Para mim hoje é oficialmente o início do verão. Acordei às 7:30 da manhã com a algazarra das maritacas. Há anos eu tenho esse sentimento lindo de “felicidade de verão” quando os bandos de maritacas chegam na cidade.
Ah, eu tenho maritacas na minha janela! =)
A cantoria é indescritível de tão maravilhosa.
Dá uma olhada nisso, que graça: maritacas fotografadas comendo na janela do apartamento de um rapaz que mora na avenida Paulista.
Water Bubble é uma videoarte produzida pelo meu colega de pós-graduação Rodrigo Mathias. Segundo o Rodrigo, “foi inspirado em um trecho da prece das estapas do caminho escrita por Je Tsongkhapa no século XV. “Meu corpo, igual bolha d’água, decai e morre rapidamente”.
Eu confesso que primeiro preciso falar da sinestesia do vídeo. Me deu uma vontade louca de assistir em tela grande, com o som no máximo, para que os “gongos musicais” que acompanham as belíssimas gotas de splash ressoassem em um volume de tremer as paredes. Os splashs são lindos, luminosos, como se possuíssem uma luz própria. O som é líquido, a textura é líquida mas rápidos coriscos luminosos cortam o espaço negro, uma descrição gráfica de luz líquida.
Quando o Rodrigo apresentou o vídeo ele me disse que sentia falta de uma “música” ao fundo. Aos meus ouvidos, a música está lá, eu escuto a música. Não é uma música composta por instrumentos musicais, é composta por noises, mas esse fato faz com que, para mim, a trilha se torne ainda mais musical.
Quando os “bichinhos transparentes” aparecem no vídeo, com suas pequenas patinhas, o som da água mesclado ao som sutil de respirar empresta maior sensação de vida a eles. Que coisa poética esses animaizinhos que vivem em uma única gota de água e que, como a água, são translúcidos e orgânicos. Em uma passagem, parece que o bicho maior respira, enquanto o menor borbulha. A trilha encaixa perfeitamente.
Quanto ao conceito de decadência, sinceramente, não vi decadência! Vi o pulsar da vida, a plenitude da vida, saltando, dançando. A mim pareceu, talvez, que a preocupação com o conceito de decadência acabou fazendo com que o Rodrigo produzisse o extremo oposto, um vídeo cheio de vida explodindo em formas e sons. Ou talvez a decadência fosse apenas um pensamento zen, de criação e transformação, metafórico. Talvez!
O vídeo abaixo é parte do documentário “Rivers and Tides”, sobre o trabalho de Andy Goldsworth. O vídeo é extremamente poético, porque o artista e seus colaboradores passam horas construindo uma linda escultura para depois contemplar o mar subir e levá-la para outro lugar.
“It feels like it’s being taken off into another plane, taken off into another world, or another work. Doesn’t feel at all like destruction.”
- Andy Goldsworthy
Vocês já viram o documentário Família Alcântara? Eu sei que não. Aproveitem, estréia dia 17 de novembro, no HSBC Belas Artes.
Assistam os trailers, foram editados por mim para a produtora Terra Firme Digital da cineasta e minha amiga Lilian Solá Santiago.
Estréia do Documentário “Família Alcântara”,
de Daniel Solá Santiago e Lilian Solá Santiago
Data: dia 17 de novembro, sexta-feira
Local: HSBC Belas Artes
Endereço: Rua da Consolação, 2.423
Telefone: (11) 3258 4092.
A frase acima é de Voltaire. Eu confesso que num caso como esse nem me interessa saber se o que foi dito era bom ou era ruim: processar um professor universitário apenas por ter expressado sua opinião é um absurdo.
Emir Sader, jornalista e sociólogo, foi condenado em primeira instância por “crime de opinião”, em ação movida pelo senador Jorge Bornhausen (PFL/SC). A pena, desproporcional ao crime, foi a perda de sua cátedra na Uerj e um ano de detenção, em regime aberto, conversível à prestação de serviços à comunidade.