Saturday, August 30, 2008

Chás de August, 2007

I’ve become impossible

Tuesday, August 28th, 2007

we’re in this together

you and me
we’re in this together now
none of them can stop us now
we will make it through somehow
you and me
if the world should break in two
until the very end of me
until the very end of you

Steinbeck

Tuesday, August 28th, 2007

“Tularecito tinha ainda um dom extraordinário: era capaz de, com a unha do polegar, modelar notavelmente animais em terracota. Franklim Gomez guardava em casa muitas miniaturas de coiotes, leões de montanha, pintos e esquilos. Uma reprodução de um falcão de dois pés de envergadura pendia do tecto da casa de jantar, segura por fios. Pancho, que nunca considerara o rapaz completamente humano, punha a sua habilidade para a escultura na crescente categoria dos seus dons diabólicos, definitivamente provenientes da sua origem sobrenatural.

Se bem que a população de Pastagens do Céu não acreditasse na origem diabólica de Tularecito, ninguém se sentia à vontade quando ele estava perto. Os olhos dele eram secos como os de alguém muito velho e havia algo de troglodita no seu aspecto. A enorme força do seu corpo e os seus dons estranhos e obscuros afastavam-no das outras crianças e faziam os adultos sentir-se mal.”

- As Pastagens do Céu, John Steinbeck

Ouçam o homem

Monday, August 20th, 2007

Esse homem sabe das coisas. Trecho da entrevista com Jorge Furtado:

“O cinema ainda não morreu, mas não vai muito bem de saúde.” (…)”Com desesperança, mas sem amargura, o diretor disse que procura explicações para esse fenômeno olhando primeiro para si. Interrogou-se, então, sobre por que tem ido menos ao cinema, ao mesmo tempo em que nunca viu tantos filmes. Concluiu que o fato de agora os filmes estarem sempre ao alcance, em DVD, retirou da ida ao cinema ‘o sentido de urgência’ que isso já teve, algo que ‘quem nasceu depois do vídeo cassete nem sabe o que é’. Ou seja, ao deixar de ser a única chance de ver os filmes, o cinema tornou-se dispensável.”

Leia a entrevista aqui.

Será que agora alguém vai se convencer que, como disse Peter Greenaway, há mais de dez anos, o cinema tradicional morreu? O futuro do cinema é o DVD e o streaming via internet. Os modos de distribuição tradicionais, como a TV e a sala de cinema, morreram.

Glitch art

Monday, August 20th, 2007

Ah, que coisa maravilhosa. É o noise, que eu sempre amei e uso em meus trabalhos artísticos há mais de uma década, se tornando movimento artístico.

A beleza do ruído, assimilada.

Da Folha: “Tilts” viram arte digital e ganham a rede, link enviado pelo meu amigo e cúmplice de chá, MSurcan.


Mercado de arte não está pronto para era digital, diz especialista
ADRIANA FERREIRA SILVA
da Folha de S.Paulo
Entrevista com Edmond Couchot

Fonte: Folha Online

A arte digital está à margem da arte contemporânea. É isso que defende o artista e teórico de novas mídias francês Edmond Couchot, 74, professor da Universidade Paris 8, onde criou a cadeira de Artes e Tecnologias da Imagem. Ele está no Brasil como principal convidado da bienal Emoção Art.ficial 3.0, que começa amanhã, no Itaú Cultural, com 13 obras que exploram a interatividade.

Além de Couchot, que traz um clássico de sua autoria, a instalação “Les Pissenlits”, a mostra reúne bambas do meio digital, como Bill Seaman, Michel Bret, Golan Levin e Paul Prudence. Em entrevista à Folha, Couchot falou sobre interatividade e o status do digital no panorama contemporâneo.

Folha - Como o sr. vê a relação entre a arte digital e a arte contemporânea atual?

Edmond Couchot - Na minha opinião, a arte digital está à margem. Não há crítica e ela não é vendida. Não se encontra esse tipo de arte em galerias, exceção feita a raríssimos casos. Quando os críticos de arte tradicional falam da arte digital, normalmente é para dizer que a interação invalida aquilo como arte. Esse tipo de trabalho exige novos críticos e novos organizadores. O sistema de legitimação da arte contemporânea, da arte tradicional, não funciona com a digital.

Folha - Na arte digital é maior a interação entre o público e a obra?

Couchot - Nos anos 1960, os artistas falavam muito de participação do espectador, mas não existia a palavra interação, que surgiu com a informática. A idéia de fazer o espectador participar era muito comum, mesmo na arte cinética e na conceitual. Com a informática, surgiram ferramentas que tornaram muito mais simples fazer o público reagir à obra.

Folha - Então, a interatividade tem uma história?

Couchot
- Sim. Tem uma trajetória complexa e hoje atinge nova forma. Ela se transforma também a partir dos próprios objetos representados –que começam a adquirir característica de seres vivos. Os artistas tentam, além de inteligência e comportamento, prover os objetos representados de emoção.

Folha
- Muitos curadores dizem que a interatividade pode se resumir à manipulação de botões…

Couchot - Tradicionalmente, a arte era religiosa. Mas existia também uma arte profana, muito menos séria. A música e a pintura não-religiosas também eram consideradas como uma arte de entretenimento. Essa arte, pensada como simples diversão, atingiu níveis muito complexos e reflexivos.

Folha - A arte contemporânea seria “religiosa”, e a digital, “profana”?

Couchot - De modo geral, os curadores e críticos no mundo tendem a não se interessar muito pela arte digital, porque esse tipo de trabalho que nós fazemos não se encaixa nas regras do mercado de arte.

Folha
- No digital, a interação ocorre por interfaces. O que são?

Couchot - São os dispositivos técnicos que permitem a troca de informações entre a máquina e a pessoa. É um prolongamento do público: o homem e o computador se encontram por meio da interface.

Folha
- Como fica a autoria?

Couchot - Quando há arte, sempre existe a sensação de presença de um ou mais autores. A função do autor é deixar essa presença de alguma maneira na obra. Com “Le Pissenlits”, por exemplo, se ao soprar [a interface], você sentir que está soprando com os autores [Couchot e Michel Bret], então isso está funcionando.

Folha - É fundamental que, assim como um pintor entende de tintas, os artistas dominem os softwares?

Couchot - É necessário que o artista tenha pelo menos um conhecimento básico da programação e das ferramentas que está usando. Ele deve saber o que o software faz, o que pode e não pode ser feito. Se não, será manipulado pelo software.

Emoção Art.ficial 3.0 - Interface Cibernética
Quando: de amanhã a 24 de setembro, das 10h às 21h. Sáb. e dom., das 10h às 19h
Onde: Itaú Cultural (av. Paulista, 149, tel. 0/xx/11 2168-1776)
Quanto: grátis. Para as palestras, retirar ingresso com uma hora de antecedência

Poema em linha reta

Monday, August 20th, 2007

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

O inferno são os outros.

Sunday, August 19th, 2007

Já dizia Sartre.

Uma pessoa que eu conheço veio hoje me falar que eu preciso de terapia. Vocês fazem idéia de quantas vezes eu já escutei isso? Na verdade quem precisa de terapia e das boas é a pessoa que falou isso para mim. Como já aconteceu muitas vezes antes, eu começo a contar algumas coisas a mais sobre mim, a pessoa não aguenta e me aconselha terapia.

Claro, lidar com a verdade é complicado. Como eu sou uma pessoa que tem muita consciência, conhece seus próprios defeitos, inseguranças e medos e não tenho receio de falar em nada disso, eu devo mesmo precisar de terapia.

O problema nem é falar isso para mim. O fato de alguém achar amarelo ou azul a meu respeito está longe de me afetar. Só me afeta quem eu permito, quem eu realmente gosto ou quem eu considero que tem inteligência e capacidade de falar alguma coisa da qual eu vou tirar ensinamentos ou experiências. Não foi o caso, hoje.

Eu já mencionei por aqui que eu detesto rediscutir relacionamento? Eu detesto. Sabem por quê? Porque normalmente, qualquer pessoa que queira rediscutir as bases de um relacionamento (seja esse relacionamento o que for, amizade, parentesco, etc) está na verdade tentando fazer VOCÊ mudar de atitude. Na cabeça dessas pessoas as coisas funcionam assim: “você não está fazendo o que essa pessoa ACHA que VOCÊ tem que fazer, então VOCÊ precisa mudar”.

Aham. Tá.

Assim como eu não preciso de terapia, preciso é de mais dinheiro, eu não sou o problema da outra pessoa. É a outra pessoa que não quer encarar que eu, por opção minha, não tenho os problemas DELA.

O inferno são os outros. No caso dessa pessoa, o inferno dela sou eu.

Mas é assim mesmo, as pessoas adoram falar bobagem e sempre acham que o problema está com o outro.

Janela da Alma

Sunday, August 19th, 2007

JANELA DA ALMA
Brasil - 2001 - Documentário - 73 minutos
Direção: João Jardim e Walter Carvalho
Roteiro: João Jardim
Direção de fotografia: Walter Carvalho
Montagem: Karen Harley e João Jardim
Distribuição: Copacabana Filmes

Jose Saramago

Wim Wenders

Fayga Ostrower

Marilyn Manson no Japão

Thursday, August 16th, 2007

Esse post é especial para o meu amigo.

Link para o vídeo, para quem bebe chá via RSS.

Aliás, MM vai se apresentar em SP agora em setembro. Quem vai?

Dark City

Saturday, August 11th, 2007

Um clipe com as duas músicas que a personagem de Jennifer Connelly canta em Dark City. A voz é de Anita Kelsey.

Mais sobre Anita Kelsey.

Loving the alien

Friday, August 10th, 2007

Loving the alien
Artist: David Bowie

Watching them come and go
The templars and the saracens
They’re traveling the holy land
Opening telegrams oh ho

Torture comes and torture goes
Knights who’d give you anything
They bear the cross of coeur de lion
Salvation for the mirror blind oh ho

But if you pray all your sins are hooked upon the sky
Pray and the heathen lie will disappear
Prayers they hide the saddest view
(Believing the strangest things, loving the alien)
And your prayers they break the sky in two
(Believing the strangest things, loving the alien)

Thinking of a different time
Palestine a modern problem
Bounty and your wealth in land
Terror in a best laid plan

Watching them come and go
Tomorrows and the yesterdays oh ho
Christians and the unbelievers
Hanging by the cross and nail oh ho

But if you pray all your sins are hooked upon the sky
Pray and the heathen lie will disappear oh ho
Prayers they hide the saddest view
(Believing the strangest things, loving the alien)
And your prayers they break the sky in two
(Believing the strangest things, loving the alien)
You pray till the break of dawn
(Believing the strangest things, loving the alien)
And you’ll believe you’re loving the alien
(Believing the strangest things, loving the alien)
Believeing the strangest things (loving the alien)


Life On Mars?
Artist: David Bowie

It’s a god-awful small affair
To the girl with the mousy hair
But her mummy is yelling “No”
And her daddy has told her to go
But her friend is nowhere to be seen
Now she walks through her sunken dream
To the seat with the clearest view
And she’s hooked to the silver screen
But the film is a saddening bore
For she’s lived it ten times or more
She could spit in the eyes of fools
As they ask her to focus on

Sailors fighting in the dance hall
Oh man! Look at those cavemen go
It’s the freakiest show
Take a look at the Lawman
Beating up the wrong guy
Oh man! Wonder if he’ll ever know
He’s in the best selling show
Is there life on Mars?

It’s on America’s tortured brow
That Mickey Mouse has grown up a cow
Now the workers have struck for fame
‘Cause lennon’s on sale again
See the mice in their million hordes
From Ibiza to the Norfolk Broads
Rule Britannia is out of bounds
To my mother, my dog, and clowns
But the film is a saddening bore
‘Cause I wrote it ten times or more
It’s about to be writ again
As I ask you to focus on

Sailors fighting in the dance hall
Oh man! Look at those cavemen go
It’s the freakiest show
Take a look at the Lawman
Beating up the wrong guy
Oh man! Wonder if he’ll ever know
He’s in the best selling show
Is there life on Mars?


Looking For Satellites
Artist: David Bowie

Nowhere, Shampoo, TV, Combat, Boyzone
Slim tie, Showdown, Can’t stop
Nowhere, Shampoo, TV, Combat, Boyzone
Slim tie, Showdown, Can’t stop

Where do we go from here?
There’s something in the sky
Shining in the light
Spinning and far away

Nowhere, Shampoo, TV, Combat, Boy’s own
Slim tie, Showdown, Can’t stop, (Satellite)
Nowhere, Shampoo, TV, Combat, (Satellite), Boyzone
Slim tie, Showdown, Can’t stop, (Satellite)
Nowhere, Shampoo, TV, Combat, (Satellite), Boyzone
Slim tie, Showdown, Can’t stop
Looking for satellites
Looking for satellites

Where do we go to now?
There’s nothing in our eyes
As lonely as a moon
Misty and far away

Nowhere, Shampoo, TV, Combat, Boyzone
Slim tie, Showdown, Can’t stop, (Satellite)
Nowhere, Shampoo, TV, Combat, (Satellite), Boyzone
Slim tie, Showdown, Can’t stop, (Satellite)
Nowhere, Shampoo, TV, Combat, (Satellite), Boyzone
Slim tie, Showdown, Can’t stop
Looking for satellites
Looking for satellites

Satellite, Satellite, Satellite, Satellite

Looking satellites
Looking satellites

Where do we go from here?


Martian Chronicles

- Study guide for Ray Bradbury’s The Martian Chronicles (1950)

Lucid movement

Friday, August 10th, 2007

A water balloon not exploding in high-speed.

Lucid movement.

Devaneio e realidade

Monday, August 6th, 2007

Agora à tarde eu ia escrever um texto muito bonito e filosófico falando sobre a vida, a morte, a amizade e todas essas questões inúteis mas extremamente pertinentes ao ser humano.
Daí a minha máquina de lavar roupa esvaziou a água, que ao invés de ser tragada pelo ralo inundou o banheiro inteiro e uma parte da sala. Meu devaneio foi literalmente para o esgoto.

Fica o texto do meu amigo, que não perdeu o devaneio dele e escreveu um lindo texto surreal.