Saturday, May 17, 2008

Chás de August, 2005

Cinema como linguagem

Tuesday, August 16th, 2005

Depois da sessão ABCine de ontem fiquei pensando na problemática do cinema como linguagem. O cinema é muito discutido no Brasil, fala-se muito (e sempre) da dificuldade financeira, do problema do apoio governamental, da necessidade de política, de legislação. Discute-se muito sobre o suporte (35 mm, 16, digital, etc, etc) e sobre tecnologia (ou a falta dela). A discussão é ainda maior e mais acalorada quando o assunto é cinema de autor e estilo.

Em abril eu tinha escrito um texto sobre o problema do paternalismo na cultura brasileira. Quero reescrever esse texto. É um conceito muito importante, o mecanismo principal para entender por que as coisas são como são no Brasil. Esse texto merece ser avaliado novamente e reescrito. O momento histórico de hoje é reflexo desse paternalismo crônico. Os governantes ainda se consideram pais-estado e agem como se o dinheiro do estado fosse deles. A população ainda raciocina como filhos-que-precisam-do-pai-estado, que não tem direito de cidadão e sim, vivem mendigando direitos como se ainda vivêssemos na escravidão. O país teve como origem um forte colonialismo de exploração e não um colonialismo de desenvolvimento. O problema é cultural, ainda mais do que social ou econômico. Basta olhar as cifras do atual mar de lama que afoga o governo para perceber que o problema não é falta de dinheiro no país e sim para onde esse dinheiro vai.

A cultura brasileira é complicada e sem identidade homogênea. Somos uma nação de fragmentos, um intricado quebra-cabeça composto por indígenas, europeus de variadas origens, nações africanas, povos asiáticos. Não temos identidade cultural única e essa é uma das chaves para compreender por que alguns se identificam com narrativas lentas, emocionais e européias, outros preferem narrativas também lentas, mas cheias de símbolos, silêncios contemplativos e cores asiáticas, outros preferem narrativas dinâmicas típicas da cultura de massas e outros ainda com narrativas de novelas latinas, recheadas de diálogos e mais diálogos. Não há unanimidade porque cada região do país teve influências diferentes, desevolvimentos diferentes e acessos em graus diferentes à atual cultura globalizada que nos chega via mídia, internet, tv.

É muito complicado estabelecer qual é a “cultura brasileira” e assim tentar definir qual é a “linguagem audiovisual brasileira”. A grande verdade é que nem a mesma língua nós falamos no país todo, cada região tem o seu próprio vocabulário de língua falada e seu próprio universo de imagens. Trabalhar com tantas variáveis termina em um processo onde várias traduções são necessárias, as pessoas se entendem muito pouco, a nossa comunicação é cheia de ruídos culturais.

Talvez essa seja uma das chaves de compreensão sobre os diálogos tão díspares que surgem quando se discute cinema brasileiro. Talvez o que precisemos em toda a indústria cultural seja de menos tentativa de unanimidade e mais compreensão e tolerância com as diferenças culturais.

Casa de Areia

Tuesday, August 16th, 2005

Finalmente consegui assistir Casa de Areia, do Andrucha, na sessão especial da ABCine, seguida de um debate com parte da equipe do filme - estavam presentes Tulé Peake (direção de arte), Ricardo Della Rosa (Fotografia), Mirian Biderman (som), José Augusto de Blassis (Casa Mega) e Gigio Pelosi (colorista).

Primeiro, um comentário para quem ainda não assistiu o filme, para quem (como eu) tinha lido (ou escutado) muitas críticas ácidas sobre o filme e especialmente, para quem tem pouca fé no cinema brasileiro: vá ver. Vá, logo, hoje. Se depois de assistir você chegar à mesma conclusão de uma pessoa que comentou em um dos sites de cinema que eu leio de que o filme é apenas propaganda dos lençóis maranhenses, ou que é lento, arrastado, cheio de obviedades ou qualquer outra análise superficial dessas extremamente mau-humoradas, pré-concebidas para detestar o filme (eu li - e ouvi - várias críticas dessas, acreditem) então eu sugiro que volte a assistir enlatados made-in-usa e nunca mais vá ao cinema ver um filme brasileiro.

Casa de Areia é maravilhoso. Simplesmente maravilhoso.

Imaginem o que é filmar em um lugar onde cada grão de areia, literalmente, reflete a luz solar da altura do equador em todo seu esplendor. Imagine ter que fotografar esse filme calculando redução de luz e superexposição o tempo todo. Imagine filmar em um lugar onde o cenário se move, o vento vai levando a areia, que escorre e modifica a paisagem a cada minuto. Imagine ainda você ter que transportar a equipe de cinema para esse local, com equipamento, gerador, figurino, mobiliário, peças de cenário, câmeras, etc. Ao chegar, você tem que construir o cenário (várias casas que serão ao longo da história a mesma casa em diferentes fases), a cada dia de filmagem preparar o set inteiro para filmar e em poucos segundos, ter que mudar completamente de idéia e filmar outra cena porque o tempo fechou (e a raridade desse fato não pode ser desperdiçada) ou porque a areia engoliu parte do maquinário em minutos ou ainda porque um detalhe importante passou desapercebido: a equipe deixa pegadas na areia onde passa e isso atrapalha completamente a fotografia do filme. Imagine fazer tudo isso com câmeras de cinema que se estragam em poucos dias nem tanto pela areia que entra nelas, mas porque durante o dia faz 50 graus à sombra e de noite a temperatura cai para temperaturas próximas de zero. Detalhe: o local das filmagens é um parque nacional protegido pelo IBAMA cheio de restrições de uso. Apesar disso tudo, o orçamento final de Casa de Areia foi de apenas R$ 8,6 milhões, incluindo-se a finalização, com efeitos especiais e correções de cor. A fotografia é magnífica, a direção de arte é primorosa, o som é espetacular, a narrativa é peculiar.

Além das dificuldades técnicas e logísticas de filmagem ainda existia mais um desafio complicado: narrar o filme em um local tão magnífico e escapar do cliché fácil, do cartão postal turístico, transmitir com aquelas imagens espetaculares de areia a aridez da história, o local inóspito e difícil de se viver e não o local paradisíaco para férias de verão.

O filme consegue isso. As pessoas no debate após a exibição falavam o tempo todo em “deserto” e não em “praia” apesar das dunas estarem próximas do litoral e das imagens no filme não serem totalmente desérticas - vemos lagoas em várias passagens e até mesmo o oceano. Mais do que um deserto imagético é um conceito abstrato de deserto que é transmitido com competência pelo filme.

Agora pense em Fernanda Mãe e Fernanda Filha, duas grandes atrizes, que nunca tinham feito um filme juntas. Você tem duas personagens, mãe e filha. Você tem duas atrizes magníficas para interpretar mãe e filha que são mãe e filha na vida real. O local onde essas duas mulheres vivem tem areia, areia, areia e ainda assim o filme mostra com precisão - afinal, toda obra audiovisual tem sua narrativa baseada em imagens e sons - como a passagem do tempo acontece. O filme ultrapassa o fato de ser um filme passado em outra época, no início do século XX e conta um drama existencial universal, que poderia ser vivido por qualquer pessoa em qualquer tempo. A direção de arte, novamente, é preciosa. Nos pequenos detalhes da passagem do tempo, a condição de vida das duas mulheres, a dificuldade da luta com a areia, as memórias que vão ficando cada vez mais melancólicas são mostradas sutilmente, com delicadeza, através de um copo de vidro, uma vasilha de louça, um castiçal de vela, uma toalha de renda, uma e outra fotografias em um álbum ou coladas em uma parede.

Ainda mais duas outras coisas me chamaram a atenção: narrativa e tempo. A narrativa muito precisa muitas vezes parece que enlouqueceu: apesar do tempo passar, o tempo não passa! Tudo é apenas areia! Onde está a real passagem do tempo? A certa altura estamos confusos - aquela é a mãe, a filha ou a neta na pele de Fernanda Torres? Aquela é a avó, a mãe ou a filha na pele de Fernanda Montenegro? Esse caos temporal rapidamente é desfeito com elementos acessórios da narrativa: personagens, situações ou pequenos objetos que aparecem em cena para nos ajudar a nos situar.

Eu tinha lido críticas muito ácidas a Casa de Areia. Talvez a acidez dessas críticas venha do fato do Andrucha ser amigo do Waltinho, também amigo do Fernando, e todos eles fazem cinema porque querem fazer, independente de terem trabalhado com publicidade, independente do que os intelectuais brasileiros pensam que o cinema nacional deva ser ou não deva ser, do que é que as pessoas pensam do cinema hollywoodiano, independente das eternas reclamações de falta de dinheiro, de falta de política do audio-visual, das dificuldades, etc.

Casa de Areia tem selo do Ancine. Teve apoio de lei do audiovisual. Foi finalizado em 2K na Mega e na Casablanca. Foi patrocinado por várias instituições. Demorou para ser aprovado por leis de incentivo, para ser montado e finalizado. Apesar disso tudo, das dificuldades crônicas do cinema brasileiro, está aí para ser assistido. Custou 8,6 milhões. Seria considerado low budget em Hollywood.

Cinema é mais que apenas retratar miséria, pobreza, cactus, corrupção ou mar de lama. Cinema não pode ser encarado apenas como uma forma de fazer denúncia social ou mostrar problemas urbanos. Cinema é arte e como arte, transcende o pessoal para o universal, retornando ao pessoal na experiência íntima de cada pessoa que assiste um filme. Cinema é uma arte industrial, produzida em equipe, dependendo de cada pessoa empenhada na produção para ficar pronto, com qualidade.

Eu adoro “Cidade de Deus”. Gostei muito de “Quanto Vale ou é Por Quilo”. Amei “Cabra Cega”. Adorei o “Invasor”. Mas ainda bem que o Andrucha fez Casa de Areia. Casa de Areia é um filme de arte. Ainda bem. O cinema brasileiro precisa muito de diversidade para crescer e realmente se transformar em uma indústria cinematográfica de verdade.

Leia também:
A crítica de Djalma Limongi Batista ao filme, publicada no site Cinema com Rubens.

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Chá e Café Turcos

Friday, August 12th, 2005

Curiosidade: Como nasceram esses textos:
No mês de março eu fui fazer uma pesquisa sobre chá (no Google, of course) apenas por uma razão: eu queria encontrar uma foto boa para o post de aniversário - no dia Primeiro de Abril o chá fez dois anos. Comecei a encontrar fotos de exóticas e diferentes xícaras de chá e terminei fazendo uma longa pesquisa sobre como o chá é servido ao redor do mundo. Achei tudo tão interessante que decidi postar a respeito, em comemoração aos dois anos do nosso chá metafórico e existencial. Agora estou repostando no novo blog movido a wordpress.

Chá Turco

Os chás mais usados na Turquia são o chá preto, o chá de laranja e o de maçã.

Chaidanluck - Image hosted by Photobucket.com

O chá na Turquia é preparado em duas chaleiras, uma chaleira maior onde se coloca a água para ferver e uma pequena, onde se coloca apenas a erva do chá. A chaleira pequena é encaixada sobre a chaleira grande para que o vapor da água da chaleira maior aqueça a chaleira menor, aquecendo a erva do chá. Assim que a água ferve ela é derramada sobre a erva do chá na chaleira pequena, que então é levada ao fogo para ferver e cozinhar o chá por uns dez minutos. Apaga-se o fogo e aguarda-se mais uns minutos para que o chá termine de curtir, liberando os aromas e o sabor. A erva toda se deposita no fundo da chaleira e a infusão está pronta para servir. O chá turco é servido em taças especiais de vidro, para que se possa apreciar a cor da bebida, acompanhado de cubos de açúcar.

Chá preto turco - Image hosted by Photobucket.com

O café também é muito consumido na Turquia e preparado de forma especial. A água é fervida junto com o café recém-moído em fogo baixo. O café ferve e sobe até a beirada da cafeteira, é retirado do fogo e levado ao fogo novamente, três vezes consecutivas para apurar o sabor e a consistência. Depois desse processo, está pronto para servir. É necessário escolher se vai adoçá-lo antes de servir o café na xícara, porque a bebida não é coada, é servida com o pó misturado na água. O pó se deposita no fundo da xícara, o café não pode ser mexido e deve ser tomado em pequenos goles.

Tradicionalmente, tanto o chá quanto o café preparados na Turquia são bebidas muito fortes e servidos bem quentes, independente do clima.

Café turco - Image hosted by Photobucket.com

Formas de servir chá na Turquia:
Koyu çay - chá mais forte (minha preferência é sempre chá forte)
Açik çay - chá fraco (adiciona-se mais água frevente depois de preparado)

Formas de servir o café na Turquia:
Sade Kahve- puro, sem açúcar (eu só bebo café assim, puro, forte e amargo)
Az sekerli - com pouco açúcar (meia colher), ainda com sabor amargo
Orta sekerli - com quantidade mediana de açúcar (1 colher), com sabor adocicado
Çok sekerli - com grande quantidade de açúcar (melado, mais de 1 colher e meia)

O turismo na Turquia modificou o modo de servir café, criando duas formas específicas para os turistas, servidas apenas nos hotéis turcos:
Fransiz kahvesi (French coffee) - enfraquecido com água e adoçado
Amerikan kahvesi (American coffee) - servido bastante enfraquecido com água e muito doce; é preparado com grãos de qualidade inferior e também servido misturado com leite.

A incrível viagem do chá no mundo todo

Thursday, August 11th, 2005

Essa é uma coleção de textos que eu publiquei no mês de março, logo antes do segundo aniversário do chá. Resolvi republicá-los por pura saudade que me deu e porque chá é cultura, claro. Vamos lá.

Origem e tipos de chá

Mas afinal o que é chá? Camomila, erva-cidreira, hortelã, erva-mate são chás?
Não, não são.

O Chá é uma planta originária da China chamada Camellia Sinensis. Existem três categorias de chá, dentro das quais existem inúmeras variedades: o chá Verde (Sencha, Bancha), o chá Preto (Keemun) e o Oolong. A diferença entre os tipos de chá está no processo de manufatura da planta. O chá Verde é submetido a um processo de vaporização e depois secado. O chá Preto é submetido a um processo de fermentação antes de secar. O Oolong é semi-fermentado e vaporizado. Também existe o chá Branco (Bai Mudan ou Pai Mu Tan, Yinzhen Silver Needle ou White Peony) que não é fermentado, é vaporizado e depois secado. É o mais delicado dos chás, mais difícil de cultivar e consequentemente, mais caro.

Cores do Chá

A China produz os melhores tipos de chá Verde, Oolong e Branco do mundo. A Índia produz os melhores tipos de chá Preto.

O mais conhecido chá indiano é o Assam, que leva esse nome devido à província indiana onde é produzido. O Assam é um chá que produz uma bebida escura, amarga e de consistência licorosa. O mais caro e raro é o Darjeeling, apenas 3% da produção indiana é dessa variedade. O Darjeeling é cultivado a 2000 metros de altitude, no Himalaia, na província de mesmo nome, possui um aroma de uvas moscatel e flores e uma coloração mais clara que o Assam. O chá Nilgiri é cultivado no sul da Índia e produz uma bebida mais clara e de sabor suave.

Chá Branco - White Peony

Nota para Curiosos: Chá em chinês é “Tai” ou “TCha”. A palavra em inglês “tea” é uma corruptela da palavra “Tai”, originada pela dificuldade dos ingleses em pronunciar o “a” aberto.

Sonho com chocolate

Thursday, August 11th, 2005

Ainda não estou no escritório - estou indo para lá daqui a alguns minutos. Longa viagem de ônibus até a praça da Sé. É bom estar de volta ao centro da cidade. Há muitos, muitos anos eu não trabalhava em um endereço central, perto da confusão, com seus vendedores de prata e ouro, homens-sanduíche, mendigos, a catedral que bate a ave-maria pontualmente às seis. Não há muitos pombos, imagino onde eles foram parar. Detesto pombos, não estou sentindo falta deles. Todos os dias eu tomo chá mate com menta no Rei do Mate - por sinal há várias lojas dele por ali. E comprei uma coleção de fitas VHS usadas com títulos de filmes que eu queria muito para usar no curso de Direção de Arte para Cinema - baratos todos, comprados no Sebo do Messias.

Eu ainda não tinha contado a vocês, mas agora sou oficialmente a coordenadora dos cursos e seminários do Educine. Temos muitos planos e idéias, estou gostando muito de estar lá. A única coisa que me mata é o longo percurso do ônibus. Essa cidade não foi planejada mesmo para a gente morar em bairro e ter que ir ao centro diariamente. Falta trem e metrô. Ônibus é infernal.

E antes de ontem, à noite, finalmente após muito tempo, reencontrei uma grande amiga minha e fomos jantar juntas. Ontem eu fiquei pensando que eu queria muito contar à vocês sobre isso, porque foi uma noite perfeita, mais que perfeita. Mas tem tantas coisas nas conversas, no reencontro, naquelas horas que passamos juntas que são tão pessoais que eu não estou com vontade de contar detalhes. É uma amizade de muitos anos, que eu não reencontrava pessoalmente há muitos anos também. Estivemos cada uma de nós vivendo em realidades paralelas às nossas realidades habituais e paralelas uma à outra. É, essa é uma daquelas frases de Alice, I know. Mas não vai dar para explicar melhor do que isso.

O que dá para contar é que fomos a um pequeno e lindo restaurante francês próximo à Avenida Paulista, nos sentamos em uma varanda com uma leve atmosfera marroquina, coberta de azulejos pintados e quadros de anúncios e fotos antigos, bebemos vinho, comemos pratos fantásticos - com direito a sobremesa de chocolate - e ficamos até a madrugada conversando. Então, choveu.

E acho que apesar de eu adorar aquela propaganda do Johnnie Walker, somente esses dias eu senti na pele o conteúdo literal da mensagem: Keep Walking.

E de ontem para hoje, sonhei com mousse de chocolate.

Na segunda-feira, dia 15, vou até a Cinemateca assistir Casa de Areia, do Andrucha. É a sessão especial mensal ABCine. Vamos?

Fragmentos de Cracatoa

Tuesday, August 9th, 2005


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Fragmentos de Cracatoa

Amor embriaga

Saturday, August 6th, 2005

Punch-Drunk Love (2002)
“I have a love in my life. It makes me stronger than anything you can imagine.”

Direção de Paul Thomas Anderson
Com Adam Sandler, Emily Watson e Philip Seymour Hoffman

Paul Thomas Anderson dirigiu Cigarettes & Coffee (1993), Boogie Nights (1997) e Magnolia (1999). São filmes estranhos, incomuns, de temática complexa e desenvolvimento ainda mais complicado. Todos valem a pena serem vistos.

Punch-Drunk Love é um desses filmes estranhos e complexos e só funciona porque o personagem principal é interpretado por Adam Sandler.

Adam Sandler tem uma extensa filmografia. Airheads (1994) traz Brendan Fraser e Steve Buscemi como dois fãs de heavy-metal que invadem uma rádio para forçá-los a tocar sua fita demo. The Wedding Singer (1998) é uma comédia engraçadíssima, um dos melhores filmes de Sandler, onde ele é um cantor de casamentos apaixonado por Drew Barrymore. O filme é recheado de músicas dos anos 80, Sandler usa um terno mais cafona que o outro nos bizarros casamentos onde toca com uma banda que tem um cantor que imita Boy George. Em The Waterboy (1998) ele faz um “garoto da água” - o cara que serve água aos jogadores de futebol americano - que termina se revelando um grande jogador. Big Daddy (1999) é o filme que o fez realmente famoso, onde ele é pai adotivo de um garoto de três anos. Sandler fez também um monte de “bobagens de verão” - sempre que vir um trailer de um filme que possui a tarja “summer movie”, fuja! - conseguiu ficar muito famoso como comediante, embora nem sempre seus personagens sejam muito engraçados (talvez seja o humor americano, que nem sempre eu acompanho? Ele fazia Sarturday Night Live, suas aparições eram ótimas.)

Philip Seymour Hoffman é um ator incrível que sabe escolher bem seus filmes. Ele é um irritante estudante em Scent of a Woman (1992). Faz um gay que trabalha em cinema e é apaixonado pelo personagem principal em Boogie Nights (1997). Esteve em The Big Lebowski (1998) - dos irmãos Cohen - como como um dos puxa-saco do milionário que causa toda a trama do filme. Fez o enfermeiro de Magnolia (1999), uma atuação admirável que conquistou diversas críticas elogiosas. No mesmo ano, fez um riquinho mimado em The Talented Mr. Ripley (1999). Em Almost Famous (2000) ele fez o famoso editor e escritor Lester Bangs. E deu um show de interpretação em Love Liza (2002), como o inconsolável viúvo Wilson Joel.

Emily Watson é a anti-heroína por quem Adam Sandler (Barry Egan) se apaixona em Punch-Drunk Love. Emily Watson não é uma atriz de grande destaque em Hollywood e talvez por isso mesmo tenha sido escolhida para o filme.

Punch-Drunk Love é um filme inusitado. Mostra o personagem Barry Egan, um homem afável e controlado que mora sozinho, tem sete irmãs, vende luminárias para viver e como esse homem, ao descobrir a possibilidade do amor, realiza coisas que todas as pessoas sentem ou pensam em fazer, mas não fazem.

Eu confesso que nunca tinha pensado em comparar com Barry Lyndon até o habituée do chá Mr. Erwin Maack mencionar isso em um email. Os filmes estão mesmo de certa forma relacionados, Kubrick fez Barry Lyndon à luz de velas, mandou fazer uma câmera especialmente para poder filmar apenas com luz natural e velas, mesmo à noite, sem luz artificial. Kubrick pediu à direção de arte que fizesse todo o figurino e os cenários inspirados em pinturas inglesas do mesmo período histórico da história do filme. E por fim, ele filmou como se fossem quadros em uma exposição. Mr. Anderson inspira seu visual nos anos 50/60, inspirado nos antigos filmes technicolor - Barry passa o filme todo vestindo um terno azul como James Stewart em Vertigo; Lena usa vestidos vermelhos como Kim Novak, a jovem suicida de amor.

Ainda na comparação com Kubrick, Mr. Anderson estudou vários efeitos de fotografias para fazer o que ele chamou de “blossoms & blobs” e criar aqueles efeitos coloridos belíssimos e oníricos que aparecem entremeados às cenas e que dão a mensagem da “embriaguez”. Kubrick estudou vários efeitos especiais de cinematografia para fazer 2001, especialmente para a passagem no portal estelar. São efeitos de fotografia, nada de computador. Não há computadores nesses dois filmes - exceto para cometer erros no enredo, como Hal e sua embriaguez tecnológica e o controle do cartão de crédito de Barry Egan.

Coisas se quebram no filme, em várias passagens. O desentupidor inquebrável espatifa em milhões de pedacinhos. As portas de vidro da casa de uma das sete irmãs é destruída com fúria por Barry Egan. O banheiro do restaurante é estraçalhado. O vidro do carro dos “brothers” é destruído. Há cacos e cacos e cacos para todos os lados. O amor deixa milhões de caquinhos por toda a parte, onde passa.

Quantas pessoas não acreditam que se forem viajar, para longe, bem longe, encontrarão a felicidade que passaram a vida toda buscando? É essa a tentaviva de Barry. Viajar para longe é não precisar ser mais ele mesmo, é poder fugir de sete irmãs que ficam dizendo como ele é. Barry nega a si mesmo porque é tudo insuportável.

“I’m wearing this suit today because I had a very important meeting this morning and I don’t have a crying problem.”
No fundo, seu problema é o mesmo de todas as outras pessoas. Somos todos pessoas e todos nos estranhamos.

“I don’t know if there is anything wrong because I don’t know how other people are.”
No fundo ninguém gosta de si mesmo. E se não gosta de si mesmo, como pode amar?

“I wanted to ask you something because you’re a doctor… I don’t like myself sometimes. Can you help me?”

O amor é harmonia, mas para tocar com harmonia é preciso aprender a tocar. E ali está o harmônio, colocado na calçada, logo após um “car-crash” e retirado da calçada um segundo antes de ser atropelado por um caminhão. O amor é a harmonia entre desastres. Para aprender a tocar, primeiro é preciso aprender a ouvir. E para isso, primeiro é preciso se apaixonar e ficar embriagado, perder a razão. A razão não ama. Apenas a loucura ama.

Lena: “That’s insane.”
Barry: “I know… yes…”

Em Vertigo é o abismo, o salto para a morte. Amar é saltar em um abismo, embriagado, mesmo se tiver medo. Em Punch Drunk Love, amar é ficar vagando por corredores brancos em busca da porta do apartamento de sua amada, entre placas que apontam para a saída.

A certa altura do filme, Barry, com aquele seu jeito controlado que aparenta calma, mas que já sabemos que esconde uma fúria capaz de destruir banheiros, diz:
“I have a love in my life. It makes me stronger than anything you can imagine.”
É o ápice do personagem, marcando sua profunda transformação em uma nova pessoa.

Se Lena tivesse medo de Barry, mesmo depois que ele lhe confessou que tinha destruído o banheiro, o romance acabaria ali mesmo. Mas Lena também é contida. Ela também quer um amor. Ela apenas olha Barry com seus olhos cristalinos e aceita guardar segredo entre eles. O amor tem segredos.

Barry: “Ummm, let’s just… keep it between you and I, if that’s possible.”
Lena: “Sure, Sure…”

Em locais públicos eles finalmente expressam seu amor, se beijam, vivem o romance. Em locais públicos tudo é possível, porque somos todos anônimos, não somos nós mesmos. E quando deixamos de ser nós mesmos, então sim, o amor é possível.

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Vanilla Sky e o anseio do final do século XX

Friday, August 5th, 2005

Vanilla Sky (2001)
“What is any life without the pursuit of a dream?”
“It’s been a brilliant journey of self-awakening. And now you’ve simply got to ask yourself this: What is happiness to you?”
“Open your eyes.”

Direção de Cameron Crowe
Elenco:
Tom Cruise …. David Aames (o herói)
Penélope Cruz …. Sofia Serrano (a mulher misteriosa)
Cameron Diaz …. Julianna ‘Julie’ Gianni (a amiga passional)
Jason Lee …. Brian Shelby (o melhor amigo)
Cameron Crowe dirigiu o romântico “Say Anything…” (1989), o delicioso “Singles” (1992), o cult “Almost Famous” (2000) e “Vanilla Sky” (2001)

Abre los ojos (1997)
“Open your eyes.”

Direção de Alejandro Amenábar
Elenco:
Cast overview, first billed only:
Eduardo Noriega …. César (o herói)
Penélope Cruz …. Sofía (a mulher misteriosa)
Fele Martínez …. Pelayo (o melhor amigo)
Najwa Nimri …. Nuria (a amiga passional)

Alejandro Amenábar dirigiu três longa-metragens: Abre los ojos (1997), The Others (2001) (”Os outros”, suspense produzido por Tom Cruise e estrelado por Nicole Kidman) e o ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro Mar Adentro (2004) .

O que é que “Abre los ojos” e “Vanilla Sky” têm em comum?
- “Vanilla Sky” é a refilmagem hollywoodiana de “Abre los ojos”
- As duas versões contam com Penélope Cruz no elenco, intrepretando a mesma personagem.

O que é que Abre los ojos e Vanilla Sky têm de diferente?
- O estilo, o ritmo, as referências, a cultura que gerou cada um dos filmes
- O orçamento.

Todas as culturas referenciam outras épocas e outra culturas. É inevitável. Faz parte do repertório acumulativo que vamos construindo como indivíduos e como sociedades. Sempre foi assim, não é nenhuma novidade - embora muitas pessoas misturem o que é “referenciar” como que é “plagiar”, mas isso é um assunto extenso que ficará para outra oportunidade. Em Hollywood esse hábito está tão incorporado à cultura de cinema que consta no IMDB uma categoria especialmente feita para linkar filmes em filmes.

Eu gosto muito de Abre los ojos. Tive a sorte de assisti-lo antes de Vanilla Sky, meio por acidente (passou no Cinemax). O filme é lento sem ser maçante, intrigante, misterioso. Infelizmente, o final me deixou frustrada porque eu esperava algo melhor. Quando assistido na era pós-Dark City (1998), pós-Matrix (1999), pós Décimo Terceiro Andar (1999), deixa um sabor de prato requentado. A culpa não é do filme, Abre los ojos é anterior a todos esses filmes que eu citei. Se tem um filme que pode ser citado como o precursor da discussão virtualidade versus realidade, é Abre los ojos.

A linha narrativa de Abre los ojos bebe na fonte dos cineastas expressionistas e de suspense. Na lista de “links com outros filmes” do IMDB encontramos O Gabinete do Dr Caligari (1920) (o personagem principal se chama “César” numa alusão ao hipnotizado de Caligari), Vertigo (1958) (César tem medo de altura), O Homem Elefante (1980) (a deformação física de César após o acidente), Total Recall (1990) (filme baseado em uma novela de Philip K. Dick, questionando a realidade virtual e a realidade real), Jacob’s Ladder (1990) (pequena obra-prima de Adrian Lyne que questiona onde termina a realidade e começa o sonho através do trauma de guerra de um veterano do Vietnã), Os 12 Macacos (1995) (outra pequena obra-prima, do inglês Terri Gilliam, recheado de viagens no tempo e pragas apocalípticas) e a Estrada Perdida (1997), de David Lynch.

Os links de Vanilla Sky com outros filmes ainda traz alguns adicionais, bem interessantes: O Fantasma da Ópera (1925) (uma das coisas angustiantes na versão espanhola é a máscara usada por César, que se torna mais trágica mas mais leve na versão hollywood), Cidadão Kane (1941) (David, o personagem principal, é um jovem rei de uma indústria de comunicações e aparece em uma das cenas com uma prancha de surf que ele pintou quando criança), Jules & Jim (1962), de Truffaut, citado até com um poster e uma seqüência em flashback), Persona (1966) de Bergman (onde uma enfermeira funde sua personalidade com sua paciente de forma esquizofrênica), O Ano Passado em Marienbad (1961) de Alain Resnais (por causa das idas e vindas da história e do ploth de mistério em torno de um personagem em busca da mulher amada). Eu pararia por aqui, embora o IMDB me dê muito mais filmes nessa lista.

A narrativa de Vanilla Sky é muito mais “digerível” que a de Abre los ojos. É inevitável, pois Vanilla Sky é uma produção made in Hollywood. E Hollywood não admite que o espectador saida da sala de cinema com interrogações. Hollywood exige que a trama seja explicada e que não restem “finais em aberto”.

Estamos muito mais acostumados com a cultura cinematográfica hollywoodiana que a européia, especialmente quando se trata do cinema espanhol. Hollywood se impôs com muito mais força - comercial - em nossas salas de cinema e em nossa TV. A globalização, entretanto, e os próprios acordos comerciais estão trazendo um pouco mais do cinema espanhol até nós - um amigo meu me contou que assistiu Abre los ojos no SBT. É surpreendente. É o lado positivo da ida de grandes diretores europeus para Hollywood.

Apesar disso tudo, lendo os comentários dos usuários do IMDB fiz uma descoberta interessante: em geral as pessoas gostam mais do original espanhol do que da versão americana.

Pessoalmente, eu gosto dos dois. São dois filmes que contam a mesma história de modos diferentes, fica complicado compará-los. Percebe-se que Cameron Crowe refez Abre los ojos plano a plano, observando os detalhes do filme original e deixando o final mais “didático” - mais palatável às platéias americanas.

Vanilla Sky também é mais espetacular do que Abre los ojos, exatamente porque tem mais orçamento. A trilha sonora é um capricho à parte e já vale o filme (traz Radiohead, Paul McCartney, R.E.M., John Coltrane, Peter Gabriel, Sigur Rós, Chemical Brothers, Sinéad O’Connor, Bob Dylan, U2, Rolling Stones, Beach Boys). A fotografia é caprichada, os efeitos especiais são de primeira linha. Hollywood money.

Vale a pena assistir os dois, de preferência, vendo o original espanhol primeiro e depois a refilmagem hollywoodiana.

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Nova coluna no WebInsider

Thursday, August 4th, 2005

O texto Faça seu projeto dar certo está publicado no WebInsider. Façam uma visitinha por lá para dar uma olhada. O Vicente, editor-chefe do WebInsider, trocou o título, ficou muito mais com “cara de revista”: De idéia a projeto real, como dar o salto quântico.
Excelente!

Faça seu projeto dar certo

Wednesday, August 3rd, 2005

Volta e meia um amigo me telefona para me contar sua mais recente idéia mirabolante para ficar rico. Não tenho nada contra idéias mirabolantes, conheço várias que deram certo, se transformaram em projetos viáveis, encontraram patrocinadores e foram realizadas. O problema não é com as idéias. Idéias são ótimas. O problema é com a atitude das pessoas.
Meu amigo - como vários outros amigos já fizeram - apenas me sugere ao telefone a beleza mística de sua idéia. Eu escuto ele até o fim - como sempre faço - e quanto ele termina de falar, começo a fazer perguntas com toda a calma:

- Já verificou tudo que é necessário para a execução da sua idéia?
- Já planejou como realizar essas idéia?
- Que expertises serão necessárias?
- Quantas pessoas serão necessárias na realização?
- Qual é o orçamento necessário para realizar essa idéia?
- Qual o cronograma necessário para concretizar o projeto?

Meu amigo, como todos os outro amigos antes dele (com raras exceções), suspira e interpreta as minhas perguntas como sendo “má-vontade” ou “incredulidade” minha e termina o telefonema dizendo “pense na minha idéia”.

Interessante como algumas coisas ainda não mudaram no Brasil. Não é suficiente ter uma idéia e contá-la para as outras pessoas. Contar idéias é coisa de bate-papo de bar, em volta de garrafas de cerveja. Realizar idéias é muito diferente: é algo a se fazer com o computador, a calculadora e o telefone à mão, fazendo pesquisas, contatos, orçamentos, planejamentos. Não adianta ter uma idéia na mão e uma câmera na cabeça. Só isso não leva a lugar nenhum e o dono-da-idéia será mais um frustrado que irá dizer, nas rodas de bate-papo com cerveja “puxa, eu tive uma idéia sensacional mas ninguém quis realizar”.

Ontem quando eu voltava para casa passei por um out-door que alardeava sobre um curso de “como abrir sua empresa” e uma faixa de rua que anunciava cursos de “empreendedorismo”. O brasileiro PRECISA desses cursos. É interessante notar quantas pessoas abrem empresas sem nem saber quais impostos precisam ser pagos ou quais os custos mensais obrigatórios. Acham que empresas são “máquinas de emitir notas fiscais”. É interessante perceber que as pessoas não tem a mínima noção de empreendedorismo.

Não é culpa delas, veja bem. O Brasil tem uma história de centenas de anos de pensamento e ideologia anti-empreendedorismo. Os primeiros estrangeiros que desembarcaram por aqui vieram explorar, pegar o máximo que pudessem, enfiar na bagagem e voltar para a casa deles, do outro lado do oceano. Nenhum deles queria se assentar e viver aqui, embora muitos tenham assentado e vivido por aqui o resto da vida. Os primeiros estrangeiros que vieram para o Brasil com a firme intenção de ficar morando por aqui foram os imigrantes pós-libertação dos escravos. Até então ou vinham para explorar e voltar para casa ou eram trazidos contra a vontade para ser escravo! Com uma cultura tão tradicionalmente colonialista e escravagista, não me admira as pessoas ainda hoje não saberem nada de empreendedorismo. Fomos todos educados para ser funcionários, para obedecer ordens, para não ter opinião própria. Só recentemente as pessoas começaram a acordar para o problema: sem o tal “empreendedorismo” o país não vai a lugar nenhum, será sempre uma eterna monocultura de soja, laranja ou qualquer outro produto agrícola - como já foi monocultor de cana, algodão, café. Não sairemos da pré-história colonial sem empreendedorismo.

É por isso que eu sempre faço as tais perguntas que aborrecem meus amigos com suas idéias. Porque é preciso pensar em empreendimento, não apenas em idéia. Idéias todos têm. Nem 1% delas se transforma em um empreendimento viável. Para fazer o salto quântico de uma idéia abstrata e sonhadora para um projeto em pleno andamento, é necessário pensar nessas coisas chatas como orçamento, planejamento, investidores, viabilidade de execução, necessidades logísticas e materiais. Todas essas palavras e conceitos de contadores, economistas e outros profissionais chatos. O brasileiro não quer ter essas “profissões de chatos”. Quer sempre ser “artista” e “artistas” não pensam em números e menos ainda em dinheiro. Artistas apenas têm idéias mirabolantes e criativas. E é por isso que no Brasil existem tantas idéias geniais e tão poucos projetos realizados.

O brasileiro precisa começar a deixar de ser só artista e começar a ser mais matemático, financista, economista. Porque não existe projeto concreto sem essas coisas. Por mais chatas que sejam, são elas que transformam sonhos em realidade.

Um texto que andou e foi parar no Digestivo

Tuesday, August 2nd, 2005

O Julio, editor do Digestivo Cultural me avisa por email: o texto “Todos os amores acabam” que originariamente foi postado aqui no chá, acabou de ir parar no Digestivo Cultural.
Desconfio que ele ou “pegou” esse texto quando eu publiquei ou achou no cache do Google - ou ainda, o mais provável, pegou no Bloglines, que também grava tudo - porque escrevi exatamente na época que o ex-host perdeu os arquivos do chá - e eu não tinha mais esse texto! Quem quiser ler de novo, passe lá no Digestivo, porque aqui no chá tinha mas acabou.