
“A polícia acha que eu matei minha mãe. Eles têm certeza. Mas não é verdade. Porque eu mataria a minha própria mãe? Que coisa idiota, matar a própria mãe.”
A primeira coisa que eu preciso dizer é que eu gosto muito do livro da Olivia. O livro de Olivia é uma mistura de Hitchcok com Dostoievski e André Gide, só que muito melhor. É uma novela policial sem tiros, com um policial, para justificar o gênero, e duas mulheres, uma está morta, a outra está viva e se chama Luisa, que é um nome lindo.
A história não tem aqueles moralismos chatos de Dostoievski - ninguém devia ler russos, eles são terríveis, nos fazem chorar, perder a fé na humanidade e sentir culpa -, não tem gags óbvias de cinema de suspense - apesar de ter uma faca na trama - e tem o que eu considero a maior qualidade do livro, total falta de consideração com o leitor. O livro é desumano.
“Parece que foi há tanto tempo.”
Para completar o passeio, a menina sabe escrever. Tem estilo, percebe-se que ela saboreia as frases, pensa no que vai escrever, pensa na construção do texto, pensa na construção da trama, enfim, PENSA - algo raro nos tempos atuais onde a maioria dos chamados “novos escritores” só escrevem coisas chatas, parodiando antigos sucessos nacionais em livros que cheiram a um Nelson Rodrigues requentado com adição de escatologia.
“…deixando um gosto de parede na boca.”
Não tem nada rodriguiano no livro da Olivia, graças-a-deus. Também não encontraremos fedores putrefatos de ralos e outros modismos da linha “estorvo”. Olivia tem um estilo próprio de contar a história. Olivia faz o leitor brincar de gato e rato.
“Senti vontade de rir, mas me controlei.”
Um quebra-cabeças é proposto logo no início do livro. Temos uma mulher morta e alguém a matou. A polícia desconfia imediatamente do protagonista, mas ele não lembra o que aconteceu. Há sangue. Alguém deu uma pancada na cabeça dele.
“Só queria ficar em silêncio com minha dor de cabeça.”
A partir daí, começamos a tentar desvendar o mistério com o protagonista do livro. Quem matou a mãe dele? Ele conseguirá tempo suficiente para conseguir descobrir? Nós descobriremos?
“Colocaram uma foto minha na capa do jornal. Com o meu nome. Não me chama pelo nome.”
Leiam o livro. Vale a pena.