Friday, August 8, 2008

Chás de October, 2005

O Rio de Janeiro continua lindo…

Thursday, October 27th, 2005

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O Rio de Janeiro continua sendo…
O Rio de Janeiro, fevereiro e março
Alô, alô, Realengo - aquele abraço!
Alô, torcida do Flamengo - aquele abraço!

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Chacrinha continua balançando a pança…
E buzinando a moça e comandando a massa…
E continua dando as ordens no terreiro

Alô, alô, seu Chacrinha - velho guerreiro
Alô, alô, Terezinha, Rio de Janeiro
Alô, alô, seu Chacrinha - velho palhaço
Alô, alô, Terezinha - aquele abraço!

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Alô, moça da favela - aquele abraço!
Todo mundo da Portela - aquele abraço!
Todo mês de fevereiro - aquele passo!
Alô, Banda de Ipanema - aquele abraço!

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Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia já me deu régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu - aquele abraço!
Pra você que meu esqueceu - aquele abraço!

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Alô, Rio de Janeiro - aquele abraço!
Todo o povo brasileiro - aquele abraço!
O Rio de Janeiro continua lindo
O Rio de Janeiro continua sendo
O Rio de Janeiro, fevereiro e março…

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Eu e Silvio Back, cineasta de muitos filmes, incluindo-se “Lance Maior” que tem trilha sonora de meu pai, o Maestro Carlos Castilho.

Now Listening - Aquele Abraço, Gilberto Gil, 1969

Google Woogle Toogle

Thursday, October 20th, 2005

Via Bibi.
Google is Dada. Woogle is dada. Toogle is dada.
Adorei.

As melhores capas de revista dos últimos 40 anos

Thursday, October 20th, 2005

Fui informada pela caixa da Bibi: a ASME (Sociedade Americana de Editores de Revistas) votou e escolheu entre 444 capas de revista que foram inscritas as 40 capas consideradas mais importantes dos últimos 40 anos. Então, fui atrás das capas, porque eu lembrava de algumas (a do Lennon é famosíssima e a da Demi Moore foi escândalo, porque ela aparecia nua e muito grávida). Confesso que a lista vencedora me desapontou porque, na minha opinião, todas as revistas que constam na lista têm capas muito mais interessantes e que foram mais importantes e significativas que as escolhidas.
A lista é essa aqui, já com link para algumas das capas que eu mais gosto:

1. Rolling Stone, 22 de janeiro de 1981, John Lennon e Yoko Ono.
2. Vanity Fair, agosto de 1991, Demi Moore.
3. Esquire, abril de 1968, Muhammad Ali.
4. The New Yorker, março de 1976, desenho de Saul Steinberg de Manhattan.
5. Esquire, maio de 1969, Andy Warhol.
6. The New Yorker, 21 setembro de 2001, ilustração do World Trade Center.
7. National Lampoon, janeiro de 1973, “If You Don´t Buy This Magazine, We´ll Kill This Dog“.
8. Esquire, outubro de 1966, “Oh My God - We Hit a Little Girl“.
9. Harper´s Bazaar, setembro de 1992, “Enter the Era of Elegance”.
10. National Geographic, junho de 1985, refugiada afegã.
11. Life, 30 de abril de 1965, feto de 18 semanas.
12. Time, 8 de abril de 1966, “Is God Dead?
13. Life, edição especial, 1969, homem na Lua.
14. The New Yorker, 10 de dezembro de 2001, ilustração do mapa de Nova York.
15. Harper´s Bazaar, abril de 1965.
16. The Economist, setembro de 1994, foto de camelos, “The trouble With mergers”.
17. Time, 21 de junho de 1968, “The Gun in America”.
18. ESPN, 29 de junho de 1998, Michael Jordan.
19. Esquire, dezembro de 2000, Bill Clinton.
20. Blue, outubro de 1997.
21. Life, 26 de novembro de 1965, prisioneiro vietcongue com olhos e boca cobertos.
22. George, outubro/novembro de 1995, Cindy Crawford.
23. The Nation, 13 de novembro de 2000, George W. Bush.
24. Interview, dezembro de 1972, Andy Warhol.
25. Time, 14 de setembro de 2001, World Trade Center.
26. People, 4 de março de 1974, Mia Farrow.
27. Entertainment Weekly, 2 de maio de 2003, The Dixie Chicks.
28. Life, 16 de abril de 1965, piloto moribundo e chefe de equipe de helicóptero.
29. (empate) Playboy, outubro de 1971.
29. (empate) Fortune, 1.º de outubro de 2001, homem coberto de cinzas perto do World Trade Center.
31. Newsweek, 20 de novembro de 2000, imagem de Al Gore/George W. Bush.
32. Vogue, May 2004, Nicole Kidman.
33. (empate) Newsweek, 30 de julho de 1973, Casa Branca de Nixon e um gravador.
33. (empate) Wired, junho de 1997, “Pray”.
35. New York, 8 de junho de 1970, “Free Leonard Bernstein!”
36. People, 15 de setembro de 1997, foto preto-e-branco da princesa Diana.
37. (empate) Details, fevereiro de 1989, Cyndi Lauper.
37. (empate) Fast Company, agosto/setembro de 1997, “The Brand Called You.”
37. (empate) Glamour, agosto de 1968, Katiti Kironde II
37. (empate) National Geographic, outubro de 1978, gorila com câmera.
37. (empate) Time, 14 de abril de 1997, Ellen DeGeneres.

“Magazine covers can reflect the society around them, by how controversial they choose to be’, said Johanna Keller, professor of magazine journalism at Syracuse University’s Newhouse School of Public Communications. ‘They’re absolutely a societal barometer of what we find acceptable to look at,’ she said.”
- The top magazine covers of last 40 years

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O Cinema pelos olhos da estética

Tuesday, October 18th, 2005

“O cinema prá mim tem uma origem estranha. Porque quando eu tinha uns oito anos e minha irmã uns dez anos, nós ganhamos um aparelho de 9,5 mm, com vários filminhos. Era de um tio avô meu, tio Júlio Barbosa. E nesse conjunto de filminhos tinha desde Chaplin até o ‘Gordo e o Magro’. Eram filminhos de 5 a 3 minutos, e nós ficamos encantados com esse brinquedo. Aquilo era um brinquedo, mas a rua inteira ficou ligada naquele cineminha. Minha irmã e eu até pensamos em ganhar um dinheirinho cobrando ingresso pelo cineminha. Mas minha mãe gritava lá de dentro: ‘Isso não é prá ganhar dinheiro…’ Acho que até hoje fiquei marcado por essa frase terrível: ‘Não é prá ganhar dinheiro’. ‘Está bom, então vamos brincar de cineminha’.”
- Entrevista com Mario Carneiro - por Lauro Escorel

“A literatura, às vezes, é uma voz embriagada que canta.”
- João Gilberto Noll (autor de “Harmada”)


Quem participou da sessão ABCine ontem, teve a oportunidade de ouvir de Mario Carneiro um pedaço da história viva do cinema no Brasil. Mario Carneiro contou ontem várias histórias, incluindo-se o “causo” de como Glauber e ele filmaram o premiado curta-metragem documental sobre o funeral de Di Cavalcanti.

A importância de assistir “Harmada” de Maurice Capovilla é que o filme nos traz pistas de como compreender a nossa atual falta de memória e cultura. “Harmada” é baseado no livro de mesmo nome de João Gilberto Noll. Não vou resumir o livro porque é irresumível, é necessário lê-lo para poder apreender o que o livro é exatamente. Lendo o livro, compreende-se mais profundamente as escolhas da filmagem feitas por Maurice Capovilla e Mario Carneiro em “Harmada”.

O filme, entretanto, não depende do livro: ele fala por si mesmo. Maurice tem uma trajetória de documentarista - o que traz naturalidade e fluência ao filme. Maurice filma mais relaxado e despreocupado do que aqueles que se educaram como profissionais no cinema publicitário, que possui sempre verba. Maurice faz um filme que possui a medida exata de preocupação de produção, sem escravizar-se a um orçamento existente ou não-existente, o que é muito saudável ao processo de filmagem, uma vez que o Brasil sofre de problema financeiro crônico no cinema nacional. A visão documentarista de Maurice simplifica o processo produtivo do filme, sem sacrificar a linguagem ou estética.

Mario Carneiro me pareceu estar gozando das delícias de finalmente ter se transformado em um mito vivo. Sorria, ao dar a sua entrevista-palestra falando sobre o filme, sua carreira e sobre si mesmo. É um dos muitos resgates que temos que fazer entre as pessoas que já produziram muita arte e cinema no Brasil mas que recebem pouco destaque, por não serem “criaturas comerciais da mídia televisiva”. Ainda mais que Mario, como ele mesmo comentou, já passou para a categoria “é um velho” e o Brasil, como país superpopuloso e colonizado que é, desvaloriza pessoas que deixaram a juventude para trás. Infelizmente, fomos engolidos pela cultura do eterno jovem, das superfícies vazias e do imediatismo. Absorvemos a MTV completamente, ainda que seja apenas forma e zero de conteúdo, sem nenhuma reflexão.

A fotografia de “Harmada” é impecável. É um exercício de virtuosismo. O enquadramento, os planos-seqüência, a montagem final, são clássicos, limpos. Mario, como ele mesmo se confessa, é um esteta. Não poderia deixar de ser, com sua origem nas artes. Essa preocupação e gosto pela estética transpiram pelo filme.

Pereio é sempre o bom Pereio, voz profunda, gestos contidos, interpretação na medida. Que falta faz ao cinema nacional mais atores que saibam interpretar personagens para o olho da câmera. Pereio não tem nenhum daqueles cacoetes insuportáveis dos atores televisivos das novas gerações nem dos atores que somente pisaram em tablado, Pereio sabe atuar com uma câmera recortando o olhar. Nesse ponto, o momento mais gostoso do filme é a cena onde ele contracena com Cecil Thiré, numa conversa entre amigos. São dois atores habituados ao cinema, em um diálogo que flui, numa cena bonita.

Tenho certeza absoluta que “Harmada” deve soar dissonante para quem conhece pouco da história do cinema brasileiro ou, pior, para as gerações mais jovens que foram privadas de um contexto cultural brasileiro, que desconhecem o que seria essa identidade cultural nacional, de onde vem essa identidade, do que é composta e que elementos possui. Os mais jovens foram criados alimentados com ritmos e elementos culturais totalment importados via mídia e derivados de culturas estrangeiras massificadas. Perdem o que é o significado das cores contrastadas, dos tecidos escolhidos para os figurinos, da luz dura tropical.

“Harmada” acaba sendo um filme complexo de entender a quem não possui contexto cultural. Acaba sendo um filme de águas estranhas, quando deveria surgir aos nossos olhos como sendo um universo familiar. E daí vem sua maior importância, o resgate de uma origem cinematográfica brasileira.

“Harmada” possui longos planos seqüência onde o objetivo é criar um tempo para permitir ao espectador desfrutar melhor das imagens que está assistindo. Tem a beleza da paisagem colonial de Paraty de pano de fundo para crises humanas profundas, com texto longo e rebuscado, sim, flertando com o teatro. Mario comentou que na sua opinião de cineasta teria colocado menos texto - Mario, além de fotógrafo e cinematógrafo é também cineasta de formação antiga, da era pré-especialização, possui uma riqueza cultural que está hoje se tornando rara, com formação de artista plástico e arquitetura e vivência profissional de artista plástico, arquiteto, fotógrafo, cineasta. O texto do filme, entretanto, não incomoda, é um texto bonito e dito de forma adequada. Quando é teatro é teatro, quando é cinema é cinema.

Ontem tivemos uma aula viva de cinema como poucas que se pode assitir por aí.
E quem ainda não assistiu “Harmada”, assista.

Leiam também:

- O Desafio da Luz Tropical - por Carlos Ebert, ABC
- Harmada e a representação invisível - Chico Faganello
- A polêmica saudação de Glauber a Di - Maria Eugênia de Menezes
- O experimental no cinema brasileiro por João Carlos Rodrigues

É a mãe!

Monday, October 17th, 2005

Em alguns lugares, a internet continua divertida. Fiquei curiosa em saber a idade dessa mãe citada. Provavelmente tem a minha idade. Blé.

Ah, sim, através desse mesmo blog, fiquei conhecendo uma comunidade do Orkut sensacional. Adoro surrealismos.

Samba do Crioulo Doido

Monday, October 17th, 2005

Rogério, my dear, fui procurar para você informações sobre o tal “Samba do Crioulo Doido”. Daí descobri cousas interessantes: o Quarteto em Cy gravou (em algum canto esquecido da minha memória eu já deveria saber disso, mas esqueci). Os Demônios da Garoa gravaram também (tenho uma vaga lembrança de ter escutado a gravação deles em algum dia perdido no passado da minha infância). Meu pai, volta e meia, cantarolava o samba pela casa, eis o motivo principal de porque o mencionado samba consta da minha memória. Definitivamente, desconfio que tem dedo dele nessa história toda, meu pai tinha gostos curiosos e um humor peculiar. Não me espantaria se alguém me dissesse que foi ele que sugeriu às Meninas em Cy que gravassem o samba.

O Stanislaw fez o samba para tirar um sarro dos samba-enredo das escolas do Rio, que já naquela época, andavam abusando de complicações e rococós nas letras. O link atrelado conta essa historinha. Divirta-se. Disco é cultura.

“Samba do crioulo doido” de Sérgio Porto (aka Stanislaw Ponte Preta)

Foi em Diamantina / Onde nasceu JK
Que a princesa Leopoldina / Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva / Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa / A se casar com Tiradentes

Lá iá lá iá lá ia / O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá / O bode que deu vou te contar

Joaquim José / Que também é
Da Silva Xavier / Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas / Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta / O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro / E acabou com a falseta

Da união deles dois / Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão/ E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história/ Que é dos dois a maior glória
Da.Leopoldina virou trem / E D.Pedro é uma estação também

O, ô , ô, ô, ô, ô / O trem tá atrasado ou já passou
O, ô , ô, ô, ô, ô / O trem tá atrasado ou já passou

Noitão no HSBC Belas Artes, the day after

Saturday, October 15th, 2005

Pré-estréia do Corpse Bride do Tim Burton. Foi o único que eu consegui assistir, na sessão das cinco da manhã, a terceira sessão. Ouvi dizer que passaram Dogma 3. Ouvi dizer também que tinha um filme francês, mas nem desconfio qual era. Em uma outra sala, parece que exibiram o Jardineiro Fiel, do Fernando.

O Léo da Pandora disse que ontem foram 1012 pessoas no Noitão. Foi uma noite récorde. A maior lotação do Noitão tinha sido 3 salas. Ontem lotaram as 6 salas do Belas Artes.

Eu trabalhei muito, muito. Tive a sorte de poder contar com a ajuda de pessoas inestimáveis no trabalho ontem. Nossa missão era divulgar a Educine, através de flyers e com sorteio de CDs. No meu time precioso, o Rogério, a Ângela, o Wagner, um amigo deles que eu esqueci o nome - eu o conheci ontem, sorry! - o Alexandre, a Thâmara (sempre com seu pique 220 volts), a Pat e a Ana (que prepararam todo o material). Eu consegui coordenar de forma razoavelmente organizada o trabalho - mas cá entre nós, são pessoas extraordinárias, criativas, nesse ponto meu trabalho foi pouco - e fiquei numa das catracas de uma das salas. Yes, eu me diverti muito, nunca tinha ficado na catraca de um cinema.

Vários amigos e alguns ex-alunos do meu curso de Direção de Arte apareceram, revi pessoas que não via há muito tempo.

Viramos a noite. Tomamos café da manhã às seis da manhã e ainda assistimos a palestra do Walter Webb, no Seminário de Direção Audiovisual da Educine. Uma palestra fantástica, todos os alunos adoraram.

Fiquei 31 horas acordada direto, trabalhando. Não sei dizer se isso foi algum récorde pessoal. Mas foi uma noite maravilhosa, especial. Eu aviso quando tivermos outra, ok?

Nota: Esqueci de comentar: o Inagaki estava lá e me encontrou bem no momento em que eu estava trabalhando na catraca de entrada da sala Oscar Niemeyer. Genial, divertidíssimo.

Flickr Toys

Friday, October 14th, 2005

Graças à Bibi, fiquei sabendo de alguns brinquedos interessantes do Flickr.
O resultado das brincadeiras pode ser conferido aqui.

Quem é você?

Thursday, October 13th, 2005

É reconfortante perceber que todas as pessoas, mas todas elas, sem exceção, em algum momento, se cansam de ser elas mesmas e querem ser alguma outra coisa completamente diferente do que são.

E enquanto isso, estamos assistindo a decadência e fim do Orkut. Só tem lixo eletrônico. Spam, spam e spam. Uma pena, era um projeto interessante que parecia que iria se tornar muito útil.

Transitoriedade

Tuesday, October 11th, 2005

A questão, mon amie, é a transitoriedade e aí sim, encontrei um escrito de Monsieur Simon muito interessante:

«Nenhum espírito humano consegue guardar na memória o que foi abraçado pelo olhar numa dessas incessantes fracções de segundo que o tempo faz sucederem-se a uma velocidade de tal modo vertiginosa que mal eu traço a última letra de uma palavra, se tornou passado o gesto do minha mão a desenhar a anterior. Escrevo para tentar lembrar-me do que se passou durante o instante em que escrevia.»

O tempo não existe e ao mesmo tempo, não pára. Incessante. Somos todos transitórios e talvez aí então, resida a terrível dificuldade.

Onde está o amor pelo outro, se meu objeto amado muda incessantemente diante de meus olhos e aquela figura que inspirou o sentimento cessa de existir um segundo após eu ter apenas colocado meus olhos nela? - e entenda-se que esse amor não é o clássico amor romântico idealizado, mas o amor universal que deveríamos ter uns pelos outros por sermos ao menos criaturas de uma mesma espécie compartilhando de um destino semelhante.

Onde está o propósito para as ações se apenas um segundo depois de um pensamento de decisão ter se eletrificado no cérebro, o momento passou e se a ação não foi ainda realizada poderá ser que jamais deixe de ser um devaneio? Tudo é transitório, nós somos transitórios. É essa a essência do rio que nunca é o mesmo rio e o homem que nunca é o mesmo homem.

O entendimento entre criaturas tão instáveis e várias é complicado nessa falta de condição de temperatura e pressão estáveis. Somos tão variados e tão transitórios, não há cálculo possível, apenas aventurar.

Obsessão

Tuesday, October 11th, 2005

A mim incomoda observar como algumas coisas que deveriam ser apenas temperos divertidos para continuar vivendo a vida se tornam facilmente obsessões. Por que o ser humano se torna obcecado? Por que o ser humano possui essa necessidade de pensar até a exaustão sobre um mesmo assunto? Ou ainda, por que o ser humano escolhe alguma coisa que parece uma fórmula simples e fácil para nortear sua vida e perde a capacidade crítica? A acomodação acontece com extrema rapidez. Precisamos ser instigados o tempo todo ou nos tornamos rapidamente criaturas inertes. O ser humano parece se deleitar em viver mergulhado em ilusões.

É intrigante.

Passei hoje no Post Secret. A mim parece que a percepção de que o ser humano é tragicamente igual em suas misérias e infelicidades é de uma certa maneira reconfortante para outros seres humanos tragicamente iguais em suas misérias e infelicidades. A mim espanta que tantas pessoas possam ao mesmo tempo ser tão miseravelmente infelizes e partilhar isso, em público, ainda que anônimo.

A igualdade praticada eficientemente através do compartilhar do pior do ser humano. O melhor do ser humano, ainda reservado para desfrute de apenas alguns.

Noitão no HSBC Belas Artes

Monday, October 10th, 2005

É sexta-feira agora, dia 14.
Programação:
Pré-Estréia: Corpse Bride de Tim Burton

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“There’s been a grave misunderstanding.”

Tem mais dois filmes programados, sendo um deles surpresa. A noite começa à meia-noite, segue pela madrugada e inclui café da manhã para os sobreviventes, na manhã de sábado. Teremos sorteio de DVDs, CDs e ingressos para cinema.
O ingresso custa R$ 15,00 para os 3 filmes, com café da manhã incluso.
Eu vou com meus asseclas.
Alguém mais?