MiAlegria
Wednesday, April 11th, 2007
Eu já disse por aqui várias vezes que a maior alegria da minha vida foram meus gatos. Infelizmente eu tive que encontrar outras famílias para eles quando me divorciei, felizmente, foram boas famílias.
A maior alegria da minha vida são meus gatos.
Já há um mês, mais ou menos, eu acordo com uma carinha preta olhando bem de pertinho pra mim. O narizinho dela quase encosta no meu. Eu olho pra ela, ela dá uma cheiradinha no meu nariz, se eu fechar os olhos novamente, ela deita outra vez ali, bem juntinho de mim, mas sem encostar em mim, e espera eu dormir mais um pouco.
O Júnior era mais exigente, queria que eu levantasse para dar comida para ele, e puxava meu cobertor, se eu não quisesse levantar. Gato mimado, criado por mim durante oito anos no bom e no melhor, era exigente, miador, insistia até conseguir o que queria.
A Mia, não. Ela tem aquela paciência que só um bichinho que foi abandonado e passou muita fome, tem. Ela espera, ela não pede nada.
Eu sempre tenho a impressão de que ela não pede nada, porque já conseguiu mais do que esperava conseguir, quando estava passando fome, frio, abandonada na rua. Ela me dá a impressão de que não quer me incomodar, não quer correr o risco de eu, de repente, parar de gostar dela ou não querer mais ficar com ela. Eu falo isso porque, algumas vezes, eu dou uma bronca leve - nunca encostei um dedo nela, até porque eu sou radicalmente contra castigos físicos em quem quer que seja - e ela corre para se esconder e fica me olhando assustada.
A Mia tem medo. A Mia já foi agredida, abandonada e tem medo de passar por isso outra vez. Está nos olhos dela.
Então, eu brigo com ela e ela se esconde, ela paralisa olhando para mim, com medo. E eu, quase choro de tanta pena dela, porque a minha bronca é apenas porque não quero que ela se machuque, mexendo nos fios elétricos do computador, por exemplo. Mas ela não entende, ela é apenas um bichinho assustado.
Em compensação, tem esses momentos em que eu percebo que ela fica muito feliz.
Quando eu volto para casa ela mia na porta, eu abro a porta, ela faz aqueles “oitos” em volta dos meus pés, esfregando as costas nas minhas pernas e vocaliza de um jeito engraçadinho, como se resmungasse. Depois, salta nas minhas pernas, pedindo para eu me abaixar, aí cheira meu nariz e boca, para ver se eu estou bem.
Mia é toda carinho.
Ela adora bolinhas de papel. Adora. Fica me perturbando, puxando a barra da minha calça, para ganhar uma bolinha. Ela vem por trás da cadeira, fica em pé e puxa a cintura da minha calça. Jamais me machuca, ela é muito cuidadosa com suas unhas. Aí eu faço uma bolinha de papel e jogo para ela.
Ela se cansa, e senta ou deita na cadeira branca, que fica ao lado da minha cadeira. É a cadeira dela, onde ela dorme enquanto eu trabalho ao computador. Se ela quer brincar de novo, fica em pé no meu ombro, mordisca meu cabelo, aí eu viro e lá está o narizinho dela encostado no meu.
Aí sabem como ela me acordou hoje de manhã? Eu estava deitada de costas, abri os olhos e olhei para a porta da varanda. As maritacas cantavam, alegrando a manhã. Eu esfreguei os olhos e abri os braços. E a Mia veio se encaixar na minha axila, colocando a cabecinha sobre o meu ombro. Eu a abracei e ela ficou ali, ronronando feliz, esfregando a carinha preta no meu braço, no meu ombro, manifestando seu amor por mim.
A maior felicidade da minha vida sempre foi e continua sendo os meus gatos.



