Saturday, July 4, 2009

Chás de August, 2005

Fim de mês, estatísticas

Wednesday, August 31st, 2005

Rapaz, que mês movimentado na Casa de Chá.

Locais que mais enviaram bebedores de chá:
Ligeirinho: 98
Bloglines: 59
Digestivo Cultural: 53
Orkut: 42
Bia Jones: 33
Diário de Nuvens: 28
Inagaki: 22
O Cinematógrapho: 19
Cracatoa: 18
Tiagón: 13
Cheshire: 10
Meu perfil no Blogger: 9
Astronautas que caíram aqui vindos de search-engines: 971

O que os astronautas buscavam:
chá de casa nova – direção de arte em cinema – daniela castilho – mad tea party – vanilla sky- chá verde – fotografia – cinema – realidade virtual – zumanity

6.860 pessoas servidas em agosto; uma média de 221 bebedores de chá diários com 18.884 chás servidos – vocês bebem um bocado de chá, não?
Agradecemos a preferência, voltem sempre.

Caligari, Tim Burton e o Peixe Grande

Wednesday, August 31st, 2005

Assisti Peixe Grande esse final de semana. Gosto muitíssimo de Tim Burton desde que assisti Beetle Juice, nos idos dos anos 80. Tim Burton é um grande narrador de contos de fadas adultos. Ele consegue misturar de forma extremamente competente em seus filmes o fascínio e o encantamento de histórias mágicas misturadas aos temores subconscientes do ser humano.

Sejamos honestos: Tim Burton não inventou um estilo visual. Aquele estilo visual tortuoso, cheio de texturas e claro-escuros de vários de seus filmes não é uma invenção dele. Ele bebeu na fonte do Expressionismo Alemão, mais precisamente em “O Gabinete do Dr. Caligari” (1920).

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“O Gabinete do Dr. Caligari”- 1920

Burton, entretanto, não copiou simplesmente o expressionismo alemão, ele compreendeu o estilo e a forma, adaptou-o, acrescentou tecnologia e experimentalizou esse estilo visual mesclado a outros elementos do gótico e do romântico. Esse universo visual burtoniano pode ser observado em vários filmes: Batman, Edward Scissorhands, Batman Returns, Nightmare Before Christmas ou ainda, Sleep Hollow.

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Sleep Hollow

Depois de tantos filmes, era natural esperar-se uma evolução. A primeira ousadia visual de Burton numa direção diferente veio em O Planeta dos Macacos. Muitos fãs odiaram o filme, justamente porque tinham se habituado ao gótico-expressionista que vinha se transformando em um cliché burtoniano – e não compreenderam que o estilo visual já estava esgotado e se tornando cansativo.

Em Peixe Grande, Burton mostra como amadureceu seus elementos visuais e sua narrativa fantástica, sem perder estilo e enriquecido com a experiência.

Peixe Grande é a história de um homem que tem uma visão peculiar de mundo. O filho desse homem, menos imaginativo que o pai, passa a vida acreditando que o pai é um grande mentiroso, que inventa histórias, que vive num universo de fantasia inventado por ele próprio. Pior que isso, o filho se ressente com o fato do pai ser sempre o centro das atenções das pessoas contando suas histórias “inventadas”. Na sua visão dos fatos, o pai inventa essas histórias justamente para chamar atenção para si. Somente com o final da vida do pai, doente numa cama de hospital, o filho irá compreender que o que ele classificava como mentiras e invenções eram na verdade a maneira peculiar e pessoal do pai ver e entender o mundo e as pessoas e irá perceber como o pai, na verdade, amava o mundo, as pessoas e seu próprio filho.

É um belíssimo filme. Cores brilhantes, luz solar, somados ao gótico-expressionista burtoniano. As árvores tortuosas ainda estão lá, bem como a atmosfera sombria e os claro-escuros, mas pontos luminosos brilham coloridos em meio à paisagem nebulosa, que por vezes se abre totalmente e se transforma em pinturas expressionistas inundadas de luz e cor.

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Big Fish

Maravilhoso.

Ainda não fui assistir a Fábrica de Chocolate. Deve ser um filme muito interessante, embora os trailers que assisti me levem a acreditar que Burton retornou um pouco ao terreno seguro, ao visual e clima mais sombrios. Há cores brilhantes, há um clima de “Alice” – uma Alice pesada e cyberpunk, à la America McGee, veja bem, não a Alice surreal e leve de Lewis Carroll – mas definitivamente, não é um filme com a mesma leveza e lirismo visual de Peixe Grande.

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A Fábrica de Chocolate

É natural que Tim Burton tenha retomado sua própria origem estética depois de ter se arriscado a uma completa nova linguagem visual. Voltamos para casa, sempre, enquanto ainda não consideramos o novo universo que criamos como um novo lar. Precisamos dessa pequena sensação de segurança, depois de um vôo arriscado. Arte não é brinquedo, nos altera profundamente, nos desnuda, nos faz questionar a nós mesmos.

Vou assistir a Fábrica de Chocolate e volto a comentar com vocês. E ficarei aguardando os próximos filmes de Burton. Veremos onde o diretor se atreve a ir esteticamente. Mal posso esperar.

Fragmentos

Sunday, August 28th, 2005

“i dont know. what do people write in blogs normally? i have absolutely no idea what i am talking about.” Thom.

“Olivia, tá com cara de quem não gostou. O que foi?” “Não entendi isso aí.” “O que você não entendeu?” “Não entendi nada.” Olivia.

“Segundo estudo realizado na Inglaterra, se eu continuar checando e-mail do jeito que estou, acabo virando um vegetal.” Clarice

“Em terra de cego, quem tem um olho é semiótico” Bia Jones

“Nesse mesmo instante, em Idaho, o filho de um plantador de batatas ganha fones de ouvido com microfone acoplado para fazer seus podcasts rurais.” Tiagón

“So free for the moment Lost because I wanna be lost Don’t try to find me” Annix

“Spark the sun off me. Spark the sun off me! Spark the sun off me…” Charles

“Uma sombra, algo babando embaixo da cama… ‘As vezes desconfio que é isso que desaparece com minhas tampas de caneta, meus isqueiros, e meus pensamentos durante a noite.” Cheshire

“I have made six postcards, all with secrets that I was afraid to tell the one person I tell everything to, my boyfriend. This morning I planned to mail them, but instead I left them on the pillow next to his head while he was sleeping. 10 minutes ago he arrived at my office and asked me to marry him. I said yes.” PostSecret

“Sempre associei as pessoas a pequenas particularidades que, se não tinham importância em sí, deviam servir como referência simbólica à personalidade delas em relação a mim.” Miss S.L.

“É preciso prestar mais atenção nas vozes. Há armadilhas em todo canto, não vejo o fundo do mar em que nado. Se a tal da força derrubará as barreiras, se o grito vai sair, se vou realizar a minha poesia… Se eu vou… Se eu vou.” O Poeta Morto

Uma pérola encontrada pela Bibi: o cinema mudo em NeoMuet.

something evil in our hearts
Paulo

Estou com saudades das pessoas, de coisas que eu não via há tempos, de coisas que eu não escutava há tempos. Eu posso assistir e acompanhar todas essas coisas e pessoas aqui dessa janela cibernética. Mas não é o bastante, né?

Todos os filmes que eu quero escrever

Friday, August 26th, 2005

Passei o dia em reuniões e no telefone. Época de pré-produção é isso: cartas para ceder locações, telefonemas para fechar parcerias e apoios, verificar agenda de atores, fazer a pré-produção. Somos uma equipe de mais de vinte pessoas correndo como loucos. Dia 03 entramos em filmagem. Então, amanhã eu vou passar em pré-produção, de novo. Não tem sábado, domingo ou feriado. Tenho almoços de negócios, reuniões e sessões de escrever projetos na semana que vem.

Eu adoro o meu trabalho.

E ainda hoje, tomando uma cerveja com um amigo (porque ninguém aguenta só trabalhar) e ouvindo e vendo Rolling Stones no telão do meu bar favorito, eu contei dos quatro curtas que quero fazer e bolei um quinto filme. Preciso rever os roteiros todos e depois me preparar para levar esses pequenos filhotes em imagens para serem realizados. Sim, eu assumi esse ano que quero me tranformar em uma diretora. Aliás, cineasta, que é a palavra que eu realmente gosto de usar. Meu amigo que tomava cerveja comigo me disse – eu perguntei, confesso que perguntei a opinião dele – que acha que eu vou ser uma grande cineasta.

Espero que sim. É bom ter aspirações.

E de noite, ainda convivo com algumas sessões de sonhos estranhos. Essa noite eu sonhei que estava em um restaurante de teto baixo, onde pessoas comiam risotos e salmão e em um dos lados, bailarinos dançavam em um palco italiano. A trilha sonora do sonho era Beethoven.

Alguns sonhos se transformam em realidade. Outros sonhos são lembranças e saudades.
Prefiro os sonhos que podem ainda ser realizados. Não gosto de nostalgia.

Boa noite crianças, depois eu conto dos chás maravilhosos que ganhei de presente de uma amiga. Um deles é uma mistura de Assam, Darjeeling e chá preto do Ceylon e da Africa. Tem um aroma acre de grama e terra, é magnífico!

Tempo

Friday, August 26th, 2005

Por que as coisas passam? É pena. As coisas não deveriam passar nem acabar. O tempo deveria ser simultâneo e eterno. Nós deveríamos ser múltiplos, vivendo o eterno tempo simultâneo, ininterruptamente. Infelizmente, somos temporários, somos lineares e as coisas passam e acabam. Pena.

Jantar coreano e ostras

Thursday, August 25th, 2005

Fui jantar com uma amiga que está de malas feitas para ir viver um ano em Amsterdan. Fomos a um restaurante nipochinocoreano na Rua Galvão Bueno, que se chama “Churrascaria Galvão Bueno”, mas, ao contrário do que o nome sugere, não serve churrasco: serve sushi, comida chinesa e comida coreana. Curiosa mistura de três nações asiáticas que nunca se deram e então são reunidas pela paz da culinária no bairro da Liberdade, numa cidade brasileira. Sushi, sashimi, chopsuey e grelhas coreanas – cada mesa tem uma grelha para fritar ali na hora as carnes temperada com shoyu e ervas – em um só buffet, um só restaurante. Uma verdadeira ONU gastronômica.

O jantar foi ótimo até que, lá pelas tantas, todas as pessoas que estavam no restaurante – literalmente, todas as pessoas! – começaram a tossir, até eu. Surreal. Tinha alguma coisa errada, claro. Meu nariz ardia, eu tossia, todos tossiam e tossiam. A minha imaginação fértil e surrealista já ficou imaginando que todos morreríamos ali mesmo, como naquele episódio apavorante do gás venenoso na estação de metrô de Tokio. Finalmente um garçon passou ao meu alcance e eu perguntei o que estava acontecendo. Ele respondeu, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que alguém tinha colocado pimenta na grelha, que não pode colocar pimenta na grelha porque dá nisso – os vapores da pimenta irritam o nariz e a garganta e as pessoas tossem – mas que às vezes algum cliente desavisado faz isso e então todo os garçons saem correndo pra descobrir quem foi e desligar a grelha.
Surreal.

Mas não vai ser por esse episódio que essa noite vai entrar para a história da minha vida como uma noite especial. Vai ser por outro motivo: foi a primeira vez que eu comi ostras.
Sim, eu comi ostras.

Certo, ostras são realmente esquisitinhas. Jamais tinha visto ostras ao vivo, elas realmente ficam melhores nas fotografias. Elas tem aquela aparência de molusco dentro das cascas – que lindas cascas cor de madrepérola! A casca é linda, mas a ostra em si é… esquisitinha.

Eu já ouvi os mais variados comentários sobre ostras. Tem pessoas que adoram, como Monsieur Pai, grande fã de ostras, que sempre me disse ser o prato que ele mais gosta de comer como entrada em um jantar. Ele aprecia o sabor, a textura, a cor. Já Monsieur Filho me disse que não gosta, não. Tem pessoas que detestam, tem horror até de ver. Confesso que a aparência da ostra é um pouco desanimadora. Você não sabe se está comendo um animal vivo ou morto. A consistência é de uma fatia de filé de peixe cru mais gelatinoso. Se você olhar aquilo muito tempo, desiste de comer.

Interessante que eu sempre perguntei “mas ostra tem gosto do quê?” – e ninguém jamais soube me responder.

Bom, lá fui eu. Criei coragem, comecei a descolar a carne da ostra da casca com o hashi. Coloquei o limão, resolvi pegar a carne inteira e comer antes que eu perdesse a coragem. Perguntei à minha amiga se eu podia mastigar – ouvi algumas pessoas dizerem que não se mastiga a ostra – e ela respondeu que sim. Okay. Coloquei a ostra na boca e mastiguei.

Primeiro: a consistência é ótima. Não é tão firme quanto peixe cru, é mais macio, trinca entre os dentes, perfeitamente mastigável, gostoso. Segundo: o limão, ao contrário do que já me disseram, não serve para atenuar o sabor da ostra, ao contrário, ajuda a destacar o sabor da ostra. Terceiro: é deliciosa de saborear.

Que sabor tem uma ostra? Sabor de mar.
A ostra é isso, um pedaço de oceano, completo, com gosto de mar, areia, sal e sol. É como estar na beira da praia, depois de um mergulho, com aquele gosto de mar que fica na boca. É maravilhoso, simplesmente maravilhoso. Ostra tem gosto de mar.

O pianista silencioso

Wednesday, August 24th, 2005

Ele foi encontrado em meados de abril, vestido com um terno elegante, camisa branca, gravata, sapatos caros, em uma estrada próxima à praia. Estava totalmente enxarcado, como se tivesse ficado na chuva por horas ou tivesse sobrevivido a um naufrágio – nos dias anteriores, uma grande tempestade tinha desabado na região. Não existiam etiquetas nas roupas para auxiliar a identificar sua origem: estavam cortadas. Ele parece ter entre 20 e 30 anos de idade, é alto e magro, loiro, olhos castanhos. Não falou nada. A expressão do rosto é triste, assustada. O rapaz parece ter sofrido um profundo trauma que causou mutismo e uma aparente amnésia.

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Alguma coisa aconteceu com esse rapaz, mas ninguém sabe o quê.

Estando no hospital, o rapaz continuou silencioso, apesar de aparentemente compreender inglês. Deram-lhe caneta e papel. Ele desenhou uma bandeira com uma cruz e um piano de cauda. Levaram-no até um piano, na capela do hospital. Ele sentou-se e tocou por quatro horas, ininterruptamente, esquecido das pessoas em volta dele. Os funcionários do hospital não sabem dizer o que ele tocou, mas com certeza era uma peça clássica, de forma profissional.

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Alguns dizem que tocou como um virtuoso, outros, que apenas tocou bem. O capelão da igreja disse que ele não toca tão bem assim, a ponto de ser considerado um músico de orquestra, não.

O hospital enviou mensagens às orquestras européias. Colocaram fotos suas em todos os jornais e na internet. Em uma das fotos ele olha desconfiado, vestido com o terno e a camisa branca, o cabelo loiro e arrepiado, a barba por fazer. Na segunda foto está vestido de pijama e abraçado a um travesseiro. O olhar continua assustado, embora olhe diretamente para a câmera. O serviço de pessoas desaparecidas recebeu centenas de telefonemas e e-mails, mas ninguém conseguiu identificá-lo.

Será que ele estava a bordo de um iate e após o concerto, o marido ciumento de alguma admiradora ardorosa o empurrou para o oceano?

Na Itália, um imigrante polonês ilegal abordou um policial na rua, com um jornal na mão onde se via uma reportagem sobre o pianista e disse que conhecia o rapaz. Uma pista veio de Sussex. A polícia continuou a investigar.

Ou talvez, após um concerto em um elegante teatro, o amor de sua vida disse-lhe, entre lágrimas, que iria se casar com um nobre inglês, em um casamento de conveniência. Transtornado, o pianista caminhou a noite toda sob a tempestade, até ser encontrado, na manhã seguinte, amnésico.

O silencioso pianista continuou desenhando pianos. Colocaram um teclado eletrônico em seu quarto. Ele ecreveu diversas partituras, reproduziu parte do “Lago dos Cisnes” e outras músicas não identificadas. Especulou-se que são obras criadas por ele mesmo. Ele caminhava diariamente pelos jardins do hospital com suas partituras na mão. Ele não quis assitir tv nem escutar rádio, parece querer apenas ficar imerso na música, tocando ou escrevendo. Às vezes, ele chorava, sozinho em seu quarto.

O assistente social que estava cuidando do caso disse que iriam verificar as poucas pistas que a polícia tem até o momento, que o rapaz não poderia ser liberado, pois sua condição ainda é muito delicada – “Someone, somewhere must be missing him” – disse o assistente social, muito grave, aos repórteres que freneticamente cobriam a história.

Será que alguma bela enfermeira irá se apaixonar pelo triste rapaz?

Os meses passaram. Ninguém conseguiu descobrir nada. E então, o escândalo.

Cansado de seu próprio mutismo, o homem finalmente falou com uma enfermeira. Disse que é alemão, que o pai tem uma fazenda na Baviera, que trabalhava em Paris com pacientes de um hospital psiquiátrico, que perdeu o emprego, que tinha ido para o Reino Unido de trem e que se dirigira à praia pensando em suicídio.

Fim do mistério. O homem do piano retornou à Baviera.
A polícia salvou-lhe a vida. O hospital cuidou dele. Agora todos querem processá-lo.

Obrigada ao Rafael, que me mandou a história e ao Wagner, que publicou um texto sobre o assunto em seu blog.

É preciso escrever e servir chá

Sunday, August 21st, 2005

Estou ouvindo With Teeth, de Monsieur Trent Reznor. Hoje é domingo. Domingo tem feira. Quero achar umas fotos para ilustrar esse post.

Imagens, imagens, onde estão as minhas imagens? Procuro o CD. Encontro. É um dos Cds azuis. Não. As fotos que eu quero não estão nesse CD. Ah, achei. Ironicamente, estão bem aqui no drive C. Nunca sei onde coloco nada.

Cuidado, crianças, esse vai ser um post muito estranho. Tenham medo, crianças, estarei superhiperoverocupada essa semana, esse post vai ficar por aqui um longo, longo tempo. Vocês lerão esse post? Vocês comentarão? Vocês andam tão quietos.

Coisas bem estranhas andaram acontecendo nesses dois anos de chá, não? Quem ainda lembra? Quem está aqui desde sempre? Quem saberia lembrar quem é o esquilo, o menino, o poeta? Quem apenas lê esse cabeçalho e imagina que é uma das minhas muitas brincadeiras? Quem por aqui ainda sabe que não é brincadeira, apenas está encriptado?

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Sorriam, crianças, esse é um post como há algum tempo vocês não viam por aqui. Um autêntico chá, dos bons, dos velhos (ainda se recordam do cheiro e do sabor?)

Lembram do esquilo? Não há como não pensar nele, às vezes. Fico pensando em abrir velhos baús digitais e lê-los todos. O que será que eu leria ao reler quem eu era há dois anos? Parecem dois mil anos. Aliás, estava pensando nisso ainda hoje, como é bom não ter velhos arquivos do chá por aqui. Memórias são feitas para serem apenas lembradas, não para ficarmos relendo, revivendo. Memória demais é tão ou mais insuportável quanto memória de menos. Mementos. Mementos são insuportáveis.

Eu tenho tido tempo de reflexões. In fact, eu dizia ainda ontem, à noite, parada dentro do carro de um amigo meu, diante de uma das muitas estações de trem da cidade, eu disse à ele que eu tenho essa maldição, you know. Eu nunca tinha conseguido definir o que é essa maldição, o que diabos é essa coisa que me consome em silêncio por dentro. Mas eu sei o que é. É esse universo esquisito que eu tenho aqui dentro.

… mas como eu mesma já falei muitas vezes, “esquisito” é uma palavra de origem latina que significa “belo”. Toda beleza é esquisita.

E do meu universo esquisito, apenas consigo mostrar uns poucos vislumbres nas minhas imagens. E depois eu sorrio, eu disfarço. Hoje eu penso que me entendo melhor que nunca, eu sempre fiz um jogo de peek-a-boo. Vocês fazem jogos de esconder? Vocês vivem em comerciais de margarina? Vocês fazem-de-conta que tudo está bem e sorriem quando têm vontade de gritar e gritar?

Tantas perguntas, tão poucas respostas.

Eu penso, my friend, que eu sei a minha resposta. Sempre dizemos aquilo que precisamos ouvir. Confesso que hoje eu acordei duvidando um pouco da utilidade do que se ouve e acreditando muito mais na utilidade do que se fala. Sempre dizemos o que precisamos ouvir. Devíamos, talvez, ouvir mais a nós mesmos.

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Da sala, um comercial traz o som de “Hero” de David Bowie. Esqueci de comentar que assisti a um show de David Bowie. Não lembro mais quando foi, 1985? Talvez.

E por falar em sons, assim como em imagens, estou tomada de uma alegria sobrenatural ao saber que Monsieur Trent vem ao Brasil. Eu vou ver NIN, o grande amor da minha vida. O sujeito que sabe gritar coisas muito parecidas com as coisas que eu transformo em imagens. Mas não é assim mesmo? Somos todos terrivelmente parecidos, semelhantes, em nossa unicidade. O horror, o horror.

E eu continuo andando pela cidade imersa em pensamentos. Talvez eu nunca consiga realmente compartilhar e mostrar o que é que vai aqui por dentro. Mas continuarei fotografando.

Ah, sim. Finalmente, estou comprando uma câmera digital.
Tenham medo, crianças, tenham muito medo. O chá será inundado de imagens.

Vejam mais fotos aqui.

Nossas estatísticas revelam que até o momento, nesse mês de agosto, servimos 5049 chás brasileiros, 4458 estadunidenses, 1488 chás australianos, 503 chás franceses, 318 chás desconhecidos, 47 chás portugueses, 46 chás europeus, 46 chás alemães, 29 chás canadenses, 25 chás chineses, 22 chás holandeses, 21 chás gregos, 19 chás espanhóis, 17 chás árabes, 16 chás britânicos, 15 chás mexicanos, 10 chás peruanos, 5 chás argentinos, 4 chás japoneses.
Agradecemos a preferência, voltem sempre.

Now Listening: Nine Inch Nails, Home, The Hand That Feeds

Poesia em Imagem

Sunday, August 21st, 2005

quero ser dudi maia rosa

Hoje, no blog do Dudi

Now Listening: Radiohead, Fog

OHMEUDEUS!

Sunday, August 21st, 2005

O Tiago me manda a notícia:

É isso mesmo: Nine Inch Nails vem ao Brasil em novembro.

OHMYGOD. Eu quero ir. Será que vai ser estupidamente caro? Mesmo que seja, eu vou.
Em 2002, eu pude ir ver o Rush, no Morumbi. Na época, eu não tinha a grana necessária para comprar o ingresso, meu irmão caçula me deu de presente de aniversário. Foi uma das maiores experiências da minha vida, um dos maiores e mais importantes shows desde que assisti o Queen também no Morumbi, em 1981.
Rapaz, eu vou ver o NIN. Trent Reznor, meu ídolo há 15 anos. Comprei o primeiro CD dele em 1990, eu acho, um bootleg .

E por falar em música, Harry me avisa: Thom York tem blog.

Now Listening: Nine Inch Nails, With Teeth, All The Love In The World

Chá marroquino

Friday, August 19th, 2005

No Marrocos o chá é uma bebida tradicional de grande importância. O mais popular é o chá verde servido com hortelã (do tipo específico mentha viridis).

Existe um ritual tradicional marroquino para servir e beber chá com a família e convidados. Na sala onde o chá será servido, queima-se incenso. Os convidados sentam-se em almofadas e oferece-se uma vasilha com água perfumada com essência de laranja e pétalas de rosas para que as pessoas lavem as mãos. Coloca-se em um bule folhas de chá verde, hortelã e açúcar. Os ingredientes são colocados nessa ordem e a seguir cobertos de água fervente. O chá permanece em repouso até que o aroma da hortelã domine o ambiente e então é servido em finos copos de cristal decorados com folhas frescas de hortelã. O chá bem preparado deve ter uma coloração dourada clara e o sabor da hortelã não pode acobertar totalmente o sabor do chá verde. Para produzir uma camada de espuma, ergue-se o bule de chá a uma certa altura e derrama-se o chá nos copos. A tradição diz que quanto mais espuma, mais os visitantes são bem-vindos.

Chá de Hortelã

Veja mais modelos de copos de chá marroquinos aqui.

Outros sabores de chá são também apreciados no Marrocos, tendo sempre como base o chá verde, misturado com folhas de limão, talos de anis, flores de laranjeira, pau de canela. Assim como na Turquia, encontra-se facilmente vendedores ambulantes de chá nas ruas do Marrocos.

Vendedor de chá em rua do Marrocos

There is no you, there is only me

Wednesday, August 17th, 2005

A novidade vem do novo blog do Rogério, Sem compromisso. Conheci o Rogério no curso de direção de arte em cinema que eu leciono no Planeta Tela (yes, ele foi meu aluno). Ele abriu o blog para falar do universo audiovisual. Eu diria que é um blog experimental ao máximo, porque são duas experimentações simultâneas: a blogsfera e a busca do universo audiovisual individual. Seu post de abertura já dá sinais de por onde o blog irá – e por onde talvez o próprio Rogério acabe seguindo? – falando de videoclips.

E para inaugurar, ele fala da minha banda favorita, Nine Inch Nails. Sou fã do Trent Reznor desde que vi pela primeira vez o clipe Closer, na MTV, nos idos dos anos 90. Trent tem a minha idade – o que para mim sempre foi um plus, eu adoro acompanhar o que as pessoas da minha geração fazem pelo mundo todo. A dica é excelente, o novo clipe do NIN. Visitem o blog do Rogério, chequem o link do clipe, lhe dêem as boas vindas à blogsfera e comentem por lá!

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