Saturday, May 17, 2008

Chás de September, 2005

Reflexões matinais sobre o que as pessoas amam ou odeiam

Friday, September 16th, 2005

Estive lendo coisas.

Primeiro, li essa excelente… (resenha? crítica?) do Pedro Maciel sobre o livro da Hilda Hist, no Digestivo Cultural. Depois, li essa excelente… (outra vez! resenha? crítica?) do Michel Laub sobre o filme Dogville, também no Digestivo.

É, estou com reservas em nomear as coisas.

Ontem eu fiz… (fiz? lecionei? rapaz, estou com crise linguística!) um workshop de Direção de Arte no Planeta Tela. Tive a impressão de que as pessoas gostaram. Eu confesso que considerei que fiz um trabalho apenas mediano. Sei que tenho como fazer um workshop melhor do que o que fiz. Foi confuso. Eu estava cansada.

Um rapaz veio com questões referentes à “crítica”. Estávamos comentando sobre cursos de cinema e ele comentou sobre críticas&críticos. Nossa conversa me fez ficar pensando.

É interessante como o brasileiro, de uma forma geral, é hermético à críticas. Qualquer crítica, por menor que seja, instantaneamente se transforma num assunto pessoal. Não se pode criticar nada nem ninguém nesse país. Criticar, no Brasil, é ofensa. As pessoas não conseguem encarar críticas como algo construtivo, até porque, uma grande quantidade de pessoas também não sabe fazer críticas de modo construtivo, a crítica já nasce elaborada com a intenção de fazer o criticado se sentir inferiorizado.

É o horror, o horror.

Então, ontem, percebi que eu tenho aversão a que digam que eu faço “crítica de cinema”. Eu considero que apenas escrevo minha opinião pessoal - será que crítica é isso? É levar a público uma opinião pessoal? Eu confesso que não sei - e somente sobre coisas que considero que domino, como arte, por exemplo (que coisa, hoje estou em um oceano de incertezas: será que domino mesmo?).

Mas voltando às resenhas (ou críticas, não sei). Primeiro: como eu adoro Madame Hilst. Sou fã confessa. Quando eu crescer, quero ser a Hilda Hist. Segundo: como é interessante observar que ainda não resolvemos o problema das diferenças. Ser diferente ainda é crime para a humanidade.

As pessoas amam ou odeiam filmes (ou livros, ou arte, ou ainda, críticas) por causa da diferença. As pessoas (em geral) ainda desejam ardentemente a segurança e o conforto da unanimidade (ainda que seja uma unanimidade burra). A diferença, que deveria ser valorizada, porque faz parte do próprio mecanismo natural de sobrevivência das espécies no planeta, é condenada e rejeitada violentamente pelo ser humano.

No fundo, queremos todos ser monotamente iguais.

É o horror, o horror.

Now Listening: Nine Inch Nails - We’re In This Together - The Fragile (Left)
“well they’ve got to hate what they fear
well they’ve got to make it go away
well they’ve got to make it disappear…”

Coelhos cinematográficos em 30 segundos

Sunday, September 11th, 2005


The 30-Second Bunnies Theatre Library

O “Iluminado” e “Titanic” são meus dois favoritos.

O dia em que eu comi ostras

Sunday, September 11th, 2005

A foto vem da chic Amsterdan, enviada pela minha amiga Annix. A foto foi tirada por ela no dia em que eu comi ostras.

O dia em que eu comi ostras

O quinto dia

Sunday, September 11th, 2005

Mal chegamos ontem, às nove da manhã, na casa que nos serviria como locação e olha o que achamos bem na fachada?

Primeira cena do dia, Silvinha e o Rodrigo num quarto com uma bela luz da manhã… falsa, claro. O efeito ficou perfeito, mas tem uma luz fria por trás daquela cortina, se fingindo de luz matinal.

Um dos detalhes de cena, providenciados pelo departamento de Direção de Arte, ou seja, Patricia, Rogério, Daniel Roda e eu. O Daniel foi responsável pelas “estatísticas” que aparecem ao longo do filme. Não vou mostrá-las por aqui só por um motivo: surpresa!

Marta, nossa maquiadora, dá um jeito no cabelo do Rogério (Primeiro Assistente de Direção de Arte), que terminou com um ar “bad boy”.

Ontem eu fui de vermelho. Como eu ia ficar indo e vindo, ficava mais fácil me achar com um simples olhar pela locação - a casa tinha jardim, primeiro andar, segundo andar, era grande. No dia da filmagem na Presidente Altino, onde a equipe teve que se espalhar em duas estações, eu também estava de vermelho.


Fizemos a marcação de cena no restaurante Luna di Capri (na foto da marcação de cena temos o Calil, que está fazendo o making of e a Patricia, assistente da Direção de Arte), segunda locação do dia. A seguir, paramos para almoçar.

De volta ao trabalho, segunda cena do dia e última filmagem do filme! Depois dessa o filme está todo rodado, pronto para a próxima etapa.

Fim da filmagem. Fomos todos tomar cerveja!

Mas fiquem ligados, porque existem rumores de que uma nova filmagem com a mesma equipe se iniciará em breve…

Filmagem, dia quatro

Friday, September 9th, 2005

Quarto dia de filmagem. Um dia tranquilo. Não muito a comentar. As filmagens correram muito bem, os atores são sensacionais (nesse dia tivemos o Marcio Rosario e o Walter Figueiredo contracenando com o Rodrigo) e a equipe continua trabalhando de forma tranquila e sincronizada. Amanhã, último dia das filmagens.

A dona da casa de chá, sete de setembro, dia frio

Wednesday, September 7th, 2005

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OMG. It’s full of stars.

Mais fotos de filmagem

Wednesday, September 7th, 2005

A CPTM foi fantástica, autorizando para que filmássemos na estação Presidente Altino, com acompanhamento da segurança deles e empréstimo de uma sala para montar o camarim.

Tivemos alguns lances incríveis, como por exemplo, quando fomos filmar entrando no trem com a câmera em paralelo com a ação do Rodrigo (de camisa azul) entrando no trem por uma porta enquanto ele entrava por outra. Montamos um esquema sincronizado, com várias pessoas entrando junto com o cameraman, porque existe um espaço largo entre a plataforma e o trem. O cameraman, Emiliano, não teria como olhar para onde estava andando ao mesmo tempo que filmava. O Gonçalo, o Tiago e eu nos juntamos e guiamos, em grupo, o Emiliano na direção correta. Contando assim é um pouco complicado de visualizar e entender, mas basicamente, éramos quatro pessoas na beirada da plataforma, com o trem passando perto de nós na maior velocidade, ventando em cima de nós, enquanto os quatro andavam em conjunto unidos, saltando o espaço entre a plataforma e o trem, para o interior do trem. Isso vai aparecer no making of, vocês verão como foi.

A equipe do “Estatísticas” é uma equipe incrível. Trabalha sincronizada, com a máxima eficiência, aproveitando cada minuto do tempo. Ontem o tempo estava nublado, ameaçando chover. E realmente choveu, aos cântaros, logo depois que o Guga anunciou “É isso aí, valeu, terminamos!” ao final do último take.

As pessoas trabalham pesado, com animação e energia - experimentem correr pela rua assessorando o cameraman, carregando equipamento e evitando tropeçar nas pessoas. Ou subir e descer escadas várias vezes com malas nas costas para transportar coisas. Ou maquiar oito pessoas em menos de duas horas, como a Marta fez.

Academia de ginástica? Pra quê?

E ninguém reclama de nada, todo mundo mantém o bom humor - a quantidade de piadas é de rolar de rir - e trabalha coeso, sério, coordenado. Eu estou na melhor equipe de cinema do mundo. Dá um orgulho danado.

O resultado é esse que vocês vêem nessas fotos.

Frases de cinema

Tuesday, September 6th, 2005

Diretamente do blog do Erick.

“Respeitar o real não é acumular as aparências, senão o contrário, tirar tudo o que não é essencial, é chegar a totalidade na simplicidade.” - Roberto Rossellini.

“A beleza será convulsiva, ou não será.” - Breton

“Aquele que conserva a faculdade de ver, não envelhece.” - Kafka

“Eu amo aquele que deseja o impossível.” - Goethe

“O cinema nos proporciona a possibilidade de relacionar e confrontar o presente com o passado, a realidade com o sonho.” - Delluc

“É necessário que uma imagem se transforme no contato com outras imagens, como uma cor se transforma com outras cores. Um azul não é o mesmo azul ao lado de um verde, de um vermelho ou de um amarelo. Não há arte sem transformação.” - Luis Aller

O tempo e a idade

Tuesday, September 6th, 2005

“Comecei por me perguntar quando tomei a consciência de ser velho, e acho que foi pouco antes daquele dia. Aos quarenta e dois anos havia acudido ao médico por causa de uma dor nas costas que me estorvava para respirar. Ele não deu importância: é uma dor natural na sua idade, falou.
- Então, - disse eu - o que não é natural é a minha idade.
O médico me deu um sorriso de lástima. Vejo que o senhor é um filósofo, disse ele. Foi a primeira vez que pensei na minha idade nos termos de velhice, mas não tardei a esquecer o assunto. E me acostumei a despertar a cada dia com uam dor diferente que ia mudando de lugar e forma, à medida que passavam os anos. Às vezes parecia ser uma garrotada da morte e no dia seguinte se esfumava. Nessa época ouvi dizer que o primeiro sintoma da velhice é quando a gente começa a se parecer com o próprio pai. Devo estar condenado à juventude eterna, pensei então, porque meu perfil eqüino não se parecerá jamais ao caribenho cru que era meu pai, nem ao romano imperial de minha mãe. A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas e mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam.”
- Gabriel García Márquez, Memórias de minhas putas tristes

Eu sempre amei o Gabriel, desde que li Cem Anos de Solidão, quando tinha, sei lá, uns vinte anos.

Tenho uma magia especial e íntima com o que chamo de “meus contemporâneos”. São pessoas que tem a mesma idade - ou quase - que eu e a quem eu acompanho a vida, desde sempre. Nessa lista temos Trent Reznor, do NIN, que é de 17 de maio de 1965, sete meses mais velho que eu; Keanu Reeves, de 2 de setembro de 1964, dois anos e três meses mais velho que eu; Kurt Cobain, de 20 de fevereiro de 1967, sómente dois meses mais jovem que eu. Imaginem como fiquei horrorizada quando Kurt Cobain se suicidou.

E então temos pessoas incríveis da geração dos meus pais - ou ao menos, de idade semelhante à deles. Susan Sarandon, de 4 de outubro de 1946. Minha mãe é de 22 de julho de 1947. E Gabriel García Márquez, de 6 de março de 1928. Meu pai nasceu em 27 de maio de 1933.

Idade não é uma coisa curiosa?

Não sei se estou me tornando como meus pais. Acho que estou, sim. Eu me olho no espelho e vejo semelahnças com minha mãe, embora ela diga que eu sou “a cara deles lá”, se referindo à família do meu pai, que é do Rio de Janeiro. Ela tem um pouco de razão, eu sou mesmo muito parecida com eles, somos todos, eu e meus irmãos. A minha irmã é a imagem viva de nossa avó pernambucana, Dona Amélia, mãe de meu pai.

Mas Gabriel tem razão. O tempo passa e nos sentimos os mesmos. Os olhos alheios nos contam que estamos ficando velhos, ainda que por dentro sejamos a mesma pessoa, talvez apenas um pouco mais experiente, menos impaciente, mais triste.

Não sei. É um modo estranho de começar uma manhã, não é?

Final de semana agitado

Monday, September 5th, 2005

Esse foi meu final de semana:

Sábado

Domingo


Supercool, huh? Amanhã é pausa de produção (temos várias coisas a produzir ainda). Terça-feira voltamos a filmar. Stay tuned.

Sem Compromisso

Friday, September 2nd, 2005

Se você gosta de música, vídeoclipes, cinema, tecnologia e ainda não leu o blog do Rogério, não sabe o que está perdendo. Acabei de voltar de lá com uma lista de coisas para ler, ver e ouvir e uma lista de compras.

Ainda está aqui lendo isso? Vá lá.

Visão enviesada

Thursday, September 1st, 2005

“Um psiquiatra com quem converso me disse que a maior parte de nossa atividade cerebral está relacionada a limitar nossas impressões. Recebemos impressões demais e o cérebro está encarregado de atenuar tudo. O problema, portanto, com ‘pessoas como você’, como ele diz, - e tenho certeza de que ele quer dizer pessoas como eu e você - é que temos ‘filtros inadequados’. Em outras palavras, nossos cérebros não filtram bem, impressões demais são registradas. Digamos que as nossas impressões sejam um buraco em um pedaço de papel através do qual podemos olhar. Há diversas perfurações em torno do buraco, e podemos observar diversos lugares que nos são muito desagradáveis, em termos pessoais, lugares que, nos termos que o psiquiatra propõe, pessoas com bons filtros não vêem. Esses podem ser os lugares que mostramos em nossos filmes, que podem parecer experimentais aos olhos dos outros. Mas a ‘única’ questão é que temos maus filtros. Conseguimos olhar através da folha de papel. Estamos olhando há muito tempo. É por isso, igualmente, que você se torna capaz de criar coisas interessantes de olhar. É como propiciar aos espectadores um pequeno vislumbre de coisas mais fantásticas.”
- Entrevista com Lars Von Trier, na Folha

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Fotos de Dogville - 2003