NIN Live, YearZero
Thursday, February 22nd, 2007Survivalism, ao vivo, gravado no show que aconteceu em Barcelona.
Survivalism, ao vivo, gravado no show que aconteceu em Barcelona.
O Coelho e o Leão
Augusto Monterroso
Um célebre Psicanalista encontrou-se certo dia no meio da selva, semiperdido.
Com a força que dão o instinto e o desejo de investigação, conseguiu facilmente subir numa árvore altíssima, da qual pôde observar à vontade não apenas o lento pôr-do-sol mas também a vida e os costumes de alguns animais, que comparou algumas vezes com os dos humanos.
Ao cair da tarde viu aparecer, por um lado, o Coelho; por outro, o Leão.
A princípio não aconteceu nada digno de mencionar, mas pouco depois ambos os animais sentiram as respectivas presenças e, quando toparam um com o outro, cada qual reagiu como desde que o homem é homem.
O Leão estremeceu a selva com seus rugidos, sacudiu majestosamente a juba como era seu costume e feriu o ar com suas garras enormes; por seu lado, o Coelho respirou com mais rapidez, olhou um instante nos olhos do Leão, deu meia-volta e se afastou correndo.
De volta à cidade, o célebre Psicanalista publicou cum laude seu famoso tratado em que demonstra que o Leão é o animal mais infantil e covarde da Selva, e o Coelho, o mais valente e maduro: o Leão ruge e faz gestos e ameaça o universo movido pelo medo; o Coelho percebe isso, conhece sua própria força, e se retira antes de perder a paciência e acabar com aquele ser extravagante e fora de si, a quem ele compreende e que afinal não lhe fez nada.
O link veio daqui.
Antipropaganda - achei o link lá no Tiagón. Se eu fosse inventar algum critério para linkar sítios aqui no chá eu diria que um bom sítio, à altura do nosso querido chá, precisa ter surrealismo, humor, insanidade, beleza e amor por gatos, não necessariamente nessa ordem. Então, meudeus, leiam esse “Antipropaganda”, é tudo isso e mais alguma coisa. E quem sabe, um dia, aparece um deles aqui e bebe chá com a gente.
Enquanto isso, os fãs de NIN continuam a todo vapor, no Echoing the Sound, caçando as pistas, sites, músicas que “vazam” e tentando montar as peças do quebra-cabeças que a turma do NIN está espalhando. O álbum, ainda não lançado, transformou-se em uma espécie de RPG em tempo real pela internet (os chamados ARGs, Alternative Reality Games).
Um dos fatos que mais chama a minha atenção são os sites “fakes”, criados pelos mesmos fãs que estão “liderando” a caça às informações, em meio aos sites legítimos, criados pela turma de mkt do NIN. Um dos sites “fakes” mais interessantes é http://www.opalescenthaze.com/, onde incialmente lia-se ”I’m here. Be cool, wait a little longer. We are closer than you think. Shit’s hitting the fan soon enough” escondido em meio a um código HTML semelhante aos dos sites “legítimos” e com um visual semelhante. Nos últimos dias, o site passou a apresentar a mensagem “This was an experiment to see whether contextual clues could convince people over technical facts: i.e., how far down the rabbit hole can one fall?”.
Uma das músicas novas do NIN:
Eu acabei de ouvir pela primeira vez um CD badaladíssimo de um cantor/compositor inglês ainda mais badalado que tem uma banda que é mais ou menos uma unanimidade de sucesso e coisa e tal. Achei chatíssimo, nunca mais quero ouvir. Pretensioso e chato. Pena, a banda do cara é boa. A capa do CD é linda. O site, então, é maravilhoso. Pena, mesmo. Para evitar pedradas de alguns amigos, não vou contar quem é o chato.

“Dancing Cube” by Friedrich A. Lohmueller (2003)

Family (Nigh Version) by Gilles Tran
Muito mais aqui.
Andrei Tarkovsky - Mirror
Não sei por que eu gosto tanto desse filme, especificamente esse pedaço. Parece que a maioria das pessoas que gosta desse filme, gosta especialmente dessa parte! Não estou só. Para mim, que penso de forma caótica e fragmentada, esse pedaço vale o filme todo.
Estou ouvindo esse.
É profundamente lírico. Você percebe como os arranjos são complexos e como existe uma musicalidade riquíssima nas composições. É impressionante.
Quero ouvir esse aqui também. Eu já ouvi uma música desse aqui, parece ser maravilhoso.

Nada disso, entretanto, é indicado para quem não aprecie músicos esquisitos como, por exemplo, John Cage, Schoenberg, Michael Nyman, Steve Reich, La Monte Young, Philip Glass e por aí vai. O The String Quartet Tribute é uma invenção magnífica de Todd Mark Rubenstein.
Achei um questionário bacaninha lá no Milton, diz ele que é de Proust. Me lembrou aquele questionário bacana do Bernard Pivot, que o James Lipton perguntava aos convidados do Actor´s Studio e que eu respondi uma vez aqui no chá, há um milhão de anos. Como acredito que o Milton nunca vai me perguntar nada disso, terei um momento esquizofrênico e perguntarei para mim mesma.
Qual é o defeito que você mais deplora nas outras pessoas?
Estupidez. É incurável.
Como gostaria de morrer?
Lembrei de Woody Allen. Fui buscar a frase dele na base de dados do chá:
“I don’t want to achieve immortality through my work. I want to achieve it through not dying.”
Eu também prefiro não morrer, obrigada.
Qual é seu estado mental mais comum?
Pensando. A minha mente não pára.
Qual é o seu personagem de ficção preferido?
Trent Reznor. Eu inventei uma versão dele na minha cabeça que eu amo.
Qual é ou foi sua maior extravagância?
Boa pergunta. Não sei. Defina a palavra “extravagância”. Não sei se alguém espera de mim algo menos do que esquisito ou excêntrico.
Qual é a pessoa viva que mais despreza?
A minha lista tem vários nomes. Imagine uma lista que possui pessoas egoístas, mesquinhas, pessoas que fazem crueldades, pessoas que roubam e matam - seja matar animais ou outras pessoas… Eu detesto gente ruim.
Qual é a pessoa viva que mais admira?
Peter Greenaway. Neil Gaiman. Trent Reznor. Infelizmente, Robert Altman e Stanley Kubrick morreram.
Se depois de morto tivesse de voltar, em que pessoa ou coisa retornaria?
Outro dia me peguei desejando ser passarinho. Gatos são adoráveis.
Em quais ocasiões costuma mentir?
Sempre que a ocasião exigir ou o interlocutor não me der outra opção. Tem muita gente que não suporta ouvir a verdade, não quer ouvir a verdade ou prefere inventar verdades. Para essas, sou obrigada a mentir.
Qual é sua idéia de felicidade perfeita?
Hoje. Estou em casa sozinha, ouvindo música, comendo biscoitos e vendo a Mia brincar pela casa.
Qual é seu maior medo?
Perder essa felicidade, outra vez.
Qual é seu maior ressentimento?
Algumas pessoas que me fizeram coisas terríveis. Algumas eu perdoei, outras não, e não esqueci nem uma delas.
Que talento desejaria ter?
Música.
Qual é seu passatempo favorito?
Ficar sozinha em casa, no meu computador, com uma xícara de chá e a Mia brincando.
Se pudesse, o que mudaria em sua família?
Tem pelo menos dois membros da minha família que eu preferia não ter ou ter outras pessoas no lugar deles. Eu adoraria ter meu pai e meu avô por perto. Sinto muita falta deles.
Qual é a manifestação mais abjeta de miséria?
Não ter dinheiro. O mundo humano gravita em torno de dinheiro.
Onde desejaria viver?
Aqui mesmo. Eu não saio muito, mesmo. Pode ser Nova Iorque. Ou na Bahia. Acho que na Bahia, a paisagem vista da janela é mais bonita.
Qual a virtude mais exagerada socialmente?
Honestidade. Ninguém pratica, todo mundo exalta.
Qual é qualidade que mais admira num ser humano?
Bondade. Desprendimento.
Quando e onde você foi mais feliz?
Vai dar uma lista muito comprida se eu começar a lembrar e citar. A vida é feita de momentos, e eu já tive uma bela quota de momentos felizes. A felicidade é uma coisa bipolar.
Já que mencionei o questionário de Pivot, fui desenterrar nos arquivos do chá o post onde eu o repondi.
Chá antigo: 2005-02-14
Minha amiga Andrea adora “The Pivot Questionnaire” e outro dia, enquanto tomávamos café na cozinha orgânica da casa dela, ela ensaiou me aplicar o questionário, mas nenhuma de nós duas lembrava direito as perguntas. Resolvi caçar o questionário, usado no programa de entrevistas Actor’s Studio e responder aqui pra ela ver - e para vocês também, claro.
1. What is your favorite word?
Surreal.
2. What is your least favorite word?
Violência.
3. What turns you on creatively, spiritually or emotionally?
Inteligência.
4. What turns you off?
Estupidez.
5. What is your favorite curse word?
F*** …orra!
6. What sound or noise do you love?
O som do oceano e o ronronar de gato.
7. What sound or noise do you hate?
Som de obras.
8. What profession other than your own would you like to attempt?
Jornalista.
9. What profession would you not like to do?
Médico. Advogado. Não teria estômago.
10. If Heaven exists, what would you like to hear God say when you arrive at the Pearly Gates?
Foi uma viagem difícil, mas você chegou em casa.
“I got half a smile and zero shame
I got a reflection with a different name
Got a brand new blues I can’t explain”
Who did you think I was?
“But if you pray all your sins are hooked upon the sky
Pray and the heathen lie will disappear
Prayers they hide the saddest view
(Believing the strangest things, loving the alien)
And your prayers they break the sky in two
(Believing the strangest things, loving the alien)”

(via Marina)
“If you want a lover Ill do anything you ask me to
And if you want another kind of love Ill wear a mask for you
If you want a partner Take my hand
Or if you want to strike me down in anger Here I stand
Im your man“
Diretamente do blog do Neil Gaiman:
“What is http://www.nfctd.com/home.html ? Why did Hayley Campbell send it to me? I keep playing with it, and I am no nearer to answers, if such things can exist in this context, than I was when I started playing (if, indeed, it was playing, and not powering some diabolical and infernal device…)”
…
Oh, que adorável. Amei, Neil. Pena que seu blog não tem sistema de comentários. É, eu sei, eu sei, nem precisa explicar…
Nota para desavisados que visitarem o nfctd:
A uma certa altura, comidas-com-olhos aparecem na tela. Cuidado com infartos.