter jeito a não ser ceder, canetam lá do jeito deles, geralmente, de forma diferente e inadequada ao que as pessoas realmente queriam. Mas vamos aguardar. Uma juíza a quem parece ter restado um pouco de bom senso considerou que a forma com a qual estavam redigindo a mencionada lei de regulamentação estava inapropriada e vetou. Vamos ver o que acontece a seguir.

E falando sobre profissões, resolvi mudar a minha. Tenho sido designer e diretora de arte por tempo demais. Acordei hoje de manhã com uma inspiração divina e descobri a minha verdadeira vocação: vou ser neurocirurgiã. É isso mesmo. Não sei como não percebi isso antes, para ser sincera. Eu deveria ter notado. Desde pequena tenho talento para fazer curativos, quando uma criança caía e ralava o joelho, por exemplo, eu corria a buscar a água oxigenada e a gaze. Outra dica sobre o meu incrível e inegável talento para neurocirurgiã é ter tido calma e frieza para socorrer um amigo quando ele sofreu um acidente de carro: ele bateu a cabeça e eu não deixei ninguém mexer nele antes do socorro chegar. Não é óbvio o meu talento natural para a coisa?

Por isso, a partir de amanhã, estarei procurando um emprego de neurocirurgiã em qualquer hospital. Afinal, para seguir uma “vocação” basta o talento natural e isso eu percebi que tenho de sobra. O resto são detalhes e eu posso resolver com um desses cursinhos de “faça você mesmo” ou mesmo comprando um manual. Hoje em dia tem manual de tudo, deve ter um tipo “aprenda cirurgia cerebral em doze lições”. Ou então um curso online, com certificado! Deve ter. O importante é eu ter descoberto o meu incrível talento, que não havia percebido que existia dentro de mim por quase 40 anos e sair trabalhando na área, oras. Afinal, que dificuldade pode existir? Pra que estudar mais de uma década como eu vejo tantas pessoas, fazer medicina e tudo mais? A vida me preparou para ser neurocirurgiã. O resto é bobagem.

Sabem o que é mais curioso? É que eu ouço esse tipo de argumento com razoável freqüência, mas claro, nunca aplicada a cirurgia cerebral. Ninguém acorda um dia e fala “heureca, descobri que sou neurocirurgião, que me preparei para isso toda minha vida, sou um talento natural”. Mas muita gente fala esse tipo de coisa sobre ser designer, diretor de arte, artista, cineasta, escritor, roteirista, poeta.

Um belo dia o cara simplesmente acorda poeta, compra um caderninho, um lápis, sai escrevendo versos tortuosos e fazendo planos de publicar um livro. Afinal, como ele não percebeu antes se era um talento tão óbvio? A vida toda ele se preparou para isso, desde a alfabetização. E que mais um poeta necessita além de ser alfabetizado, oras bolas?