Saturday, July 4, 2009

Chás de August, 2006

portmanteau

Thursday, August 31st, 2006

dictionary

port‧man‧teau  /pɔrtˈmæntoʊ, poʊrt-; ˌpɔrtmænˈtoʊ, ˌpoʊrt-/ Pronunciation Key – Show Spelled Pronunciation[pawrt-man-toh, pohrt-; pawrt-man-toh, pohrt-] Pronunciation
–noun, plural -teaus, -teaux /-toʊz, -toʊ, -ˈtoʊz, -ˈtoʊ/ Pronunciation Key – Show Spelled Pronunciation[-tohz, -toh, -tohz, -toh] Chiefly British a case or bag to carry clothing in while traveling, esp. a leather trunk or suitcase that opens into two halves.

port·man·teau (pôrt-mnt, prt-, pôrtmn-t, prt-) n. pl. port·man·teaus or port·man·teaux (-tz, -tz)
A large leather suitcase that opens into two hinged compartments.

[French portemanteau : porte-, from porter, to carry (from Old French. See port5) + manteau, cloak (from Old French mantel, from Latin mantellum).]

portmanteau

n 1: a new word formed by joining two others and combining their meanings; “`smog’ is a blend of `smoke’ and `fog’”; “`motel’ is a portmanteau word made by combining `motor’ and `hotel’”; “`brunch’ is a well-known portmanteau” [syn: blend, portmanteau word] 2: a large travelling bag made of stiff leather [syn: Gladstone, Gladstone bag]
WordNet ® 2.0, © 2003 Princeton University

what a life!
portmanteau

wikipedia

A portmanteau (from 16th century French, plural portmanteaux) is a large travelling case made of leather. Originally designed with two sides with the hinge in between, one side to carry (porte) your coats (manteaux) and the other side for other items. The portmanteau could stand on end, so that the coats are hung vertically, and open up like a book to make a pair of mini-closets joined by hinges.

A portmanteau (plural: portmanteaux or portmanteaus) is a term in linguistics that refers to a word or morpheme that fuses two or more grammatical functions. A folk usage of portmanteau refers to a word that is formed by combining both sounds and meanings from two or more words (e.g. ‘animatronics’ from ‘animation’ and ‘electronics’). In linguistics, these folk portmanteaux are called blends. It can also be called a frankenword (incidentally, this is another example of a portmanteau). Typically, portmanteau words are neologisms.

The word was coined by Lewis Carroll in Through the Looking-Glass, and What Alice Found There (1871). In the book, Humpty Dumpty explains to Alice words from Jabberwocky, saying, “Well, slithy means lithe and slimy … You see it’s like a portmanteau— there are two meanings packed up into one word.”

dead of night

portmanteau

Portmanteau horror movies are often hit-and-miss affairs, but this compendium from Ealing Studios employs some rigorous quality control. Among the short, sharp shocks are two instant clammy classics: The Haunted Mirror and The Ventriloquist’s Dummy, in which Michael Redgrave finds himself at the mercy of a demonic puppet.

As adventures are to the adventurous, so is romance to the romantic. Curiouser and curiouser.

“Most men are within a finger’s breadth of being mad.”
“I am a citizen of the whole world (cosmos), rather than of any particular city or state (polis).” (cosmopolitanism)

Diogenes the Cynic

Now listening: David Bowie & Trent Reznor – Hearts Filthy Lesson

Silenzio

Tuesday, August 29th, 2006

…no hay banda? no hay orquestra?

4′33″
… por John Cage.

Silence page 187
… por John Cage.

Fluxus Film # 29
Words by Paul Sharits

John Cage’s “But What About the Noise [...]?
… um vídeo de tracerprod[...]?

“The concept of absurdity is something I’m attracted to.”
David Lynch

Now Listening: Nothing.

Art of Noise

Tuesday, August 29th, 2006

Head like a Hole – NIN – 1989

Uma das minhas professoras da pós adora esse vídeo. É considerado bastante experimental.

“I like to see things moving backwards. It holds a possibilitie of some beautiful accidents. That´s allways exciting cause a beautiful accident can sometimes leads to something more and discoveries can be made.”
David Lynch

Trent knows better.

Nota posterior: achei uma versão com uma resolução muito superior e um som de muito maior qualidade aqui no Ifilm, vale a pena assistir.

Informação curiosa do Ifilm:
“This groundbreaking 1989 masterpiece shows a twenty-something Trent Reznor blasting his industrial electro pop into the mainstream for the very first time. 6 min 25 sec”

Sábado à tarde, domingo de manhã

Sunday, August 27th, 2006

Sábado

Está um lindo entardecer. Fui comprar um pedaço de torta no café aqui em frente. Adoro esse café. Tem um ar de restaurante da década de 50 daqueles filmes de Frank Sinatra. Torta de palmito, quiche de queijo. Trufas recheadas com creme. O cheiro do café.

Fases de transição são extremamente complicadas para mim.

Eu dormi um pouco à tarde. Sonhei com as coisas-que-não-existem-mais. Até pouco tempo atrás, quando morava com a minha mãe, nessa minha vida pós-minha-vida-anterior, sonhar com as coisas-que-não-existem-mais era complicado para mim, porque eu ainda estava no cenário onde as coisas-que-não-existem-mais tinham existido. Eu acordava no lugar certo, no tempo errado. Vocês não têm idéia de como era confuso e… complicado.

Eu descobri que não consigo falar determinados sentimentos e simplesmente os defino como “complicados”.

Estou um pouco cansada de falar com determinadas pessoas. É estranho para mim como as pessoas não compreendem o significado da palavra “silêncio”. Não é tão difícil.

do Lat. silentiu
s. m., estado de quem se abstém de falar; taciturnidade; privação voluntária do falar; abstenção de publicar qualquer notícia ou facto; ausência de ruído; interrupção de correspondência; omissão de explicações; sossego; segredo; toque nos quartéis e conventos, depois do recolher;

Algumas pessoas falam sem parar. É exaustivo. A arte da conversação pressupõe interlúdios. Eu sou uma pessoa conversadora, eu gosto de conversar – especialmente com estranhos. Conversar com estranhos é sempre uma oportunidade de ser alguém novo, de exercitar um aspecto seu que às vezes nem você conhece bem.

Existe esse sujeito, amigo que eu herdei de outro amigo. Ele é inteligente, mas me cansa. Ele fala sem parar, geralmente sobre ele mesmo. Quem ele é, como ele é, como as pessoas não o entendem, como ele quer ser visto e entendido pelas pessoas. Ele me exaspera tanto com seu infindável monólogo que eu já cheguei a ser áspera com ele. Disse a ele que eu adoraria conhecê-lo melhor, mas infelizmente o relações públicas dele não deixa. E que a única imagem que eu consegui fazer dele é de um sujeito inseguro, cansativo, que fala sem parar para evitar que o conheçam, que quer controlar a opinião que as pessoas fazem dele.

Argh! Eu detesto quando alguém me obriga a falar coisas ásperas.

Outra palavra que parece não ser bem compreendida é “consideração”. Pena, é uma palavra rica.

do Lat. consideratione
s. f., acto de considerar; exame atento, reflexão;raciocínio; valimento, importância; razão, motivo que pode determinar um acto;estima; deferência; respeito que se dedica a alguém; crédito; bom nome; (no pl. ) reflexões; (no pl. ) arrazoado; (no pl. ) exposição fundamentada.

As pessoas não gostam de considerar, examinar ou refletir sobre nada. Dá trabalho. Cansa. Não pensar é muito mais simples, rápido e fácil.

Domingo

O vídeo abaixo é do show especial “ReAct Now: Music & Relief” realizado em prol das vítimas do furacão Katrina em New Orleans.

Eu amo esse homem. Ele é maravilhoso. Ouçam só esse piano.

Estou fazendo uma extensa pesquisa sobre o período entre guerras na Alemanha, o cinema expressionista alemão, o Grotesco & o Sublime. A minha pesquisa acabou de passar, inevitávelmente por Gottfried Helnwein e consequentemente por… Marilyn Manson.

O trabalho de Gottfried Helnwein não é para estômagos fracos, não entrem no site dele se vocês são impressionáveis.

Mr. Manson nunca me fascinou. Gosto de um CD dele que eu tenho, mas nunca parei para analisar ou ouvir mais coisas dele. Sou uma fã confessa de Monsieur Reznor, já disse isso over and over… mas pesquisando e lendo mais sobre o trabalho recente de Mr.M, descobri que ele está resumindo em seu trabalho, desde o início, mais de cem anos de propaganda, comunicação de massas e mídia. É interessantíssimo ver como Mr.M “lê” o que “consumiu” da cultura de massas e da mídia durante toda uma existência e como “traduz” essas informações em seu trabalho.

A platéia se divide em dois grupos: os que reagem à primeira impressão visual e rejeitam a figura, as imagens usadas nos vídeos e a música; e os fãs, divididos em dois grupos, os que são simplesmente fãs mas nunca pararam para analisar o que é esse peculiar trabalho de Mr.M e os que se informam profundamente, pesquisam e analisam o trabalho de Mr.M – para descobrir, mesmerizados, a imensa mistura de referências cruzadas.

Vejam esse vídeo, que interessante, The Golden Age of Grotesque, do álbum de mesmo nome, ele usa elementos de Cabaré (o filme de Vincent Minelli) misturados com vaudeville burlesque, com elementos do artista plástico performático alemão Günter Brus, nascido em 1938 e outras referências da época da segunda guerra. As gêmeas do vídeo são uma referência às gêmeas siamesas que se tornaram musicistas, cantoras e grandes estrelas do vaudeville durante a década de 30, Daisy e Violet Hilton.

Ditta Von Teese está causando um efeito curioso em Mr.M. Essa nova persona dele que aflorou é muito interessante.

Curioso, eu ainda sou aquela mesma garotinha que morria de medo de assistir “Acredite se quiser” na TV, embora o horror me fascinasse; a mesma que assistia os filmes de Vincent Price achando-os belíssimos mas apavorantes e que, até hoje, quando vê alguma coisa realmente horrível, faz milhões de pesquisas para verificar se a história é real ou forjada, se a imagem é real ou fotomontagem.

O horror apenas não me horroriza. É o pensamento da capacidade das pessoas em produzir horror que me horroriza. Figuras horríveis não horrorizam por si só. O subtexto, é ele que causa o horror.

Vou pesquisar mais, vou escrever a respeito, vou usar as referências no meu TCC.

Ah, meu novo roteiro, o Edifício, lembram dele? Acabou de ganhar um título definitivo, mas depois eu conto qual é. Not now. Mas é um lindo título, muito poético.

O sol está vai-não-vai, venta muito, estou com frio e com fome. Vou dar uma volta. Só tomei chá verde e comi uma tijelinha de granola com leite hoje (acordei muito cedo), eu definitivamente preciso comer alguma coisa.

Now listening: The Golden Age of Grotesque, Marilyn Manson

Pings e pongs

Saturday, August 26th, 2006

Desenho de animação francês produzido pela ExMachina. Encontrei postado no E-videoteca acompanhado do seguinte comentário:
Mas por favor, respeite as pessoas. Você está tão errado quanto elas.

Mais um desenho animado francês, produzido pela escola de audiovisual Gobelins, também encontrado na E-videoteca:

Aviões de papel

Tem animações de alta qualidade postadas no Youtube, é só procurar.

Mudando totalmente de assunto, lembram desse aqui? Rodou pela internet há alguns anos:

Academia Brasileira de Cinema

Friday, August 25th, 2006

Querem saber quem é a diretora de arte que é a mais nova membra da Academia Brasileira de Cinema? Entre no site da Academia, clique em “Academia”, depois em “sócios” e depois dêem uma olhadinha na página 5 da lista de sócios.
Para saber mais sobre o prêmio promovido pela ABC, leia essa nota do BlueBus.

Música e qualquer coisa

Friday, August 25th, 2006

Estou ouvindo uma banda estranhíssima que está tocando uma pseudo-bossa-nova. Apenas uma coisa da bossa-nova o cantor captou com extrema precisão: ele está desafinando horrores.

Mr. C, eu tenho escutado Filter. Você gosta de Filter? Fiquei com a impressão de um Sisters of Mercy mais pesado. É meio weirdo.

A noite passada eu sonhei que morava nesse mesmo prédio onde eu moro, no sonho eu estava promovendo um jantar aqui em casa, numa mesa retangular comprida coberta de velas, com uma série de anões como convidados – não eram anões de histórias de fadas ou de Tolkien, eram pessoas pequenas. Por sinal, simpaticíssimos e falantes, eu me diverti muito.

Tem uma influência mezzo David Lynch mezzo Marilyn Manson nesse sonho.

Estou adorando esse novo tipo de sonho que tenho tido, onde o edifício se tornou uma locação de eventos surreais. Acredito que possa ser culpa do próximo roteiro que estou escrevendo, que se passa em um edifício, e que, para meu próprio assombro, está ficando muito melhor do que eu imaginava inicialmente – e extremamente autobiográfico. Bom, até hoje, tudo que eu escrevi eu fiz autobiográfico, mesmo quando eu disfarcei as coisas com simbolismos.

Estive ouvindo alguns MP3 do “Projeto Tapeworm” de pura curiosidade. Esse é um projeto que foi encabeçado por Trent Reznor durante DEZ anos e que não levou a lugar nenhum. O projeto foi cancelado, Trent deu uma entrevista dizendo que “não estava satisfeito” com a qualidade da música produzida e a única faixa “oficial” que jamais foi lançada é uma performance ao vivo do cantor do Tool/A Perfect Circle da música “Vacant”, que depois foi reformulada e gravada no album do A Perfect Circle com o nome de “Passive” – que é uma música bem legal ao estilo do A Perfect Circle.

Escutando essas faixas do “Tapeworm” dá pra entender perfeitamente o cancelamento do projeto. É muito, muito ruim. Acho que era impossível mesmo fazer um som que misturasse Nine Inch Nails, Pantera, Tool, A Perfect Circle, Danzig (!!), Smashing Pumpkins (!!!), Helmet e Curve.

12 Rounds é interessante. Bizarro, mas interessante.

Depois de escutar todas essas bizarrices, eu queria muito entender como e por quê o Smashing Pumpkins faz covers de Marilyn Manson, Cure, Pink Floyd, Depeche Mode, Joy Division, U2, Prodigy e Nirvana! É o fim do mundo da mistura, e os fãs que me perdoem, os covers são de fazer chorar, de tão ruins.

Tudo isso porque estou pensando e criando os três projetos que preciso entregar esse semestre na Belas Artes.

A professora de fotografia quer um ensaio – e pode ser em polaroid! Acho que finalmente farei o projeto das polaroids transfers que eu andava pensando em fazer.

O professor de animação quer um minuto de animação. Logo pensei em rotoscopia, mas pensei em uma segunda coisa que pode se tornar em uma animação muito divertida, uma Alice em stop-motion com os desenhos do Tenniel. A idéia me veio por causa daquele lindo trabalho fotográfico do Abelardo Morell e das animações da Joanna Woodward.

Já o meu professor de Poética da Imagem declarou essa semana que o trabalho do semestre poderá ser “qualquer coisa” que a gente quiser.

Oh, dear, qualquer coisa!!! QUALQUER COISA!

Que tal um “qualquer coisa” que misture Alice, pequenos animais peludos, Tilda Swanson impersonando o Anjo Gabriel, bules de chá, Mailyn Manson, Magritte e Duane Michals? Esse qualquer coisa foi o que cruzou a minha imaginação. Mágicas palavras poderosas. Qualquer coisa.

Now Listening: Marilyn Manson cover para Tainted Love do Soft Cell e o original Tainted Love do Soft Cell

Um chá surrealista belga para o final do dia

Friday, August 25th, 2006

Cheguei em casa depois da aula, fui fazer uma pesquisa para a faculdade e olha só o que eu achei. Que coisa mais linda!

Galleries Royales by Sanda Kaufman

Foto de Sanda Kaufman

Só de imaginar entrar em um museu e encontrar um dragão voando carregando uma vaca… ah! Os belgas são maravilhosos.

E por falar em belgas…

This is Magritte

This is not Magritte



***Surrealismo***

Ah, belgas. Surreais belgas.

Estava um lindo dia, então o chá explodiu.

Thursday, August 24th, 2006

Explode!
Imagem de bule de chá explodindo by Artem, feita para um show do Chemical Brothers

Ontem estivemos fora do ar devido a um problema técnico referente ao upgrade do PHP do servidor e o MySQL. Confesso que pensei que tínhamos perdido o chá pela terceira vez – está se tornando um evento anual! Todas as vezes que os servidores fizeram upgrades semelhantes, o chá parou de funcionar e os servidores não tinham backup completo atualizado do site.

Esse servidor aqui tem. Hurra!

Esperamos ter retornado à nossa programação normal, a casa de chá agradece a preferência.

Nota adicional posterior:
O texto “I do not want this” está lá no Digestivo. Quem não leu, leia, quem quiser, releia e quem puder, comente!

O que faz a vida realmente valer a pena

Wednesday, August 23rd, 2006

Uma ex-aluna minha (do meu curso de direção de arte em cinema) me mandou um email onde, entre outras coisas, ela fala isso:
Se a vida tivesse créditos você estaria nos meus Agradecimentos Especiais!

Todo mundo aí sentiu um calorzinho bom de carinho e realização pessoal? Eu senti.

O Julio, editor do Digestivo Cultural me enviou um email perguntando se ele pode publicar o texto “I do not want this” no Digestivo. Ele leu aqui no chá e adorou, disse que se identifica com o sentimento que eu expressei nesse texto.

Mais um chá que vai para o Digestivo Cultural por escolha do editor! Hurra!

Às vezes eu tenho dúvidas se realmente está valendo a pena eu sacrificar certas coisas para me manter dentro da minha filosofia de vida e de acordo com as minhas convicções, que prezam integridade, ética, honestidade e correção, ainda que eu precise “passar fome”.

… aí os ecos das minhas decisões e idéias retornam para mim, reafirmando de que sim, vale a pena sim.

… e o meu dia fica mais ensolarado…

Me: vídeos “resposta”

Monday, August 21st, 2006

Uma obra de arte não está obrigada a ser entendida e aprovada em princípio – particularmente – por qualquer que seja. A função da arte não é a de passar por portas abertas; mas a de abrir portas fechadas. Quando o artista descobre novas realidades, porém, ele não consegue apenas para si mesmo; ele realiza um trabalho que interessa a todos os que querem conhecer o mundo em que vivem, que desejam saber de onde vem e para onde vão. O artista produz para uma comunidade.
- Cristiane Campestrini, em seu artigo “Função da Arte“, que cita como bibliografia o livro de Ernest Fisher, “A Necessidade da Arte”, cuja leitura eu recomendo.

O interessante e poético vídeo “Me” feito pela artista e designer Ahree Lee, sobre o qual eu comentei aqui no chá há uns dias atrás está produzindo repercussões pelo Youtube. É interessante perceber que uma parte das pessoas que sente necessidade de “postar uma resposta” não parece ter compreendido (ou sentido) a beleza e a poesia do vídeo mas mesmo assim sentiu-se compelida a produzir um video-resposta. O simples fato do vídeo de Ahree Lee já ter gerado mais de 30 vídeos em resposta demonstra o quanto a verdadeira arte provoca as pessoas. Arte é, no meu entender, algo simples, bem executado e estremamente poderoso.

Vejam alguns dos “vídeos-resposta” postados no Youtube. Eu selecionei aqueles que considerei mais interessantes.

Edbanker criou um vídeo chamado “It growns on you“. O vídeo mostra senso de humor e revela uma preocupação que pode ser facilmente observada nos diversos comentários postados na página de Ahree Lee no Youtube: no video, apesar de um espaço de tempo de três anos, as marcas do tempo no rosto de Ahree Lee são praticamente imperceptíveis. Não vou entrar por considerações filosóficas ou científicas sobre o processo de envelhecimento, basta constatar que a própria idéia de “envelhecer” é um conceito complexo na civilização ocidental: as pessoas têm medo de envelhecer, existe uma cultura do “eternamente jovem” amplamente massificada pela mídia. O fato de Ahree Lee não “envelhecer” aparentemente no vídeo “Me” provocou questionamentos sobre a veracidade da afirmação dela de que tirou fotos diárias durante três anos. Edbanker produz um vídeo onde ele mostra como ele mesmo “comprovaria” a passagem do tempo. Não vou questionar se o vídeo dele é real ou usa efeitos de maquiagem: o questionamento e a solução visual é que são interessantes.

BraveDave criou um video chamado “Guy takes pic of himself every 12 years for 24 years“. A reação das pessoas ao vídeo de BraveDave variou entre comentários bem humorados, comentários indiferentes, reclamações e agressões. BraveDave fez um vídeo bem humorado, onde percebe-se que a compreensão dele do video de Ahree Lee limitou-se à superfície visual e ele expressou isso em seu “vídeo-resposta”: a quantidade de fotos versus a passagem do tempo e o envelhecimento da pessoa.

Pallagi fez um video chamado “Me: Guy takes 30 pics of himself every second for 60 seconds” que também demostra uma percepção superficial do video de Ahree Lee. No caso do video de Pallagi, a questão que parece ter sido mais visível para ele foi o movimento “truncado” das imagens do video “Me”. Pallagi usa a trilha sonora original do vídeo de Ahree Lee em seu vídeo:

Na mesma linha de compreensão e com um resultado visual e sonoro muito semelhante, existe o vídeo de JibberRicheMyself:Guy takes pic of himself every minute for three hours

RobertMcCrazy fez um video onde ele mesmo afirma “We do appreciate how good the original was. Imitation is the sincerest form of flattery.” uma citação que foi originariamente cunhada pelo escritor Charles Caleb Colton. Seu video tem simplesmente o título “Re: Girl takes pic of herself every day for three years“. Robert coloca um componente emocional em seu video que o video de Ahree Lee não possui: necessidade de amor. A comparação com o urso de pelúcia e a música dizendo “quero ser seu urso” são mais que óbvias. Com isso, entretanto, ele demonstra, a seu modo, que o vídeo de Ahree Lee tocou-o emocionalmente:

Phimon23 faz um video curto, onde ele “imita” a música instrumental do video de Ahree Lee e a “seqüência de imagens com ruídos” que ele identificou no video “Me”. Eis o resultado:

O mais importante em todos esses videos é a percepção de que o trabalho de Ahree Lee possui aquela qualidade indizível e indefinível de provocar as pessoas – atinge os sentimentos e provoca reações variadas. Isso só pode ser arte.

Para finalizar, eu devo confessar – e mostrar! – que também fiz um video resposta, movida principalmente pela curiosidade de verificar se a passagem do tempo é visível em mim mesma. Tenho uma razoável coleção de fotos batidas com webcam, de 2002 a 2006. Fiz minha pequena homenagem ao video de Ahree Lee – e minha pequena “egotrip” pessoal. Mandei o link para ela, espero que ela compreenda e aprecie a homenagem.

O vídeo é esse e se chama “Me… and my self”.

Cinema experimental

Saturday, August 19th, 2006

Surrealismo e poesia visual por Joanna Woodward. Seus trabalhos cinematográficos são na maioria animações surreais com clima gótico-expressionista. A conta do Youtube é dela mesma.

O Youtube me fascina pelas pérolas que eu consigo encontrar por lá.
Uma curiosidade: Joanna Woodward foi namorada do cantor da banda gótica-punk da década de 80, Bauhaus, que aparece cantando a música “Bela Lugosi is Dead” no início do filme cultFome de Viver“.

Don’t Submit To A Moments Passion With A Stranger

The Brooch Pin And The Sinful Clasp

Sawdust For Brains And The Key of Wisdom

Mais filmes de Joanna Woodward.