Toda menina deveria ter um gatinho
Eu me tornei uma menina mais feliz depois que tive meu primeiro gatinho, o Ju. Toda menina devia ter um gatinho. Deixa os dias mais felizes e ensolarados.
A história de Mia
A Mia apareceu abandonada no parque do Ibirapuera, perto do prédio da Bienal, uns dias depois do Natal. Foi recolhida por uns amigos meus que trabalham na Bienal e que me ligaram, porque sabem que eu sei muito de como cuidar de gatos. Ninguém na Bienal podia ficar com ela, porque todos já têm animais ou moram em locais pequenos.
Eu não pretendia adotar um gato novamente. Tive três siameses que amava muito e que não pude conservar comigo após o meu divórcio, porque fui morar com minha mãe, que detesta animais. Sei que eles estão bem - o Juca ficou com meu ex-marido, as duas meninas ficaram com duas amigas, uma delas protetora de animais, tem vários gatos e cães na casa dela - mas me sentia péssima em adotar novamente, com medo de enfrentar outra vez condições financeiras adversas e não poder manter o gato.
Ao saber que a Mia estava em condições de alto risco - desnutrida e talvez até mesmo doente - não pensei duas vezes. Entre deixá-la à sua sorte, sem ninguém para adotar e arriscar trazer para casa… falei para minha amiga que podia trazer, que eu cuidaria dela. Eles a trouxeram no mesmo dia.

Mia em 28/12/2006

Ela chegou em casa pele e osso, parecendo um “gremlim” desnutrido de olhos amarelos arregalados. Pela dentição, calculei que ela devia ter, no máximo, dois meses. Achei que ela não sobreviviria, de tão esquelética que ela estava. Pra completar, pessoas de boa vontade mas que não sabem muito sobre gatos, deram leite de vaca para ela. Durante dois dias ela teve diarréia. Nunca se deve dar leite de vaca para gatos.
Eu não desisti. Nem ela.
Limpei a pequena com um pano molhado com uma mistura de álcool e vinagre (banhos com água e sabão são desaconselháveis antes dos 3 meses de idade, esse banho a seco é o mais indicado). Ela ficou toda feliz com o “banho a seco” porque esse tipo de banho dá a sensação no gatinho de ser “lambido” pela mãe. Limpei as orelhas (estavam imundas, acho que nenhuma mãe-gata limpava as orelhas dela há semanas). Ela dormiu desde o primeiro dia na minha cama. Ela deita em cima de mim, sobre o meu ombro, perto do meu cabelo, encosta a cabecinha na minha cabeça e ronrona, feliz.

Ao lado do computador, no começo de janeiro, quinze dias depois de ter chegado…
Alimentei com cuidado na primeira semana, com ração molhada especial para filhotes, leite especial para filhotes de gato e iniciei a ração seca como alternativa para ela aprender a comer. O veterinário indicou uma vitamina líquida para complementar. Nem mastigar a pequenina conseguia. Eu amasso a ração molhada com um garfo até hoje, para ficar ainda mais fácil para ela comer. Nos dois primeiros dias ela comeu como uma esganada, acho que tinha medo de passar fome. Logo, entretanto, percebeu que ia ficar morando aqui e que não faltaria comida e passou a comer com mais calma e só até onde seu estômago pede.

Ela sobreviveu o primeiro mês, mais crítico, está crescendo e ficando a cada dia mais linda. Está na fase de vermifugação, eu esperei ela ficar um pouco mais forte antes de ministrar o vermífugo. A seguir, vamos vacinar e ver quando marcamos a castração (para evitar que ela entre no cio e evitar que mais gatinhos venham ao mundo, uma vez que já há tantos gatinhos abandonados).


…debaixo da mesa, na caixa de “entradas e saídas”, cerca de quarenta dias depois de ter chegado. Reparem como o pêlo está brilhante.
A Mia é um amor de gata. Devido a seu passado difícil, ela tem medo de sair na varanda, mesmo com a rede de proteção. Só vai lá se eu for junto e ficar com ela, se eu entrar, ela vem atrás. Fica um pouco assustada quando eu preciso sair, mesmo eu conversando com ela, dizendo que eu volto logo. Me recebe com a maior festa quando eu volto pra casa, como se sentisse medo de ser abandonada novamente. É engraçado, eu abro a porta e ela sai de trás da porta. Ela espera primeiro para ver quem é.
Gruda em mim o tempo todo. Elegeu alguns locais próximos à minha mesa de trabalho, para ficar mais perto de mim quando estou em casa.

Foto tirada no começo de fevereiro: a Mia adora ficar “grudada” em mim. Usa meu braço de travesseiro, só pra ficar pertinho.

Olha só o tamanho que essa menina está ficando! Foto tirada em 15/02/2007
Gatos são criaturas amorosas e familiares. Diferente dos cães, que formam matilhas com um líder eleito por sua força e capacidade de comandar os demais cães, os gatos formam “famílias”. As pessoas que os adotam passam a ser parte dessa família. Gatos são desconfiados, porque na cadeia alimentar, eles tanto podem ser predadores como presas. Mas são extremamente inteligentes, aprendem até 300 palavras e se comunicam vocalizando e através de sinais, como franzir da testa, abano do rabo e outros sinais, fáceis de aprender e entender.
Gatos criam laços afetivos com as pessoas. Sabem distinguir adultos de crianças e ser cuidadosos quando brincam. A Mia nunca coloca as unhas de fora quando brinca comigo e quando “brinca de morder”, agarrando o meu braço e mordiscando, se eu falar “ai, ai” ela solta imediatamente e olha para mim, como quem pergunta “machucou?” Já brincou com meus sobrinhos, que tem 4 e 3 anos, com o maior cuidado para não machucá-los. Meu sobrinho é apaixonado por ela, porque ela é “pequena”. De todos os gatos que ele conhece, a Mia é a favorita.
Existem lugares que recolhem gatos de rua e gatos em condições difíceis. São pessoas bondosas que amam animais e sabem até onde a crueldade humana pode ir. Gatos são alvos preferenciais de pessoas maldosas, especialmente gatos pretos como a Mia. O ser humano parece não aprender a conviver com os animais, não aprende a respeitá-los apesar de se auto nomear como um “animal racional”. Por isso os centros de resgate e adoção de animais são tão importantes.
Alguns centros bacanas cujas atividades eu conheço bem são os dois a seguir:
- SOS Gatinhos
A Leila está precisando de ajuda. Tem mantido o SOS Gatinhos com dificuldades financeiras. Pode-se adotar um gatinho “virtualmente” com uma contribuição mensal. A Leila aceita doações e vende camisetas também. Ajudem a Leila a manter o SOS Gatinhos!

Adote um gatinho virtualmente:
com 23 reais por mês, você ajuda a Leila a continuar socorrendo gatinhos abandonados.
- Adote um Gatinho
Eles me ajudaram a conseguir um lar para a Bibi, uma de minhas siamesas. Foi lá que conheci a senhora que ficou com ela e que ficou tão feliz em adotá-la. Sempre recolhem gatinhos, cuidam deles e colocam para adoção. Mesmo que você não queira adotar, pode contribuir comprando uma camiseta.
O ideal é as pessoas que querem ter um animal pensarem muito bem antes de adotar um. Animais não são brinquedos, são um compromisso. Muitas pessoas “compram” cães e gatos, e depois que o animal não é mais um “filhotinho”, os abandonam na rua. Só que um cão ou gato domesticado não tem mais condições de se defender sozinho no mundo, cria confiança nas pessoas, fica vulnerável a maus tratos e agressões. Os centros de controle de zoonose muitas vezes são o destino final desses ex-amigos-do-homem, onde podem também sofrer maus tratos e terminam sacrificados, nem sempre de forma humanitária.
Pensem nisso tudo. E se quiserem ter um bichinho que será uma companhia amorosa e dedicada por toda sua vidinha, adote. Animais resgatados são ainda mais amorosos e eternamente gratos a quem os resgata. Basta ver a Mia.

