Friday, July 4, 2008

Chás de May, 2006

Coisas que me fazem sorrir

Thursday, May 11th, 2006

UFO
grocery bag UFO

pintura
Apartment Therapy

chá e rosas
Chá com rosas

Fiz uma pausa para a beleza. Fazia algum tempo que eu não lia os meus blogs de “delícias” com artes, receitas, culinária e chá (claro). A beleza exige pausas, exige contemplação. Hoje está fazendo um lindo dia frio de sol em maio. Nada se compara com o azul do céu de um dia de maio. Acompanhado com uma xícara de chá.

Eu amo a modernidade globalizada que me permite tomar chá chinês branco lendo Roland Barthes e comendo cookies.

cookies and tea

******

Eu quero recomendar uma leitura, um texto que foi publicado no Digestivo Cultural e que trouxe um sopro de frescor dentro dessa mesmice cultural rançosa que parecer ser um dos muitos males crônicos do país, O elogio da ignorância:

“Num momento em que se luta para que diferentes parcelas da população tenham acesso à universidade, em que as pessoas estão empenhadas em fazer pós-graduação, mestrado, cursos livres de cultura geral, em que todos reivindicam o direito de conhecer parcelas importantes do patrimônio cultural da humanidade, fazer o elogio da ignorância é um contra-senso. Contra-senso, por sinal, que só pode partir de dois tipos de pessoas: ou alguém da elite, que, por medo de concorrência, não quer que o contingente de pessoas cultas no país aumente; ou alguém que teve a possibilidade de adquirir um bom cabedal de cultura, mas, por preguiça ou desleixo, não o fez. Nenhum deles é bom conselheiro: não se pede para o rato opinar sobre as qualidades da ratoeira.”
Texto de Jaime Pinsky. Leiam, leiam.

Missão: impossível de assistir

Wednesday, May 10th, 2006

Assistir um filme brasileiro continua sendo uma missão impossível

Ir ao cinema ainda é um programa gostoso para o final de semana, certo? Errado. Já faz alguns anos que ir ao cinema se transformou em uma maratona de dificuldades, um programa cultural caro e de logística complicada.

A maioria das salas de cinema se localizam atualmente em shoppings, onde você tem que ir de carro, estacionar, subir andares em meio à multidão, enfrentar filas para pagar salgados 18 reais o ingresso. Bons tempos das salas de cinema na rua, a maioria delas transformou-se em igrejas ou supermercados.

A segunda dificuldade é conseguir encontrar o filme que você quer assistir. Aqui em São Paulo, setenta salas estão exibindo Missão Impossível que está em cartaz em cento e vinte de um total de 1500 salas de cinema em todo o país.

A A Era do Gelo está em sessenta e nove salas, Selvagem (Disney) está em vinte e sete salas, Terapia do Amor, com Meryl Streep, está em vinte e cinco salas, 16 Quadras, com Bruce Willis, está em vinte e duas salas, o tailandês Espíritos, a Morte está ao seu lado está em dezessete salas, o filme de Al Pacino, Tudo por Dinheiro está em dezessete salas, Ultravioleta, filme de ação com Milla Jovovich, está em quinze salas, Resgate Abaixo de Zero (Disney também) está em quatorze salas, V de Vingança, que já estreou há umas duas semanas, em doze salas, o sanguinolento Albergue está em onze salas, O Plano Perfeito, de Spike Lee também em onze salas, Institnto Selvagem, com Sharon Stone, está em nove salas, a comédia romântica de Sarah Jessica Parker, Armações do Amor, está em sete salas, O Corte de Costa-Gravas está em quatro salas.

Se eu não quiser assistir filme infantil, comédia romântica, filme de ação ou filme de horror, estou sem muitas opções e todas as minhas opções estão em cinemas de arte e salas especiais de museus, em poucas sessões.

Eu quero muito ir assistir Árido Movie, filme brasileiro que tem conquistado crítica e prêmios. Só achei em duas salas. Achados e Perdidos, com Antonio Fagundes, está em quatro salas. Se Eu Fosse Você, está atualmente em uma sala, mas não vou contabilizá-lo aqui nessa conta porque esteve em cartaz em várias salas de cinema de shoppings, faturando a maior bilheteria do verão brasileiro, ganhando das Crônicas de Nárnia, exibido no mesmo período. Quem está atualmente nos shoppings é Irma Vap, O Retorno, em onze salas.

Boleiros 2, de Ugo Girgetti está em apenas uma sala, mesma situação dos também brasileiros Cinema, Aspirina e Urubus, Dia de Festa, Tapete Vermelho e Vinho de Rosas, todos em apenas uma única sala em um dos cinemas de arte de São Paulo.

Apenas as chamadas grandes produções do cinema brasileiro conseguem acesso à exibição em salas de cinema de Multiplex. O cinema independente brasileiro ainda fica restrito ao circuito das salas especiais de arte, cinematecas e museus.

Para que o cinema brasileiro realmente consiga se transformar em uma indústria sólida, é preciso que os filmes brasileiros sejam exibidos em mais salas. Se aqui em São Paulo os filmes ficam pouco tempo em cartaz em poucas salas, imagino que na maioria dos outros locais do Brasil as pessoas nem fiquem sabendo da existência desses filmes.

Eu quero assistir filmes no cinema, não quero ficar esperando serem lançados em DVD ou esperar alguma mostra especial. Eu quero ter mais opções de gêneros do que blockbusters. Eu quero ver mais filmes brasileiros. Eu quero poder escolher com calma o filme e o local, sem sobressalto, sem ter que ir ao cinema correndo porque o filme fica apenas uma semana em cartaz, em uma ou duas salas.
Eu quero mais salas de cinema.

ranking de cinema

Ranking

A arte, a memória, o cinema e o onze de setembro

Tuesday, May 2nd, 2006

Onze de Setembro

O Onze de Setembro marcou a memória dos norte-americanos. Foi um ataque terrorista inesperado, destruiu um de seus maiores símbolos, matou milhares de pessoas, demonstrando a fragilidade de uma nação que orgulhosamente se considerava invencível e soberana.

A história do filme Vôo 93 (United 93) é uma dramatização baseada em fatos reais que tenta adivinhar o que teria acontecido dentro do vôo 93 da decolagem do aeroporto Internacional de Newark até a queda em um local deserto da Pensilvânia que matou todos os passageiros e os terroristas a bordo. Os terroristas que o tomaram não conseguiram usá-lo contra um dos alvos porque o vôo saiu atrasado, quando estava no ar já circulavam as notícias dos outros dois aviões que tinham acertado o World Trade Center e o país todo se encontrava em estado de alerta.

É compreensível que Hollywood continue a produzir filmes dramatizados ou não, sobre o evento. A cultura americana possui essa característica do memorial, do inesquecível, do imperdoável. Vemos isso nos vários filmes sobre Pearl Harbor, sobre o holocausto da Segunda Guerra Mundial, sobre o Vietnã, sobre a Guerra do Golfo. A questão não é o memento em si, um elemento cultural presente em todas as civilizações. A questão é como esse memento é retratado. A estréia mundial de Vôo 93 no Festival de Tribeca e as variadas reações do público, que incluíram inúmeras manifestações de protesto, trazem um questionamento importante sobre como e por que histórias são contadas, especialmente no cinema, que consegue materializar a narrativa de tal forma que, passado o tempo, as imagens do filme permanecem mais reais e presentes na memória das pessoas do que os próprios fatos.

No filme Memento (Christopher Nolan, 2000) o personagem principal da trama está em busca do assassino de sua esposa. Ele tem um problema causado pelo trauma da perda: não consegue fixar a memória recente, suas lembranças terminam no momento do assassinato. Investigando o assassinato, o personagem escreve frases soltas em seu corpo, tira fotos polaroid de pessoas e coloca notações para guiar a si mesmo assim que sua memória recente for novamente perdida - o que irá acontecer, inevitavelmente. Durante o filme somos questionados sobre quem está manipulando quem, qual é a verdade escondida por trás da falta de memória, o que realmente teria acontecido no dia da morte da mulher. O memento é disfuncional, o personagem não consegue deixar o acontecimento no passado e seguir sua vida e também não consegue lembrar dos fatos para resolver o assassinato e apaziguar suas emoções.

O grande perigo dos mementos é esse: os fatos narrados não são exatamente a verdade mas uma interpretação emocional da realidade do ponto de vista do realizador. Um memento não pode ter pretensões documentais porque terminará deixando a audiência como o personagem do filme de Nolan, confusa, misturando suas emoções com os próprios fatos.

No filme “Eleven Minutes, Nine Seconds, One Image: September 11” (11′09”01, 2002) temos onze episódios de diretores de diferentes nacionalidades, narrando histórias que ocorreram na data de 11 de setembro em locais e culturas diferentes. Suas histórias narram eventos igualmente trágicos e dolorosos - alguns ficcionais - mas não apenas o episódio americano. O episódio americano, belo e emocionante, dirigido por Sean Penn não foca o ato terrorista diretamente: mostra um viúvo de idade que lamenta a perda da esposa, faz um memento diário sobre ela, colocando uma de suas roupas sobre a cama e, no instante em que as torres gêmeas desabam, tem uma epifania de redenção e superação. O filme foi considerado antiamericano por alguns porque mostra que o foco mundial não está voltado para os Estados Unidos da América e que existem tragédias em todos os lugares, algumas delas causadas pelos próprios americanos.

Não sei se irei assistir “Vôo 93″ justamente por causa do que li sobre as manifestações das pessoas em reação ao filme. Apesar de lamentar o ato terrorista do Onze de Setembro, como muitas outras pessoas de diferentes nações, não considero os Estados Unidos o foco do mundo. Como uma pessoa que trabalha com arte e cinema, tenho alergia a dramatizações que alteram os fatos em prol de uma narrativa cinematográfica mais bem amarrada, em prol de levar a platéia a uma reação emocional, num estilo mais hollywoodiano. Não gosto de filmes que ficam no meio-termo, que não são documentários mas também não adotam completamente a tarja de ficção. Fico com a impressão de uma tentativa de manipulação, de oportunismo, de falta de ética - o filme vai faturar muito às custas da desgraça. Eu me pego sempre imaginando o que aconteceria se um filme desses fosse colocado numa cápsula do tempo desenterrada daqui a mil anos e como as pessoas do futuro iriam interpretar o que estão assistindo. Será que acreditariam estar assistindo a um documentário do passado? É muito melhor assistir 11′09”01, um filme que deixa claro quando está sendo documental e quando está sendo ficcional, com um tratamento belíssimo e emocionante para todas as tragédias que retrata, um memento muito mais confiável e digno.

Leituras

Tuesday, May 2nd, 2006

Chá com literatura

Leituras que eu gosto, leituras de estudo. Essas semanas têm sido de muito trabalho intelectual. Meu curso de direção de arte começa sábado agora.

Ganhei uma caixinha de chá chinês branco de uma grande amiga minha. É o chá mais delicioso que eu já bebi. Agora entendo porque é considerado uma iguaria tão especial.

Texto novo da minha coluna de cinema:
Decupagem: A arte, a memória, o cinema e o onze de setembro