Thursday, December 4, 2008

Chás de May, 2006

Um filme

Tuesday, May 30th, 2006

Helm's Deep
Helm's Deep
Helm's Deep
Helm's Deep

Okay, é pra citar só UM filme? Só UM? Está aqui. Tansformaram as ilustrações do livro em filme; essa armadura élfica é o máximo do máximo. O filme é emocionante. Essa é a função do cinema: emocionar e transformar. LOTR é cinema da melhor qualidade com uma magnífica direção de arte. Cinemão.

E essa é a minha seqüência favorita entre todas. Eu sei, os fãs do livro DETESTAM essa seqüência porque não existe no livro. Então, kids, isso é cinema!

E só pra não dizer que eu não critiquei detalhes - preciso justificar minha fama de detalhista, certo? - eu não concordo com uma única coisa: um general não iria para a batalha com seu exército sem elmo. Haldir deveria usar elmo nessa seqüência. Poderia tirar o elmo e cumprimentar os companheiros sem elmo, mas deveria aparecer alinhado na muralha com elmo. Acredito que escolheram mostrar Haldir sem elmo para destacá-lo visualmente - é mais fácil vê-lo sem elmo e iluminado do alto, como está, com essa “aura” luminosa - mas eu considero fora de contexto.

Three Rings for the Elven-kings under the sky,
Seven for the Dwarf-lords in their halls of stone,
Nine for Mortal Men doomed to die,
One for the Dark Lord on his dark throne
In the Land of Mordor where the Shadows lie.
One Ring to rule them all, One Ring to find them,
One Ring to bring them all and in the darkness bind them
In the Land of Mordor where the Shadows lie.

Listening: The Hornburg - Howard Shore - Lord of the Rings: The Two Towers Soundtrack - 2002

Sol e sonho

Monday, May 29th, 2006

Passei os últimos cinco dias imersas em filmes. Sábado eu dei uma aula sobre como é feita a concepção de uma direção de arte consistente e usei como exemplo o Senhor dos Anéis. Foram dois dias preparando a aula, selecionando fotos nas centenas de fotos que eu tenho no computador. Sonhei com elfos, castelos e espadas. Hoje, já na metade do dia, adiantei a preparação da próxima aula. Dessa vez, Ásia e filmes de reconstituição histórica. Ainda o tema da direção de arte bem ou mal feita. Eu amo lecionar, ainda mais arte no cinema, o assunto pelo qual eu sou mais apaixonada.

Mas eu ando muito sozinha.

Alguns amigos deixaram recados para mim, dizendo que estão a caminho da paulicéia. Talvez nos vejamos. Eu preciso mesmo ver meus amigos. O dia tem sol mas eu não estou em um dia contente, mesmo com o sol.

Eu ando muito sozinha.

Duane Michals Mirrors

Thursday, May 25th, 2006

“It is no accident that you are reading this. I am making black marks on white paper. These marks are my thoughts, and although I do not know who you are reading this now, in some way the lines of our lives have intersected… For the length of these few sentences, we meet here. It is no accident that you are reading this. This moment has been waiting for you, I have been waiting for you. Remember me.”

“While most photographers concern themselves with describing the physical appearance of the world around them - the people, the places, the things - Duane Michals has devoted a lifetime to describing the invisible and intangible world within his imagination.”

Alice's Mirror
Alice’s Mirror

Mirror of Uncertainty
Mirror of Uncertainty

Mirror
Mirror

Link:
- Duane Michals

Admirável mundo novo?

Wednesday, May 24th, 2006

Essa semana eu passei por dois episódios envolvendo intolerância. O primeiro deles começou no Orkut.

No dia seguinte aos eventos que aconteceram em São Paulo, o primeiro email que abri era um email de campanha política que distorcia totalmente os fatos, citando notícias erradas, mal citadas, que misturavam “demônios” políticos e lendas com antigos fatos de jornal. Mandei um email pelo Orkut sem citar o texto, mas tendo-o em mente, dizendo que não era hora de fazer campanha, era momento de cobrar os políticos que estão na atual administração do país. Na seqüência recebi um email rememorando algumas notícias recentes que sei que são verdadeiras, porque vi em mais de uma publicação, novamente denúncias de mau uso de dinheiro público.

Estamos no meio de uma CPI que parece caminhar diretamente para as pizzas finais. Infelizmente para o país. Não é um momento de pizza, ainda mais com a recente manifestação de poder e violência que aconteceu em São Paulo.

Tomei a liberdade, então, de fazer uma coisa que raras vezes faço: repassei o email recebido porque me pareceu apropriado.

Um dos contatos do Orkut, uma pessoa que conheci online, rebateu meu email. Sua primeira resposta já veio naquele tom que algumas pessoas gostam de adotar quando discutem política, um tom fanático de “não fale mal do meu político”, um tom que eu entendo que seja aplicado ao futebol mas não compreendo quando aplicado em política.

Respondi que não estava com vontade de passar dias trocando emails defendendo nem atacando ninguém, que apenas repassei informação - com devida fonte citada. A pessoa tentou “re-argumentar” dizendo que a minha posição política também tinha “defeitos” - que argumento é esse? - e comparou o partido político no qual eu voto com Mussolini, Hitler e outros de igual quilate. Isso é argumento? A pessoa ainda mandou uma montanha de dados e denúncias sobre corrupção de políticos sem fontes citadas - eu que me virasse procurando se as notícias eram reais ou não.

Não compreendo esse tipo de “argumento” nem a atitude. Eu voto em um partido político - isso é errado? Eu acredito na proposta de um PARTIDO POLÍTICO e não em PESSOAS isoladas - isso é errado? Todos os partidos tem bons e maus políticos, não existe partido político só com boas pessoas. Está aí a CPI para comprovar essa verdade. Gente boa e ruim existe em todo lugar.

A pessoa do meu contato não estava com vontade de debater política de forma racional e adulta. Queria apenas “ganhar a discussão” e começou a apelar para argumentos emocionais e ofensivos, o tempo todo me chamando de “minha amiga querida”, me paternalizando - uma das piores coisas que alguém pode fazer comigo.

Perdeu “a amiga querida”, claro.

Violência é violência. Violência verbal também é violência. Não existe violência “mais ou menos” violenta. Somos seres racionais. Não consigo entender quem possa ser passivo ou conivente com qualquer tipo de violência - e não consigo entender discussões do tipo “ganhar” ou “perder”. Crianças de cinco anos de idade fazem discussões do tipo “ganhar” ou “perder”, mas elas tem cinco anos de idade.

O segundo caso de intolerância da semana veio acompanhada de uma amostra de caráter duvidoso.

Um colunista de uma revista, num tom emotivo, apelou na semana passada para seus leitores. Disse que tinha uma “rodrigueana história pra contar” com uma “questão ética do tamanho da Grécia Antiga”; contou que ele teria supostamente descoberto que o filho de um amigo não era do rapaz, dizia que tal situação o inconformava, que queria contar para o rapaz sua descoberta. Pediu conselhos dos leitores. Os leitores deram sua opinião na maior boa-vontade, inocentemente, inclusive eu. Alguns disseram para ele contar, outros disseram que não contasse.

O meu comentário, LITERALMENTE, foi:
“Esse é o atual problema moderno. Já existe teste de paternidade mas as pessoas ainda têm vergonha e restrições morais de usar. Recentemente um amigo meu foi pêgo na mesma situação. Já na saída deixou claro: queria o teste de paternidade antes de assumir. A moça surtou, claro. Mas aí é que está a grande questão: se o filho é do cara, pra que surtar? Eu não surtaria. Eu encararia o teste, a mulher sempre sabe quem é o pai verdadeiro. Não me consideraria ofendida pela pergunta, não me sentiria ‘atacada na minha moral’. Eu preferiria garantir a paz e o sossego do pai da criança e da criança. Quanto ao seu dilema eu acho que você não deve chegar falando ’sabia que o filho não é teu?’ porque isso faria com que o pobre rapaz descarregasse toda a frustração e raiva acumulada no primeiro que etivesse na frente dele - que vai ser você. Shoot the messenger, é um antigo hábito medieval que não morreu. Tenha uma conversa madura com o rapaz. Seja franco. Questione se o pai é ele mesmo e aconselhe a fazer o teste de DNA. Afinal e se ele for mesmo o pai? Só a mulher sabe, o resto são sempre apenas fofocas.”

Essa semana, esse “colunista” veio com o seguinte comentário na “coluna” dele:

“Ademais, voltando ao assunto, tiro duas lições:
I) A ignorância quase sempre é uma benção, pois o não saber propõe um estado de calma, de serenidade, não nos preocupamos, não nos flagelamos por uma resposta ou por uma solução. Afinal, de nada sabemos.
II) As mulheres sempre querem ver o circo pegar fogo. Não adianta. Mulheres não são bonapartistas e fim de papo. De todos os comentários à última coluna, nenhuma das mulheres disse para que eu ficasse quieto a fim de preserva o matrimônio dos dois em detrimento dos chifres do rapaz. Todas queriam ver o circo arder em chamas. Em suma, mulheres são péssimas conselheiras matrimoniais. Diria mais: hoje, as mulheres instauraram o Código de Hamurabi no cerne matrimonial: ‘olho por olho, dente por dente’ ou melhor, ‘chifre por chifre’. Não há mais concerto em matrimonio para a mulher. Tudo o que ela tem que fazer é colocar a plaquetinha de ‘disponível’ e pronto. Mulheres, crianças e pensão alimentícia na frente, o resto que espere. É o anti-matrimônio, em tempo de globalização, puro e simplesmente.”

Eu me senti enganada pelo “colunista”. Nenhum dos comentários postados pelas leitoras dizia nada disso. O que as pessoas disseram é que se ele estava inconformado e queria conversar com o amigo, que fizesse isso com jeito. Alguns até, foram da turma do “deixa pra lá”. O colunista usou sua audiência, enganou-a e depois usou os comentários dos leitores para criticar e ridicularizar os próprios leitores - mas apenas as mulheres.

Falei com o editor da publicação, ele não compreende a minha indignação. Não viu nada de mal. Disse que a coluna tem humor. Eu penso que isso não é humor, é mau-caratismo. Além de ter usado os leitores, esse sujeito está alimentando conceitos machistas. É errado.

Agora vocês me digam: eu estou sensível demais? Eu tenho ética demais? Eu estou no mundo errado? Porque eu acho que comparar um político eleito com Hitler ou Mussolini é errado. Porque eu acho que usar fatos distorcidos para difamar pessoas, ainda que nenhum político seja impecável, é errado. Porque eu acho que agredir pessoas em emails falando sobre política é errado. Porque eu penso que falar mal das leitoras mulheres porque disseram o que pensavam a pedido do colunista é errado.

Tem algo errado comigo ou com as pessoas?
Opiniões são bem vindas.

Update: Um querido amigo me telefonou agora há pouco. Disse que leu esse chá aqui, entendeu a minha indignação e me deu a opinião dele: que eu pare de ler a referida publicação e não poste comentário nenhum na mesma. Na opinião dele, ter meu nome em qualquer página da referida publicação onde esse sujeito machista escreve é dar a minha boa luz a quem não merece. Eu disse a ele que isso eu já fiz. Mas ainda assim, fico incorfomada que existam pessoas não vejam nada de errado na atitude do tal colunista.

O que tem no copo vermelho?

Tuesday, May 23rd, 2006

Festa do Copo

Há algumas semanas essa pergunta começou a aparecer em sites, blogs e listas de discussão. Três esculturas de um grande copo vermelho tinham aparecido nas cidades de São Paulo, Salvador e Recife. Logo de início, várias pessoas desconfiaram se tratar de uma ação de marketing, especialmente depois de uma pesquisa no órgão que cuida dos registros de nomes de domínio brasileiro, quando constatou-se que o endereço do site do mencionado copo pertence à uma empresa de divulgação que usa as chamadas estratégias de marketing de guerrilha.

Marketing de guerrilha é uma técnica de marketing normalmente utilizada por pessoas ou grupos que não possuem poder econômico para fazer campanhas publicitárias de largo alcance e se utilizam de grafitis de rua, flyers feitos com xerox e outros métodos baratos para divulgarem suas idéias. Uma especialista das mais bem sucedidas em marketing de guerrilha é a artista plástica Adriana Xiclet com sua galeria de arte underground, que já foi citada nessa coluna.

A discussão sobre o marketing do copo pegou fogo no Radinho, uma lista de discussão que possui entre seus membros vários profissionais de mídia interativa que trabalham com internet desde a criação da internet comercial no Brasil, em 1995: René de Paula Jr, Gisela Rao, Charles Pilger, Michel Lent Schwartzman, Jean Boechat, André Franco, Edney Souza, só para citar alguns nomes. Quem acabou matando a charada foi Charles Pilger: era mesmo uma ação de marketing de uma famosa marca internacional de bebidas alcóolicas.

Uma semana depois, no site do mencionado copo, apareceu o anúncio de uma festa fechada com uma lista de convidados. Curiosamente, os nomes listados não eram os nomes das pessoas e sim, os endereços dos sites e dos blogs com os devidos links. Novamente, uma ação de marketing de guerrilha. Nenhum dos donos dos sites tinha sido avisado (ainda) sobre a festa. Alguns deles tomaram conhecimento de que seus nomes estavam postados no site do copo através das mensagens do Radinho. O debate esquentou novamente e vários se consideraram usados – com toda razão, uma vez que seus endereços de internet estavam sendo listados num site destinado a fazer propaganda de um produto, sem remunerar os donos dos sites, sem pedir a permissão de uso dos nomes deles, sem sequer avisarem.

O questionamento feito no Radinho sobre a ética de uma empresa de bebidas alcóolicas que utiliza marketing de guerrilha é válido e necessário: bebidas alcóolicas pertencem geralmente à grandes corporações e são de venda proibida para menores de 18 anos. Bebidas alcóolicas não são inofensivas, o abuso do álcool é responsável por violência familiar, acidentes de trânsito com mortes e doenças degenerativas sérias. É ético o controle publicitário de um produto como esse. Numa ação de marketing como a utilizada na campanha do copo vermelho não há como selecionar o público alvo, todas as pessoas são atingidas pela campanha, indiscriminadamente.

Formadores de opinião não são ingênuos
No sábado passado, finalmente, aconteceu a festa vip do copo. Estive na festa, onde também estavam presentes diversos outros blogueiros, alguns deles de grande audiência, como Alê Félix, Inagaki, Biajoni, Marmota, Bibi e vários outros. Fomos todos considerados “formadores de opinião”, convidados a beber e comer de graça na festa. Acredito que o idealizador da campanha do copo vermelho esperava que em todos os blogs surgissem comentários sobre a festa – assim como, há uma semana atrás, em diversos blogs apareceram posts comentando sobre o mistério do copo.

Desde o domingo pós-festa eu tenho acompanhado os blogs de pessoas que estavam na lista dos convidados vips. Vários blogueiros comentaram que estiveram na festa, falaram dos amigos, da problemática de participar de uma festa que tem uma escada íngreme separando o local do som e das bebidas do local onde eram servidos os canapés, mas nenhum deles falou o nome da marca patrocinadora.

Não sei se a empresa que criou a campanha ou os donos da marca esperavam algo diferente disso. Ir a uma festa boca-livre é uma coisa. Fazer propaganda gratuita para uma marca milionária é algo muito diferente.

A comida da festa estava legal, serviram alguns sucos de frutas deliciosos (abacaxi com hortelã, framboesa) e a bebida patrocinadora pura ou misturada com água de coco e outras misturas bizarras - desce melhor pura, as misturas eu dispensei. Não é uma bebida que aceite impunemente misturas, a mistura estraga tudo.

A festa não estava tão cheia quanto os organizadores gostariam que estivesse: devia ter no máximo umas cem pessoas. Ouvi dizer que alguns blogueiros muito famosos estavam por lá. Alguns nomes foram mencionados, mas eu não os vi.

O som era ruim, uma mistura descombinada de axé com rock anos 80 e brega. Ao menos combinava com as misturas descombinadas da bebida patrocinadora com limão, gelo e água de coco. Eu não tive coragem de provar. Meu irmão, que me acompanhou na festa, experimentou a versão com água de coco e disse que não era ruim, não. Eu preferi os sucos de frutas, estavam deliciosos.

No final da festa serviram café e chá com pão-de-mel e petit-fours. Muito bom, mas melhor ainda, entretanto, foi ver todos os meus amigos, companheiros de internet de longa data. Não foi uma festa, entretanto, memorável o suficiente para entrar para a história da blogsfera. As festas de aniversário do Jesus Me Chicoteia, sempre divulgadas em dúzias de blogs, numa ação típica de marketing de guerrilha (e que esse ano ainda não aconteceu), ainda são as melhores.

Festa do Copo

Na foto acima temos: Marcos Donizette, Inagaki, Alê Felix, Tuca Hernandes, Patrícia Köhler, Sandra Pontes, Biajoni e Gabi Franco (que está momentaneamente sem blog)
Na foto lateral temos:
1. Bibi
2. Maria Carolina e Marmota
3. O falado copo vermelho
4. Gabi, Sandra e Donizetti
5. Bernard Castilho e Sandra
6. Festa com bebida alcóolica e escada não dá certo.
7. Gabi
8. As coisas com as quais a bebida foi misturada, entre elas limão e gelo
9. Biajoni
10. Donizette e Helder
11. Inagaki
12. Eu e a Sandra

Final de tarde

Friday, May 19th, 2006

Fim de tarde

Essa é a vista da janela do meu quarto. Faz algum tempo que eu quero tirar uma foto no final da tarde, mas não conseguia pegar o “momento ideal” quando as condições de luz permitem uma foto como essa para a minha câmera limitada.
Consegui.

Pensamentos soltos e desconexos viajam na minha cabeça. Ultimamente, quando penso, fotografo.

Há algum tempo atrás, falando aqui no chá sobre Clarice Lispector, eu escrevi uma coisa que encontrei recentemente por acidente pesquisando o Google. Essa página não existe mais, mas ainda dá para ler pelo cache do Google, se você souber o que procurar, claro. Era uma das muitas coisas que eu escrevi e postei na fase mais verborrágica do chá. O texto é de 08 de novmebro de 2004. Primeiro vem uma citação de Clarice:

“Sigo o tortuoso caminho das raízes rebentando a terra, tenho por dom a paixão, na queimada de tronco seco contorço-me às labaredas. À duração de minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios.”

- Clarice Lispector em Água Viva

Depois vem meu comentário.

“Eu precisava de todas essas mudanças que tenho vivido. Eu precisava do desmoronar e do reconstruir, de viver a vida perigosa que é a vida que se vive e não apenas se contempla. Eu terei medo, eu sei, porque eu tenho medo desde meus três anos, eu sempre tive medo de ver, de ouvir, de viver. Mas um dia, um dia eu precisava escolher viver. E esse dia é agora, é todo dia.”

Estou prestes a mais mudanças radicais e adivinhem? Borboletas no estômago.

Listening: The String Quartet Tribute to Perfect Circle - Rose

Blogonversar

Friday, May 19th, 2006

Achei o meme lá no Inagaki, que pescou a idéia do Fabio Seixas.
Pensei e pensei. Adoro pessoas. Tem tantas pessoas que eu gostaria de blogonversar e eu preciso escolher só cinco! Que difícil. Eu queria é dar uma grande festa e convidar todo mundo que está na lista de links aqui do chá. Mas vamos lá.

Cinco blogueiros com quem eu adoraria blogonversar:
- Bibi
- Dudi
- Sheila
- Lucia
- Nelson

Blogonversei com Mestre Ina.

Criei uma conta nesse brinquedo de radio online. Eu fico criando contas nesses serviços gratuitos e termino não usando e voltando para o meu bom e velho winamp 2.61…

Now Listening: String Quartet tribute to A Perfect Circle

Cris, se você vier por aqui tomar chá, saiba que você realmente me passou o vírus do A Perfect Circle. Eu amo essa banda.

String and piano tribute

Thursday, May 18th, 2006

A minha busca era por uma música do Perfect Circle que eu achava que tinha uma frase musical que tinha conexões com um vídeo - enfim, uma história complicada. Encontrei uma coisa estranha: String Quartet Tribute to a Perfect Circle. E assim eu descobri que existem tributos de piano e quarteto de cordas a uma série de bandas.

Estou escutando Paranoid Android (Radiohead) executado magníficamente por um quarteto de cordas. Rush fica maravilhoso em quarteto de cordas, Jacob’s Ladder tocada com pizzicatto é arrepiante. Escutei Broon’s Bane, Xanadu, Red Barchetta, Closer to the Heart e The Spirit of Radio. Já Nine Inch Nails fica esquisito, perde-se o impacto eletrônico.

Que invenção maravilhosa. Músicos são criaturas divinas. Vocês precisam ouvir.

Links:
- The String Quartet Tribute to a Perfect Circle
- String Quartet Tribute Nine Inch Nails
- Enigmatic: The String Quartet Tribute To Radiohead

A pêra de Manet

Thursday, May 18th, 2006

A pêra de Manet

Ingredientes
1 pêra grande
½ litro de vinho tinto
200g de açúcar
Um pedaço de canela em pau
Dois cravos
1 folha de hortelã

Modo de preparo
Pegue a pêra inteira, descasque e cozinhe com todos os ingredientes. Deixe cozinhar por 20 minutos. Sirva ainda quente, com geléia de framboesa e uma bola de sorvete de creme.

A insustentável leveza do ser

Wednesday, May 17th, 2006

Certos conceitos se tornam complexos porque apresentam difícil definição: a arte é um deles. Após as vanguardas européias - os famosos ismos, expressionismo, cubismo, dadaismo, surrealismo - o que é e o que não é arte passou a ser ainda mais difícil de definir. Marcel Duchamp ficou famoso pelo urinol enviado a um salão do qual ele mesmo participava da organização; batizado de “A Fonte” e enviado sob pseudônimo, o urinol foi rejeitado. Nem os colegas de Duchamp estavam preparados para tanta contestação e iconoclastia. A Fonte de Duchamp demoliu terminantemente qualquer posterior tentativa de definição da arte: “será arte o que eu disser que é”.

A semelhança com os dias atuais não é mera coincidência. Estamos nos chamados “tempos pós-modernos” onde tudo se fragmentou e se perdeu, o ser humano tenta redefinir e redescobrir conceitos que acreditava que já estavam definidos. Centenas de tomos são escritos anualmente tentando encontrar algum chão sólido para tentar reconstruir esses conceitos, ainda sem muito sucesso.

O que é sólido se desmancha no ar, na insustentável leveza do ser. A própria definição da pós-modernidade. Duchamp tinha plena consciência disso.

Dizem que a vida imita a arte que imita a vida; ou que a arte imita a vida que imita a arte.

Depois de dúzias de filmes mostrando a demolição das torres gêmeas onde até King Kong se pendurou em 1974, finalmente um grupo de terroristas organizado colocou as torres abaixo em um 11 de setembro.

Centenas de filmes mostraram cidades sitiadas nas mãos de criminosos organizados, como Mad Max (1979), Fuga de Nova Iorque (1981) ou Robocop (1987), onde o ingrediente extra é o policial transformado em eficiente máquina de matar bandidos. O simulacro de Baudrillard tornou-se peça de propaganda da Matrix; a eficiência policial em “prever” onde e quando ataques criminosos acontecerão é levado à conseqüência máxima em Minority Report.

O problema não é o homem versus máquina, como se acreditava até o final da década de 90, entre Blade Runners caçando andróides ou Neo combatendo Mr. Smith: o problema sempre foi e continuará a ser o homem caçando o homem, o homem versus o próprio homem.

Hannibal Cannibal saltou da ficção há muito tempo e se solidificou nas ruas da cidade. Estamos pendurados no abismo nietzschiano com um tigre rugindo acima de nossas cabeças, o rio caudaloso abaixo de nós e apenas um único morango diante dos nossos olhos. Só que somos multidões de famintos.

Dizem que a arte imita a vida, que imita a arte.

Em tempos onde grupos organizados do crime tomam de assalto uma metrópole como a cidade de São Paulo numa investida eficiente e organizada, há que se re-questionar tudo outra vez. O homem. A arte. O que é que estamos fazendo nesse planeta. Como vamos explicar para as nossas crianças o que fizemos com o mundo que daremos para elas cuidarem.

Nada que parece sólido realmente é.

A face da Guerra, de Salvador Dali
Pintura “A Face da Guerra”, de Salvador Dali

*Esse artigo foi publicado na coluna Decupagem, da Revista Paradoxo

A Vila

Tuesday, May 16th, 2006

É cedo, está frio, tomei chá de madrugada. Estou com uma gripe horrorosa desde sexta-feira à noite. Detesto essas gripes traiçoeiras que me atacam durante a noite, eu tenho febre sozinha no escuro da madrugada, dá uma sensação de completa solidão. Acordei pela gripe às quatro da manhã. Fiz um chá, dei uma volta pelo prédio - esse prédio que eu ainda moro e está cheio de fantasmas desde então - e terminei a madrugada assistindo a Vila na tv a cabo.

Tem muita gente que não gosta do M. Night Shyamalan. Acusam-no de pieguismo, de sentimentalismo, de obviedade. Quando o Sexto Sentido foi lançado, me recordo de várias pessoas que declararam com bastante empáfia “eu adivinhei o final” como se isso fosse o mais importante do filme, adivinhar o segredo da história. Essas pessoas, obviamente, não perceberam a delicadeza da narrativa ou a sensibilidade do tratamento da história. Como poderiam? Estavam preocupados em adivinhar o final.

A cultura indiana tem e sempre teve narradores que contavam suas histórias acompanhados de música, dança, teatro de marionetes. Shyamalan é um contador de histórias indiano que mostra em filmes como enxerga a cultura ocidental comandada pelo dinheiro, consumo e violência com seu olhar fortemente influenciado pela sua origem indiana. Seus filmes tem a lentidão e a poesia, típicas das narrativas populares hindus, fala das pessoas através de histórias pessoais, fala da sociedade através das histórias das pessoas. São fábulas modernas.

Algumas pessoas não entendem os contadores de histórias. O maior prazer do contador de histórias é a história em si, como contá-la e as reações de seus ouvintes. A necessidade de contar e ouvir histórias fez com que os primeiros homens pré-históricos pintassem cavernas, fez com que os gregos escrevessem peças teatrais, nos trouxe grandes autores como Shakespeare. Como diz Pierre Lévy, nós somos texto. Contar histórias é uma arte e existem bem poucos no cinema que se tornaram exímios nessa arte, como por exemplo, Frank Capra, ou Akira Kurosawa.

Shyamalan é um contador de histórias indiano em profundo contato com o ocidente.

A Vila é isso, uma linda fábula de um contador de histórias, um conto de fadas.

Quando o filme foi lançado, a propaganda era acompanhada pelo pedido de que as pessoas não revelassem o final do filme. Vi nos fóruns do IMDB muitas reclamações sobre as “reviravoltas” dos filmes de Shyamalan. Muitas pessoas parecem inconformadas com sua característica de “fumaças e espelhos”, das coisas não serem o que parecem ser. Considerando-se que Shyamalan segue a tradição dos contadores de histórias, é de se esperar esse tipo de reviravolta. Faz parte do gênero, da surpresa necessária para causar reflexão em quem acabou de ouvir a narrativa. Contos de fadas, mitos, fábulas, todos eles têm reviravoltas e finais que fazem a platéia refletir sobre o que acabaram de ouvir/assistir.

A Vila tem os elementos das fábulas e contos de fadas. É uma história de amor e tristezas, com missões que precisam ser realizadas pelos protagonistas, criaturas assustadoras e medos que precisam ser enfrentados, ritos de passagem como funerais e casamentos.

Assisti a Vila até quase seis da manhã (é a terceira vez que assisto) e fui dormir novamente. Tive sonhos adoráveis, recheados de memórias agradáveis mesclando lembranças de infância com lembranças dos meus gatos - efeito colateral provável do conto de fadas. Acordei bem melhor da minha gripe.

Bienal de Florença

Monday, May 15th, 2006

Bienal de Florença - 2007
Bienal de Florença
Pois é, me convidaram novamente.