E enquanto o poeta e eu bebíamos nosso chopp, mais um episódio surreal da série “Vida de Cinema” aconteceu: o garçom vem até a mesa e me aborda com um “Quando vai filmar? Ano que vem, né?” e eu fiquei confusa por alguns segundos imaginando como é que o garçom sabia aquilo, sem responder.
“Eu te vi na televisão, eu falei aqui no bar que você vinha sempre aqui. Falei para o pessoal: essa moça vem aqui, eu tenho certeza!” - disse o homem e então sim, eu entendi.
É mesmo, eu dei uma entrevista falando sobre direção de arte e cinema para um programa matutino da RBI, mas não contei para ninguém. Prefiro passar vergonha na TV sozinha.
Parece que as pessoas viram o programa, huh? Tive meus 15 segundos à la Andy Warhol.
O poder da TV sempre me assusta.
Monsieur esteve por aqui, passeando pela paulicéia. Fomos comer água ali em um boteco da Paulista. O poeta diz que a cidade é grandiosa. Grandioso, é o poeta.
Ontem e hoje, na ressaca pós-show, fui pesquisar notícias e fotos. Tinha um monte de imprensa atrapalhando a visão do palco durante o show todo, então eu supus que tivessem feito uma ampla cobertura.
Fui otimista demais.
O UOL postou notícias sobre o show em São Paulo. Deu destaque para Iggy Pop, os “patetas” e a banda adolescente dos “Charlotes”. Mike Patton foi notícia porque a imprensa sabe quem ele é. Falou-se levemente sobre NIN e sobre o Sonic Youth, mas ao menos colocaram uma pequena galeria de fotos para cada uma das “atrações” do show. Ignoraram completamente o show do Rio.
A cobertura da globopontocom falou sobre o cancelamento do show da Nação no Rio - o Rio sofre sempre com a desorganização - e nem menciona NIN. Cobriram o show de SP: um jornalista postou um comentário sobre o show em seu blog, falando mais sobre drogas que sobre rockn’roll.
O Terra fez uma cobertura burocrática. Tem uma foto de Trent Reznor. Uma foto do Sonic Youth. Algumas dos demais. Só. O Terra ao menos mencionou os dois. Na Globo, tirando o blog do tal jornalista, nem isso.
A MTV brasileira sempre foi apenas a “filial tupiniquim” da toda poderosa MTV americana, odiada por quase todos que fazem música não-comercial no mundo por sua postura caça-níqueis e censora. NIN sempre foi censurado, a MTV se recusa a exibir seus clipes e quando exibe, corta tudo que não gosta: “Closer” foi exibido na década de 90 com uma tela “scene missing” em todas as cenas que a MTV não gostava.
Just for the records, não foi apenas a MTV que censurou Trent, várias rádios e outros canais de TV pelo mundo fizeram o mesmo. A arte exibida em “Closer” foi, entretanto, reconhecida: o video de Mark Romanek faz parte da coleção permanente do MoMA, junto com “Bedtime Stories”, feito também por ele, para a música de mesmo nome de Madonna. Trent Reznor está muito bem acompanhado na categoria “censurado” por Radiohead, também censurado pela MTV em “Paranoid Android”, exibido com pontos de “blur” e em “Rabbit in your headlights”, que a MTV se recusou a exibir. Pois a platinada MTV tupiniquim nem noticiou o Claro que é rock. Se resumiu a uma nota de blog dizendo que vai colocar imagens no ar na programação do canal hoje, segunda-feira. Pela quantidade de notas de rodapé sobre o Tim Festival presentes na primeira página do site, desconfio que é uma questão de conflito de interesses comerciais.
O campeão da falta de atenção da imprensa, depois do NIN, foi o Sonic Youth. A imprensa brasileira praticamente ignorou a banda ao mesmo tempo que focou todo o interesse nos “lábios flamejantes” - o que era aquilo, por favor? - nos charlotes e em Iggy Pop.
A imprensa brasileira conhece pouco, não pesquisa nada e dá destaque apenas ao que está na moda, ao que toca nas FMs e tem clipes nos programas de “popularidade” da MTV. Ou o óbvio: bandas com mais de 30 anos de história.
Que saudade do Fabio Massari!
Informação adicionada posteriormente, em 29/11:
Mais uma reportagem, dessa vez, um pouco mais consistente (pelo menos comentaram todas as bandas, apesar do festival de clichés usados):
Apocalipse “O terror eletrônico do NIN (Nine Inch Nails), apesar do horário, também impressionou e obteve resposta efusiva do público. A apresentação de Trent Reznor foi como o anúncio do fim do mundo. Pesado, poderoso, o som do Nine Inch Nails é rápido e violento, com uma massa de guitarras, sintetizadores e bateria casada com melodias por vezes até mesmo doces que faz com que seja impossível assistir parado. Quando se percebe, já se está pulando –ou no mínimo, sacudindo a cabeça. O vocalista disse que era um prazer finalmente ter vindo tocar no Brasil. Que seja a primeira apresentação de várias.”- da Folha online
Comentário curioso que achei em um fórum: “Eu diria que o Trent Reznor é o Stanley Kubrick da música. Demora muito tempo para lançar algo, mas quando lança, lança uma obra-prima (e perturbadora =D)
Postado por Mahdi”
Jamais poderia ter definido melhor.
E um email de meu amigo Löis Lancaster: “Realmente, as pessoas têm gostos muito diferentes… eu e a renca de amigos que encontrei lá no Claro nos amarramos no Flaming Lips, no Sonic Youth, mas principalmente no FANTÔMAS! No NIN a galera já tava dormindo, e Iggy Pop foi burocrático… Mas é por isso que o mundo é interessante. E de qualquer forma, Bad Charlotte realmente era uma m****.
Bejo do Löis”
Meninos, eu estive lá. Rapaz, que show. Tudo que foi bom, foi ótimo. O que era ruim, era ruim de doer.
O local é legal. Tinha lama, muita lama, porque tinha chovido mais cedo, pela manhã. Perto da área onde se vendia bebida & comida era onde havia mais lama. É curiosa a relação da lama com o rock. Desde o primeiro Woodstock, passando pelo Rock in Rio. Rock & Lama.
Foi interessante perceber como a platéia claramente se dividia em grupos. Enquanto uma garotada acompanhava o show de uma banda estilo “beach rock” da qual eu nunca tinha ouvido falar, no palco Um - nem vou mencionar como a música dos tais “Charlotes” era fraca e ruim de doer, uma pálida cópia dos Beach Boys. Argh! - uma outra galera se reunia para esperar a Nação Zumbi, no palco Dois. Os perfis das pessoas eram claramente diferentes a um mero olhar. Estranhas criaturas “fashion victims”, assexuadas, sem identidade. Fico com a galera do Maracatu, muito mais genuinamente brasileiro, original e de rica sonoridade.
Nação Zumbi tocou “O Cidadão do Mundo”, “Da Lama ao Caos”, “Manguetown”, “Meu Maracatú Pesa Uma Tonelada” e músicas do novo CD. Sempre é um prazer assistir um show da Nação.
Depois da Nação, foi duro esperar NIN. Mas quem esperou por dezesseis anos para ver um show ao vivo de Trent Reznor & sua banda, esperou até o último show da noite - Trent entrou às duas da manhã, depois de muita banda ruim, só o show do Iggy Pop para felicidade de quem gosta de música boa, o resto era no mínimo lamentável.
A primeira vez que vi NIN ao vivo foi na cobertura do Woodstock de 1994, feita pela MTV. Trent era uma criatura selvagem e nervosa, coberta de lama, correndo pelo palco de botas militares e bermudas, jogando o microfone ao chão e quebrando instrumentos. Ao final do show, com um dedo sangrando, deu uma entrevista à repórter-barbie da MTV, num tom sarcástico, muitas vezes fazendo comentários cruéis às perguntas ingênuas e cheias de cliché feitas pela repórter.
Quem quiser conhecer mais sobre essa complexa mente musical, que reage mal ao mundo como ele é, está finalmente livre da heroína e do álcool e coloca tudo isso em suas letras, músicas e performances, leia essa reportagem inteira, que, inclusive, traz o vídeo do show de Woodstock de 1994 feito pela MTV. Leia também a entrevista que ele deu para a Rolling Stone. Vale a pena.
Trent está chegando aos 40. Eu também. Ele tem me feito companhia e tem me feito questionar a mim mesma desde meus 23 anos. Tem feito com que eu sinta que não estou sozinha na minha estranheza com o mundo, na minha hipersensibilidade artística, na minha própria dificuldade de me relacionar com o mundo, com as pessoas, comigo mesma. Adorei a resposta dele quando o repórter da Rolling Stone perguntou sobre como é atingir a idade dos 40 anos: “É apenas um número”.
Ontem, finalmente, eu consegui vê-lo ao vivo.
Depois de horas em pé em meio à lama e ao caos, lá veio ele, com um show de luzes de alta tecnologia, um som de alta qualidade e uma performance incrível, que só fizeram com que eu o respeite ainda mais como músico, engenheiro de som e cantor.
Eu não sabia qual seria a seleção. E foram as minhas favoritas: “Wish”, “Sin”, “The Line Begins to Blur”, “March of Pigs”, “Terrible Lie”, “The Frail/The Wretched”, “Closer”, “Burn”, “With Teeth”, “Only”, “Suck”, “Hurt”, “The Hand That Feeds”, “Starfuckers Inc” e “Head Like a Hole”.
Rapaz, eles tocaram até “Burn”.
Trent quebrou dois microfones, jogou um terceiro para a platéia e ao final da performance, ele e o guitarrista quebraram suas guitarras.
Ontem à noite eu tinha dezesseis anos de novo. E ao mesmo tempo, meus 39. E pela primeira vez desde que eu conscientizei esses 39 anos, eu me senti muito, muito bem. Tem sido uma aventura e tanto. Tem valido a viagem.
Thank you so much for be such a great company, Trent.
Monsieur, não o odeie, please.
É um banner divertido: o “gato e o violino” é referência a uma das poesias infantis da Mamãe Gansa: “Hey, diddle, diddle!
The cat and the fiddle,
The cow jumped over the moon;
The little dog laughed
To see such sport,
And the dish ran away with the spoon.”
Fui a um lugar chamado Aman, uma casa ali na Av. Miruna, 396 (Moema, São Paulo - SP) que mistura árabe e grego em um só local. Quem me levou lá foi um grande amigo meu a quem eu não via há alguns meses. O local é delicioso, com uma iluminação quente e reduzida, para dar um clima aconchegante. O chão é coberto de tapetes, há tapeçarias e véus nas paredes, véus nos tetos, com lâmpadas de metal recortado em arabescos, papiros nas paredes. Muitos itens estão à venda: narguilés, fumo, papiros, bijuterias, instrumentos musicais.
Um conjunto musical tocava magníficas músicas árabes do século X, com cítara, alaúde, percussão e outros instrumentos árabes. Comemos pão sírio crocante e quente com diversas pastas temperadas, um prato típico maravilhoso que é uma espécie de “lasanha” feito com beringela, temperos e carne, tomamos um coquetel de anis, rosas e limão. Também tomei chá de “Karkadeh” ou Karkady, um chá de hibisco que eu mencionei por aqui recentemente, falando em chá egípcio. Tem um sabor que lembra framboesas e é realmente vermelho como nas fotos.
Narguilé e coquetéis de rosas e anis
Chá de Hibisco, o Karkady
Fumamos um tabaco de rosas inebriante e magnífico no narguilé e completamos a noite com um excelente Sade Kahve, café estilo turco, forte, com o pó na xícara, sem açúcar, que eu também já havia mencionado antes por aqui.
Sade Kahve
Recomendo o local, foi uma noite especial, ainda mais com o clima quente e gostoso que fazia hoje na cidade.
A cerimônia do chá coreana chama-se “Panyaro” (gotas de sabedoria que iluminam). Ao contrário da cerimônia japonesa, que possui uma complexidade de procedimentos, a cerimônia coreana é muito mais simples, pois os coreanos acreditam que o mais importante é manter a naturalidade, saber apreciar a bebida e a companhia - conceitos muito mais semelhantes aos da cerimônia do chá chinesa.
Na cerimônia do chá, uma única pessoa (mestre na arte) preside, prepara e serve o chá. Usa-se um conjunto de instrumentos (ch’a-gi) para preparar o chá. Como no Japão, o chá é servido em tigelas (ch’at-chan) e, como na China, uma chaleira pequena (ch’at-chonja) é usada para prepará-lo. A água quente é colocada em uma tijela, usada para derramar a água na chaleira e nas outras tigelas. Essa água tem como propósito aquecer os utensílios, é usada e descartada.
A erva do chá é inicialmente colocado em uma tigela pequena e então colocada na chaleira com pauzinhos, à moda chinesa. Água quente é adicionada à chaleira e o chá é deixado por uns minutos em respouso, para curtir. Cada taça de chá deve servida individualmente e levada a cada convidado pelo próprio anfitrião ou por um assistente. Após servir todos os convidados, não pode sobrar água na chaleira.
Cada convidado bebe sua taça de chá segurando-a com as duas mãos. Primeiro, deve-se apreciar devidamente a cor do chá, depois sentir o aroma e só então beber. Ao final dessa primeira rodada de chá, uma nova rodada é preparada com água um pouco mais quente que a primeira e servida. Delicados doces são servidos acompanhando o chá.
Esse texto encerra a série “A Volta ao Mundo do Chá” que foi originalmente publicada aqui no nosso chá online em abril de 2005, comemorando dois anos de chá.
Existe um dito popular chinês que diz que mesmo antes de dizer “olá” para alguém que você encontra, você deve perguntar: “já tomou chá hoje?”. Os chineses se preocupam muito mais com o chá e com seus convidados do que com o ritual de servi-lo. Servir chá aos amigos e convidados deve ser, antes de tudo, uma arte de amizade, hospitalidade e celebração da vida. O chá é considerado na China como “a coisa mais bela da natureza” e cada tijela de chá simboliza o reflexo da vida como um todo, em todos os seus aspectos.
A arte chinesa de preparar chá chama-se “Cha Dao”. Primeiro, a qualidade da água é importante. Não se deve usar água destilada, nem água tratada, o ideal é utilizar água pura de fonte, ou seja, água mineral. A água deve ser previamente fervida mas é importante observar que tipo de chá será preparado: o chá preto precisa receber água fervente, o chá oolong precisa receber água quente e o chá verde deve receber sempre água com temperatura inferior a 70 graus. Esses cuidados irão preservar e acentuar o aroma e o sabor do chá.
Primeiro o anfitrião escolhe a chaleira que será usada para preparar o chá. Existem chaleiras de diferentes cores, formatos, feitas com diferentes técnicas cerâmicas. Um verdadeiro estudioso da arte de servir chá saberá escolher e adquirir chaleiras diferentes que possuam características especiais e costuma possuir uma coleção delas. O anfitrião apresenta a chaleira a seus convidados. A história daquela chaleira é contada, como foi feita, onde foi encontrada, como foi adquirida. Os convidados apreciam a chaleira.
A seguir o anfitrião mostra o chá que será preparado. O chá mais popular na China é o verde (bancha), seguido do oolong e o chá preto, que os chineses chamam de “chá vermelho” (hongcha). O tipo de chá servido na cerimônia é um chá de qualidade superior ao que é servido acompanhando as refeições. Os especialistas em chá escolhem pessoalmente que tipo de chá compram, realizando até mesmo viagens para poder adquirir chás de alta qualidade por toda a China.
Diferente dos japoneses, que maceram a erva-chá até virar pó, os chineses picam as folhas de chá em pequenos pedaços. O anfitrião mostra a erva-chá aos convidados, explica que tipo de chá é aquele, onde foi produzido e quais suas características. Os convidados apreciam a cor das folhas e o aroma.
As folhas de chá são então colocadas na chaleira usando-se palitos finos e longos. A água quente é derramada sobre as folhas do chá em um único fio - não se pode deixar a água formar bolhas para que não forme espuma. A chaleira é coberta por um lenço, para abafar.
A seguir o anfitrião coloca as pequenas e delicadas xícaras de louça em círculo sobre uma bandeja. As xícaras não devem ser servidas com o chá uma a uma, mas todas de uma vez. É preciso perícia nesse ato, para não derramar chá na bandeija e não pode sobrar água na chaleira, pois a prolongada imersão das folhas de chá deixa o sabor do chá amargo.
As xícaras são passadas aos convidados. Cada um deve primeiramente sentir o aroma do chá, antes de beber. Chás de boa qualidade possuem aroma rico e um sabor diferente do aroma. Após essa primeira rodada de chá, a chaleira é novamente cheia com água quente. Folhas de chá de qualidade permitem que se prepare de cinco a seis rodadas da bebida.
O chá é tão importante na cultura chinesa que é servido em casamentos e outras ocasiões especiais, sempre seguindo-se esse ritual. Diferente da cerimônia de chá japonês, os chineses não servem alimentos junto com o chá cerimonial.
A cerimônia do chá no Japão - “Chado” (Caminho do Chá) ou “Chanoyu” (água quente para o chá) - foi desenvolvida a partir dos conceitos de contemplação, purificação e elevação do espírito do Zen Budismo. Os quatro princípios do “Chado” são:
- WA: Harmonia
- KEI: Respeiro
- SEI: Pureza
- JYAKU: Tranqüilidade
O principal objetivo da cerimônia do chá é elevar o espírito de todos os participantes. A cerimônia do chá não pode ser realizada sem estudo e preparação. Os mestres da cerimônia do chá estudam durante anos. Não basta servir o chá, é preciso conhecer cada um dos símbolos usados, cada um dos movimentos, o significado dos diferentes tipos de incenso, dos diferentes pratos servidos. Cada objeto e detalhe da cerimônia do chá precisa ser cuidadosamente escolhido e preparado: o tipo da louça, as flores usadas, o incenso que será queimado, os lenços de seda bordados, as tigelas de chá. Todos os itens são escolhidos de acordo com a época do ano, a estação, a solenidade do evento, a atmosfera que se deseja criar.
Existem dois tipos de cerimônia do chá: a cerimônia simples, o “Chanoyu”, onde serve-se apenas o chá e a cerimônia completa, o “Chaiji”, onde serve-se uma refeição completa antes de servir o chá.
O Chaiji pode levar até quatro horas para terminar e só pode ser realizado se o anfitrião tiver em sua casa o ambiente apropriado à cerimônia, o chashitsu, uma sala construída à parte da casa principal, em meio a um jardim, utilizada apenas para esse propósito.
Os convidados, preferencialmente em número de quatro, são recebidos ao chegar na casa pelo hanto, o assistente do anfitrião, são levados por ele para o machiai, uma ante-sala, onde retiram seus sapatos. Os convidados são então levados para o roji, um jardim interno onde poderão lavar as mãos em um tsukubai, vasilha de pedra cheia de água fresca, própria para essa função.
Os convidados sentam-se no koshikake machiai, ou seja, o sofá da sala de espera e enquanto aguardam o anfitrião (teishu), elegem um deles para ser o convidado principal que irá liderá-los em toda a cerimônia. O anfitrião chega, cumprimenta os convidados e os guia até o tsukubai onde cada um purifica as mãos e a boca. Depois disso todos atravessam a entrada da sala onde será servido o chá, normalmente fechada por portas corrediças e com uma abertura muito mais baixa que uma porta convencional, obrigando as pessoas a se ajoelharem no chão para passar. Esse ato de entrada simboliza a passagem entre o mundo material cotidiano e o mundo espiritual do chá, no momento da cerimônia não há diferenças sociais entre os participantes, são todos iguais. Todo esse cerimonial é feito em silêncio.
A sala principal onde irá ocorrer a cerimônia do chá não possui nenhuma decoração, exceto por um canto da sala chamado tokonoma onde se pode ver um pergaminho (kakemono) pendurado na parede. Esse pergaminho tem uma escritura budista feito por especialista em caligrafia que revela o tema da cerimônia. Os convidados apreciam o pergaminho e a seguir examinam o kama (chaleira com a água quente para o chá) e o furo, onde é colocado carvão para aquecer o ambiente e é queimado incenso. O anfitrião cumprimenta todos os convidados que se ajoelham no tatami, organizados de acordo com sua representatividade na cerimônia do chá.
Se a cerimônia estiver sendo feita completa, esse é o momento de se começar a servir o chakaiseki, a refeição que precede o chá. Essa refeição ainda não é o momento principal da cerimônia, apenas uma preparação para servir o chá, esse sim, o momento mais importante. Os convidados recebem os hashi (pauzinhos de cedro para usar como talher) e são servidos com sake. A refeição é dividida em três partes: hashiarai onde são servidos alimentos crus como peixe acompanhado de molhos, nimono onde são servidos alimentos cozidos e yakimono onde são servidos alimentos grelhados. A refeição toda é acompanhada de arroz e sake e ao final todos comem um doce chamado omogashi.
Depois de comer, os convidados saem para o jardim e o anfitrião se prepara para servir o chá. O pergaminho na parede é substituído por flores e os utensílios para o chá são colocados em uma bandeija de bambu (tana) diante do tatami onde os convidados se sentarão para beber o chá.
A tarefa de preparar e servir o chá é considerada uma verdadeira arte, mais de uma dúzia de utensílios são usados. Cada item possui uma representação simbólica e deve ser usado apropriadamente, de forma cerimoniosa e respeitosa. Os convidados retornam à sala, após se purificarem com água novamente e se ajoelham no tatami para o chá.
Nenhum dos itens usados na cerimônia de preparar e servir o chá pode ser tocado pelos convidados, somente pelo anfitrião. O chá verde (matcha) é colocado em uma taça de cerâmica e então macerado com o chasen lentamente até virar pó. A tigela é coberta por um lenço de seda (fukusa), o anfitrião coloca uma chaleira com água fervente ao lado dos utensílios do chá, purifica uma tigela para cada convidado com água e depois seca com um diferente fukusa. A seguir ele coloca um pouco de água quente na tigela onde está o pó do chá, misturando-o levemente com o auxílio de um utensílio de bambu.
A tigela então é oferecida para que os convidados a apreciem, um por um. Eles admiram a tigela em si e o aroma do chá fazendo elogios apropriados à ocasião. O anfitrião coloca mais água quente na tigela e serve as tigelas individuais de chá aos convidados, um a um. O chá deve ser completamente servido, não pode sobrar líquido na tigela. Todos apreciam e saboreiam o chá. O anfitrião recolhe todos os utensílios, lava-os e seca com lenços de seda.
Um segundo chá é preparado, um chá mais fraco que o primeiro (usacha) mas feito também de chá verde. Essa parte da cerimônia tem como propósito devolver o espírito dos presentes ao mundo terreno. São servidos doces secos (higashi) com esse segundo chá. Ao final, todos fazem uma reverência e os convidados se retiram, ficando o anfitrião na entrada da casa de chá.
Há alguns anos, eu era uma assídua jogadora de The Sims. O jogo me entusiasmava tanto - e a mais 16 milhões de outros jogadores - que eu comecei a fazer addons. Tenho hoje guardado em backup uma coleção de mais de 600 objetos, 2000 skins e 100 meshes.
Muitas coisas mudaram na minha vida e eu não acompanhei o lançamento e evolução de The Sims 2, que hoje conta com dois pacotes de expansão.
Navegando no site oficial do jogo, fiz algumas descobertas interessantes, entre elas um jogador que desenvolve uma série de mistério chamada Strangehood e um concurso de vídeos que teve participação da MTV e da USC School of Cinema-Television.
É interessante observar como a linguagem cinematográfica - algo extremamente complexo e obscuro para muitos brasileiros - é natural nos americanos. O fato deles possuírem uma indústria altamente desenvolvida e em funcionamento faz com que a cultura do cinema - ainda encriptada e misteriosa para a grande maioria da população brasileira - seja natural à eles, tanto quanto a cultura televisiva é natural à nós.
Os vídeos feitos pelos jogadores apresentam linguagem cinematográfica - o que, claro deve ter sido ainda mais facilitado pelo próprio software do jogo.
Fiquei curiosa em ver como isso funciona no jogo e qual o grau de dificuldade de fazer um vídeo - e quais os recursos apresentados automaticamente pela câmera interna do jogo. Fiquei também curiosa em verificar como os jogadores brasileiros estão se relacionando com o imenso universo de possibilidades oferecidas por TS2.
Vamos ver como as coisas se desenrolam na minha vida, porque para poder pensar em jogar TS2, primeiro eu preciso comprar um computador melhor do que o meu pobre atual PC jurássico.