Friday, May 9, 2008

Chás de January, 2006

Aniversário de Mozart

Saturday, January 28th, 2006

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Adeus, Chris Penn

Thursday, January 26th, 2006

Chris Penn foi encontrado morto em seu apartamento. Irmão de Seann Penn, era um grande ator, atuou em “Cães de Aluguel”(Quentin Tarantino) e muitos outros filmes.
Que coisa.

Interiores

Friday, January 20th, 2006

Fotos tiradas em dezembro/2005 quando gravei entrevista para o programa da Sevilha Nogueira numa loja de decoração que serve como locação para o programa, nos jardins.

Mais Jardineiro Fiel

Thursday, January 19th, 2006

A notícia vem da lista dos sócios da ABCine:

BAFTA - THE ORANGE BRITISH ACADEMY FILM AWARDS
2005 NOMINATIONS (presented in 2006) - ou seja, indicados ao prêmio:

FILM - THE CONSTANT GARDENER - Simon Channing Williams
THE ALEXANDER KORDA AWARD for the Outstanding British Film of the Year - THE CONSTANT GARDENER - Simon Channing Williams/Fernando Meirelles/Jeffrey Caine
THE DAVID LEAN AWARD for Achievement in Direction - THE CONSTANT GARDENER - Fernando Meirelles
ADAPTED SCREENPLAY - THE CONSTANT GARDENER - Jeffrey Caine
ACTOR IN A LEADING ROLE - RALPH FIENNES - The Constant Gardener
ACTRESS IN A LEADING ROLE - RACHEL WEISZ - The Constant Gardener
THE ANTHONY ASQUITH AWARD for Achievement in Film Music - THE CONSTANT GARDENER - Alberto Iglesias
CINEMATOGRAPHY - THE CONSTANT GARDENER - César Charlone
EDITING - THE CONSTANT GARDENER - Claire Simpson
SOUND - THE CONSTANT GARDENER - Joakim Sundström/Stuart Wilson

O maior orgulho é a indicação de César Charlone. É um grande rconhecimento para um diretor de fotografia que imprimiu em um filme inglês uma estética totalmente brasileira.
Agora, torcer.

“Qualquer filme brasileiro é melhor que qualquer filme estrangeiro”

Thursday, January 19th, 2006

Texto retirado do Reduto do Comodoro, blog do diretor Carlos Reinchebach:

Nós sabemos que as lendas surgem naturalmente da tradição oral; que a história do mundo e os evangelhos sofrem a ação sistemática da interpretação de seus narradores e tradutores.
Atribui-se ao saudoso mestre, intelectual, escritor e crítico Paulo Emílio Salles Gomes, a frase: “Qualquer filme brasileiro é melhor que qualquer filme estrangeiro”. A frase, inclusive, foi estampada numa das belas camisetas do canal Brasil.
Na verdade esta frase nunca foi dita; pelo menos, não desta maneira. Ela foi “esboçada” (ou “traduzida”) indiretamente do fanzine CINEGRAFIA, número um (e único), que era editado por Eder Mazini, Inácio Araújo e Carlos Reichenbach; com as colaborações de Jairo Ferreira, José Mario Ortiz Ramos, Renato Petri, Ivan Maglio e Ozualdo Candeias.
Em Cinegrafia, Paulo Emílio Salles Gomes, numa polêmica entrevista de capa, a respeito de sua notória militância a favor do cinema brasileiro, disse exatamente o seguinte:
“Nós tentamos seguir de perto toda a produção brasileira atual, sem nenhuma exceção. Eu compreendo que isto é uma coisa laboriosa, difícil, frequentemente ingrata mas que em última análise é culturalmente muito mais satisfatória. A gente encontra tanto de nós num mau filme (brasileiro) - que pode ser revelador em tanta coisa da nossa problemática, da nossa cultura, do nosso subdesenvolvimento, da nossa boçalidade - inseparável da nossa humanidade, que em última análise é muito mais estimulante para o espírito e para a cultura cuidar dessas coisas ruins do que ficar consumindo no maior conforto intelectual e e na maior satisfação estática o produto estrangeiro.”

“Thumbsucker” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”

Thursday, January 19th, 2006

Cinema, Aspirinas e Urubus
O filme funciona melhor se você não souber nada, absolutamente nada sobre ele. Então não vou falar nada. Vão assistir, vocês não vão se arrepender. A interpretação de João Miguel é um primor, um prazer a mais em um filme excelente.

Thumbsucker
Ponto alto: o elenco, acima de tudo, que tem Vincent D’Onofrio, Vince Vaughn, Tilda Swinton, Keanu Reeves e Benjamin Bratt entre os “nomes famosos” em interpretações excelentes. Lou Taylor Pucci, que faz o adolescente protagonista do filme, é estreante e mostra muito talento.
Ponto baixo: Apesar de ter alguns planos lindos, uma trilha sonora diferente do usual e uma linda fotografia, o filme não chega lá. Propões diversas questões interessantes mas não se aprofunda em nenhuma. Termina nos dando uma sensação de “água com açúcar”, de matinée. É pena, porque a idéia central do filme é muito interessante.

Cinema asiático

Tuesday, January 17th, 2006

Assisti hoje novamente The Eye (Jian gui (2002)). Ninguém hoje no mundo sabe fazer filmes aterrorizantes como os os chineses e os japoneses - aliás, especificamente, o diretor japonês Hideo Nakata - porque os japoneses, diferente dos estadunidenses, que apostam sempre no “Gore”, utilizam em seus filmes um terror lento, psicológico, pouco descritivo e pouco gráfico - e eu desafio alguém que esteja lendo esse texto a assistir The Eye e não sentir a nuca arrepiar de medo na seqüência onde a moça pega o elevador de olhos fechados, aflita, porque tem um homem no elevador que não deveria estar lá.

Como os estadunidenses tem um problema crônico de incapacidade de assistir filmes que não sejam falados em inglês, que não tenham astros estadunidenses nem tramas explicadinhas - o chinês The Eye vai ser refilmado, assim como foram refilmados os filmes de Nakata, The Ring, The Ring 2 e Dark Water (refilmagem dirigida pelo brasileiro Walter Salles e único na lista que escapou de despencar para o “Gore” porque Waltinho preferiu se manter no estilo de “terror psicológico”).

Mas o mais interessante não é isso. Assisti agora à noite uma série de entrevistas com diretores de cinema asiáticos que estavam presentes no Festival de Toronto, realizado em agosto de 2005 e foi curioso ouvi-los se queixar basicamente das mesmas coisas que os cineastas brasileiros se queixam. A primeira das queixas é de que a maioria dos filmes asiáticos não são distribuídos nem exibidos fora da Ásia - apenas os filmes de terror, os de estilo Shao-Lin (por exemplo, o Clã das Adagas Voadoras) e as comédias. Os cineastas reclamaram que existem muitos filmes de outros estilos que não saem da Ásia, filmes experimentais, filmes mais intimistas, dramas, etc.

A falta de distribuição não é um privilégio brasileiro.

Saiba mais:
Toronto International Film Festival

Precisamos de menos certezas e mais dúvidas

Monday, January 16th, 2006

Ontem uma pessoa fez um comentário a meu respeito que me surpreendeu. É uma pessoa que eu considerava que não tinha nenhuma especial predileção pela minha pessoa - ao contrário, eu pensava mesmo que não gostava muito de mim. Nas vezes que encontro a pessoa, me sinto pouco à vontade. Fico quieta. Surpreendentemente, essa pessoa realmente gosta de mim, fez uma observação ontem que demonstrou seu afeto.

As nossas certezas precisam ser constantemente questionadas. Lembro-me de um amigo meu que sempre dizia “as pessoas erram muito por considerarem algumas coisas como certas” - e no duplo sentido, certo de “certeza” e de “correto”. Duvidar aumenta o nosso conhecimento e crescimento.

Quem diria, a mencionada pessoa gosta de mim. Eu não diria.

E o Orkut says…

Friday, January 13th, 2006

Sorte de hoje:
“Conhecimento é a única virtude e ignorância é o único vício.”

Oh, a vida online! É tão bom ter meu provedor pessoal virtual de biscoitos da sorte… aí passei no Google, que é dono do Orkut, para pegar uma xícara de chá virtual para acompanhar o biscoito da sorte e terminei fazendo uma brincadeira com uma linda arte que encontrei:

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Vejam aqui as lindas artes de David Lanham, inclusive o original dessa imagem

Editando: É mesmo, hoje é sexta-feira 13.

Coincidência?

Friday, January 13th, 2006

Curioso. Visitei agora pouco cinco blogs que eu não conhecia. Os cinco tem links “compre o livro” - um livro, veja bem, de coisas já publicadas no blog. Parece que essa coisa de transformar blog em livro virou regra. Vamos ter que publicar o chá, então.

Elephant (2003)

Friday, January 6th, 2006

Tagline: “An ordinary high school day. Except that it’s not.”

“Troubles were like having an elephant in your living room.” - Bernard MacLaverty em Elephant (1989)

O filme de Gus Van Sant está em exibição desde o final de novembro no canal a cabo Cinemax. Eu tinha assistido esse filme apenas uma vez, quando foi lançado, em 2003. Já assisti mais duas vezes desde que começou a passar no Cinemax.

Por que eu gosto de Van Sant? Por Drugstore Cowboy (1989), pelo shakespeariano My Own Private Idaho (1991), Good Will Hunting (1997) e por Finding Forrester (2000). Há quem critique Good Will Hunting e Finding Forrester por serem “cinema comercial” mas não há autor nem diretor de cinema que sobreviva se não revezar filmes autorais - cuja tendência é ganhar muitos prêmios mas realizar baixa bilheteria - com filmes comerciais - que podem não ganhar prêmios, mas com bilheteria bem sucedida, garantem a permanência dos cineastas no mercado para que possam fazer os filmes autorais.

Elephant é um dos filmes mais lindos que eu já assisti. O fato de ser baseado em uma história real violenta poderia ter dado origem a um filme cliché, apelativo, panfletário. Mas não na mão de Gus Van Sant. O que compõe a estranha beleza leve, melancólica e trágica do filme é a fina combinação entre a equilibrada e apurada técnica cinematográfica, a narrativa construída a partir de imensos planos-seqüência, os grandes vazios silenciosos e contemplativos, pausas para o espectador absorver e digerir o complexo filme que está assistindo e a escolha criteriosa do elenco - dizem que com exceção de três atores profissionais, todos no papel de “adultos”, o elenco inteiro é formado por adolescentes da região de Portland que não são atores profissionais. Talvez seja por isso que o filme, apesar de ser uma “ficção baseada em história real” nos passa a impressão de realismo.

Na minha opinião, o realismo começa na própria maneira de ser de Van Sant, seu modo de dirigir os filmes, sua forma de ver o mundo, de analisar o modo de vida e a cultura estadunidenses. Van Sant é um dos poucos diretores estadunidenses que ao invés de se afogar em sua própria cultura pop e extremamente capitalista, consegue mostrá-la de um modo diferenciado, deixando transparecer um imenso amor pelas pessoas e pela cultura, mas apontando as muitas falhas que ele percebe.

Tive o prazer de poder assistir em agosto do ano passado uma palestra do montador Mike Rhuman onde ele analisou Elephant e comentou sobre a maneira especial e peculiar como foi filmado, como foram feitos grandes planos-seqüência que depois foram “desmontados” e “remontados” entre si, compondo uma narrativa temporal não-linear mas perfeitamente compreensível. Foi o próprio Van Sant quem montou seu filme. Talvez Elephant seja seu filme mais autoral.

“So foul and fair a day I have not seen.” - frase dita pelo personagem “Alex” em “Elephant”, citando MacBeth, 1.3.38

O nome do filme - “Elefante” - para mim era um mistério. Segundo as críticas que andei lendo remete ao conto indiano dos cegos, que jamais tinham visto um elefante na vida, tateando o animal e tentando defini-lo, sem sucesso. Essa é a magia do filme de Van Sant? Talvez. Como definir e explicar o que aconteceu naquela escola naquele dia comum, quando não se tem informações completas para definir o que é o “elefante”? Refleti sobre o bizarro nome, que me remeteu a várias outras citações, todas sempre envolvidas com o conceito de um problema que não desaparece facilmente, difícil de resolver: “um elefante incomoda muita gente”, “memória de elefante”, “elefante branco”, “elefante na loja de louça”, “elefante na sala”… É especulação? Não encontrei uma entrevista de Van Sant para conferir.

Para realizar Elephant, Van Sant assistiu as gravações feitas pela câmera de vigilância da escola de Columbine, entrevistou os adolescentes que comporiam seu elenco e propôs a eles que pensassem e opinassem sobre questões relacionadas à vivência em escola e o que aconteceu em Columbine. A maior parte da filmagem foi feita com improvisos, sem texto fixo decorado pelos jovens não-atores. Van Sant colocou sua câmera como o olhar de alguém que segue cada um dos personagens-chave de uma forma quase documental. Há poucas informações sobre quem são os personagens, não há opiniões ou julgamento, não há explicações sobre os motivos das ações, não há especulação. Apenas os fatos, mostrados como aconteceram, com poucas alterações.

Um filme que me intriga, pela estranha beleza ao contar uma história aburdamente violenta. Uma beleza que choca por ser bela em um contexto horrível. “O horror, o horror, o horror”.

monstro: do Lat. monstru; s. m., ser organizado, cuja conformação se afasta mais ou menos da que é natural à sua espécie; animal ou objecto de grandeza extraordinária; ente fantástico das lendas mitológicas; pessoa cruel, desumana, perversa; o que é extremamente feio; assombro, prodígio.

monstruoso: adj., que tem a configuração de um monstro; que é contrário às leis naturais; anormal; disforme; excessivamente feio; horrendo; assombroso; descomunal; desmedido; extraordinário.

“Speak, if you can: what are you?” - MacBeth, 1.3.50

O filme começa mostrando um carro avançando lentamente por uma rua residencial, limpa, organizada, com casas suburbanas, gramados bem cortados e árvores outonais. O ambiente mais normal e “american dream” possível. O carro começa a cambalear de um lado ao outro da rua, como se o motorista estivesse tendo muita dificuldade em manter o rumo. O espectador é convidado a imaginar o que está acontecendo durante longos minutos até que finalmente a situação real é revelada: é o pai de um rapaz, embriagado, que está dirigindo, levando o filho até a escola. O carro pára, o filho retira o pai do volante e assume a direção: o diálogo revela que ele ainda não tem habilitação. Coloca-se o primeiro dilema do filme, com uma metáfora importante: o adolescente sem habilitação deve deixar um adulto embriagado dirigir o carro, correndo o risco de um acidente, ou deve assumir a direção, apesar de ainda não possuir total capacidade e autorização para isso?

O filme continua lentamente, apresentando os personagens um a um até finalmente revelar qual é o assunto principal da história. Os personagens são mostrados em sua simplicidade e banalidade, realizando suas tarefas diárias, os fatos vão sendo apresentados como ocorreram, de forma simples e crua. O verbo “shoot” em inglês tem múltiplos significados, tirar uma foto, lançar uma bola de basquete para a cesta, chutar ou lançar uma bola ou ainda, dar um tiro em alguém. Todos esses significados são explorados nas imagens do filme.

Girl in Cafeteria: What are you writing?
Alex: Uh, this? It’s my plan.
Girl in Cafeteria: For what?
Alex: Oh, you’ll see.

Em meio à “normalidade” cotidiana, surgem os dois meninos, carregando pesadas sacolas, vestidos com roupas estilo exército, camufladas. A reação do personagem “John” quando passa por eles elimina qualquer dúvida sobre o significado da entrada desses dois personagens na trama. Ali estão os dois personagens do horror: são dois garotos jovens, bonitos, de famílias médias e comuns que carregam o horror dentro de si e em suas mochilas.

“Come what come may, Time and the hour runs through the roughest day.” - MacBeth, 1.3.147

O espectador é pego desprevenido ao perceber o que é que realmente vai acontecer; o suspense passa a ser uma longa agonia: quando começa o tiroteio? Quais personagens irão se safar dos garotos armados? Quais estão condenados? Como irá terminar a ação?

O filme vai e volta, vai e volta, nos apresentando personagens e situações cotidianas ao mesmo tempo que mostra os dois garotos, que se prepararam por muito tempo para sua ação destrutiva.
Mais jovens nos são apresentados em situações cotidianas comuns. Professores conversam com seus alunos sobre as atividades diárias, aulas, trabalhos, avaliações.

Assistir a um grupo que debate sobre intolerância, preconceito, liberdade é um tormento, a cena é lenta, a câmera passeia de personagem em personagem, o espectador já sabe que o debate ali é inútil porque o horror já está a caminho. Não há avisos, não há sinais. Cada minuto ali naquela sala é um desperdício.

A seqüência onde os dois garotos se preparam para ir à escola com seu arsenal bélico é longa, bela, melancólica, assustadoramente reveladora. Alex toca Beethoven ao piano - talvez uma referência a “Clockwork Orange” de Kubrick? - Eric joga um videogame onde ele atira com diversas armas de fogo de variados calibres em passantes apáticos em um campo de neve. Um a um os bonecos-humanos caem enquanto ele atira. É uma longa seqüência com possíveis pistas para tentar compreender os dois garotos: desenhos nas paredes, roupas jogadas pelo chão, fotos.

Alex: Most importantly, have fun.

Os meninos se arrumam, recolhem seu arsenal, seguem de carro para a escola. Apenas um dos outros alunos da escola percebe o que irá acontecer: John, o menino que estava no carro no início do filme com seu pai embriagado. Ele dá o aviso aos que passam por ele - “não vá lá, algo terrível vai acontecer” e encontra seu pai, que lhe pede desculpas pela embriaguez.

Os adultos estão embriagados, dormentes, inconscientes. Os sinais de perigo eram visíveis, mas ninguém os percebeu. Na cultura ocidental atual gostar de armas, jogar jogos violentos pode ser ao mesmo tempo um sinal de heroísmo - quantos não aderem ao exército e vão ser heróis nas guerras que os Estados Unidos sempre participa? - ou podem ser sinais de mentes pertubadas com a realidade e a inutilidade do ser humano no mundo atual.

Alex: Eeney… Meeney… Meiny… Moe… Catch a… Tiger… By its… Toe . . .

O suspense termina com os primeiros tiros e explosões. Ali estão os dois, espalhando seu horror. O filme termina um pouco diferente de como a história real terminou: Alex mata Eric repentinamente, antes de encontrar um casal de estudantes escondido no frigorífico da cozinha da escola. Então faz o “meeney-meiny-moe” sob os protestos angustiados dos dois jovens sem saída diante do colega armado. “Pegue o tigre pelo dedo” é o final da quadra infantil.

O filme não nos dá nenhuma informação adicional, não há letreiros explicativos, especulações, nada, apenas um lindo céu cheio de nuvens e os créditos finais passando.

O espectador fica sozinho com o encargo difícil de pensar sobre o que assistiu e formar sua própria opinião.


Elephant ganhou Cannes em 2003. “Tiros em Columbine”, documentário de Michael Moore sobre a mesma história, tinha vencido Cannes no ano anterior.

É interessante observar que o “Elefante” do estadunidense Van Sant tenha vencido a “Vila dos Cães” do europeu Lars von Trier. Entre dois filmes que criticam o modo de vida e a sociedade estadunidense, Cannes preferiu o filme que retrata a realidade do ponto de vista de um diretor estadunidense do que a ficção elaborada de um diretor europeu. Talvez porque a crítica mais ácida e crua seja mais elaborada e real quando feita por quem vive a vida e a cultura que está sendo criticada.

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Leia mais:
- Ficha no IMDB
- Site Oficial do Filme
- Columbine Massacre
- Living with an Elephant de CH Smith

No hay banda

Monday, January 2nd, 2006

As pessoas não desconfiam do silêncio. Acostuma-se a pensar que o silêncio sempre é um sinal de que tudo está bem, tudo está em ordem, tudo está em paz. Acostuma-se a pensar que quando as coisas não vão bem há barulho, há choro, há gritos, há tumulto. A quase ninguém ocorre que o silêncio possa ser um sinal de extremo perigo.

Quando uma floresta se imerge em silêncio absoluto, é um sinal inconfundível de que algo terrível está para acontecer.