Saturday, May 17, 2008

Chás de November, 2005

Chá egípcio

Friday, November 11th, 2005

Os egípcios convivem com diferentes hábitos a respeito do chá. O chá não é uma bebida tradicional egípcia, ele foi inserido no Egito inicialmente pelos seus vizinhos de cultura árabe (junto com o café) e posteriormente seu uso foi adaptado pelos ingleses. As casas de chá egípcias misturam essas duas influências, é possível beber o chá no estilo turco (servido em copos de cristal, acompanhado de cubos de açúcar) ou inglês (servido em xícaras acompanhado de bolos e doces). Nas ruas, vendedores ambulantes de chá servem o chá no estilo turco.

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No Egito o chá mais fácil de encontrar é o Karkady, o Chá de Hibisco, mas nem mesmo esse chá é originário do Egito, ele foi trazido do Sudão. O hibisco é uma flor de pétalas vermelhas e o chá é feito com essas pétalas secas. As pétalas são colocadas em uma tigela, cobertas com água fria por umas duas horas e depois essa mistura é fervida em uma chaleira. O líquido é filtrado em um tecido e as pétalas são devolvidas na chaleira, que é cheia novamente com água. O processo é repetido até que as pétalas percam sua cor. O chá de hibisco é servido com cubos de açúcar e em copos de cristal, como os sudaneses servem.

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Chá russo

Friday, November 11th, 2005

Os russos começaram a beber chá sómente no século XVIII, muito depois dos ingleses. Na época já existia na Rússia uma tradicional infusão de framboesas e ervas medicinais preparada com água fervente, mas não era a erva do chá. Devido a esse hábito até hoje um dos chás mais apreciados na Rússia é o chá preto aromatizado com framboesa.

A peça tradicional de preparo do chá russo chama-se “Samovar”, que em russo significa “o que ferve por si mesmo”.

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Vejam no gráfico: o carvão em brasa é colocado no tubo central, aquecendo a água em volta dele. Acima, vai uma chaleira com chá preto e água quente, a infusão é preparada concentrada. Do lado do Samovar existe uma torneira, através da qual se adiciona mais água quente à xícara já servida com a infusão forte que veio da chaleira de cima. O Samovar nasceu na Rússia e se espalhou pelo mundo.

Samovar russo e xícaras de cristal - Image hosted by Photobucket.com

O chá sempre teve um cultivo limitado na Rússia e por isso o consumo sempre esteve restrito à alta sociedade russa, que procurou copiar diversos hábitos ingleses, considerados elegantes. O chá russo é uma refeição luxuosa, servida com baixelas de prata e cristal, acompanhado de tortas de maçãs, bolos e outros doces.

Eis aqui uma receita típica russa de biscoitos para acompanhar o chá que eu encontrei:

Bolinhos russos - Image hosted by Photobucket.com

1 xícara de margarina ou manteiga, batida cremosa
1/2 xícara de açúcar refinado
1 colher de chá de baunilha
2 1/4 xícaras de farinha de trigo
3/4 de xícara de nozes picadas bem fininhas
1/4 de colher de chá de sal
Açúcar de confeiteito para polvilhar

Misture a margarina, o açúcar e a baunilha em uma vasilha larga. Bata bem e misture os demais ingredientes. Em uma forma rasa, coloque os biscoitos às colheradas sobre papel-manteiga amanteigado e asse em forno bem quente. Depois de assado, polvilhe os biscoitos ainda quentes com o açúcar de confeiteiro.

Não experimentei fazer ainda, mas baseado na minha experiência com biscoitos - eu sempre preparo na época do Natal - essa receita deve ficar ótima. Se alguém experimentar fazer me avise como ficou, por favor.

It’s tea time, madam

Thursday, November 10th, 2005

Os ingleses são os verdadeiros entusiastas do chá. Para os ingleses, todas as horas do dia são boas para um chá. Não há regras rígidas nem limites no chá inglês. Todas as variedades de chá são usadas (preto, oolong, verde, chás aromatizados) assim como todos os pratos que se puder imaginar para acompanhar o chá. O lema inglês parece ser “quanto mais, melhor”. Todo esse entusiasmo fez com que os ingleses cunhassem vários termos em sua língua para designar a hora do chá (teatime): early morning tea, morning tea, eleven just tea, lunch tea, afternoon tea, high tea, after dinner tea.

O mais famoso horário do chá é o “Afternoon Tea”, que se inicia às 4 da tarde. O chá é servido acompanhado de sanduíches (outra invenção inglesa), bolos, tortas, geléia e biscoitos.

O chá já era conhecido e usado na Inglaterra desde o final do século XVII. O chá já era consumido tanto em casa quanto em casas de chá. Inicialmente as casas de chá não eram “casas”, eram “Tea Gardens”, jardins fechados que somente a alta sociedade inglesa podia frequentar. Os Tea Gardens foram criados com o objetivo de proporcionar ambientes “socialmente aceitáveis” onde as damas solteiras da sociedade pudessem ir - geralmente acompanhadas por um irmão ou primo - para tomar chá com as amigas. O objetivo do chá era mais social do que alimentar.

O “Afternoon Tea” começou com a Duquesa de Bedford, em meados de 1800. A duquesa sentia falta de uma refeição entre o almoço (lunch, servido pontualmente ao meio-dia) e o jantar (dinner, servido entre 8 e 9 horas da noite). A Duquesa começou a tomar o seu chá da tarde acompanhado de sanduíches de sardinha, scones, pastries e outras finas iguarias preparadas pelo seu padeiro pessoal. Rapidamente o chá da tarde se tornou um evento social e uma refeição finíssima. Foi somente nessa época que começaram as elegantes e exclusivas Casas de Chá (Tea Houses).

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Pastries, sconces e outras iguarias para o chá. Chique, não?

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Afternoon Tea

O “High Tea” normalmente é confundido com o “Afternoon Tea”, até mesmo pelos ingleses, que consideram o nome High Tea mais elegante para denominar o chá principal do dia. Enquanto o Afternoon Tea é um chá da tarde acompanhado de pães e doces, o High Tea é mais semelhante a um jantar completo: o chá é servido acompanhado de carne, ovos, peixe, queijo, pão e manteiga. Entretanto o nome ficou e hoje em dia poucas pessoas chamam o famoso “chá da tarde” inglês de Afternoon Tea.

A Irlanda, como parte do Reino Unido, herdou a tradição do chá, mas adaptou seu uso. O chá foi introduzido na Irlanda em 1835. Em gaélico xícara de chá é “cupan tae” e é preparado com chá preto concentrado, açúcar e leite. O açúcar e o leite são adicionados à xícara primeiro e o chá é derramado quente sobre o leite, formando espuma. O chá é servido em três horários, o Morning Tea às 11:00 horas da manhã, o Afternoon Tea das três às cinco da tarde e o High Tea às seis da tarde. Assim como na Inglaterra, o Afternoon Tea é elegante e servido com biscoitos, bolos e doces e o High Tea é servido como jantar.

Chá tibetano

Wednesday, November 9th, 2005

É comum na cultura oriental beber-se o chá salgado (ao invés de adoçado) e também usá-lo como base para preparar outros alimentos. Na Índia e em toda a região da Mongólia bebe-se chá salgado; na Índia, na China e no Japão é comum utilizar chá misturado ao arroz, sopas ou ainda para cozinhar carnes.

O chá servido no Tibet é preparado de uma forma única: salgado, misturado com leite de iaque e manteiga (também feita de leite de iaque). O chá usado é o chá verde (bancha), que é importado da China compactado em tijolos. Os tijolos de chá transformaram a tarefa de fazer chá em um processo complexo que pode demorar horas.

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Tijolo de chá verde, importado da China

Primeiro, o tijolo de chá é macerado para desmanchar. A erva é adicionada a um caldeirão grande cheio com água já fervente e a bebida é fervida durante um longo tempo para produzir um chá muito concentrado. Esse chá forte é chamado “chaku” e usado como base para o preparo do chá tibetano.

Para preparar o chá que será realmente bebido, os tibetanos fervem água limpa em uma chaleira e adicionam um pouco do “chaku” à essa água fervente. Ainda com a água muito quente, adicionam leite de iaque, sal e manteig de leite de iaque. A seguir, colocam a bebida em algum recipiente para que possa ser batida. Em tempos mais modernos é comum usar-se um liquidificador, mas tradicionalmente a bebida é colocada em “batedores manuais de manteiga” ou churn (veja a foto abaixo).

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O chá precisa ser muito bem batido, os ingredientes tem se misturar completamente e o chá ficar espumante. O chá é servido muito quente.

Eis o produto final:

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O sabor dessa bebida é rústico e estranho ao paladar não-oriental. Muitas vezes adiciona-se especiarias ao chá - gengibre, canela, cravo - e serve-se o chá acompanhado de pão com manteiga. A bebida é muito usada devido às baixas temperaturas no Tibet, o leite e a manteiga auxiliam a manter o corpo aquecido e alimentado.

Os tibetanos não tiveram permissão dos chineses para produzir chá em “tijolos” até 2002, quando finalmente foram autorizados a abrir sua própria fábrica de tijolos de chá para resolver um problema sério de saúde pública. A população do Tibet estava apresentando sinais de fluorite, uma doença causada por acúmulo de flúor nos ossos, que debilita e danifica a ossatura. Pesquisadores e médicos analisaram a água, o solo, o leite do iaque e não encontravam a fonte do excesso de flúor que estava sendo ingerido pelos tibetanos, até que decidiram analisar o chá. O processo de fervura do chá em tijolos para fazer o “chaku” faz com que o flúor contido no chá se precipite e concentre em quantidades acima do que seria saudável consumir. A partir dessa descoberta, a China autorizou o Tibet a fabricar os tijolos de chá para seu próprio consumo, preparados especialmente para serem fervidos longamente, como é a tradição cultural local.

Chá indiano

Wednesday, November 9th, 2005

O chá mais bebido pelo maior produtor mundial de chá preto é… o chá preto (Assam). O chá preto é a única variedade de erva de chá que pode ser fervida, a fervura não amarga o chá nem altera seu sabor: a bebida torna-se mais concentrada, adquirindo uma coloração vermelho escura. A maneira mais popular de beber chá na Índia é o “chai“: primeiro prepara-se o chá própriamente dito, a seguir adiciona-se leite frio adoçado com açúcar, derramando-o à distância para que forme muita espuma.

Vendedor de chai nas ruas de Delhi - Image hosted by Photobucket.com

Ao contrário do Marrocos, que em suas misturas com ervas procura preservar o sabor original do chá verde, na Índia o chá preto é temperado para que adquira um forte sabor das especiarias que são fervidas juntos com a erva do chá. Existem diferentes variedades de chai, preparado com adição de diversas especiarias: canela, cravo, cardamomo, gengibre.

O chai é vendido nas ruas, nos cafés e até mesmo nos trens - o sistema de transporte mais popular na Índia - pelos Chaiwallahs, que preparam e servem a bebida. Cada um dos Chaiwallahs possui sua receita pessoal de chai, combinando quantidades diferentes de especiarias. Essa receita pessoal é o que garante o sucesso das vendas de um Chaiwallah e a fidelidade de sua clientela.

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Chá iraniano

Tuesday, November 8th, 2005

Continuando a série sobre chá.

Diferente dos turcos, mecionados anteriormente, os iranianos não apreciam café e o chá preto é a bebida mais consumida no Irã. Em todas as cidades iranianas encontra-se luxuosas casas de chá.

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O chá (Cây) mais popular no Irã é o chá preto (Assam), preparado bem forte. O chá é servido em copos de cristal sem adoçar e acompanhado de um jarro com cubos de açúcar. Para beber, coloca-se o cubo de açúcar na boca e bebe-se o chá quente. Os iranianos servem o chá também acompanhado de pão tradicional iraniano (nân, um pão seco em formato de panqueca, feito com trigo duro e não fermentado) coberto de mel. As casas de chá ainda oferecem narguilés (hookas) para que seus clientes fumem junto com o chá.

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A grande maioria dos frequentadores das casas de chá é do sexo masculino, porque a mulher iraniana pouco sai de casa por causa dos costumes religiosos, restritivos à freqüência feminina em locais públicos. O ambiente da casa de chá foi pensado para ser um ambiente predominantemente masculino.

Coisinhas divertidas para se fazer online

Monday, November 7th, 2005

Generators. YahooMadTea.

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Definições? Excesso de palavras?

Friday, November 4th, 2005

Se eu ficar definindo tudo em palavras, mas tudo mesmo, como parece ser o principal ofício e preocupação de alguns pensadores, será que terei algum tempo para viver as coisas ao invés de descrevê-las? Talvez seja melhor viver e deixar para descrever - por escrito - quando a aposentadoria chegar.

Ao mesmo tempo me fascina quando as coisas, após terem sido postas em movimento - continuam a mover-se, sozinhas, como que encantadas, acontecendo ao meu redor.

Vale o quanto escreve

Wednesday, November 2nd, 2005

Meu blog vale $32.178,78 (trinta e dois mil, cento e setenta e oito sei-lá-que-moeda e setenta e oito sei-lá-que-cêntimo-de-moeda). Quanto vale seu blog?
Achei essa bobagem no blog do Ina. Eu adoro uma bobagem.

Às vezes eu acho que nós bem que podíamos ter umas festas mais legais aqui nessa terra tropicalis….

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Passei o dia trabalhando, mas não vou dar detalhes aqui. Já fiz um mini-relatório na capa do chá.

E ontem eu assisti um show ao vivo do Chris Rock. O rapaz passou uma hora fazendo piadas sobre casamento e - graças a deus - nenhuma delas era politicamente correta. Lá pelas tantas ele falou uma das coisas que mais me pareceu ter bom senso de todas as bobagens que já escutei na vida:

“Os homens sempre vão perder discussões com as mulheres porque eles sempre procuram ter razão. As mulheres não estão preocupadas em ter razão, estão apenas manifestando seus sentimentos”.

É curioso como a Idade da Razão e o Iluminismo se recusam a morrer, ainda que estejamos no século XXI.

Mudando o visual do chá

Tuesday, November 1st, 2005

Mudei o layout aqui do chá. Enjoei do anterior. A foto do fundo é de um restaurante da Vila Madalena.
Tem outra novidade: finalmente instalei uma Galeria que funciona muito bem. Precisa se registrar para comentar as fotos.