Experiências quase noturnas
Wednesday, March 1st, 2006
Mais fotos quase noturnas aqui.
Nota: não sei se o Flickr vai durar. Tem ficado mais tempo fora do ar que online. É sempre assim, o serviço vai ficando cada vez mais popular e mais offline.

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Match Point (2005)
Roteiro e Direção: Woody Allen
“There are no little secrets.”
Woody Allen é brilhantemente inteligente, talentoso, é um diretor prolífico e extremamente bom. Eu não gosto de todos os seus filmes - e nem assisti todos, a filmografia dele é bastante extensa - mas tenho alguns muito queridos: Bullets Over Broadway, Annie Hall, Zelig, A Rosa Púrpura do Cairo, Radio Days, Hannah e suas irmãs, Interiores, Crimes and Misdemeanors, Mighty Aphrodite, Celebrity (Kenneth Branagh interpretando um típico protagonista de Woody Allen é imperdível).
MatchPoint me agradou imensamente. É o filme de direção mais leve de Woody Allen. Ele capta o charme inglês e os elementos da cultura britânica sem cair em caricaturas. Claro, os ingleses não acharam isso, mas nem vou discutir, vou quotar o próprio Woody Allen:
“Anything British critics say about Match Point has probably got more insight than I’ll ever have about it, because they’re British and they know. . . . But I won’t read them.”
Woody Allen diz que adorou filmar em Londres. É a primeira vez que ele filma fora de New York. A mudança de cenário se deu por razões financeiras. O estilo do filme foi mais fácil de vender aos produtores europeus do que aos americanos.
“In Match Point I was more interested in the emotions and passions of the characters.”
O filme deveria ter sido rated QI 120 - não sei se lembram uma vez que debatemos aqui no chá sobre a problemática de indicações de audiência para filmes e eu disse que, para mim, a indicação deveria ser baseada em QI e não em idade? Tinha um povinho mala-sem-alça atrás de mim no cinema que não conseguia se concentrar no filme, não conseguia ter paciência para o ritmo da narrativa - deveriam ter ido assistir o filme de Pierce Brosnan na sala do lado, tenho certeza de que teriam gostado muito mais - e ficavam falando sem parar. Odiaram o filme. A trilha sonora recheada de ópera os aborreceu às lágrimas. Uma indicação de QI mínimo de 120 teria resolvido o problema deles - e o meu.
MatchPoint tem um roteiro firme, que caminha na direção que Woody Allen quer sem ser óbvio. Espertamente, Woody Allen conta com a esperança da platéia na obviedade do roteiro e cria uma adorável armadilha - só isso já vale assistir o filme.
Um detalhe delicioso é que a certa altura, os personagens vão ao cinema - e vejam que filme eles vão assistir! Eu conheço um cineasta que deve ter ficado encantado com a homenagem.
Scarlett Johansson tinha que ser, sim, sem nenhuma sombra de dúvida, a personagem Nola (aliás, alguém lembra da outra Nola de Woody Allen, Winona Ryder em Celebrity?). Nola precisava ser, acima de tudo, linda de arrasar, para que ninguém duvidasse da obsessão amorosa de Chris por ela. Se fosse uma atriz menos bonita, a platéia se perguntaria “o que esse cara viu nela?” e o filme naufragaria. A pergunta fica totalmente fora de questão porque é Scarlett Johansson, linda e ainda mais bonita vestida de branco na maioria das cenas. Por falar em naufrágio, li que Kate Winslet tinha sido escalada para o papel, mas desistiu. Ainda bem, não ia ser o mesmo filme. A personagem de Nola com a linda Scarlett cativa a platéia. Kate Winslet não é nem metade bonita e é uma tremenda chata. Eu ia ficar o tempo todo desejando que o Titanic afundasse logo e levasse Kate com ele.
A única coisa no filme que me incomodou foi culpa minha, provavelmente. Eu tinha visto uma entrevista rápida com Woody Allen falando de MatchPoint, onde ele comenta que ele queria muito fazer um filme sobre sorte, porque ele não acredita em “Grand Design” nem em planejamento, nem em trabalhar duro, ele acredita que tudo no mundo é randômico e mera questão de sorte ou azar, que tudo é muito casual e que não há controle nenhum sobre nada na vida ou no mundo. Assim, esse conceito me pareceu um pouco repisado demais no roteiro, desde a abertura do filme onde isso é citado pelo narrador (calma, o narrador não narra o filme todo) até os diversos fragmentos de falas dos personagens reforçando esse conceito. Provavelmente é o meu cacoete profissional de prestar atenção demais a detalhes técnicos do processo de produção cinematográfica, consistência de roteiro, direção de arte, iluminação, fotografia… às vezes ter o olho treinado profissionalmente tira um pouco do prazer de assitir a um filme, embora traga um modo de assistir filmes enriquecedor.
Nota final: Desde criancinha eu quero um apartamento à margem do Tâmisa igual àquele.

Leia mais coisas:
- “If you’re not failing every now and again, it’s a sign you’re not doing anything very innovative.” - Woody Allen quotes
- “People generally judge these things, critics as well, by popularity. And that’s deceptive because many films out there, not mine, but many films out there that have enormous public popularity are very, very terrible films that you’d be ashamed to have your name on.” - Woody Allen Speaks! - Entrevista para a Revista Premiere